Notas iniciais
Habena:
1. rédea do cavalo;
2. chicote.
Hao me mostrou lugares que sequer imaginei que existiam. Paisagens onde nenhum ser humano havia pisado além de nós. Não havia limites—nem mesmo o céu. Tudo que eu pedisse, Hao realizava.
Me acostumei com sua presença e com seu silêncio. Passei a ver nele, hábitos que não possuía antes de ser o Shaman King.
Quase nunca dormia, mas quando o fazia, seus sonhos eram povoados por pesadelos. Muitas vezes, o pegava perturbado, o olhar perdido como se carregasse o mundo atado à uma habena.
Passamos muito tempo assim: viajantes sem rumo.
Por vezes, Hao me mostrava Hana em recortes de visões e sempre que me questionava se eu queria vê-lo, eu dizia que não. Ele estava bem. E eu não me sentia preparada para abrir mão disso e me tornar a mãe que deveria ter sido e nunca fui.
Finalmente, em um dia onde o sol pairava sob nossas cabeças, eu estendi a mão para Hao.
— Vamos.
— Para onde? – ele questionou.
— Para nossa casa.
Sarpamos uma última vez, e encontramos Hana adormecido em sua cama. Eu abracei meu filho pela primeira vez. E nunca mais mergulhei no tédio, pois finalmente compreendi que o silêncio dele era o meu lugar.
Notas finais
Finalmente, como tudo começa, também termina! Confesso que esse capítulo foi mais difícil de pensar do que eu gostaria, porque a palavra do dia não facilitou muito pra mim. Tinha pensado em diversas vertentes para esse final, mas optei por aquela que fazia mais sentido, de uma Anna compreendendo que o tédio dela na verdade se referia ao fato de que ela não conseguia buscar um sentido para a vida.
Não se trata de Hao fazer suas vontades, mas dela se sentindo bem. Não quis colocá-la voltando imediatamente para o filho, porque, né, deixa os pombinhos aproveitando a lua de mel um pouco.
No fim das contas, o tédio foi embora com as coisas simples. Foi o que eu quis passar. Espero ter conseguido.
Espero que vocês tenham gostado. Eu gostei de trabalhar essa fic, os pensamentos da Anna e a forma como tudo aconteceu. Foi gostoso ter que pensar para encaixar as palavras chave e confesso que nenhum capítulo teve planejamento, então peço desculpas se parecer que a história foi meio solta. Eu acabava planejando de acordo com a palavra do dia, mas isso não significa que a história não tinha um andamento coerente na minha mente.
Mas, por exemplo, a palavra 'sarpar' foi o que deu o rumo que a história acabou tomando, visto que eu tinha um planejamento que não envolvia voltar a trama para o lado da ação, como acabou acontecendo com o Yoh sendo sequestrado. Em um dos meus planos, era o Hana que acabava sendo sequestrado, o que envolveria um grande drama familiar, mas eu não quis fazer isso, porque eu não vejo Yoh abandonando o filho caso ele precisasse de sua ajuda desta forma.
Bem, talvez ele abandonasse q
Enfim.
Me despeço nessa fic de vocês, mas não significa que não possamos nos encontrar em outras mundo afora.
Espero que tenham gostado tanto quanto eu!
Até logo, porque adeus é uma palavra muito forte.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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