Notas iniciais
Pleitear: discutir, argumentar, exigir algo.
Estou equilibrando uma bandeja com chá à porta do quarto quando escuto a voz de Hao pleitear:
— Como pôde trair ela, otouto?! – Há raiva em seu tom e o calor que sai pela fresta da porta entreaberta é o prólogo para um desastre.
— Eu não planejei isso. Nunca quis magoá-la. – Estou prestes a intervir na discussão, quando Hao prossegue:
— Mas magoou. E abandonou o seu filho. Tudo porque achou que o mundo precisava mais de você. Que aquelas pessoas precisavam mais. Eu sou o maldito Shaman King. Não você.
Hao respira fundo e a temperatura no quarto cai.
— Gomene, nii-chan. – Yoh parece um cachorro abandonado e ferido. – Sei que está sobrecarregado. Sei que sozinho é difícil.
— Isso está em você, Yoh. Essa culpa. – Hao aponta para ele. – Escolheu abandoná-la e sua família por uma paixão qualquer. Por um mundo que não pode ser salvo. Os humanos o condenaram.
— Para tudo há um jeito. – Yoh sorri. — Cuide bem dela, nii-chan.
Engulo em seco, sentindo as mãos trêmulas quando Yoh ergue os olhos em minha direção, cheios de lágrimas e culpa.
“Eu sinto muito.”
Aquela memória me atravessa como uma espada. Eu não entro no quarto
com o chá.

Notas finais
Caramba, esse foi o capítulo mais difícil de todos para mim. Primeiro, porque eu pensei em narrar ele da perspectiva do Hao, e teria sido infinitamente mais fácil. Mas depois eu pensei que não faria sentido, porque o Hao não é o protagonista. A Anna é. E eu não queria deixar subjetivo o que ela iria sentir a respeito desta discussão.
O negócio é que Yoh escolheu o mundo ao invés dela. Ele a amava - a ama - mas simplesmente não pode suportar que o mundo esteja sendo destruído sem fazer nada por isso.
Hao é o Shaman King, onipresente e onipotente, mas o que Yoh sabe é que o irmão não pode intervir em tudo. Ele é um observador. Infelizmente, se tornar o Shaman King não significa que você pode mudar completamente o mundo. O livre arbítrio dos humanos ainda persevera.
E Hao os odeia por ver o que escolhem fazer com o mundo.
Eu não sei se a imagem que escolhi é um fanart, eu acho que sim. Mas ela é maravilhosa. Tem uma cena em Osorezan Que Yoh faz a mesma coisa. Ele coloca seus fones de ouvido sobre as orelhas de Anna quando ela está fora de controle e deixa a música do Bob (seu artista favorito) rodar. E isso abafa o som dos pensamentos e das pessoas.
Eu acho que é uma das memórias mais lindas dos dois. E eu gosto de imaginar que Yoh a ama apesar de tudo. Mas que os dois não são compatíveis por seus ideais. O amor de Anna por Yoh é incondicional, e vice-versa. Mas os dois não podem ser felizes juntos. É mais ou menos da forma que eu vejo as coisas.
Eu vejo Hao amando a Anna. Inicialmente, aquele desejo insano de tê-la como sua rainha por conta da força dela. Mas eu o vejo amando ela. Até porque, Yoh e Hao não deixam de ser a mesma pessoa. Os dois dividem o mesmo espírito. Como não sentir? Isso fica claro em algumas passagens do mangá pra mim.
Enfim, se for uma fanart e alguém souber de quem é, eu dou os créditos.
A culpa sempre consumirá Yoh, mas ele continua achando que Hao cuidará melhor da Anna. Pelo menos na minha fic. Essa memória eu quis colocar como uma forma de o Yoh demonstrar o carinho que sente pela Anna.
Estamos chegando ao fim e eu me apeguei tanto com essa fic. Ela foi meu retorno para o mundo das fics aqui no Nyah, porque tem muito tempo que eu só trabalho no meu projeto de Arrow.
Mas estou bastante satisfeita com a proporção e o resultado dela, mesmo sabendo que quase ninguém vai ler ou comentar. Só posso agradecer por aqueles que fazem isso. Me deixa muito feliz mesmo.
Enfim.
Até o próximo, mais perto do fim!
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