Fast And Furious- Miami
18 Uma Nova Amiga
Notas iniciais
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18- Voltando ás origens.
Não vou mentir. O tempo que eu fiquei em NY para me acostumar de novo foi o pior da minha vida. Sem ação, sem mais nada, só escola (eu havia voltado de férias exatamente quando voltei para Nova York, que azar), casa, escola, casa. Na escola eu era zoado, ficava de cabeça baixa na aula inteira, autistando, sem prestar atenção em nada. Minha vida estava péssima. Comecei a conversar por e-mail com Selena. Ela me disse que as coisas lá em Miami não estavam melhor do que eu estava em NY. As operações falhavam, eles quase haviam sido mortos várias vezes, e ela estava brigada com Kendall, o que piorava tudo. Certo dia, ela me escreveu: Sem você nada funciona.
Eu acho que ela disse aquilo só por dizer.
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Kendall P.O.V.:
Eu não queria admitir, mas as coisas estavam correndo de um jeito terrível sem Justin. E eu sabia que a culpa era minha. E que não havia mais volta. Ele havia ido embora, aonde estaria em segurança. Não iria mais entrar em missões do FBI, estava traumatizado demais para tentar de novo aquela façanha. Fizemos o mesmo esquema da Operação Chip 1, só que adaptado, para a Operação Chip 2. Deu errado duas vezes, mas na terceira tentativa, nós saímos com um chip bônus em mãos. Mas aquela conquista não deu o gostinho de vitória, nem nada, quando estávamos na Washington Avenue, correndo á uns 200km por hora, fugindo de uma liga de Ferrari’s negras, com homens armados nos perseguindo, a única coisa que sentimos foi a sensação de morte iminente. Sem Justin tudo dava errado. Nós nunca fomos pegos com Justin, só haviam acontecido alguns imprevistos. Nunca falhamos com ele como navegador, sempre conseguíamos alguma coisa, nem que fosse um nome. Sem ele, quase morremos várias vezes. E, Selena nem olhava mais na minha cara. Ela conversava com Justin por e-mail, mas eu sabia que não era a mesma coisa, eu sabia que ela o amava, apesar de eu ainda gostar dela, eu estava começando a aceitar isso. E eu sabia que o culpado daquela fase ruim da vida dos dois era eu. Se não fosse por mim, ele não seria seqüestrado, ele não seria abusado nem torturado, eu não o chamaria de frouxo, ele não ficaria mal, e Selena não precisaria mandá-lo de volta para Nova York para protegê-lo. E, felicidade geral. Certa noite, eu vi o computador aberto no e-mail de Selena, e li todas as mensagens de Justin. Sabia que era errado, mas eu li. Eles trocavam mensagens carinhosas, e Selena lhe dava um relatório de tudo (de bom) que estava acontecendo. Eu me senti mal quando vi a quantidade de Sinto saudades de você da parte dos dois. Bastante. Também me senti muito mal quando Selena apareceu atrás de mim.
- O que está fazendo?! – Ela perguntou, raivosa, atrás de mim. Eu me virei, surpreso.
- D-desculpa, eu só... – Eu gaguejei. Fiquei num pânico de trinta segundos.
- Seu infeliz, já estraga tudo e ainda fica espiando meu e-mail!! – Ela gritou, me tirando da frente dela. – O que aconteceu com seu caráter?! Com o pouco de caráter que você tinha, aliás?!
Eu suspirei, sabia que ela estava certa.
- Desculpa. – Eu respondi. – Desculpa por tudo. Sei que eu agi feio um idiota nesses dias depois que o Justin voltou para casa, e... Eu sinto muito. Eu sei que sou o culpado de tudo isso.
Ela suspirou, depois, soltou um soluço, fechou seu notebook e foi embora. Eu bufei e me sentei no sofá. As coisas pareciam piores daquele jeito. No dia seguinte, Selena não saiu do seu quarto. Ela parecia uma mistura de doença e tristeza, mas estava tão mal que nem levantava da cama. Estava com quase 40 graus de febre, pálida. Eu fui sozinho para Miami Beach, estava decidido a cumprir a missão aquele dia, e pelo menos ter um motivo de alegria. Tínhamos três chips em nossa posse, não seria tão difícil ter os outros três. Era só fazer do mesmo jeito que eu e Selena fizemos no resgate de Justin: Meter bala em todos que cruzarem o meu caminho. Foi isso que eu fiz. Royalton não estava lá, e eu agradeci por aquilo. Invadi a tenda que eu sabia que escondia os chips, e peguei todos os cofres dos chips de uma vez. Voltei correndo para o Mach-6 e sumi de lá sem deixar rastros. Era ótimo. Missão cumprida em tempo recorde. Quase.
Me senti como Justin quando pegou o primeiro chip e foi pego quase que no flagra, quando eu comecei a ser perseguido. Consegui despistar, bem, atirando nos pneus do carro que me perseguia, e, logo estava no QG de novo. Caminhei em silêncio até o quarto de Selena e abri a porta. Ela ainda estava deitada na cama, e, quando me viu, desviou o olhar.
- Missão cumprida. – Eu disse. Ela me fitou, com um olhar duvidoso.
- O quê? – Murmurou. Eu mostrei os cofres, já abertos, com os chips dentro.
- Temos todos os chips. Acabei de pegá-los. – Falei, num sorriso. – Falamos para Mirage e pronto, voltamos para Nova York e você, para seu amado.
Ela sorriu. Haviam se passado exatamente um mês desde que Justin havia ido embora, e, bem, eu acho que as coisas lá não estavam indo tão bem. Uma nevasca em Nova York nos impediu de nos comunicarmos com Mirage, os telefones davam ocupado, não respondiam os e-mails que mandávamos.
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Justin P.O.V.:
Era terrível. Quase duas semanas e meia depois da minha volta para casa, uma nevasca atingiu todo o estado de Nova York, Washington e Louisiana. Ficamos sem telefone ou internet, uma falta geral, ninguém tinha, e, só a TV funcionava, e olhe lá. As aulas foram suspensas, eu passei a sobreviver dos jogos que eu tinha no computador, livros e desenhos que passavam de manhã na TV, que eu não via desde que havia saído do orfanato. Eu comecei a perceber a falta que Kendall fazia para Steve e Kate, e, bem, eu não me senti tão bem ao perceber que Steve nem dirigia palavra a mim. E eu percebi que a minha vida estava errada. Eu estava no lugar errado, na casa errada, na família errada. Os Knight não eram mais a minha família. Doía pensar naquilo, mas era verdade. Eu só ficava na casa deles. E eu era um fardo. Para todos.
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