Notas iniciais
Décimo capítulo!
Nesse capítulo, Rushers, não me espanquem, não me agridam, mas eu fiz o Kendall ficar um pouquinhozinho cretino...
Enjoy :)

10- Culpa.


Kendall P.O.V.:


Entrei na tenda de Royalton, e vi Selena, seminua, no chão. Ela estava ferida, e eu podia ver o sangue vaginal dela sujando suas pernas. Murmurei uma praga a Royalton. Depois, vesti rapidamente Selena, coloquei-a nas costas e levei-a até meu carro, e então voltamos para o QG. Eu estava a 150km/h, estava em pânico, ela tinha um sangramento na cabeça que eu não conseguia estancar ali.

– Justin! Abre a porta! – Berrei, quando chegamos no QG, batendo na porta com força. Justin logo abriu a porta, e nos deu passagem, em desespero.

– Ela tá bem? O que aconteceu? – Ele perguntou, bem nervoso. Não respondi.

– Um pano! Um pano limpo! – Pedi. Ele correu até a lavanderia e trouxe uma toalha. Carreguei Selena até o sofá, onde deitei-a comodamente, e eu e Justin começamos a tentar estancar o sangue que saía do corte enorme de sua cabeça. Justin repetiu a pergunta que fizera.

– Ela foi estuprada, e levou uma paulada na cabeça. Muito obrigado, Sr. Nerd, agora ela corre risco de vida! – Gritei com toda a força que eu podia, esbravejando com Justin do melhor jeito que eu consigo. A diferença era que eu o estava praticamente torturando. Na verdade, eu nem pensava mais. Só estava em desespero. E jogando a raiva nele.

– Me desculpe! – Ele disse, e não conseguiu mais argumentar. Coitado, estava em choque, não consegui não sentir pena dele. Ele e Selena são muito amigos. Mas, eu não deixei a oportunidade passar, e, enquanto estancava o sangue, esbravejava com ele, falando coisas que não ousaria falar aqui, e fazendo-o chorar um pouco. Foi errado, muito errado, mas algo na minha mente me obrigou a fazer aquilo. Acho que foi meu lado de eu odeio meu irmão implorando por vingança, não sei, mas hoje eu me arrependo de ter feito aquilo. Enfim, eu consegui fazer um curativo e a levamos para seu quarto. Estava viva, bem, só inconsciente. Tirando isso e o corte, estava ilesa. Eu exagerei quando disse que ela corria risco de vida. O desespero de vê-la desacordada me descontrolou. Sei que estou parecendo um cretino agora. Justin mal conseguia ficar de pé. Discuti com ele, dizendo que a culpa era dele, e ele, chorando, mal conseguia responder. Até que ele deu as costas e foi até o quarto de Selena. Se ajoelhou aos pés de sua cama, e começou a acariciar seu cabelo.


Justin P.O.V.:


Ajoelhei aos pés da cama de Selena, e apoiei a cabeça no colchão, segurando sua mão. Imediatamente, comecei a soluçar, murmurando que sentia muito por ter deixado-a ser agredida. Era verdade. Bem, eu que não havia visto Royalton. Eu havia deixado acontecer. Pela segunda vez, alguém se feria por minha causa. A culpa pesava sobre mim, não só em meu psicológico, mas, muito, mas muito surpreendentemente, no meu físico. Havia um peso sobre a minha cabeça, que me impedia de levantá-la ou me por de pé. Era estranho, mas eu sabia que era a consciência pesada, literalmente. Eu chorava desoladamente de cabeça baixa, soluçava alto, e, nem percebi quando Selena abriu os olhos. Eu murmurava que sentia muito, que era um idiota, que havia deixado de ver uma coisa importante pela segunda vez, e, quando ela fez um Pssst!, eu levantei a cabeça com dificuldade.

– Justin. – Ela disse, com um sorriso. Eu sequei as lágrimas.

– Selena... Você... Você... Eu sinto muito! Foi sem querer! Eu não te avisei, eu... Eu devia ter visto! – Murmurei, com uma voz rouca. Ela me cortou, e disse, num tom acolhedor:

– Aconteceu. Foi um acidente. A culpa não é sua. Só é de Royalton. – Selena disse. Ela também estava rouca. Eu baixei a cabeça. Ela se lembrava?

– Royalton te estuprou, não foi? – Falei. Ela mordeu lábio inferior.

– Olha... Não foi nada. Eu estou bem, não estou? – Selena respondeu, num tom de despreocupação. Eu segurei sua mão.

– Desculpe. Eu... Eu devia ter visto...

– Foi um acidente. Tudo bem, ele fez, mas, eu estou bem! Não precisa se culpar! – Ela disse, se sentando. – Vamos, se levante. Sente aqui. – Selena disse, batendo no colchão. Fiz o que ela disse, e me sentei ao lado dela.

– Você está bem? – Perguntei.

– Uma dor de cabeça, mais nada. – Ela disse, remexendo o cabelo. – Estou ótima. Sou muito forte! – Selena brincou, fazendo uma pose parecida com as das mulheres de exibição de músculos. Eu ri um pouco.

– Você é louca, Selena Gomez. – Falei.

– E você gosta de mim. – Ela disse, com a língua de fora. Eu assenti.

– Ah, lembrei de uma coisa. – Falei. – Você fala enquanto dorme. Te vi dormindo, ontem.

– Me viu dormindo? O que eu disse? – Ela perguntou, corada.

– Eu te amo. Eu te amo, Justin. – Falei. – Repetiu isso a noite toda. – Eu falei. Ela corou mais ainda, e deixou uma mecha do cabelo escuro cair sobre seu rosto. – Quer saber? Eu também te amo. Muito, muito, muito. – Eu disse. Ela sorriu, e eu tirei o cabelo de sua face e a beijei.

Ela se abraçou a mim, e ficamos juntos lá, eu sussurrando em seu ouvido, dizendo o quanto era bom vê-la acordada, e que eu pensava que ela iria morrer por minha causa. Ela disse que eu ás vezes exagerava no que pensava, e eu não me contive e ri um bocado, concordando com ela, e dizendo que eu era dramático. Ela adormeceu em meus braços, e, assim que a vi ressonando em meu colo, deitei-a comodamente na cama, e saí. Era bom estar apaixonado por alguém como ela. Mas a culpa ainda era grande sobre mim. Ela iria ter traumas, era óbvio que sim! Quando quase aconteceu ela ficou apavorada, imagine quando aconteceu?

Flashback:

Eu resolvi ver como Selena estava, ela parecia horrível. Já havia passado por aquilo, meu pai já havia tentado fazer a mesma coisa comigo, eu tinha quatro anos. Estava frio, e escuro. Já passavam das dez e meia. Quando abri a porta do seu quarto, com um chocolate quente nas mãos, e vi que ela estava encolhida nos lençóis, vestindo uma camisa larga de moletom e uma calça de algodão.

–Você está bem? – Perguntei. – Trouxe um chocolate quente. Está meio frio hoje... Você quer? – Ela me fitou levemente, e disse vagamente que sim, e que queria o que eu trouxe. Sentei-me ao seu lado e entreguei a caneca a ela. Ela bebeu um pouco e disse, surpresa:

–Você quem fez?

–Sim, o que achou?

–Está muito bom! – Ela disse, sorrindo.

–Obrigado. – Ela suspirou, e eu resolvi abrir o jogo. – Sei que está assustada pelo o que aconteceu.

–E quem não me viu quase chorando?

–Não... – Disse, paciente. – Sei mesmo. Sei como é sentir na pele assim... – Disse. Ela pareceu totalmente em choque, e me fitou com um olhar surpreso.

–Quer dizer que... Você já...

–Quase.

Fim do Flashback;

– Deus, eu sou um idiota... – Murmurei, caindo de cara no colchão do meu quarto.

– Qual é, cara, não se condene tanto. – A voz de Kendall soou pelo quarto. Eu me levantei e olhei para trás.

– Qual é, antes você estava falando que eu era culpado de tudo, agora me vem falando pra eu não me condenar? – Falei.

– Desculpa, maninho, eu exagerei. Sabe, o pânico da hora, o nervosismo... – Ele disse. – Pode me perdoar?

Eu suspirei, e assenti com a cabeça. Depois o enxotei, dizendo que queria dormir. Ele deu uma risada e saiu. Eu bati com a cabeça no travesseiro e fechei os olhos. Adormeci. Quando abri os olhos, tudo estava escuro. Eu estava sozinho num vazio. Ouvia vozes. Vozes que eu conhecia. “Filho”, “espere o inesperado”, “tudo está prestes a mudar”, eu ouvia essas coisas. Não, eu não sou perturbado mentalmente (um pouco), eu só... Tinha muita coisa na cabeça, e meu consciente pareceu querer me pregar uma peça.

Algumas coisas eu ouvia na minha voz, outras na voz de Selena, uma mulher, que deduzi ser a minha mãe, um homem, meu pai, esse eu reconhecia... Mirage, Steve... Kendall... Abri os olhos em sobressalto quando um rosto apareceu do nada. Meu pai. Arfei, sentando na cama do meu quarto. Meu peito doía. Eu suava. Era só um sonho.

Só um sonho, repeti para mim mesmo. Aquilo tinha sido perturbador. Era besta, mas... Era como se todas as pessoas que eu procurei a minha vida toda estivessem bem ali, ao meu lado, e eu nem estivesse percebendo. Minha mãe, meu pai... Eu era besta, então... Era o máximo que podia sair de mim.

Ou não.

Notas finais
Comentem e divulguem a fic! Feliz 2012!