Fashion And Diamonds.
10 Capítulo 9 - Chickenpox
Notas iniciais
Antes de tudo, obrigada a todos vocês, que leem, acompanham, deixam reviews e recomendações. Eu amo todos vocês, como sempre.
Agradeço especialmente a Meliare, que começou a acompanhar a fic e já deixou uma recomendação incrível, que me deixou boba! Eu adorei, muito obrigada Meliare querida!
F&D está chegando numa fase que eu sinceramente, não esperava chegar. 10 capítulos (com o prólogo, claro), quase 100 reviews, e quatro lindas recomendações. Está crescendo, e eu sinto que com ela, e com todos vocês, eu também cresço a cada dia.
É muito gratificante saber que estão gostando. Este cap está diferente dos outros, eu também fiz nossos personagens "crescerem" um pouquinho, e se entenderem melhor. As coisas vão começar a tomar um rumo.
Mas claro que eles ainda vão brigar MUITO!
Obrigada a todos, e uma boa leitura!
PS: Vamos combinar, nome deste cap ficou ridículo hahaha.
Senti o gosto estranho na boca antes de abrir os olhos. Que porcaria era aquela?
Grunhindo, me levantei da cama. Meus olhos ainda pesavam de sono. Passei a língua nos lábios e estranhei o gosto de menta. Abri os olhos lentamente enquanto me sentava, sentindo o lençol escorregar, exibindo meu peito ao ar frio da manhã.
— Que merda é essa... — Murmurei, levando as mãos ao rosto e as afastando. Estavam brancas com algum creme. Analisei mais cuidadosamente, até perceber que era pasta de dente.— Ora... — Anunciei irritado, e ouvi um risinho. Ao me virar, dei de olho com Bryan, que tinha o tubo de pasta em mãos e ria. — Seu peste! — Eu gritei, pulando da cama, e ele saiu correndo, rindo. Pude ouvir o riso de meus outros irmãos se juntarem aos dele quando ele saiu pelo corredor. — Eu vou te matar! — Gritei, parando na porta. Ele já sumira escada abaixo, e eu ouvi meus outros irmãos com ele. Droga, que peste!
Voltei pro quarto, cansado e fui pro banheiro. Que bela maneira de acordar, com meu irmão encapetado tirando uma comigo. Ele ainda ia se ver comigo.
Ainda eram 10 da manhã do sábado. Eu pretendia dormir pelo menos até às onze, mas agora já tinha acordado mesmo, era melhor ir ver o mundo. Me olhei no espelho do banheiro, e vi que meu irmão tinha coberto toda minha barba com a pasta. Resmunguei irritado, ele ia me pagar por aquilo.
Aproveitei o pique, e fiz minha barba. Cotter sempre me enchia o saco por causa dela, hoje ele não teria muito do que falar. Eu não gostava muito de fazer a barba, mas no final o trabalho ficou bom, e meu rosto estava liso como o de um bebê.
Aliás, falando em Cotter, hoje eu ia encontra-lo. Faz duas semanas que eu não o vejo, porque o babaquinha conseguiu pegar catapora— com 17 anos, só pra constar. — e não estava indo pra aula, ficando de repouso em sua casa. Ele insistia que a culpa era minha porque eu forçara ele a ir na academia semanas atrás, mas eu sei que não faz o menor sentido. Hoje eu ia lá na casa dele, tanto para ver ele, quanto pra passar a matéria que ele perdeu nas aulas. Eu não ia admitir, mas estava morto de saudades.
Sim, no fim das contas eu e Cotter estávamos grandes amigos. O que me parecia impossível alguns meses atrás, estava indo até bem. Ele não me irritava tanto mais, e por algum motivo, eu queria ele por perto. Às vezes era meio confuso, mas eu gostava dele. Gostava de ver ele, todo vermelho e sem jeito, com as roupinhas ajeitadinhas e aquela chatice dele, gostava quando ele reclamava de tudo e xingava os outros, e gostava quando ele fazia careta pras roupas que as pessoas vestiam.
E ás vezes, eu tinha vontade de apertar ele até ele ficar da cor de uma pimenta e me ameaçar de morte Gostava de beijar o rosto dele e fazer cosquinhas no pescoço, fazendo ele dar quelas risadinhas gostosas. Mas não, eu ainda não acho que tenha nada relacionado com eu ter beijado ele. Somos amigos, e amigos fazem essas coisas.
Não fazem?
Claro que fazem. Eu sei que fazem.
Enfim, terminei de me barbear, tomei um banho pra acordar de vez, e fui pro meu quarto apenas de toalha. Comecei todo o processo de escolher minhas roupas, me sentia meio intimidado em ir a casa de Cotter sem me vestir um pouco melhor quando o pai dele usava Dolce e Gabbana para dormir e a mãe dele usava um avental da Louis Vuitton para cozinhar. Eu ligava pouco para marcas de roupa em si. Eu gostava de usar Nike, Adidas e Puma, marcas mais descoladas e menos sérias, mas Cotter insistia que estas não eram grifes, e sim multimarcas que por acaso faziam roupas.
Consegui escavar uma camisa de mangas compridas verde-escura Prada, que eu abotoei até em cima, deixando apenas o primeiro aberto. Depois eu peguei uma calça jeans cinza-clara Calvin Klein e um par de tênis da Lacoste. Me analisei no espelho e arrumei meu cabelo. Quando achei que já estava aceitável, me despedi da minha família e ameacei meus irmãos antes de sair. Nem tomei café, sempre tinha comida na casa do Storm.
Não demorou muito para que eu chegasse até a casa de Cotter. Cumprimentei o porteiro, que já era quase um amigo depois de tantas vezes que eu aparecia de surpresa. Ele abriu os portões pra mim, e quando eu toquei a campainha, um mordomo apareceu.
Eu sei reconhecer um mordomo, porque eu também tenho um. Este era um homem já de certa idade, bem vestido e simpático. Parecia um homem bondoso.
— Senhor Prey. — Ele deu um sorriso educado. — Por favor, entre, o Sr. e a Sra. Storm estão tomando o desjejum.
Sorri em concordância e entrei com ele, seguindo até a cozinha. Os pais do Cotter estavam na grande mesa sentados, com um banquete em sua frente. O cheiro me atingiu como um soco na cara. Realmente, a Sra. Storm era mesmo uma grande cozinheira, só o cheiro já me deixava com água na boca.
— Edmure! — Ela anunciou com um sorriso, soltando a torrada com ervas na qual ela passava manteiga. — Oh, que bom que você veio! — A pequena mulher veio até mim. Seu sorriso era idêntico ao do Cotter, reparei. — Sente-se, vamos tomar café. O Cotter ainda está dormindo.
Ela me levou até uma cadeira, e eu me sentei, admirando a mesa. Havia panquecas, bacon frito, pães variados, manteiga e creamcheese caseiro, um belo bolo, uma torta, e muitas frutas, além de jarros de suco, leite e café. O Sr. Storm me cumprimentou com um sorriso, tomando sua xícara de café.
— Bom dia Edmure. — Ele disse quando me sentei.
— Bom dia Sr. Storm. — Ele estava usando um belo terno formal. Pelo jeito ia trabalhar no final de semana.
Um prato apareceu na minha frente, e a mãe de Edmure voltou a se sentar.
— É bom que veio. O garoto tá meio sozinho esses dias. — O homem continuou, enquanto eu me servia de um copo de suco e algumas panquecas. — Sabe, ninguém de casa pegou catapora, então só o mordomo vai vê-lo.
Que raios de família era aquela? Imortais?
— Coitado. — Murmurrei, sem saber bem o que dizer. O pai do Cotter era uma versão maior do mesmo. Eu me sentia como se estivesse vendo o Cotter do futuro falando comigo. — Mas ele me disse que já está melhorando.
— Ah sim. Logo ele não vai mais transmitir pra ninguém. — O homem deu um sorriso, se levantando. — Com sua licença, agora eu preciso ver algumas coisas da revista. — Ele se retirou, elegantemente. Era um coroa bem bonitão.
Eu comecei a comer daquela deliciosa comida. Logo, conversava coisas banais com a Sra. Storm, que era uma mulher doce e agradável, que de algum modo lembrava a minha mãe, que era irritada e violenta. E cozinhava incrivelmente bem.
— Ele vive falando de você. — Ela comentou, quando perguntei sobre o Cotter. Por algum motivo, senti meu peito esquentar, numa sensação engraçada. — O Edmure aquilo, o Prey isso... — A mulher se inclinou, com um sorriso doce nos lábios. — Cotter gosta muito de você.
Senti minhas faces corarem. É, corar não era algo que só o Cotter faz.
— Ele é um ótimo amigo. — Respondi sem jeito, enfiando o último pedaço de bacon na boca, e engolindo. A mulher riu. — Posso ver ele agora? — Perguntei com meu tom mais simpático.
— Claro que sim, pode subir. Sabe o caminho certo? — Ela disse, se levantando. Eu assenti e me levantei. — Ele deve estar dormindo ainda, mas dê uma olhada. Qualquer coisa, estarei na sala de estar.
Agradeci e segui para o quarto do pequeno. O caminho era fácil, mesmo a casa sendo enorme, e logo eu estava na frente de sua suíte, que tinha a porta d emadeira branca fechada. Abri com lentidão e delicadeza, se ele estivesse dormindo, não queria acordá-lo.
O quarto estava bem iluminado, as janelas abertas permitindo a entrada do sol da manhã. Reaprei no quarto: uma grande porta que eu sabia levar ao gigantesco Closet, uma estante com alguns livros, uma mesa com uma luminária e um computador, e uma cama king-size, onde eu pude ver uma cabeça preta saindo de um grande edredom branco.
O quarto tinha o cheiro dele, doce e gostoso. Percebi o quanto eu senti a falta dele nesses dias, e meu peito se esquentou novamente.
Me aproximei silenciosamente da cama. Cotter estava embolado nas cobertas e deitado de lado, de costas pra mim. Me aproximei mais, e pude ver o pequeno.
O sol batia bem em sua cama, e ele estava deitado sobre uma mão, coberto até os ombros. Definitivamente, não parecia nada com aquele monstro que eu conhecia e odiava. Dormindo, Cotter era até angelical. Tinha a expressão tranquila naquele rosto bonito dele, os cabelos pretos e ondulados estavam bagunçados, e os lábios rosados e bonitos de sempre. Estava visivelmente sem camisa, e eu sabia que era por causa da catapora, que incomodava quando se usava camisa. A pele branca tinhas algumas das típicas marcas vermelhas da doença, mas ele parecia muito bem, apenas com algumas na mão, e bem poucas no rosto. Aquilo era bom, ele odiaria ficar com marcas no rosto.
Me sentei ao seu lado, e percebi que tinha um sorriso bobo nos lábios. O cheiro dele invadia mais meu nariz agora, e eu tinha vontade de tocar na pele branca do pescoço dele, que eu sabia ser sensível. Droga, eu estava me distraindo novamente!
Eu não podia fazer aquilo. Não podia. Cotter é meu amigo.
Tirei uma mecha do seu cabelo de sua testa, e ele se moveu levemente sobre meu toque. Droga, lá estava meu sorriso idiota de novo. Não me pergunte porque eu estava sorrindo, que eu não sei.
Acho que satisfação. Eu me sentia muito bem em ficar olhando o pequeno ali, daquele jeito. Era como se eu pudesse ficar vendo-o assim por anos.
Afaguei aqueles cabelos macios com os dedos. Ele parecia abatido. Acho que tinha perdido peso também. Coloquei minha mão em sua testa, e percebi que ele estava quente, mas era normal para quem estava com catapora. Meu peito se apertou de pena.
Quando afastei minha mão da testa dele, Cotter se moveu, om um grunhido baixo, deitando-se de costas no colchão, a coberta escorregando um pouco e exibindo seu peito. Nunca tinha visto ele sem camisa, não era forte, mas também não era raquítico. A pele era bem branca, como o resto, e seus mamilos rosa-claro.
Deus, estou reparando nos mamilos de um cara.
Sabe, eu evitava pensar muito naquilo. Mas eu me sentia diferente com Cotter. Ele era uma pessoa incrível, e ao mesmo tempo, chata. E sempre que ele corava, ou dava seu sorriso sem graça, ou me tocava daquelas maneiras inesperadas dele, eu sentia meu peito esquentar, numa sensação boa e agradável. E sempre que eu ficava com ele, eu tinha vontade de tocar nele, abraçar ele, sentir toda aquela miudeza nele em meus braços.
Não queria pensar muito naquilo, mas talvez, eu estava entendendo aquele beijo alguns meses atrás.
— Você tá sempre me causando encrencas hein pequeno... — Murmurei. Sem perceber, eu estava me inclinando, minha mão acariciando seus cabelos. — Seu azarado.
Colei meus lábios em sua testa, quase inconscientemente. Ele não se moveu.
Não sei bem como, nem porque fiz aquilo, mas quase sem perceber, desci meu rosto, e bem de leve, o beijei nos lábios, num movimento menor que um selinho. Meu coração estava disparado, e meu peito fervia.
Quando percebi o que estava fazendo, me afastei rapidamente. Droga, droga e droga!
Eu não entendia porque essas coisas aconteciam quando eu estava próximo de Cotter Storm. Eu me perdia, perdia o controle de minhas ações, e quando eu percebia, já tinha feito algo de que eu me arrependeria, e que eu não planejava.
Ah, do que adiantava me enganar naquela altura do campeonato?
Eu não quero ser gay. Não quero nem pretendo ser.
Mas ao mesmo tempo... De alguma maneira, eu quero ficar com o Cotter.
Quero ficar com ele, mas não aguento ser só amigo.
Me levantei e caminhei pra porta. Eu precisava de um tempo pra pensar novamente. Precisava me afastar do garoto. Coloquei a mão na maçaneta do quarto pra sair, mas ouvi um barulho.
— Edmure? — A voz estava cansada e sonolenta, e eu não consegui me mover. Virei lentamente, soltando a porta.
Cotter estava sentado. O edredom branco descera até sua cintura, exibindo várias marcas vermelhas em seu tórax. Ele me encarava com a confusão comum da sonolência, e coçava um dos olhos sem jeito.
Meu peito basicamente entrou em colapso na hora.
— Fica mais um pouco. — Ele disse, voltando a se deitar, mas dessa vez me encarando com aquelas olhos cinzas e bonitos.
Quando percebi, eu sorria. Eu não conseguiria ir embora com ele fazendo aquela cara.
— Eu não vou te deixar, idiota. — Respondi, e voltei pro lado dele. Me sentei ali.
Quer saber? Melhor deixar rolar.
O que tiver de ser, será.
—
Eu ainda estava meio grogue de sono quando o Edmure se sentou do meu lado na cama. Estava tendo um sonho com ele, mas não me lembrava bem o que era. Droga, sonhar com ele só podia querer dizer que eu estava com saudades, maldição.
Mas eu estava mesmo, uma semana sem ver meu grandão estava me incomodando.
Aliás, não meu. Só grandão.
Me deitei novamente. Estava muito cansado, com aquela moleza conhecida da febre, o corpo dolorido, e aquela maldita coceira causada por aquelas feridinhas. Aquilo incomodava mais do que tudo.
— Você fez a barba. — Eu comentei, sonolento. Foi a melhor coisa que eu consegui pensar no momento, e ele riu.
— Claro que fiz. Você me enche demais o saco por causa dela. — Edmure se inclinou e colocou a mão na minha testa. Senti meu rosto esquentar, e disse pra mim mesmo que era a febre. — Você tá com febre.
Fui responder, mas tossi. Novamente, tentei falar.
— Pega aquele remédio na estante, por favor. — Eu pedi, e puxei o edredom por cima do meu peito. Não queria que ele ficasse vendo aquelas marcas em mim.
Eu estava mesmo sentindo falta dele, e ver ele ali estava sendo ótimo. Aliás, o que ele estava fazendo ali?
— Por que você tá aqui? — Perguntei, minha voz saindo meio fraca.
— Pra cuidar de você. — Ele disse, enquanto lia a bula do remédio. Se aproximou novamente.
Em outras ocasiões, esta seria uma ótima chance de começar uma briga. Edmure usaria um tom sarcástico, e eu entraria na dele, desencadeando uma briga extrema. Mas não ia fazer aquilo. Por alguma razão, eu não estava querendo briga.
O grandão me trouxe um copinho pequeno com o xarope, que e me entregou, se sentando na cama. Ergui minha cabeça e tomei, sentindo o sabor exageradamente doce.
— Valeu. — Eu disse, voltando a me deitar. — Como foram as aulas?
Deste momento em diante, conversamos sobre coisas aleatórias. Num certo ponto, Edmure se deitou ao meu lado na cama, e eu fui mais para o canto. Não foi nada demais, nem nos tocamos porque a cama era grande, mas eu senti algo bom no meu peito. Continuamos conversando, desta vez deitados. Já haviam me trazido o almoço e o café da tarde, quando eu percebi que já estava anoitecendo, e eu morria de cansaço pois tinha tomado um comprimido que dava muito sono durante a tarde. Logo, eu pescava com dificuldade na cama.
— Você devia dormir. — Comentou Edmure, ficando de lado na cama, e me encarando com aqueles olhos ridiculamente bonitos. Eu estava meio grogue da doença e grogue dos remédios, sem raciocinar direito, então apenas respondi com simplicidade.
— Não quero que vá embora. — Falei, e quando percebi como soava, nem liguei. Meus olhos insistiam em se fechar.
De olhos fechados, senti braços fortes me envolvendo de forma cuidadosa. O cheiro do perfume do grandão invadiu minhas narinas. Ele puxou minha cabeça, apoiando minha testa no peito dele.
— Eu não vou embora. — Ele sussurrou.
— Você é mesmo... Um idiota, sabia? — Eu tentei dizer, mas já estava sendo levado pelo sono. — Eu já não disse pra não fazer isso?
— Dorme, Cotter. — Ele murmurou em meus cabelos.
E pela primeira vez, eu dormi nos braço de Prey, com o peito quase explodindo com alguma coisa que eu não sabia o que era.
Mas era bom.
Notas finais
Próximo capítulo, semana que vem!
E será um ESPECIAL! (Nada de páscoa! Só vai ser especial porque é o cap 10!)Ainda não tenho certeza do que será, mas será diferente.
Deixem reviews para que eu saiba o que estão achando!
Beijos, uma boa semana, e tudo de bom meus lindos!
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