Fashion And Diamonds.

35 Capítulo 34 - Family.


Notas iniciais
AO GALERO! Finalmente postando! Agradeço a todos os reviews! E bem, vamos ao cap! Agora, com a família Prey finalmente dando as caras, junto com os Clarke! Tem muitos personagens novos (25 D:) e tá bem corrido, mas é assim: não vou trabalhar todos com muito aprofundamento porque né, não dá. Então esse cap super superficial apresentou todo mundo, mas vou apresentando alguns personagens com mais detalhes, outros com menos nos próximos caps! Espero que gostem! Muito obrigada! Beijos e boa leitura!

— Ei, não precisam ficar assim, é só acenar e sair bem nas fotos, que eles não escreverão nada além de “Reunião das Famílias Prey e Clarke têm início com a chegada de Gomes e Martha Prey”. — Gomes brincou simpático, batendo no meu ombro de forma amigável. Não entendi porque ele bateu no meu ombro, mas me senti um pouco mais confortável.

Ele tinha sido muito gentil com os paparazzi, o que eu não achava muito comum. Normalmente os paparazzi eram tratados como mosquitos incômodos de uma noite quente, e várias vezes eram enxotados pelas celebridades. Mas Gomes tinha feito todos pararem e sorrirem pras fotos, incluindo eu. Achei extremamente desconfortável, porque nunca tinha sofrido com paparazzi, mas acabei sorrindo, por mais que a ideia de aparecer ao lado de Edmure em sites de fofoca e revistas me incomodasse um pouco. Dacey e Albert não pareciam muito confortáveis também, e eu achei que era óbvio já que ambos estampavam manchetes de sites de fofoca sempre.

— Pai, eles ficam fazendo dinheiro com a nossa imagem. — Albert parecia um tanto irritado com os fotógrafos. Contive uma pequena careta ao pensar que ele não era nenhum santo para julgar os outros.

— Albert, todos precisam ganhar dinheiro de alguma forma. E nem todos os fotógrafos têm a sorte de ser um Dacey na vida. — Gomes comentou com um sorriso pro loiro, mas ele não correspondeu.

De todos, Dacey parecia o mais abalado pelas fotos. Estava com a cara fechada e levemente pálido. Senti um pouco de pena dele. Provavelmente, ele estava imaginando que tipo de manchetes fariam sobre ele estar com o namorado traidor. Perguntei-me, e não pela primeira vez, como ele suportava toda aquela humilhação.

— Também não gosto muito de paparazzi... — Edmure comentou ao meu lado, em tom despreocupado, e eu me voltei pra ele. Os olhos violetas brilharam de forma simbólica quando ele ergueu uma sobrancelha pra mim. — O problema não é as fotos que eles tiram aqui, mas o fato de serem tantos. Acho que vão ficar no nosso pé a viagem toda.

Torci o lábio discretamente com a fala, entendendo por que ele estava com aquele olhar. Mais uma coisa pra me preocupar, não poderíamos baixar a guarda nem na casa dos avós do Edmure, nem fora dela, pra que nem a família nem os paparazzi pegassem algo. E em menos de 24 horas após sair da minha casa, eu descobrira que não era nada fácil controlar alguns impulsos. Descobrira não, apenas provara o que eu já imaginava. Até conseguiria me controlar se o Edmure tentasse ser discreto, mas o idiota era incapaz de controlar os hormônios. E meu controle acabava indo por água abaixo também.

Só esperava, em nome de Deus, que ele não fizesse mais merda, como aquele chupão terrível no meu pescoço. Ele ainda ia me pagar por aquilo em algum momento, depois daquela viagem. Talvez eu deixasse outro roxo na cara dele, como fizera um bom tempo atrás, com aquele meu anel que nunca mais usei.

— Só relaxem, são apenas alguns paparazzi. Olha quem está ali. — Martha disse simpática, apontando para frente enquanto todos atravessávamos a porta de vidro do aeroporto, indo para o exterior da construção. Vi algumas pessoas paradas na direção que a mulher apontara.

— São meu tios. — Edmure comentou com um sorriso alegre, e eu encarei as figuras com mais atenção. — E os meus primos também.

Edmure já tinha me avisado que sua família era grande, então eu não me surpreendi ao ver cinco adultos e quatro jovens ali, acenando e sorrindo para nós. Senti um pequeno aperto na garganta, nervoso com a situação de conhecer tanta gente da família de Edmure. Ia ser impossível que um dia nos assumíssemos pra tanta gente assim, e nenhum deles reagisse mal.

O ritmo do nosso grupo aumentou um pouco, as crianças indo um pouco à frente. Logo, aqueles cumprimentos altos de família que se reencontra após algum tempo tomaram o ar, numa certa bagunça onde eu me perdi por um instante, meio sem jeito enquanto toda a família se abraçava, rindo e falando alto em italiano, que eu não compreendia. Acabei sorrindo para cena, mas dando um passo para trás, sem querer parecer intrometido.

— O com o moletom da GAP é o Lorenzo, e a ruiva sardenta é a esposa dele. A morena alta é a Sandra e o do lado é o marido. O de óculos é o Vicenzo. São todos irmãos do Gomes. — A voz de Dacey chegou ao meu ouvido baixinha, e eu percebi que ele estava ao meu lado, provavelmente também meio desconfortável com aquele encontro. Observei enquanto Edmure saía dos braços de um dos tios, o que Dacey dissera ser Vicenzo, e se agarrava de forma amigável com um rapaz ruivo dos cabelos curtos e rapados rente à cabeça, tão alto quanto Edmure e até mais forte.

— Os mais jovens são os primos? — Cochichei discreto, e Dacey anuiu com a cabeça, um sorriso nervoso em lábios.

— Não os conheço, mas estou certo de que são. — Ele respondeu. Senti algum companheirismo com Dacey, afinal estávamos ambos na mesma situação, por mais que ele não soubesse que eu também era um namorado gay de um dos filhos de Gomes que ia conhecer a família naquele momento.

Um dos tios de Edmure se voltou na nossa direção, com um sorriso, o do moletom verde esmeralda da GAP. Percebi o quão assustadores eram os genes dos Prey. Assim como Edmure parecia com Albert e seu pai, o tal Lorenzo também tinha traços muitos similares aos de Gomes, ainda que os olhos fossem verdes, e ele fosse um pouco mais esbelto que o irmão. Ele abriu os braços com um sorriso.

— Oh, Dacey, si è venuto! — Ele gritou em italiano e veio até nós, enquanto os outros ainda se cumprimentavam. Me toquei que se o Dacey conhecia aquelas pessoas, provavelmente eles já haviam se encontrado antes. Isso me deixava um passo atrás dele então, em toda a situação.

— Olá, Lorenzo. — Dacey sorriu, e abraçou o homem, um pouco desconfortável. Enquanto eu me distraí com a cena, Edmure apareceu do meu lado.

— Ah, tio, esse é o Cotter, meu amigo! — Ele anunciou quando o homem soltou Dacey, soando um tanto infantil. Quando ele me falou dos parentes, eu bem senti que ele tinha grande carinho por todos, mas agora ele parecia ter uma overdose de família, totalmente alegre. — Cotter, esse aqui é o meu tio Lorenzo, depois do meu pai, é o mais velho.

— Eu e o Stefano, já que somos gêmeos. Mas eu não sou velho. — O homem comentou rindo, como se apenas ouvisse o final da frase, e seus olhos verdes brilharam simpáticos quando ele me abraçou, e eu correspondi, sem jeito. — É um prazer Cotter.

Eu me afastei e automaticamente ajeitei o cachecol no meu pescoço, que se movera levemente com o contato. Precisava me controlar com aquilo, estava desenvolvendo um tique nervoso.

— O prazer é meu, Lorenzo. — Sorri, e então senti um braço forte no meu pescoço.

— É mesmo, que grosseria. — Eu virei o rosto, e vi Albert com um sorriso torto em lábios, me olhando de esguelha enquanto deixava o peso do braço sobre mim. Próximo, ele parecia se agigantar acima de mim, o que eu não percebia com Edmure, que tinha a mesma altura. — Gente, esse é o amigo do meu irmão, Cotter Storm. O pai dele é o editor chefe da Grease Magazine. — Ele anunciou alto, e vi todos se voltarem para mim. Meu rosto esquentou no mesmo momento, e vi o sorriso de Edmure amarelar um pouco, sem jeito.

Um minuto depois, eu estava tonto com tantos abraços diferentes. Ao contrário dos americanos, que normalmente só se cumprimentavam de longe quando havia muita gente, aqueles italianos pareciam precisar me abraçar e beijar meu rosto de forma estalada. Seria engraçado se eu não estivesse tão sem jeito.

— A revista do seu pai é muito famosa, sempre que fizemos propagandas na Grease, foi um sucesso. — Sandra sorriu, simpática. Ela era a imagem que eu tinha de um “mulherão”, alta, com um belo corpo, os cabelos pretos e lisos cortados em Chanel, e grandes olhos violetas. Se vestia bem também, com um sobretudo elegante e castanho, com saltos pretos. Realmente bonita, e seu marido não ficava para trás, um loiro bonitão.

— Obrigado. — Eu sorri sem jeito, enquanto ajeitei o cachecol mais uma vez, quase inconscientemente.

— E aquele seu amigo, o Conrad? — Vicenzo perguntou ao Edmure, mas sorrindo de forma que eu não me sentisse ofendido por ele questionar o outro. Acho que de todos ali, ele era o único Prey um pouco diferente: um pouco mais baixo e visivelmente mais jovem, Vicenzo tinha os cabelos um tom mais claros que os outros, não aquele preto piche, mas um castanho escuro e levemente ondulado. Também tinha os olhos verdes e os traços levemente mais suaves, além de não ser forte como Gomes e Lorenzo, mas esbelto. Ainda assim, a beleza da família estava presente nele.

— Não deu pra ele vir, tio. — Edmure disse sem rodeios, e Enzo, o primo ruivo que eu acabara de abraçar, puxou Edmure pelo pescoço, num abraço forte.

— Ah, eu gosto daquele carinha. — Disse, com um forte sotaque francês. Provavelmente, eles estavam falando em inglês agora por mim e Martha, que não éramos italianos. Enzo era o filho mais velho de Lorenzo, tinha se apresentado de forma bem simpática.

— Eu também. — Diana, a filha mais velha de Sandra que era uma cópia dela com os cabelos mais longos, sorriu. — Mas é um prazer recebê-lo, Cotter.

— É sempre um prazer ter mais gente nessa viagem. — Lorenzo comentou. — Mas podemos ir? A Mamma está esperando vocês, e a Lauren também, só faltam vocês.

— Vamos indo então. — Gomes sorriu, e todos se agitaram na partida. Eu fiquei um pouco perdido novamente, mas era tanta gente que acabaram todos perdidos, gritando em diversas línguas, mas ninguém exatamente irritado.

Quando percebi, Edmure pegava minhas malas no carrinho com um sorriso, e batia com uma delas de propósito no meu joelho, de leve.

— Vai ser divertido, você vai ver. — Ele brincou, piscando enquanto todos pareciam distraídos, e eu senti vontade de repreendê-lo, mas acabei sorrindo de volta.

Era uma família tão animada, que eu não podia reagir mal.

—

— Ah, vamos lá vocês, é só um joguinho bobo. — Mirella brincou, puxando Edmure e eu pelas mãos. Ela era tão animada que era impossível não aceitar o convite da menina loira e sorridente, então deixei ela me levantar, um pouco sem graça.

Certamente, eu ia ficar louco naquela semana.

Eu contei, exatamente, 36 pessoas ali. Só Edmure com os pais e os irmãos, contavam já nove pessoas, 11 comigo e Dacey. Além dos seis irmãos e irmãs de Gomes, os dois irmãos de Martha, os avós das duas famílias, e todos os primos de Edmure: três filhos de Lorenzo, dois de Sandra, um de Antonella, um de Raymond e um de Pamela. Mais os maridos e esposas da família, que totalizavam cinco pessoas, duas mulheres e três homens.

Gente demais pra uma família só, eu me sentia numa espécie de grande rodopio conhecendo tanta gente diferente, tonto com tantos abraços e aquela barulheira de crianças por todos os cantos, e todos numa espécie de festa pelo reencontro. Nos minutos que levei para cumprimentar a todos, concluí que realmente famílias italianas eram barulhentas.

Mas finalmente, o avô de Edmure mostrou o nosso quarto, e eu estava planejando descansar um pouco e pelo menos ver se eu lembrava o nome de umas dez pessoas antes de voltar a interagir com eles. Porém Mirella foi mais rápida, e eu mal tinha sentado na cama, ela entrou no quarto.

Óbvio que apesar dos Clarke, pais da Martha, serem bem ricos, e terem uma casa gigantesca, nenhuma casa normal era feita pra receber quase quarenta pessoas, com exceção talvez da Casa Branca. Porém, com uma família grande, eles eram bem preparados pra visitas, e tinham no terreno da casa mais três chalés de tamanho médio. Não era um terreno muito comum, era gigantesco na verdade, mas não vem ao caso.

Os chalés de madeira, apesar de confortáveis, acabaram ficando como aposentos pros membros mais jovens da família, enquanto os quartos de hóspedes ficavam pros adultos e crianças. Só que curiosamente, eu e Edmure não tínhamos ficado nos chalés com outros, e sim no porão da casa, que era um abrigo para furacões pequeno, mas com a mesma cara de um quarto. No fim, eu achava bom, porque não ficava apertado junto com quem ia ficar nos chalés: os cinco primos de Edmure que tinham mais ou menos nossa idade, Albert e Dacey, e os dois tios mais novos de Edmure. Mas ainda tinha certo receio com o fato de que, ao estarmos um pouco mais isolados dos outros, talvez começássemos a perder o cuidado.

Porém, se Mirella continuasse atrás da gente daquele jeito, não ia ter como perdemos o controle.

— Ah, vocês vieram! — Enzo disse com seu sotaque, saltando na frente do chalé onde estava. Ele parecia demais uma versão ruiva e ainda mais besta do Edmure, apesar de não ter traços muito parecidos. Bati o olho nos primos, junto com os dois tios, e todos sorriram animados. — Seu irmão não quis participar nem o namorado loiro dele, mas nós vamos!

— Ótimo, podemos começar. — Diana sorriu quando Mirella finalmente nos soltou, na frente de todos. — Jogo da reunião de família! — Ela anunciou animada, batendo palmas. Edmure e os outros gritaram em comemoração, e eu fiquei um pouco sem jeito.

— Não se preocupe Cotter, é só uma brincadeira que fazemos pra colocar o assunto em dia. — Caetano, o tio do Edmure que era também um famoso jogador de futebol, tranquilizou-me, se aproximando e dando um tapinha nas minhas costas, com um sorriso. Ele era bem bonito, tinha uma pele mais bronzeada que os outros Prey, e um cavanhaque bem charmoso no rosto, sem sinal de fios brancos na barba ou no cabelo curto. — Você vai gostar.

— É legal, eu adorava brincar com aquele outro do cabelo vermelho. — Enzo comentou com um sorriso para mim. — Sempre ficava vermelho na hora certa. Você ficar vermelho seria engraçado também.

Eu quase fiquei vermelho só com aquela fala, mas ele pareceu não notar meu desconforto.

— Certo, as regras! — Franchesco, que eu nem lembrava mais de quem era filho, anunciou. Ele era da família da Martha, e se diferenciava no meio dos outros, com o cabelo castanho e um físico bem mais esbelto. — É aquele de sempre. Nós vamos falar algo sobre nós, de preferência alguma coisa que aconteceu nesse tempo que não nos vimos, e todos têm de dizer se acham que é verdade, ou mentira, e depois a pessoa vai tirar essa dúvida. E todos que errarem, bebem um gole das garrafas das Mammas. — Ele ergueu duas garrafas, uma em cada mão, fazendo todos rirem. Uma era de vodka, e a outra de um líquido dourado que eu não identifiquei. — Misturas serão possíveis, tem algumas coisas ali pra fazer uns drinks. — Ele mostrou uma caixa de isopor atrás de si. — Agora, vamos!

A família animada se sentou num grande círculo, sobre almofadas na neve que já estava compactada após tanto tempo no chão, com as garrafas no meio. Eu fiquei sem jeito com a brincadeira, mas entendi a ideia e sentei-me entre o Edmure e Matteo, o filho de Antonella que era um Prey bonito e loiro, aparentemente. Tentaram me convencer a começar, mas eu neguei, sem graça, e então Vicenzo tomou a frente.

— Tudo bem, tudo bem. — Ele ergueu as mãos, em tom de paz, fazendo todos pararem de insistir para que eu começasse. — Certo. Eu fiz uma tatuagem nova. — Ele disse, com um sorriso, ajeitando os óculos no rosto em seguida.

Uma risada se espalhou pela roda, e eu acabei rindo, mesmo sem ver graça, apenas induzido pelo som.

— Ah, deixa o tio Caetano falar primeiro! — Mirella gritou, rindo. — Vocês moram juntos, ele vai saber com certeza!

— Aí não tem graça! — Edmure anunciou. — Eu digo que é mentira! E você Cotter? — Ele se virou para mim, com um sorriso. Eu acabei por retribuir.

— Acho que é verdade. — Disse, só pra contrariar, e Edmure fez uma careta na minha direção, arrancando mais risos da roda.

Logo, todos levantaram suas hipóteses, e por fim, Vicenzo assumiu que era uma mentira, fazendo com que eu tomasse um gole da garrafa da Mamma que tinha vodka dentro, junto com Enzo, Franchesco e Matteo. Senti um certo calor, mas tomei cuidado de beber bem pouco da garrafa.

A roda foi andando, e eu descobri bastante coisa sobre a família. Caetano tinha ajeitado papéis para sua aposentadoria como jogador, Enzo tinha vencido o campeonato Francês de Taekwondo, Mirella terminara o namoro de um ano, e Diana ganhara um carro da mãe. E eu tinha tomado mais alguns goles daquelas garrafas, mas não mais que ninguém.

— Vai lá, sua vez. — Edmure sorriu, após assumir que tinha trocado de carro no último ano. Eu acabei arregalando os olhos.

Tinha tentado pensar em algo para dizer, baseando-me no que os outros tinham dito, mas... Parecia que tudo que acontecera de interessante comigo nos últimos tempos tinham o Edmure no meio, e eu não poderia falar nada daquilo. Engoli em seco, e percebi o quanto nós dois éramos unidos demais. Precisava inventar uma mentira mesmo, e assumir como mentira depois.

— Você pode dizer qualquer coisa sobre você se quiser. — Caetano disse, percebendo que eu estava pensativo, os olhos lilases tranquilos. — Nós não sabemos muito de você.

— Eu... Fui campeão do Torneio do Rei americano ano passado. — Disse a primeira coisa que veio na minha cabeça. E era verdade, foi logo antes do meu sensei morrer, e a última competição que eu participei. Era um torneio de luta recente nos EUA, onde qualquer lutador de qualquer estilo podia participar. Eu achara bem divertido na época, e tomei umas boas surras, mas nada vencia um bom taichi, juntamente com outras técnicas de luta que eu usara, levando em consideração que era estilo livre.

— Há, mentira. — Enzo foi o primeiro a dizer. — Só está dizendo isso porque eu falei que sou campeão de Taekwondo. — Ele mostrou a língua e eu ri.

— Se você diz... — Falei com simplicidade aguardando os outros. Percebi Edmure me encarando com a expressão confusa. Era algo que nem ele sabia, porque eu dificilmente falava daquilo depois que o sensei faleceu. Mas gostei de perceber que pelo menos algumas coisas o Edmure não sabia sobre mim.

— Nem eu sei se isso é verdade. — Edmure disse por fim, quando todos já tinham dito suas opiniões. Apenas Vicenzo e Mirella chutaram que era verdade, o que eu achei engraçado. — Então digo que é mentira.

— Mas é verdade! — Eu falei animado, e então ri, enquanto todos exclamavam em suas línguas maternas, depois rindo.

— Não pode ser! — Enzo exclamou, puxando a garrafa de vodka de uma vez, e tomando um grande gole. Já estava com o rosto avermelhado. — Impossível, você não tem cara de lutador! Eu quero uma luta depois!

— Só se estiver melhor de álcool. — Mirella provocou o ruivo, que fez uma careta pra ela e xingou em francês. Eu apenas ri com o convite.— Mas realmente, você surpreendeu com essa, só falei que era verdade pra contrariar.

— Eu achei você com uma cara perigosa. — Vicenzo disse, arrancando risos. — E você pode tomar isso aí. — Disse pra Caetano ao seu lado, que encarava a garrafa com o rosto torto.

— Se eu passar mal, você quem vai cuidar. — Brincou, e eu acabei rindo com todos eles. Levou alguns minutos antes do jogo continuar, e eu respondi algumas perguntas sobre o que eu lutava, como fora o torneio, e etc.

Era bem divertido, pra variar, conversar com tanta gente nova. E no fim, nada com Edmure acabava ruim.

—

— Ele até foi comportado, Alessandro. — Dacey disse, e eu revirei os olhos.

— Ah vô, pelo amor de Deus. — Falei irritado, e meu avô deu de ombros. Todos na sala riram, entre a barulheira das crianças brincando na sala ao lado.

— Ninguém mandou ser o que mais deu trabalho. — Sandra brincou, balançando seu bebê adormecido no colo, e eu revirei os olhos para ela, tomando um gole do meu vinho, que estava na mão que não estava machucada. Segurei minhas vontades de manda-la ao inferno. “Logo vão saber de quem foi a culpa de tudo que aconteceu.” Pensei, lembrando do meu irmão lá fora com o namoradinho.

Apesar disso, eu aproveitava o clima familiar da casa dos meus avós. A sala da lareira onde estávamos era muito confortável, e colocar o assunto em dia era ótimo depois de algum tempo sem ver todos. Papai e mamãe também pareciam bem satisfeitos, junto com os irmãos ali, e meus avós pareciam muito joviais pra idade avançada.

Era o lugar perfeito pra começar tudo o que eu queria. Começando por soltar pro resto da família que Edmure era gay, o que não seria um choque muito grande já que todos já me aceitavam, e meus pais já desconfiavam. Mas seria um choque pra ele e o namoradinho, que tentavam manter segredo.

— Ah, Albert não deu trabalho. Ele é bissexual e tudo, mas eu gosto mais do Dacey do que as namoradas idiotas que o Enzo leva em casa. — Lorenzo reclamou, e eu percebi Dacey corando, em pé ao lado da poltrona onde meu vô Alessandro se sentava.

— Esse menino é um amor. — Meu avô brincou, batendo amigavelmente nas costas de Dacey. Ele realmente gostava muito do loiro, talvez por achar que ele me colocava um pouco na linha. — Se todos os meus netos arranjarem namorados gays assim, não é problema.

— Ai vô, meu Deus. — Eu repeti de novo, enquanto os outros riam. Mas que conversa mais besta.

— Pra mim já está ótimo um sobrinho gay apenas. — Antonella disse, de forma séria, comprimindo os lábios. Ela sempre fora a ameixa mais seca da cesta, chata e beata de igreja. Eu torcia pra Matteo ser gay apenas pra ela morder a língua.

Um som alto da porta abrindo chamou a atenção de todos com a fala. Vovô Louis surgiu na sala com uma expressão de falsa surpresa no rosto, e eu já sabia o que vinha em seguida.

— O que, eu tenho um neto gay? — Ele brincou, arrancando risos de todos, e fazendo Dacey ficar vermelho como uma pimenta. Eu apenas sorri enquanto ele vinha na minha direção.

— É vovô, o mesmo do ano passado. E do retrasado. E do antes daquele. — Disse entediado, enquanto ele vinha até o lugar em que eu estava sentado e puxava minha cabeça pro seu peito, rindo alto. Gostava muito dele também, apesar de ser pai da minha mãe, ele era o típico “avô de todo mundo” que lembrava perfeitamente um Papai Noel, sem a barba, mas com a mesma barriga proeminente, os olhos azuis, e os cabelos brancos.

— Como se isso tizesse alguma importância... — Ele riu, me soltando. — A Lauren e a Bianca querem saber o que vocês querem comer. — Disse por fim, e minha mãe suspirou.

— Ah, nós vamos lá ajudar, espera. — Disse, se levantando. Sandra, Antonella, e as esposas dos meus tios também ficaram em pé, Jessica e Nicole. — O amigo do Edmure que cozinha muito bem, o Cotter. Amanhã peço uma ajuda pra ele.

— Certo! — Vovô Louis disse alegre, e então abriu os braços. — Vamos indo então serviçais, que esse jantar tem de servir 36 pessoas, e eu conto por dois! — Gritou, e a mulherada exclamou com o desaforo, fazendo todos rirem.

— Bom, esse é o lado positivo de ser gay não é Dacey? Pelo menos não vai pra cozinha. — Papai brincou, fazendo meu namorado corar muito, sem jeito. Apesar do comentário machista, não era a intenção. Era um conhecimento geral que nenhum Prey ou Clarke do sexo masculino conseguia fazer nem mesmo macarrão instantâneo sem tacar fogo na casa, então ninguém ia pra cozinha. Sobrava pras mulheres.

Isso fazia de Cotter o único homem útil na cozinha. Provavelmente, minha família ia mesmo abusar um pouco daquilo. Talvez eu abusasse um pouco daquilo.

Se ele fosse cozinhar, eu podia provar um pouquinho pelo menos. Não que eu fosse seduzi-lo ou agarrá-lo, mas eu podia aproveitar o rapaz na cozinha para estudar algumas possibilidades.

Provar um pouquinho de desespero no almoço seria bem saboroso.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.