Fashion And Diamonds.
31 Capítulo 30 - Almost Christmas (Part 2)
Notas iniciais
Surpresa! (até pra mim é surpresa).
Consegui escrever super rápido, e não podia deixar de postar(quem ainda não leu o último cap e comentou, sinta-se a vontade para fazê-lo HDISAOHDIOA) já que eu mesma tô louca pra dar continuidade aqui.
Esse cap é beeeem estranho, vai parecer que tudo está se acertando, mas lembrem que ainda não é isso. E vou fazer uma nota final explicando algumas coisas da cena do Edmure!
Muito obrigada a todos que me acompanham, e espero que gostem dessa rapidez (meu nome é trabalho).
Beijos!
Boa leitura!
Eu ergui uma sobrancelha enquanto via meu pai no telefone, seu cigarro aceso entre os dedos.
— Claro Sr. Prey, eu confio plenamente que cuidarão do Cotter como seu próprio filho. Conhecendo o Edmure, sei que posso confiar em vocês, e a ideia é ótima. Infelizmente nossas celebrações de fim de ano não são exatamente grandiosas, pois nossa família é bem separada, e acho que Cotter gostaria de passar as festividades com um amiguinho. — Ele sorriu para mim, e eu soltei uma careta, revirando os olhos, e apoiando minha cabeça na mesa onde estava sentado, suspirando.
Amiguinho. 1,92m de altura, e meu amiguinho, pelo amor de Deus.
Meu humor não estava lá dos melhores essa semana, com toda aquela situação com o Edmure. Eu já não sabia o que pensar, meu namorado não me dava nenhum sinal, e desde terça feira, a última vez que nos vimos, apenas mantemos contato pelo celular, e aí ele até conseguia disfarçar aquele nervosismo totalmente visível ao vivo. E agora, do nada, os pais do dele resolveram ligar em casa pra falar com meus pais. Meus sogros, argh.
Pelo que eu estava entendo, eles estavam me chamando pra ir passar o fim de ano com eles? Na tal viagem de família para a Califórnia? Não sabia o que pensar disso exatamente, se já ficara nervoso ao conhecer os pais e irmãos do Edmure, imagina toda a família Prey. Contando ainda o detalhe de que Edmure não parecia estar sabendo daquilo, já que não me falou nada, e sim seus pais estavam entrando em contato com minha família. E mais, será que aquele irmão mais velho dele iria? Isso seria muito estranho. Tudo bem que eu adoraria passar o fim de ano com o Edmure, principalmente por ele estar do modo que está, eu não queria ficar longe dele. Eu poderia tentar ajudar, ou no mínimo botar um olho em cima dele. Ainda assim, meu maior medo era que alguém percebesse ali, que éramos um casal.
Só o convite já me deixava com a pulga atrás da orelha. Com tantos amigos que o Edmure tinha — amigos ou súditos, depende do ponto de vista. — porque convidariam logo eu? A explicação lógica era porque perceberam que agora eu era a pessoa mais próxima de Edmure fora da família. Ou seja, já tinham percebido alguma coisa, e talvez, quem sabe, logo estariam desconfiando da gente. Parando pra pensar um pouco, eles já tinham um filho bissexual, então poderiam já estar desconfiando de alguma coisa. Eles aceitavam bem o fato do tal Albert ser bissexual? Isso faria diferença naquela viagem, se eu aceitasse ir e eles estivessem desconfiados de algo.
Merda. Eu estava nervoso.
— Ah, ótimo, porque então você não fala com o Cotter? Se ele quiser ir, por mim não há problema algum, e acho que Anne não se incomodará também. Sim, também acho que o Edmure ficará animado com essa surpresa, eles se dão muito bem. Certamente, vou passar pra ele. — Meu pai sorriu e tragou seu cigarro, afastando o fone de seu rosto e caminhando na minha direção com o aparelho sem fio em mãos. — Querido, o Sr. Prey quer falar com você sobre a viagem de fim de ano. Veja os detalhes você, se quiser ir, pode aceitar o convite.
Eu engoli em seco, e estendi minha mão para pegar o aparelho. Ergui uma sobrancelha pro meu pai, e levei ele ao rosto.
— Alô.
—Oh, olá Cotter! Aqui é o Gomes Prey, como vai? — A voz grave chamou do outro lado, soando simpática.
— Estou ótimo Sr. Prey, e você?
— Ah, muito bem também. Pode me chamar de Gomes. — Ele riu do outro lado. — Bem, estava falando com seu pai, não sei se Edmure te falou que temos o costume de reunir a família toda na nossa casa de férias na Califórnia. Na verdade é a casa dos pais da Martha, mas nossas duas famílias são bem unidas, e é sempre muito divertido. Achamos que seria uma boa convidar um amigo do Edmure para ir, principalmente porque é legal ter também algum amigo por perto nessas viagens de família.
— Entendo. — Eu falei, mexendo na toalha da mesa sem saber o que falar.
— Pois então, pensamos em te chamar, já que além de ser amigo do Edmure, você se dá muito bem com as crianças também, e todos vão ficar bem animados com a sua presença, além de mim e a Martha, claro. No último ano levamos o Conrad, mas as crianças não gostam tanto dele assim. Enfim, é bem legal, a casa fica num condomínio muito bom, é na praia, e toda a família é bem divertida. Sei que é ruim passar o natal e ano novo longe dos pais, mas acho que você irá gostar de vir conosco. O que acha?
Minha garganta tinha ficado seca. Eu queria ir, queria mesmo, mas ao mesmo tempo era tão arriscado. Eu ia ter de ficar numa casa cheia de pessoas, sabia que a família do Edmure era grande, e teríamos de nos controlar para ninguém desconfiar de nada. Sem agarração, troca de carícias, nem muita briguinha sem razão, ia ser um desafio de autocontrole para nós passar por aquilo. Mas será que o Edmure sabia desse convite? Se soubesse e não tivesse me falado, era porque não queria que eu fosse, e isso ia me incomodar.
— Me parece muito bom Gomes, o Edmure sabe disso? — Perguntei, tentando ganhar tempo e receber minha resposta.
— Ah, é, esse é um detalhe. Queremos que seja uma surpresa pro Edmure, ele anda um pouco desanimado por alguma razão, e tenho certeza que se animará quando souber que você vai conosco. Sabe que ele gosta muito de você, e se apegou bem nessa amizade de vocês. Então, posso contar com você nessa viagem? — Gomes permaneceu com a voz simpática e animada.
Agora foi a vez do meu estômago dar uma reviravolta.
“Ele se apegou bem nessa amizade de vocês”.
Oh merda, ele estava sendo todo simpático e devia estar convidando realmente por querer que a viagem fosse legal pro Edmure e para mim. Mas ele tinha notado que nossa “amizade” era forte, e isso me incomodava, porque teríamos de medir todas nossas atitudes para que não ficassem nem muito íntimas, nem muito distantes. Teria de ser um meio termo, e comigo e o Edmure nunca houvera “meio termos”, ou tentávamos nos matar, ou estávamos namorando.
Pensei como um relâmpago. Devia ir. Conhecer a família era um passo, se um dia nos assumíssemos eu teria de passar por aquilo de qualquer forma. Também, eu poderia ficar com o Edmure nesse momento dele, e quem sabe descobrir porque ele estava estranho. Podia me divertir. E mais importante de tudo na verdade, eu aproveitaria as festividades melhor do que em qualquer outra situação. Estaria perto do meu namorado que passava por dificuldades, e pela primeira vez, com uma família grande nos feriados, já que meu fim de ano sempre se resumira a reuniões com meus pais, os empregados da casa e alguns amigos, nada de muita gente. Sem pensar só nas dificuldades, ia ser divertido, e talvez pudesse tirar um pouco da minha cabeça todo o nervosismo que se instalara na última semana pelo Edmure, e tirar o nervosismo dele também.
Tínhamos capacidade de aproveitar aquela viagem como um casal e não deixar ninguém perceber nada.
— Claro Gomes, eu ficarei muito feliz em ir com vocês. Obrigado pelo convite. — Respondi por fim, e deixei um sorriso tomar o meu rosto, junto com certa animação. Sim, seria uma boa viagem.
— Ótimo! Então veja bem, não fale nada com o Edmure por enquanto, vamos surpreendê-lo. Na sexta o Albert vai buscar você aí, e traz você pra casa, vamos sair na manhã de sábado. Ah, Albert é meu filho mais velho, o Edmure deve ter falado dele, ele está em casa. Já compramos sua passagem, então só precisa arrumar suas malas. Acho que passaremos uma semana lá, tudo bem não é? — Eu respondi que sim. — Então estamos combinados. Muito obrigado por aceitar, o Edmure ficará bem feliz.
— Eu que agradeço o convite, senhor. — Respondi, e um certo alívio tomou conta de mim. — Estamos combinados na sexta então.
Ele se despediu e desligou, e eu finalmente sorri tranquilizado. Tranquilizei porque finalmente descobri o que estava incomodando o Edmure, e pelo que eu sabia era bem mais simples do que eu imaginava.
Albert! O tal irmão de quem o Edmure nunca falava, e sobre o qual eu pesquisara no google. Um belo de um canalha que traía o namorado com meio mundo. Por um lado, a ideia de que eu o conheceria me deixava nervoso, pois ele era bissexual e irmão do Edmure, tinha alguma possibilidade dele desconfiar de algo. Ao mesmo tempo, isso justificava porque o Edmure estava estranho: provavelmente estava nervoso com as chances de seu irmão perceber alguma coisa, ou como eu deduzira quando investiguei Albert pela primeira vez, Edmure tinha medo que eu soubesse que ele era um cafajeste.
Besteira dele, claro. O que aquilo podia ter de problema? Eram pessoas diferentes uma da outra, como eu poderia comparar? Edmure provavelmente não gostava de falar sobre o irmão porque tinha receio que eu me importasse com isso, mas claro que não. Canalhice não era genético. Resolveríamos isso numa boa.
— E então, aceitou? — Meu pai falou com um sorriso, parecendo mais ansioso que eu.
— Sim senhor, você está livre da minha presença nesse natal. — Brinquei, com um sorriso, e me inclinando para dar um peteleco nos seus óculos. — Não tem problemas mesmo eu ir?
— Não, vai aproveitar mais com ele do que conosco, com certeza. Provavelmente eu e sua mãe vamos em algum evento da emissora dela, beber até que fique divertido. Vai sair na sexta? É bom ir arrumando suas malas.
— Ah, eu vou! — Levantei da cadeira sorrindo. Teria um longo trabalho para escolher as roupas corretas sem levar todo meu closet.
Ah, eu precisava parar de ficar preocupado com tudo. Às vezes era tudo simples daquela forma, o estresse de ter uma relação considerada errada pela sociedade estava começando a me enlouquecer e deixar paranoico com qualquer bobeira, e eu não queria que aquilo acontecesse.
Eu ia conhecer o Albert, ser simpático, e mostrar pro Edmure que não me importava com o fato do irmão dele ser um safado. Acho que meu namorado também passava pelo mesmo tipo de estresse que o deixava mais nervoso que o normal.
“Nossa primeira viagem como um casal” pensei, subindo as escadas, e dando um sorriso.
Que chances isso tinha de ser ruim?
—
Eu coloquei meu prato com o sanduíche que acabara de preparar dentro do micro-ondas e escolhi o tempo certo quando ouvi passos e me virei.
Albert.
— Olá. — Ele sorriu, simpático, e eu engoli em seco, tentando manter minha expressão impassível. Estava usando uma regata branca e colada que exibia seu corpo musculoso, e uma bermuda esportiva, com uma toalha branca sobre os ombros. Devia estar voltando da academia recém-instalada nos fundos de casa.
— Oi. — Respondi, e voltei a encarar o micro-ondas, apertando o botão para coloca-lo em funcionamento. Ele ia sair dali logo, sempre nos evitávamos.
— O que você está preparando aí hein? Tô morrendo de fome. — A voz grave me assustou, e dei um pulo quando ele bateu a mão no meu ombro, colocando seu rosto ao lado do meu. — Eita, tá assustado Edmure? — Ele virou o rosto pro meu.
Meu corpo se tencionou no mesmo instante, e eu estremeci.
“Não se assusta não Edmure, não tem do que ter medo, Henry é legal.” A memória ecoou na minha mente, e eu empurrei meu irmão, repudiando o mínimo contato físico com ele.
— Sai pra lá Albert! — Falei irritado. Raiva. Era a forma de erguer a minha barreira e afastar minhas lembranças daquela época.
Meu irmão riu, se afastando um passo e erguendo as mãos na defensiva.
— Ei, calma aí tá? Você não está no clima de família unida que todos esperavam do fim de ano. Vamos viajar daqui três dias, esse seu humor não está ajudando. — Ele sorriu, e o micro-ondas apitou. — Aí, ficou pronto. — Ele apontou pro aparelho, e eu soltei um grunhido.
— Pode comer, eu perdi o apetite. — Reclamei, jogando o pano de prato que estava no meu ombro sobre a pia e começando a me encaminhar para fora da cozinha. Porém, ao passar ao lado do meu irmão, ele firmou meu braço com a mão enfaixada que ele machucara.
Paralisei. Aquele toque me incomodava.
— Espera aí. — Ele falou sério, e não consegui evitar focar meus olhos nos dele. Grandes olhos azuis e frios, da mesma cor que os da minha mãe e ao mesmo tempo tão diferentes, sem aquele calor que ela sempre exibia. — Olha Edmure, eu te falei no primeiro dia que devíamos esquecer o que aconteceu, mas você continua arisco como sempre. Por favor, eu estou tentando fazer a minha parte e reatar com você, por uma pedra sobre aquilo de cinco anos atrás e voltar a sermos uma família normal, feliz.
— Devia ter pensado nisso antes de deixar aquele homem te enlouquecer. — Falei, sem conseguir me controlar, e vi Albert franzir a sobrancelha. Minha irritação aumentou na mesma proporção que meu desconforto, ou eu enfrentava meu irmão, ou ele me subjugava.— Me solta.
— Não. — Ele respondeu duramente, apertando mais os dedos no meu braço. — Eu não estou aqui pra te enfrentar, e não quero mais falar sobre nada que aconteceu naquela época, não volte a tocar no assunto. — Seu tom era firme e intimidador, mas em seguida se abrandou, junto com sua expressão, quase... triste. — Edmure, não podemos ficar assim o resto de nossas vidas. Você... — Ele desviou os olhos dos meus, baixando-os. — Cresceu, e eu também. Nossa família ainda é maravilhosa, e eu superei o que aconteceu. Depois que eu me tratei com psicólogos e psiquiatras, eu entendo que você fez a coisa certa, e eu era errado. Nos últimos anos eu me neguei a aceitar isso, mas sei que é verdade.
Senti meu corpo estremecer, e meu coração apertar no peito. Aquilo não podia ser verdade, Albert nunca entendera o que eu fiz no passado, sempre me odiara por aquilo, e eu o odiava pela pessoa que ele tinha se tornado, ocultando o lado de irmão e filho maravilhoso que ele tinha, e surgindo com um monstro descontrolado e louco. Meus olhos arderam e senti minha vontade de chorar surgir sem razão determinada.
— Eu só fiz o que eu fiz pra te ajudar. — Falei, sincero, e minha voz embargou. — Mas você nunca voltou a ser quem era. Ou você nunca foi quem aparentava ser.
A verdade era que eu me ocultava sim na raiva, e por isso odiava Albert. Mas tudo que eu fizera, tudo que ele condenava sobre mim, era porque eu o amava e o queria bem. Ele não entendia que não estava bem naqueles dias de nosso passado.
— Eu sei Edmure. — Ele voltou a focar os olhos nos meus, e tinha uma lágrima no seu rosto. — Mas eu voltei. Você me salvou, e eu voltei, seu irmão. Eu quero recomeçar, eu quero que você me perdoe por tudo que eu te fiz quando aquilo aconteceu, e me aceite de volta.
Eu estava chorando.
— Albert, não é verdade isso. — Respondi, e tentei puxar meu braço, porém ele manteve o aperto. — Me larga! — Eu gritei novamente, e percebi que minha voz descontrolara.
— Não grita! — Ele sibilou assustado. — Não dá pra me perdoar e voltarmos a sermos como irmãos normais, sem essa história nos separando? — Continuou, em tom baixo.
— Eu quis isso por todos esses anos e você não. Não acredito mais em você depois daquele dia, você me destruiu depois do que aconteceu, e eu nunca mais esqueci ou esquecerei disso. — Botei pra fora, e era a primeira vez que eu tinha coragem de enfrentar verdadeiramente meu irmão após cinco anos. Mas eu precisava encará-lo, não por mim, mas pelo meu relacionamento. Não poderia viver com medo o resto da minha vida, e pelo Cotter, eu ia resolver aquilo, e quando voltasse da casa dos meus avós, eu estaria feliz e pleno. Eu estava encarando-o agora porque finalmente, eu tinha razões para tal: meu namoro. — Se você realmente mudou, você...
— Me perdoa, por Deus. — Meu irmão pediu, e meu coração apertou como uma lata de alumínio pisada. Agora, mais lágrimas tomavam o seu rosto. — Eu estava errado, e percebi, e tudo o que eu fiz foi monstruosidade. Tudo que aconteceu na minha vida foi culpa única e exclusivamente minha e do Henry, e você me salvou daquele homem horrível e maldito. Agora, por Deus, me perdoa, porque eu não posso continuar a viver com esse peso de ter me deixado ser destruído, e de ter destruído você.
A voz pedinte e afobada fez minha cabeça rodopiar. Por mais falso que o Albert pudesse ser, manipulador e fingido, uma coisa era certa.
Ele nunca, nunca falaria mal do desgraçado do Henry. Falaria mal de si mesmo e dos outros, colocaria a culpa em toda a existência humana ou celestial, mas não diria uma só palavra contra aquele homem. Só se tivesse realmente aceitado que Henry era uma pessoa monstruosa.
— Albert, eu... — Comecei, e ele soluçou, o rosto molhado.
— Edmure, eu preciso de você, do papai e da mamãe, dos meninos e do Dacey, mas especialmente de você. Só você sabe o que eu passei e tudo que aquilo que eu fiz e Henry me fez. Eu não posso contar pra mais ninguém, você precisa me ajudar. Eu já me tratei com profissionais, mas a dor de não ter alguém normal, da minha vida pessoal, que me entenda, é demais. Me perdoa e me ajuda, é tudo que eu preciso. — Ele pediu com uma careta de sincera dor.
Eu não soube como reagir. Minha lágrimas pararam, e meu peito parecia ter parado, assim como todo meu organismo, com exceção dos meus músculos, que tremiam. Eu fizera tudo no passado pra recuperar meu irmão, e mesmo assim o perdera, e aprendi a conviver com aquela perda. Agora ele me pedia que eu o ajudasse novamente a se recuperar. Todo meu lado emocional dizia que finalmente, tudo se resolvera. Ele realmente estava agindo diferente dessa vez, tinha vindo pra casa e agido com simpatia, divertido, como ele era antes de tudo que eu descobri. E foi por isso que eu fiz tudo o que fiz, para que ele voltasse a ser aquela pessoa de antes.
Não sei em que momento eu cedi. Mas eu estava abraçando o Albert em seguida, e uma ponta de esperança renascia na minha mente.
“Vai tudo voltar ao normal, depois de cinco anos”.
— Obrigado Edmure, obrigado mesmo... — Ele resmungou perto do meu ouvido, enquanto meus olhos ficaram vidrados, sem foco, e suas lágrimas molhavam meu ombro. — Eu te amo, e sempre vou te amar por me perdoar e me ajudar. Juro que pode contar comigo para o que for, eu te apoiarei em tudo.
Meu coração voltou a apertar. Ele me apoiaria se eu fosse bissexual?
— Tá tudo bem, Albert. — Falei, e num segundo, eu deixei de lado todos meus temores, e me agarrei naquela única esperança, deixando que ela se plantasse como a semente da felicidade. — Eu... confio em você. Não completamente, ainda. Mas você tem todo o tempo de sua vida pra me convencer de que mudou, e que ainda é o irmão que eu amava aos 13 anos.
Ele estourou em mais lágrimas no meu ombro. Eu precisava confiar nele, era a primeira vez que ele se dizia arrependido, e podia ser minha única chance de resolver aquilo. Passar o resto da minha vida com medo de Albert não era viável, e eu sempre tivera a esperança de que, um dia, meu irmão ia perceber que eu fizera o correto.
Graças a Deus o dia chegara antes que ele descobrisse sobre o Cotter e enlouquecesse totalmente por isso.
Notas finais
Na próxima, vai ser a viagem! E vou tentar colocar narração do Albert pra explicar de onde veio toda essa falsidade.
Muito obrigada!
Beijos!
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