Fashion And Diamonds.

25 Capítulo 24 - Con and Tony.


Notas iniciais
Olá amados!
Começando com um agradecimento especial ao Minguito95 que deixou uma linda recomendação! Obrigada mesmo meu querido.
E um obrigada a todos os reviews!
Esse cap queridos, é narrado pelo Conrad ok? Prometi um especial "Tony e Conrad", e aqui está. Vão perceber que o Con é bem maduro e sério, e peço que atentem para a ideias dele, porque concordo com várias delas.
Acho que são um casal fofo *-*.
Boa leitura, lindos!
PS: sei que tem gente que quer logo a chegada do Albert, mas tenho de resolver isso primeiro ok? A chegada é em breve.

Tony fez uma careta quando eu passei o braço em volta dos ombros dele, e lancei um sorriso simpático ao homem sentado no banco de frente ao nosso com uma expressão nada bonita no rosto. Uma expressão que eu já estava habituado a ver no rosto das pessoas.

— Conrad! — Tony reclamou baixinho, tentando se afastar, mas o mantive bem apertado e desviei meus olhos do homem desconhecido para meu namorado. — Você tem mesmo de fazer isso toda vez? — Ele me encarou com olhar irritado, colocando uma mão no peito para me afastar um pouco, e depois lançou um olhar ansioso para o homem sentado.

— O dia está bonito demais para ele ficar encarando a gente com aquela cara feia. — Eu sussurrei no ouvido dele, puxando Tony mais para próximo, e olhei de canto pro homem que se levantava com a face cheia de indignação. Uma pontada de raiva me invadiu, mas a engoli, como sempre. — Aí, agora ele pode ir sorrir para casais heterossexuais por aí e não ficar enojado com a nossa presença. — Falei num tom tranquilo, me afastando um pouco e observando o homem nos dar as costas e começar a caminhar para longe.

— Você é muito chato. — Tony se debateu com vontade, até que eu o deixei escapar e saltar do banco, ficando em pé na minha frente com a expressão raivosa que eu já me acostumara. Tony era tão pavio curto, mas poucas vezes sua irritação era séria. Meu pequeno levou as mãos à cintura e bufou, formando uma pequena nuvem de vapor em frente aos lábios devido o frio. — Ninguém é obrigado a ver nenhum casal, hetero ou gay, se pegando. — Ele afirmou, com o dedo na minha direção.

— Tudo bem, você está certo Tony. — Falei, com um sorriso, achando o garoto divertido em toda sua seriedade. Me inclinei na direção dele e apoiei os cotovelos nos joelhos. Ele tinha seus momentos de maturidade apesar de normalmente ser meio infantil. — Mas não estávamos nos pegando, e não somos obrigados a receber expressões de nojo das pessoas porque estamos sentados um do lado do outro num parque público. Mal estávamos nos tocando até ele começar a torcer o nariz!

Estiquei eu corpo pra frente, sem sair do banco, e agarrei o braço de Tony, puxando ele pra próximo com aquela carinha fechada e teimosa. Envolvi sua cintura com os braços e encostei meu queixo no seu abdômen, levantando o rosto e encarando-o com um sorriso divertido. Ele repousou as mãos nos meus ombros. Soltou um suspiro cansado e olhou em volta, vendo as poucas pessoas que passavam por ali e nos lançavam olhares curiosos. Abriu um sorriso tímido para mim, e subiu as mãos, acariciando meus cabelos.

— Eu sei que te irrita, mas eu não fiz nada até ele começar a nos encarar com aquela cara. — Justifiquei-me, e novamente Tony suspirou uma nuvem de vapor.

— Você tem que ser sempre o batalhador pelos direitos homossexuais não é? — Ele riu, enrolando os dedos nos meus cabelos. — Eu não gosto de esfregar nossa sexualidade na cara dos outros.

— É nosso direito podermos andar de mãos dadas por aí sem encarar os olhares de nojo das pessoas. — Comentei, como sempre, encarando os olhos azuis dele. — Não estamos esfregando nada na cara de ninguém, estamos sendo nós mesmos. E na teoria, o preconceito é um crime, logo eu não estou lutando pelos nossos direitos, estou apenas botando eles em prática.

Tony revirou os olhos, e se inclinou segurando meus cabelos, colando nossas testas. Sabia que naquele momento, já devíamos ser o centro das atenções do público matinal do parque, mas não me importei sequer um pouco, e já fazia um bom tempo que Anthony também não se importava mais. Pelo menos nisso eu tinha tido sucesso, convencer ele de que era o nosso direito sermos gays, e que o mundo tinha a obrigação de nos aceitar assim. Do mesmo modo que nós tínhamos obrigação de aceitar os outros da forma que eles são.

— Posso usar meu direito de te beijar aqui então? — Ele brincou com um sorriso, e eu senti ele estremecer com uma brisa de ar gélido.

— Bom, é o seu direito... — Brinquei, apertando mais meus dedos em sua cintura, e ele riu baixinho antes de aproximar sua boca da minha.

Colamos nossos lábios de uma forma lenta, e senti a gola felpuda da blusa dele roçar nas minhas bochechas de forma agradável. Nossas línguas se entrelaçavam de forma bem tranquila e conhecida, e o mundo a minha volta pareceu girar enquanto eu me perdia naqueles lábios um pouco menores que os meus.

Não sei quando foi que me apaixonei por Tony. Sei que não foi na minha festa de aniversário onde nos beijamos pela primeira vez, aquele dia eu já tinha algum sentimento por ele. Também não foi naquela festa de família que eu “descobri” ele, um primo de um primo do meu pai, ou algo assim, um parente muito distante. Não, naquela festa eu nem conhecia ele direito. Foi em algum ponto entre esses dois acontecimentos, separados por mais de dois anos. Parando para pensar, acho que foi algo gradual, quando depois daquele evento familiar eu comecei a reparar nele no colégio, ou quando eu fazia questão de perguntar para ele, por meio virtuais mesmo, se ele ia naquele casamento daquela tia tão distante que nós compartilhávamos.

Certamente foi em algum momento por aí. O Tony não era... como os outros. Ele definitivamente era um cara diferente, especial à sua maneira, e foi isso que me atraiu desde o início. Ele não tinha os mesmos ares que as outras pessoas, ele tinha uma aura inocente, e não era influenciável ou chamativo. Possivelmente, era por isso que Cotter Storm, que se mantinha de fora de toda a “monarquia” escolar, gostava dele: Tony não ligava para aquilo, e na verdade ligava para poucas coisas além de poder ser ele mesmo. Ele odiava chamar a atenção, porque dizia que “quando os olhos de todo mundo estão em cima de você, é impossível você ser quem realmente é. Vai sempre tentar agradar aos olhares alheios, corresponder às expectativas dos outros, e não vai ser sincero consigo mesmo”.

Era por isso que ele não gostava quando eu o agarrava em público, afinal, casais homossexuais ainda chamam muita atenção em todo lugar. Mas ele estava se acostumando depois que o convenci que disfarçar sua sexualidade na frente dos outros também não é ser você mesmo, era só ele não ligar pros outros. E para ser bem sincero, eu era bissexual assumido a mais de três anos. Se meus pais e parentes aceitavam, o Edmure que era meu melhor amigo aceitava, por que resto do mundo não aceitaria? Era por isso que eu e o Tony éramos assumidamente um casal, e não ficávamos nos escondendo de ninguém, eu não aceitava isso, e estava ensinando o Tony que ele não devia aceitar também.

Bem, mas hoje não era o meu relacionamento que seria o tema daquela manhã. Era o relacionamento do meu melhor amigo.

Sinceramente, não foi uma grande surpresa quando Edmure me avisou que ele e o Cotter iam se assumir para mim e o Tony. Apenas assumir mesmo, porque eu já sabia do casinho deles. Eu conhecia bem o Ed, éramos melhores amigos, e eu sabia que ele não era capaz de ficar quieto sobre as coisas que o deixavam muito feliz. Sempre foi assim, quando ele ganhava um presente e não queria contar pra ninguém, mas acabava contando, ou quando ele beijava uma menina escondido e prometia guardar segredo, mas não guardava. Eu percebia que ele estava muito feliz com o relacionamento dele, logo ele tinha a necessidade de contar para alguém, e por motivos óbvios, seriámos eu e o Tony.

Agora, fora uma surpresa descobrir que o Edmure era bissexual. Uma surpresa gigantesca, porque eu nunca diria que ele teria, algum dia de sua vida, interesse sexual em outro homem. Só comecei a aceitar mesmo a possibilidade daquilo ser realidade quando ele e o Cotter começaram a ficar muito próximos. No início, era só alguma amizade, e eu achava ótimo porque achava aquela rixa deles ridícula. Mas logo eles se tornaram próximos demais, e eu já tinha lido histórias de amor e ódio o bastante para perceber o que aquilo era. Além de conhecer cada sinal do Edmure, que não eram tão óbvios pros súditos cegos dele, mas eram claros para mim.

Mas posso dizer que a descoberta me deixou feliz. Primeiro, era mais uma coisa em comum que eu tinha com o Edmure. Segundo, eu gostava do Cotter, era uma pessoa que podia passar muita coisa pro meu amigo que só ligava pra popularidade. E terceiro, eu via o quanto aquele desgraçado estava feliz. E não tinha como eu ficar mais satisfeito do que ao ver meu amigo feliz.

— Ei, meu telefone. — Tony resmungou, se afastando dos meus lábios repentinamente e tateando os bolsos de forma atrapalhada até enfiar a mão em um e puxar seu iPhone. Olhou pro aparelho por um segundo, e eu o admirei: 1,75m de altura, olhos azuis, cabelos castanhos como chocolate, a pele clara e um corpo esbelto e comum, um pouco mais magro. Os fios do cabelo dele brilharam ao sol claro de inverno quando ele levou o celular ao ouvido. — Ah, oi Cotter. Já chegaram? Tá, tudo bem, encontramos vocês na ponte. Ótimo, legal. Até logo.

Levantei do banco e coloquei minhas mãos na cintura dele, com um sorriso. Tinha certeza que pro meu namorado inocente, aquela reunião seria uma baita surpresa, já que ele não tinha nenhuma ideia do que seria, e nunca desconfiaria que Ed e Cotter estavam namorando. Puxei o moreno para perto, e dei um beijo leve o rosto ele, enquanto seus braços me envolviam num abraço e ele ria baixinho.

— Eles já chegaram? — Questionei, e vi uma moça jovem passar por nós numa corrida ritmada e lançar um sorriso meigo para nós.

— Já. Vamos encontrar eles na ponte... Engraçado, praticamente ninguém vai na ponte, porque eles querem ir lá? — Ele me perguntou, soltando meu corpo e ficando ao meu lado, entrelaçando seus dedos com os meus para caminharmos com as mãos dadas.

— E você quer entender as razões daqueles dois? — Satirizei, com um sorriso, e Tony riu, enquanto seguíamos pela pista que circulava todo o parque. — Eles aceitaram vir com a gente nesse passeio pelo parque, o que mais é surpresa pra você? Pôxa, ninguém mais curte passear no parque, só os dois doidos.

— Ah, sei lá, o Cotter disse que estava entediado e queria fazer alguma coisa. Provavelmente vão querer ir pra outro lugar quando nos encontrarmos. — Respondeu, erguendo os olhos para observar o céu. — Ainda não me acostumei com essa de o Cotter e o Edmure serem amigos...

Ergui uma sobrancelha. Será que meu inocente namorado finalmente estava farejando o quanto aqueles dois estavam bobinhos um pelo outro? Ou talvez, ele tivesse percebido bem antes mas não contou nada pra proteger o Cotter?

—... poxa, eles se odiavam até uns meses atrás. Agora vivem juntos. É engraçado como as amizades surgem né? O Edmure salvou o Cotter numa briga, ou algo assim... Eu sempre desconfiei que ele não era um cara ruim sabe. — O moreno colocou a mão livre no queixo, e acabei por fazer uma expressão entre um sorriso e o interesse ao perceber que ele tinha o ar bem pensativo. — Acho que eles se aproximaram porque nós começamos a namorar, e os dois ficaram sem os melhores amigos.

Um riso nasalado escapou do meu nariz com um som engraçado, e eu parei de andar, fazendo Anthony me encarar com irritação no rosto.

— Como é? — Eu perguntei tentando segurar o riso, mas falhando. Tony não gostou muito, e soltou sua mão da minha com um safanão.

— O que foi Conrad? É verdade! — Ele reclamou, e eu revirei os olhos, tentando segurar a mão dele novamente, porém o garoto puxou a mão para trás e deu um tapa na minha, me dando mais vontade de rir. Tony odiava que rissem das ideias dele.

— Tony, eles não perderam os melhores amigos! — Falei, investindo contra ele novamente, e levando um novo tapa irritado.

— Ai, como você é burro! — Xingou com o dedo na minha cara, e eu tive de morder o lábio para parar de rir. — É claro que não! Mas eu tô falando o que deve ter passado pela cabeça deles! — Ele grunhiu, cobrindo o rosto com as mãos e balançando a cabeça. — Para de rir! — Gritou, e me deu as costas, se afastando.

Precisei de aproximadamente um minuto para conseguir reconciliar com o Tony. Lógico, depois de correr atrás dele por outros quatro minutos, como um idiota, e chamando a atenção de todos que passeavam pelo parque. Pedi desculpas, e assumi que tinha entendido o que ele queria dizer, só estava rindo das reações dele.

— Você não pode tentar encontrar razões para tudo, meu pequeno psicólogo. — Eu brinquei, minutos depois de ter conseguido voltar a caminhar de mãos dadas com ele. — Tem coisas que simplesmente acontecem, não tem razões. O Edmure e o Cotter são muito diferentes, mas se entendem bem, vai saber lá como. E não começaram essa amizade por nossa causa, começaram porque o destino assim quis.

Tony bufou, ainda meio emburrado. Fizemos uma curva, entrando na área menos visitada do parque que era o bosque, onde a pista era mais antiga e acidentada, e onde ficava a ponte. As sombras das árvores nos envolveram.

— É, mas você é ateu. — Replicou, abaixando os olhos para observar a pista antiga.

— Tá, mas não quer dizer que eu quero achar uma explicação para tudo, meu amor. — Chutei uma pequena pedra para longe. — Tem coisas que acontecem porque acontecem, e não é Deus, não é a vontade de alguém, nem Satã, nem a Mãe Natureza ou qualquer outra entidade misteriosa. E isso, eu chamo de destino, mas o destino não é uma entidade, é só uma coisa que acontece sem razão.

— Você... — Ele começou, parando e me puxando para ficarmos frente a frente. — É um carinha muito chato, maduro demais pra sua idade, sério demais, com ideais muito fixos nessa cabecinha cor de cobre. — Deu um peteleco leve na minha testa, brincalhão, e eu sorri. — Sério, não sei como eu fui me apaixonar por uma pessoa tão séria assim. — Disse, em tom de brincadeira.

— Sou bom de cama. — Brinquei, e ele revirou os olhos, rindo, e dando um selinho nos meus lábios antes de voltarmos a andar. Já conseguia ver a ponte lá na frente, um velho arco de pedra que passava por cima de um antigo leito de riacho, agora desviado para encher o grande lago do parque, e tomado pela vegetação. Mas não via ninguém em cima dela ainda, o que me fez desconfiar que eles não tinham chegado.

— Pode ser. — Tony brincou. — Mas aposto que eu sou melhor.

— Ah, você é realmente muito bom. — Comentei, e ele riu, soltando da minha mão e enlaçando meu braço, de forma que ficamos com os corpos colados.

— Certo, cabeção. — Senti ele se encolher pelo frio e encostar o rosto no meu ombro. — Onde vamos se eles quiserem sair? Alguma ideia?

Abri um sorriso. Realmente, queria só ver a cara do Anthony ao saber que seu melhor amigo Cotter Storm estava saindo com o antigo grande inimigo, Edmure Prey.

— Desconfio que não é isso que eles querem... — Avisei com um sorriso, quando vi as duas figuras aparecerem no alto da ponte. Tony acenou pros meninos, recebendo o cumprimento de volta.

— E o que seria? O Cotter não é o tipo de cara que vem fazer um piquenique no parque sabe, só se o Edmure convenceu ele... — Continuou, enquanto nos aproximávamos. Dei de ombros e fiquei em silêncio até começarmos a subir a ponte.

— Ah, sei lá. Talvez eles só queiram contar alguma coisa, vai saber... — Brinquei, abrindo um sorriso enquanto chegávamos no alto da ponte, e Tony ria de forma debochada.

— Ah Con, como você pode rir das minhas teorias e aparecer com essas coisas absurdas hein? — Ele provocou, e em seguida vimos as duas figuras surgirem na nossa frente. Abri um sorriso encorajador para os dois, e Tony se calou ao meu lado.

Edmure e Cotter estavam apoiados nas muretas da ponte, um de frente para o outro, o menor com um cigarro nos lábios, e o outro com as mãos nos bolsos. Quando nos viram, os dois se afastaram da beira da ponte e ficaram lado a lado no meio dela, com expressões sérias.

— Precisamos conversar. — Edmure tomou a palavra, confiante e com um sorriso pequeno em lábios. Percebi os dedos de Tony se apertarem em meu braço, e senti um pouco de orgulho surgindo no meu peito pela coragem do meu amigo. Cotter parecia nervoso ao lado dele, mas se aproximou do maior e com a mão um pouco trêmula, segurou na de Edmure.

— É sobre nós dois. — Cotter falou, baixo, e mordiscou o lábios inferior. — Estamos juntos.

Meus lábios se curvaram num sorriso, enquanto eu achava a cena doce de se ver, e engraçada ao mesmo tempo. E claro, nem precisei olhar para Tony para saber que ele estava com o queixo caído. E também nem precisei olhar para saber que quando ele gritou “Ai, Cotter seu sacana!” ele tinha um sorriso gigantesco nos lábios.

Notas finais
Pra quem sentiu falta da narração de algum do casal principal, relaxa que no próximo eles vão falar como se sentiram com essa situação haha! E vai ter um lemon.
Depois do próximo cap, acho que vai ser a chegada do grande Al!
Espero que gostem!
Beijos!