Fashion And Diamonds.

32 Capítulo 31 - Fake Lucky


Notas iniciais
EAE GALERA E GALERO
Atrasei, desculpem! Mas me esforcei.
Travei totalmente minha escrita, acabei fazendo tudo ao contrário. Esse cap era pra ter narração Al/Ed, e foi pra Al/Cot, ficou MUITO ESTRANHO mas vai ficar legal quando tiver narração do Ed e vocês entenderem tudo o ponto de vista do grandão hahahaha.
Agradeço a todos os reviews, e como eu venho fazendo, vou deixar pra responder alguns reviews (são quatro!) em breve, porque não quero atrasar tanto a postagem e sempre me enrolo pra responder reviews HIOAHDIOSADHIO. Juro que respondo logo, desculpem!
Muito obrigada a todos!
Boa leitura!

Precisei me controlar muito para não quebrar mais nada desde a noite passada, ou chorar ainda mais que já tinha chorado ao conversar com meu irmão. Meramente pensar naquela conversa agora já me dava uma sensação ruim no estômago.

“Calma Albert, pelo menos você conseguiu a confiança dele. Era o que você queria, não?”

Era. Mas eu falhara com minhas próprias promessas. Eu ofendera Henry. A única promessa que eu tinha mantido desde sempre, e eu a quebrara ao dizer que Henry era horrível. Ele não o era. Todos diziam aquilo, mas ninguém entendia o que ele era verdadeiramente, apenas eu. Ninguém nunca compreendeu nossa relação, mas não tinham o direito de julgá-lo, eu não o julgava. Eu o amava, e prometera que jamais falaria mal dele, morreria defendendo meu Henry mesmo que contra todos.

E tinha falado aquelas coisas sobre ele, por culpa do Edmure.

Só de pensar nisso, o choro parecia querer subir aos meus olhos, e minha garganta doía. Parecia que meu irmão nunca ia parar de me fazer sentir um lixo. Porque se tudo que eu falei era uma farsa pra conseguir a confiança dele, eu fora honesto ao chorar. Chorei porque traí as memórias de Henry com aquele discurso mole de arrependimento falso.

Mas agora, pelo menos, eu tinha o Edmure ao meu lado. Depois daquela conversa, meu irmão realmente parecia estar com pelo menos um pouco mais de simpatia e bom humor para comigo e todos na casa, e eu percebia um certo brilho de alegria naquele olhar tão sincero que ele sempre tinha. Esse era um passo necessário pros meus planos, que ele tivesse confiança em mim, para que depois eu pudesse atingi-lo da mesma forma que ele me atingiu no passado. Para que ele sentisse a mesma dor de traição e perda que eu sentira. E então Henry me perdoaria, por ter dito aquilo, só isso me fazia sentir um pouco melhor.

As outras partes do meu plano também iam bem. Estava me relacionando bem com meus pais e meus irmãos, a casa estava num clima bom, eu não queria envolve-los nessa história, minha intriga era com Edmure e apenas ele. Além disso, eu consegui convencer meus pais a levarem o namoradinho do meu irmão na nossa viagem de fim de ano, o que era o mais importante. O tal Cotter Storm, indo com a gente, abriria todas as possibilidades possíveis para que eu acabasse com a alegria de Edmure naquele relacionamento hipócrita que ele levava. Eu poderia analisar a relação deles, e saber onde ataca-los. Podia criar todo o tipo de problema.

Ainda me enchia de ódio pensar que ele era mesmo gay. Mais ódio do que eu poderia mensurar.

Mas tudo estava indo ao meu favor. Eu estava no carro do meu pai, dirigindo pelas ruas da cidade na qual passei toda minha vida até os 19 anos, e olhando a paisagem coberta pela neve que caíra naquela semana. Pelo menos, não estava nevando no momento, e eu estava indo buscar aquele veadinho que devia dar o rabo pro meu irmão. Finalmente, eu conheceria quem era o nojento que ousava se relacionar com o meu irmão, mesmo com tudo que ele fizera.

Bom, mas agora não era hora pra isso. Agora, eu tinha de me segurar enquanto parava nos portões da pequena mansão em que os Storm viviam, e abrir um grande sorriso de simpatia. E mantê-lo, falso, enquanto socava meus verdadeiros sentimentos no meu interior, e resistia ao instinto de ameaçar aquele garoto baixinho que caminhava na direção do carro, arrastando uma grande mala de rodas consigo.

Era notável que Edmure não se descobrira gay à toa. O garoto que se dirigia na minha direção junto com um homem que pela semelhança era seu pai, era realmente atraente, traços bonitos, pele clara que contrastavam com o cabelo escuro e bem penteado, olhos cinzentos e um corpo magro, proporcional à sua altura, mas bem formado. E tinha um sorriso simpático no rosto que era como um ímã, atraía o olhar e a atenção para a figura. Sem falar que ele se vestia bem, como meus pais falaram, assim como o pai que trabalhava com moda. Estava com uma camiseta azul clara e lisa, um casaco de couro preto e discreto, e calças jeans justas de um tom cinzento, mais um par de tênis claros e não muito chamativos.

Abri a porta e desci do carro para recepciona-los quando os portões elétricos começaram a abrir, e os dois homens se encaminharam na minha direção.

— Olá, você deve ser o Albert. — O mais velho comentou, sorrindo ao se aproximar ao lado do filho, e me estendendo a mão, que apertei retribuindo o sorriso e afastando meus pensamentos. — Jeremy Storm, pai do Cotter.

— É um prazer Sr. Storm. — Ele era mais baixo que eu, e de uma constituição corporal semelhante à do filho, além do mesmo estilo de se vestir. Devia estar nas casa do 40, mas era bem bonitão e conservado. — E também é um prazer conhece-lo Cotter, lá em casa falam tanto de você que eu já estava curioso. — Falei, mantendo o sorriso, e me voltando pro garoto.

— Muito prazer em conhece-lo. — Ele respondeu educadamente, e apertamos as mãos. Pro tamanho dele, tinha um aperto de mão bem forte. Em seguida me voltei para o Sr. Storm, que parecia bem feliz.

— Senhor, prometo que vamos cuidar do Cotter como se fosse da família. — Falei, cumprindo a tarefa de representar a família séria e responsável. — Ele vai se sentir em casa.

Jeremy sorriu, colocando as mãos no bolso, e se encolhendo pelo frio.

— Confio em vocês. Façam uma boa viagem, e filho, ligue para casa todos os dias. — O pai se aproximou de Cotter, e o beijou no topo da cabeça, fazendo o filho sorrir.

— Pode deixar pai. Mande um beijo pra mamãe.— Ele falou sem jeito, e voltou a atenção para mim, que continuei a sorrir, como se a cena me agradasse. Minha vontade de dar um soco em alguém aumentava.

Educadamente, me despedi de Jeremy, e coloquei a mala de Cotter no carro. Até tive o cavalheirismo de lhe abrir a porta, e em seguida partimos, acenando pro homem que permanecia nos portões da casa.

Não deixei que aquele silêncio incômodo e típico de viagens com desconhecidos se instalasse. Eu precisava ganhar a simpatia do garoto também, se quisesse descobrir o máximo do relacionamento dele com meu irmão.

— E então, primeiro natal longe da família? — Comentei assim que saímos da frente da casa, e vi pelo canto do olho que Cotter sorriu. Parecia animado.

— Sim. Mas vai ser bem divertido. — Ele se virou para mim, e tirei meus olhos da rua apenas para sorrir para ele. Garoto bonito.

— Ah, vai sim. Tenho certeza de que minha família vai gostar muito de você, eles são todos muito divertidos, como aquelas grandes famílias de filmes. E o Edmure vai gostar de surpresa que faremos levando você.

— Ele ainda não sabe de nada? — Perguntou.

— Ainda não. Nós sabemos disfarçar bem as coisas lá em casa, com exceção dele mesmo... — “Tanto que sabemos que estão juntos, rapazinho”. — Ele vai se animar um pouco com essa viagem, estava meio desanimado.

— Ah sim. Eu andei reparando também... — Ele se ajeitou no banco, e eu ergui uma sobrancelha, enquanto entrava em uma avenida movimentada.

— Vocês são bem amigos não é? — Questionei, com um sorriso. Se eles realmente fossem um casal, ele ia começar a ficar nervoso em breve. Eu não tinha dúvidas de que eles eram um casal, mas queria deixa-lo inseguro, e também descobrir mais da relação entre ele e o meu irmão. Cada detalhe dela.

Mas bem, se Cotter ficou nervoso ou não, ele não demonstrou. Apenas abriu aquele sorriso dele.

— Sim, estudamos juntos. Mas o melhor amigo dele mesmo é o Conrad, não sei se conhece.

— Conheço, lembro que eles eram um grude antigamente... — Respondi, e junto com meu sorriso, mordi meu lábio.

Bem, Cotter era atraente, educado, simpático... E um mentiroso. Mas bom mentiroso, já que dera uma resposta condizente com a realidade, eu sabia que Conrad sempre foi o melhor amigo de Edmure. Cotter não era o melhor amigo, era o namorado. Nem chegava a ser uma mentira na verdade.

Mantivemos uma conversa comum até o final do passeio, quando paramos na frente de casa e entreguei as chaves para o motorista. Falamos sobre como as nevascas demoraram naquele inverno, e sobre como o espírito de natal era sempre algo presente naquela época do ano. Comentei que ele se vestia bem, ele agradeceu e disse que gostava muito de moda devido o pai. Caímos a falar sobre moda. Foi extremamente tranquilo, e ele parecia confiante.

Adoraria quebrar aquela confiança.

—

A cara que o Edmure fez quando eu entrei na sala de jantar onde ele se sentava num grande sofá com seus pais e Dacey Florez, foi impagável.

Primeiro ele arregalou os olhos de uma forma assustada, e deixou o queixo cair, me encarando e me arrancando um sorriso. Depois os olhos violetas dançaram de Albert para mim umas cinco vezes, como se ele não acreditasse no que via. Aí o queixo conseguiu abaixar mais que o normal, e eu segurei o riso para aquela expressão.

— Surpresa! — Albert falou, animado, e eu abri mais o sorriso simpático para toda a família ali, mas principalmente para Edmure.

Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que aquela era mesmo a melhor decisão a se tomar. Não tinha como ser uma viagem ruim, junto com Albert e Edmure eu ia poder mostrar pro último que eu pouco me importava com o irmão canalha dele, e era a verdade, já que até o momento o homem fora muito gentil comigo. Eu tivera um pequeno medo de que ele desconfiasse de algo, ou os pais do Edmure, mas era difícil, eles não seriam tão simpáticos assim se soubessem de algo e fossem contra. Além do Albert também ser bissexual e estar com o namorado ali, na casa, o que significava que a família não devia ter problemas com aquilo, e isso me deixava com certa tranquilidade.

— Cotter? — Edmure perguntou, ainda com a expressão abobada no rosto. Todos riram, e me permiti dar uma pequena risada também.

— Papai Noel chegou mais cedo. — Gomes brincou, e eu acompanhei as risadas na sala. — Vai garoto, tira essa cara de peixe do rosto, vai cumprimentar seu amigo. — Ele deu um tapa enérgico no ombro do filho, e Edmure se levantou de um salto, e riu sem graça, me encarando com os olhos violetas.

Um riso sincero. Um som que fez meu coração quase derreter na mesma hora. Finalmente o Edmure estava normal.

— O que são essas malas, hein? — Ele perguntou entre um sorriso, me abraçando com certa força que quase me fez soltar um gemido ao retribuir, mas graças a Deus foi discreto na medida do aceitável. — Vai dizer que vocês armaram pra você ir viajar com a gente, e nem me falaram?

— Você não é lá muito difícil de enganar. — Falei, sorrindo pra ele quando ele me soltou e deu um passo para trás. “Parece que você voltou ao normal, grandão” encarei seus olhos e pensei, desejando por um segundo que pudéssemos nos comunicar pela mente.

— Achamos que seria uma boa ideia levar um amigo seu. — Martha falou, ajeitando o cabelo castanho avermelhado com um movimento natural. — Talvez seus primos também vão levar alguns amigos, então você não se sente tão de fora assim. Aí eu e seu pai ligamos pro Cotter e combinamos a viagem com ele.

— Mãe, eu nunca fico de fora! — Edmure me deu as costas, falando em tom indignado com a mãe, e provocando risadas. Mas ele sorria, e se virou para mim. — Como vocês são!

Senti a mão de Albert no meu ombro, apertando de forma simpática. Perguntei-me o que ele tinha feito naquela mão, que estava enfaixada.

— Bom, então ficamos com a companhia de Cotter para nós. — Ele abriu um sorriso divertido nos lábios, que seus pais corresponderam. Ao mesmo tempo vi o sorriso de Dacey Florez falhar em seu rosto, e me perguntei se seriam ciúmes. Edmure também virou rapidamente para nós e seu olhar estava, por um momento rápido, duro e assustado como eu nunca vira. Mas foi apenas um segundo, e em seguida ele sorriu para Albert e enfim para mim, suspirando.

— Até você já gosta mais dele do que de mim, hein? Família ingrata.— Ele deu um soco no ombro do irmão, rindo, e em seguida seu irmão soltou meu ombro com um riso discreto. Desconfiei novamente que toda aquela tensão de Edmure era culpa do irmão, mas aquele gesto me pareceu algo de irmãos próximos, mesmo que não tivesse sido tão natural. — Bom, Cotter, pelo jeito já conheceu meu irmão mais velho.

— Sim, ele teve a gentileza de ir me buscar. — Eu sorri para Albert de forma simpática, e o grandalhão bateu a mão em minhas costas com leveza. Não tinha muito o que dizer do homem, tinha sido uma pessoa totalmente agradável durante o caminho, e isso fazia com que eu ignorasse seu lado canalha. Devia ser uma pessoa boa que não sabia lidar com relacionamentos.

— Tivemos tempo de nos conhecer no caminho. — Falou, e em seguida apontou com a mão para Dacey Florez, a figura loira e bonita que se mantinha calada no canto do sofá. — Só faltou conhecer meu namorado. Vem cá Dacey.

Percebi que praticamente todos na sala me observaram com ansiedade, incluindo Edmure, como se esperassem minha reação por estar supostamente descobrindo sobre a sexualidade de Albert. Porém eu já sabia bem dela, e não agi com muita surpresa. Nunca fui preconceituoso, então não forcei uma reação exagerada.

Mantive minha postura simpática, mas não pude evitar sentir algumas coisas em relação àquele rapaz loiro, enquanto Edmure dava um passo para o meu lado para que eu pudesse cumprimenta-lo. Primeiro a imagem física dele que era visivelmente atraente, cabelos loiros e lisos, de altura mediana, e ridiculamente jovem para já ter a carreira de renome que levava, não devia passar muito dos 20 anos. Depois disso, a atitude, porque apesar do tom de simpatia que Albert tinha, conhecendo por cima a relação dos dois, não consegui deixar de comparar Dacey com um cachorrinho não muito diferente de Café quando ele se aproximou de forma agitada assim que Albert o chamou. Recriminei-me internamente por pensar algo tão grosseiro quanto aquilo, e abri um sorriso pro rapaz.

— Muito prazer, Cotter Storm. — Eu apertei sua mão, e ele retribuiu frouxamente. — Conheço você por seus trabalhos como fotógrafo, e admiro muito.

Dacey soltou um sorriso doce, inclinando a cabeça ao soltar minha mão.

— Muito obrigado. É um prazer te conhecer Cotter, também conheço a revista que seu pai é diretor.

Tentei pensar em algo simpático para dizer e não parecer que eu estava apenas cumprindo forçadamente as formalidades, mas fui livre dessa obrigação pelos meus sogros.

— Edmure querido, porque você não leva o Cotter e as bagagens dele pro quarto de hóspedes? — Martha disse simpática, enquanto o marido passava o braço em volta dos ombros dela. Achava fofa a forma como eles continuavam carinhosos mesmo após tantos anos de casados, pelo menos era o que eu sempre via quando ia à casa de Edmure. — Antes que seus irmãos cheguem do passeio com Ronald, senão eles não darão um minuto de tranquilidade pro seu amigo.

O meu grandalhão sorriu, e vi seu irmão também grandalhão o observar com um sorriso enquanto Edmure pegava minhas malas com uma facilidade invejável, uma mala em cada braço, fazendo seus músculos dançarem sob a pele de forma fascinante.

Argh, seria mais difícil do que eu imaginei passar uma semana disfarçando nosso namoro.

— Tá certo. Venha, senhor surpresa, vou te mostrar seu quarto. — Ele brincou com expressão divertida, e saiu pela porta. Lancei um último olhar e sorriso simpático pros que ficavam na sala, e o segui. Pude ver os pais de Edmure com sorrisos enormes no rosto, e Albert com um os lábios também simpáticos, mas de uma forma diferente, assim como o sorriso doce de Dacey, mas não igual. Família estranha.

Segui Edmure pela casa, que parecia mais vazia que o normal. Assim que abrimos certa distância da sala de estar, o grandão que ia a frente virou o pescoço, me olhando de canto com aquele sorriso nos lábios.

— Sério, o que você tá fazendo aqui? — Falou, e eu quase ri, pronto para responder, mas ele fez um gesto de negação com a cabeça. — Não, espera a gente entrar no quarto. — Virou a cabeça e apertou o passo, começando a subir as escadas da grande mansão. Apenas ergui meus ombros e o segui.

Vê-lo finalmente mais animado e normal me fazia querer agarrá-lo, e pensar nisso deixou meu rosto vermelho. Em que momento eu me tornara o tarado da história?

Talvez depois que eu ficara por cima no final de semana. Ou antes.

Não tive muito tempo para pensar nessa questão. Assim que acompanhei Edmure para dentro do quarto e ele jogou minhas malas no chão, ele me puxou pela cintura e colou nossos corpos com um braço, batendo a porta com a outra mão e passando a chave em seguida.

— Edmure! — Exclamei surpreso com aquela atitude, e finalmente voltei à realidade, deixando de lado meus devaneios sobre a felicidade do grandão. — A casa tá cheia e você...

Obviamente fui interrompido quando ele puxou minha nuca com a outra mão, e me beijou com intensidade, como se me visse pela primeira vez em tempos. Meu ar escapou dos pulmões quando nossos lábios se encontraram, e perdi qualquer raciocínio, como sempre, e acabei abrindo os lábios para retribuir aquilo, fechando os olhos. Nossas línguas se envolveram e eu amassei o tecido da sua camiseta justa com as mãos, de forma involuntária enquanto a mão de Edmure apertava minha cintura com força, fazendo-me arquejar de certa forma excitado e levemente dolorido, mas de uma forma prazerosa.

— Desculpe, não quero deixar marcas. — Falou repentinamente, separando nossos lábios e soltando minha cintura, colocando as duas mãos no meu rosto e me puxando novamente, sem eu ter sequer tempo pra falar.

Por fim, acho que nos beijamos por cinco minutos sem mais pausas ou apertos indecentes, e eu o afastei firme, mas delicadamente.

— Espera, chega. — Eu arfei, focando meus olhos nos seus. Ele estava até com as faces afogueadas, coisa rara. Encaramo-nos por um instante, sérios e recuperando o fôlego, meus olhos vidrados naqueles violetas. Deslizei minhas mãos pela sua camiseta sem desviar o olhar, e as coloquei em seus ombros. — Como você quer passar uma semana juntos, se não ficamos dez minutos sem nos agarrarmos na primeira ocasião?

Falei em tom de brincadeira, ao invés de ralhar. Não ia conseguir ficar irritado com ele, mesmo com tudo que estávamos arriscando naquela viagem, passar o natal e ano novo com Edmure era algo que estava me deixando muito feliz, principalmente por ele estar tão feliz com a surpresa, o que eu realmente não esperava após ter visto seu humor tão instável durante a semana. Mas se seu humor era inesperado para mim, agora eu esperava um mínimo de explicações pra aquela quase bipolaridade.

A por forças celestiais, elas vieram.

— Ah Cotter, não acredito que você vai com a gente pra Califórnia! — Ele riu alegremente, apertando minha cintura num abraço apertado, de forma que eu perdi o fôlego e apertei os dedos em seus ombros. — Como você teve coragem de aceitar isso? — Questionou surpreso, colocando as mãos nos meus ombros e dando um passo para trás. — Você é todo medroso e preocupado que as pessoas descubram sobre nós.

— Nem eu sei, pra ser sincero. Achei que seria uma surpresa interessante.— Respondi, suspirando e passando minhas mãos pelo deu tronco, sentindo e olhando seus músculos definidos por baixo do tecido justa da camiseta. Mas me concentrando mais na conversa. — Seus pais ligaram, e eu aceitei. Primeiro eu pensei que se eles estivessem desconfiados de algo, nunca fariam o convite. Aí eles comentaram que seu irmão estava aqui, com o namorado, e então eu me toquei que se eles têm um filho gay, não são preconceituosos.

Ergui uma sobrancelha de forma repreensiva para Edmure, e esperei ele entender, o que levou um momento. Foi cômico ver seu rosto passar de um sorriso alegre pra uma careta confusa, e então surpresa.

— Ah, céus, isso! — Ele bateu a mão na testa, comprimindo os olhos. Repentinamente, ficou sério. — Olha Cotter, você deve estar irritado por eu nunca ter falado que o Albert é bissexual... — Abriu os olhos, e colocou as mãos grandes novamente em meus ombros. Mantive meu olhar sério para ele, esperando uma explicação. — É que... Eu não me dou bem com o Albert, essas brigas de irmão sabe? Não suportava nem falar nele, então nunca quis te falar isso. Sei que muda um pouco as coisas, porque meu irmão ser um bissexual assumido mostra que meus pais aceitam isso, e facilita nossa situação, mas não me senti confortável pra falar. Achei que você ia ficar com medo porque ele mora na Itália, e achar que meus pais tinham expulsado ele por causa da sexualidade, ou algo assim.

Dessa vez, eu não consegui identificar bem se aquilo era mentira ou não, porque apesar de parecer sem jeito e nervoso ao me explicar aquilo, como ele ficava toda vez que mentia, agora ele ao menos tinha uma razão plausível para estar assim: medo de que eu me irritasse por ele nunca ter falado sobre aquilo.

Então, eu julguei como verdade. Primeiro porque era uma explicação vaga, mas aceitável, e que com o tempo eu tentaria tirar mais detalhes, sem pressionar muito meu namorado. Segundo, porque eu odiava estender demais momentos tensos, onde as pessoas se sentiam desconfortáveis, principalmente porque íamos passar uma semana juntos, sem pausas, e isso podia estragar todo o clima. E terceiro, eu confiava no Edmure. Não podia ficar acreditando que ele estava sempre mentindo, ou nosso relacionamento ia por água abaixo.

— Tudo bem, relaxa. — Apertei seus ombros, sentindo a tensão, e abrindo um sorriso. — Você tem cada uma, sorte sua que eu sou tranquilo, se fosse outra pessoa você ia estar encrencado por ficar guardando segredinhos.

Ele fixou o olhar no meu, e os lábios se abriram novamente no sorriso enorme e animado, que fez com que eu ampliasse um pouco mais o meu próprio sorriso satisfeito. Suas mãos subiram pelo meu pescoço e envolveram minha face, e ele roçou os dedos num carinho na minha nuca, encostando nossas testas em seguida.

— Sorte minha mesmo. — Falou baixinho, e soltou um riso curto, seu hálito batendo no meu rosto e me fazendo corar enquanto ele passava os dedos na minha bochecha, inclinado. — Esse fim de ano está caminhando tão bem, você não sabe como eu estou feliz agora que você vai, e também fiz as pazes com o meu irmão... Acho que você é o meu amuleto de sorte.

— Por que você era brigado com seu irmão? — Tentei soar desinteressado quando ele ergueu meu rosto e beijou meu queixo de leve, fazendo com que eu fechasse os olhos.

— Não vamos falar disso. Já passou, ele... Voltou. — Disse em tom baixo, e raspou os dentes no meu pescoço.

— Acha que ele pode desconfiar de nós? Digo, ele também é bissexual, pode perceber algo...

Por um segundo, senti os ombros de Edmure tencionarem sob meus dedos, e deus dedos pararem, assim como seus lábios, encostados na minha pele. Medo?

— Não, ele... — Edmure estremeceu, e apertou as mãos na minha nuca. — Não vai perceber, mas se percebesse não faria nada contra nós. Somos irmãos Cotter, nunca faríamos... Mal um ao outro.

Eu o afastei com delicadeza, e dei um passo para trás.

— Eu sei, mas é melhor não deixarmos ninguém desconfiar de nada ainda. — Falei, colocando minhas mãos em seu rosto. — Vamos voltar pra sala. Sei que confia no seu irmão, mas é melhor que ele não saiba ainda, não estou pronto pra isso.

Edmure sorriu, e pegou meu pulso, beijando a palma da minha mão de forma leve.

— Vamos. Meu irmão não precisa ficar sabendo, mas acho... Que podemos contar com ele se precisarmos. — Ele sorriu, e seus olhos brilharam. — Agora que fizemos as pazes, eu acredito que realmente posso confiar nele. Não sou religioso nem nada, mas acho que finalmente, Deus ou seja lá quem comanda as coisas está acertando nosso caminho. Sabe, eu não estava confiando muito no meu irmão estar aqui todo de bem, nos detestávamos antes, mas agora com você indo conosco nessa viagem... É como um sinal de que vai ficar tudo bem.

Soltei um muxoxo, sorrindo torto, e passei minha mão pelo seu cabelo, acertando-o num ponto meio desarrumado.

— É, acho que sou mesmo seu amuleto então.

Notas finais
Espero que tenham gostado!