Fashion And Diamonds.
11 Capítulo 10 - Do Outro Lado do Mar. (Especial)
Notas iniciais
Como sempre, obrigada por todos os reviews e um obrigada especial para a konichiwaclara que me deu a honra da sua primeira recomendação no nyah!Muito obrigada linda!
Novos leitores, sejam muito bem vindos, estou super feliz com vocês, e velhos leitores, continuem comigo, sinto falta dos que me deixaram!
E anônimos, apareçam! Amo vocês.
Esse cap é especial, pois foge do centro da história, e vai, como o nome diz, pra um lugar distante. Espero que gostem.
Enfim, F&D atingiu seus 100 reviews! Muito obrigada por todos eles.
Beijos e boa leitura!
Os gemidos infestavam o escritório, e uma pequena parte deles eram meus. Aumentei o ritmo das estocadas, e a mulher gemeu ainda mais alto.
Talvez ela achasse que aquilo era sensual, mas na realidade era bem irritante, e só me fazia querer terminar mais rápido, por isso acelerei mais, apertando os quadris macios dela com certa força. E novamente, os gemidos aumentaram.
— Oh! Deus Albert, como você é bom... — Me inclinei sobre ela e mordi seu pescoço com leveza, sem me divertir muito com a sensação. — Ah, Dio santo! — Ela gritou alto, e eu agradeci mentalmente por não haver mais ninguém no prédio.
Senti a mulher se umedecer e estremecer em meu pênis. No mínimo estava tendo um orgasmo, então acelerei mais entre os gritos, já enjoado de tanto miado. Meu ápice também se aproximava, e numa última estocada naquela mulher, eu cheguei ao orgasmo, com um gemido cansado.
Sai de dentro dela com certo desgosto, puxando minha camisinha do pênis e dando um nó, jogando-a no lixo mais próximo.
— Cristo... — Ela gemeu com a voz carregada pelo sotaque italiano, e se virou, ainda jogada sobre a mesa do escritório. Observei a cena enquanto subia minhas calças. — Fizemos uma bela bagunça aqui Sr. Prey.
Eu a encarei com uma sobrancelha erguida.
— Sim, e espero que amanhã esteja tudo arrumado Alessa. — Respondi sem me alterar, arrumando minha gravata e alisando minha camisa social. Não ia ficar para arrumar a bagunça daquela buzina em corpo de mulher. — E jogue o preservativo fora.
Ela me encarou com os olhos azuis levemente confusos, enquanto eu pegava minha mala. Ela era uma mulher bem bonita, cabelos loiros, olhos azuis e pele branca, além de uma expressão sempre ingênua. De todas as secretárias que eu já transei, ela era... Bem, sinceramente, era mais uma, e uma com a qual eu não pretendia repetir a experiência.
— Não diga nada ao Hawe. — Eu avisei para Alessa com meu tom sério e formal. Ela suspirou e assentiu, segurando de forma vergonhosa sua calcinha entre as mãos. Sai revirando os olhos e fui pro corredor.
O prédio administrativo da Prey Gioielli era o maior e mais antigo de todos os escritórios da joalheria da minha família, e era considerada nossa sede mundial, mesmo que meus pais morassem nos Estados Unidos. Fora o primeiro prédio da Prey, onde tudo começou com meu avô e seus sócios, e o prédio de onde a joalheria pôde se espalhar pelo mundo. Por mais que as ordens viessem da américa, aqui na Itália os negócios estavam em minhas mãos.
Chamei o elevador e esperei impacientemente. Nunca fui um homem muito paciente, e disso todos meus conhecidos estavam cientes. Mas talvez, fosse por isso que eu cheguei onde cheguei, com 26 anos e diretor da empresa.
Enquanto aguardava, ajeitei novamente minha gravata e meus cabelos. Passos invadiram o corredor, e eu me virei incomodado. Alessa não me parecia o tipo de mulher que ia me perseguir depois de tudo, e eu já deixaria bem claro que eu não queria aquilo.
— Alessa, volte pro seu... — Comecei, mas quem apareceu virando o corredor foi uma figura um tanto mais máscula.
— Alessa. — Ele cuspiu o nome como se fosse veneno, se aproximando de mim calmamente. — Esse é o nome da puttanna?
Suspirei de forma cansada. Aquilo daria uma boa discussão.
— Vovô. — Eu cumprimentei educadamente, e levemente sem jeito. Bem, eu não podia dizer os negócios da família estavam totalmente em minhas mãos, não enquanto o presidente fosse meu avô, Alessandro Prey.
— Albert. — Ele rosnou, num tom carregado de sotaque, a guisa de cumprimento. — Pode começar com suas desculpas agora, ou me explicar o que eram todos os gritos que eu ouvi de minha sala. Três andares acima. — O final veio carregado de sotaque novamente, e isso sempre indicava que ele estava furioso.
Droga, de todas as pessoas que eu não queria que estivessem no prédio naquela noite vovô era o que eu mais queria que estivesse ausente. Ele era o homem que eu mais respeitava neste mundo: tinha 66 anos, olhos violetas, e os cabelos brancos como algodão puro. Estava vestido com um terno executivo, de forma bem elegante. Se tinha alguém que levava os negócios a sério era ele, afinal, todo o império Prey começou com meu simples avô comprando uma jóia para minha avó, e começando toda a história da empresa.
Que eu contarei outra hora, já que ele me fulmina com seus olhos violetas, que eu tanto invejava.
— Eu juro Albert, às vezes eu não acho que você leva seu trabalho a sério. — O elevador chegou, e eu entrei, seguido de perto por ele. Suspirei, apertando o botão do subsolo, onde havia estacionado meu carro.
— Não achei que você ia ficar até mais tarde. — Eu respondi de forma tranquila, e o velho me encarou novamente.
— Sei. E achou uma biscate para transar. Quem era dessa vez?
Desviei meu olhar do dele, sem jeito. Era impossível agir como adulto com meu avô, ele sempre me fazia sentir como um garotinho de 6 anos pego fazendo coisas erradas. Certo, eu estava mesmo fazendo coisas erradas, mas eu não tinha mais 6 anos.
— Dizer que eu estava matando uma ninhada de gatinhos barulhentos não vai colar né? — Perguntei, tentando amenizar o clima, com um sorriso leve.
Não amenizou, então eu continuei.
— A secretária do Hawe. — Voltei a encarar os meus sapatos quando ele soltou um suspiro exasperado.
— Não vou falar nada. Nada. — Ele disse, num tom irritado. Afinal, era um italiano, e a fama dos italianos era de irritada mesmo. — Você precisa parar de ser tão impulsivo garoto. — Ele resmungou, enquanto parávamos no térreo, onde ele desceu. Ele saiu de forma pomposa e segurou a porta do elevador, me encarando. — Fico só imaginando o que você faz com o resto desta empresa. Espero que o Giorgio não esteja na sua lista.
O encarei com a expressão envergonhada.
— Você disse que não ia dizer nada. — Eu falei, mas meu avô simplesmente balançou a cabeça, indignado.
Ele saiu sem mais palavras, um velho alto e irritante. Mostrei a língua pra ele enquanto as portas se fechavam, e o elevador recomeçava a descida.
Certo, muito maduro Albert, parabéns.
As broncas do meu avô nunca foram muito efetivas, mas eram as que eu mais considerava, mais que meus pais ou qualquer outro. Como eu disse, era um homem que eu respeitava mais que tudo, então às vezes eu considerava o que ele falava.
Não em relação à mulheres, isso não. Meu avô se casara jovem, e nunca tivera outra mulher além da minha avô, que eu amo de paixão. Por isso eu nunca ouvia seus conselhos em relação à elas, muito menos em relação à homens, como ele falara de Giorgio, meu secretário.
Que vivia na minha sala pra fazer... serviços.
Enfim, eu nunca me importei muito com as broncas da família. Eu amava todos meus parentes, mas cada um tem sua vida pra cuidar. Eu tinha a minha, e cuidava muito bem na minha humilde opinião.
Entrei no carro ajeitando meus cabelos e me encarei no retrovisor. Às vezes, eu me esquecia de como ainda era jovem, mesmo me sentindo tão velho. Eu tinha 1,90 de altura, um dos mais altos da família, cabelos pretos como os do meu pai e olhos azuis como os da mamãe, o que me incomodava pois eu sempre quis ter os olhos do meu pai. Dentre os sete filhos do meu pai, eu não fora um dos sortudos a nascer com a marca registrada da família, por mais que eu me parecesse com meu pai em relação à traços, eu não tinha os famosos orbes violetas. Eu também tinha um bom físico, gostava de academia e era bem treinado.
Mas, bem, olhos azuis também tinham seu charme.
Liguei meu Mercedes e sai do estacionamento, acenando pro segurança. Afrouxei minha gravata e suspirei, finalmente livre de toda a pressão empresarial.
Mexi no aparelho de som e sintonizei numa rádio de notícias e pude ouvir algo sobre o Vaticano, rosnado em italiano. A maioria das pessoas com quem eu trabalhava falavam em inglês comigo, pois era um padrão empresarial, mas eu entendia muito bem o italiano, já que eu vivia na Itália a mais de 5 anos. Pensar nisso sempre trazia meu passado de volta à minha mente, quando eu ainda vivia na américa com meus pais e não passava de um adolescente gastão e peso morto igualzinho meu irmão Edmure é agora. Tá, tudo bem, eu era um pouco pior do que o Edmure, e talvez por isso eu brigava bem mais com meus pais do que ele. Com 19 anos, eu era briguento, arteiro, teimoso, inconsequente e encrenqueiro. Além de ser assumidamente bissexual, fumar, e usar algumas coisas ilícitas.
Sim, eu sou bi, mas na verdade meus pais aceitaram bem a informação. Demorou um pouco, mas eles aceitaram. Infelizmente, o resto dos meus costumes não eram muito bem vistos, e isso fazia com que eu brigasse com papai e mamãe.
Brigávamos tanto que um dia decidi vir morar na Itália com meus avós, o que fora a decisão que mudara a minha vida. Meus pais aceitaram, afinal, eu era uma peste, e meu avô sempre gostara muito de mim— por mais que hoje eu ache que ele me odeia— de forma que pareceu bem adequado. E também, quando eu tinha algo na cabeça, ninguém tirava, não facilmente.
Abri um sorriso ao pensar em quanto tempo havia passado, e quanta coisa mudou. Já fazia quase um ano que eu não ia pra américa, e por mais que eu possa parecer um rebelde idiota e rico— admito o rico com muito prazer— eu não era sem coração. Como já disse, eu amava minha família, e queria muito vê-los. Mantínhamos contato virtual, mas óbvio que não era a mesma coisa, e me fazia falta, principalmente meus irmãos mais novos. A última vez que eu vira os gêmeos eles estavam com 3 anos, e eram a coisa mais fofa do mundo. Bryan lembrava muito eu mesmo em sua idade, e Christian parecia incrivelmente com o Edmure, o que me incomodava. Denna era a princesa de sempre, e eu adorava ouvir seu riso.
Todos os anos, eu ia visitar minha família e passava algumas semanas lá. Já estava com saudades e precisava marcar mais uma viagem antes da reunião de família, onde uma grande parte dos Prey, nossa família relativamente grande , se encontrava anualmente.
Pensei em todos com certa saudade, enquanto parava o carro em meu prédio e subia até minha cobertura, onde eu cheguei rapidamente. Era um apartamento grande e elegante, com uma vista incrível, dois andares, e uma bela área de lazer na cobertura. Pra mim sozinho era bem grande, mas eu gostava muito do local. Tinha alguns empregados, mas nenhum deles ficava na casa, o que eu preferia pelo bem da minha privacidade.
— Boa noite. — Ouvi a voz familiar me cumprimentar, enquanto pendurava meu terno num cabide próximo da porta, e colocava minha maleta no chão. Ergui meus olhos, e vi Dacey se aproximar, com o conhecido sorriso.
Dacey Florez era um rapaz de 21 anos. Trabalhava como fotógrafo e publicitário, e era muito talentoso, sendo conhecido pelo talento em todo o mundo. Era um pouco mais baixo que eu, talvez 1,80 de altura, e era realmente bonito: cabelos loiros, dourados como sol, uma pele bronzeada, um corpo esbelto e olhos castanhos vívidos. Dacey era doce, educado, gentil e controlado, tudo aquilo que eu não era.
Talvez por isso eu o amasse tanto.
— Oi meu amor. — Eu sorri e o abracei pela cintura, dando um selinho em seus lábios. Ele abriu aquele lindo sorriso tranquilo, colocando as mãos em meu peito.
— Se atrasou. — Comentou, e eu nem tive a vergonha me sentir sem jeito.
— Muito trabalho. — Respondi com um sorriso, e o beijei na testa, soltando-o. Comecei a caminhar para a cozinha, e ele me seguiu de perto. Enquanto eu ainda vestia minhas roupas sociais do escritório, ele já usava uma camisa leve de algodão branco e um moletom largo, sem nada nos pés. — Como foi seu dia? — Perguntei educado, me sentando na mesa onde ainda estava o jantar servido, que se resumia numa macarronada bem encorpada, provavelmente deixada pela cozinheira.
Dacey se sentou em minha frente e começou a contar sobre o ensaio que havia feito pra uma revista. Eu não conseguia descolar meus olhos dele: seus olhos brilhavam e ele parecia uma criatura angelical falando. Me perguntei se eu realmente merecia aquilo pra mim, e sorri ao observá-lo.
Conheci Dacey pouco depois de começar a trabalhar na Prey, uns dois anos atrás. Ele fora contratado para fazer um ensaio para a loja, que usaria as fotos numa publicidade que ele mesmo organizaria. No fim, acabamos tendo um caso, e isso durava até hoje, por mais que meu avô ficasse irado com isso. Ele obviamente não diria que tinha preconceito contra homossexuais— apesar de ser isso, eu achava— mas sempre me repreendia por manter um relacionamento e continuar transando com outras pessoas, como eu fazia.
Mas eu era assim. Não amava ninguém como eu amava ao meu fotógrafo, mas eu não podia segurar meus desejos, e Dacey sabia disso. Certa vez, meu avô o chamou para conversar em seu escritório, e eu pude ouvir parte da conversa, escondido atrás da porta. Ele basicamente disse para o loiro o que eu fazia, e o tipo de pessoa que eu era, e com quem ele estava se envolvendo. Já fazia algum tempo que estávamos juntos, e eu apenas pude ouvir ele responder com um tom simpático e tranquilo.
— Eu conheço o tipo de pessoa que seu neto é Sr. Prey, e agradeço a sua preocupação. — Na hora eu fiquei extremamente nervoso, mas logo ele continuou. — Eu sei que ele terá outros, e também sei que ele se cansará de mim. Mas enquanto eu puder tê-lo comigo, eu ficarei feliz em ter. — Percebi que ele sorria. — Seu neto foi a luz da minha vida, e me salvou quando eu mais precisava. E eu acabei apaixonado por ele.
Eu nunca soube do que, ou como o salvara, e nas poucas vezes que eu tentei descobrir, ele conseguiu habilmente desconversar com sua doçura. De qualquer forma, eu me sentia grato por ele não querer me mudar, e por me amar como eu era, pois eu o amava muito.
— Mas e você, como foi seu dia? — Ele me perguntou quando terminou de contar seu dia, se inclinando sobre a mesa.
— O mesmo de sempre. — Respondi, engolindo mais uma garfada. — Acho que vou ligar pros meus pais, já faz um tempo que não falo com eles. — Comentei, e ele deu seu sorriso calmo e avoado.
— É bom. Bom lembrar da família. — Ele comentou, e eu sabia que ele dizia aquilo porque seus pais não o aceitavam como homossexual, e já fazia tempos que eles não se falavam.
Sorri de volta.
— Sim, estou com saudades. — Eu me lembrei de todos, e principalmente, de Edmure.
Edmure sempre fora meu irmão mais próximo. Por vários anos, fomos só nós dois, crianças travessas e unidas. Sempre nos amamos, até crescermos e acontecer aquilo. Ele nunca me perdoara, e eu nunca o perdoei, e assim mantínhamos uma relação de provocação desde aqueles tempos, e nos afastamos muito. Já faziam muitos anos, e me lembrar daquilo sempre me irritava.
A próxima vez que eu visse meu irmãozinho eu ia fazer da vidinha dele um inferno, com toda certeza.
— Com certeza eles também estão. — Dacey sorriu para mim, sem saber no que eu pensava.
Notas finais
Vou tentar escrever antes do próximo FDS! Vamos ver se derá certo.
Próximo cap, retornamos com Cotter, Ed, e a fofura da catapora!
Beijos lindos! Deixem suas opiniões!
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