Fase Experimental
4 Capítulo 5 - Camila
—E o que você quer comigo?
—Testar você, posso te prometer que em breve entenderá melhor. -ele parecia sentir pena de mim.
—Que seja... -reviro os olhos e me sento ereta na cadeira, tentando não mostrar o quanto assustada estou -Então qual é a daqui? Tenho que fazer algo nesse teste? Ou basta eu agir normalmente?
—Abra a porta de metal, lá você poderá treinar para o teste verdadeiro, digamos que aqui é mais um treinamento.
Me levantei da cadeira e segui apreensiva até a porta que eu devia ir. Abri devagar sendo cautelosa, ela pesava muito e eu tive que fazer um certo esforço acima do que eu estou acostumada, que no caso consiste em levantar latinhas de refrigerante. Ao ser aberta várias luzes se acenderam em sequencia igual a algum filme do 007. Aliás isso tudo daria um bom filme se eu não estivesse com uma cara de tão assustada. As luzes revelaram uma sala ampla e extremamente vazia. Os únicos objetos eram uma cômoda com uma espécie de controle em cima dela.
Caminhei até pegar o tal controle. Olhando de perto parecia mais com um celular, era numerado de um à zero e tinha uma grande tela. Toquei no botão lateral e a tela se acendeu, era touch. Ele pediu uma senha, nunca fui boa guardando as minhas. Coloquei uma combinação bem simples de quatro números, 1,2,3,4. Digitei-a duas vezes para que salvasse e na tela apareceu uma linda saudação me dando bom dia com o meu nome, pelo menos ele era educado. Apertei para continuar e em seguida diversos aplicativos surgiram na tela. Parecia com meu celular e tudo que eu baixava.
Não sei o que esperava dos aplicativos, um angry birds talvez? Mas nunca tinha ouvido falar nesses plicativos e para ajudar eles não tinham nome. Apertei em um azul céu e uma lista de lugares apareceu. Escolhi a França porque sempre quis conhecer Paris. E tcha-rã!! Paris se materializava na minha frente. A torre effeil e alguns cafés. Na tela do celular apareciam opções de locais em Paris para visitar. Larguei o celular mágico no canto e fui em direção a torre. Era incrível o que a sala conseguiu abrigar.
Estava quase lá quando um exército de pretinhos e verdinhos veio me atacar. E sim, pretinhos e verdinhos, não tem outra descrição. Eram formas disformes que marchavam na minha direção materializando mãos e pés e tentando me acertar. Fiquei em estado de choque até receber um soco de um deles e ver que realmente doía. Que diabos era isso? Contei por alto uns 20 serzinhos.
Chutei o primeiro tentando me livrar. Nunca lutei na vida, sempre fui um fracasso nas aulas de educação física e na acadêmia os pesos que eu levantava eram bem leves. Eu parecia mais está tentando me livrar de insetos que de um exército. E tinha a parte constrangedora que eu gritava feito uma louca, se alguém estivesse vendo agora, com certeza estava se divertindo. Nunca que eu ia vencer dessas coisinhas. Decidi então ser corajosa. Me encostei na parede fechei os olhos e comecei a gritar com muita força. Esperava sair morta e num caixão, num funeral que meus pais talvez nunca soubessem, mas em vez disso os ataques param.
Abri os olhos e estavam todos deitados no chão imóveis, ao longe a torre tremeluzia. Eu os tinha matado? Toquei em um deles e pude sentir minha cabeça martelar de uma forma horrível. Seja lá o que tinha acontecido não tinha sido benéfico para nenhum dos lados. Comecei então a me arrastar até o celular na esperança que desligando isso a dor passasse, mas antes que eu chegasse tudo se apagou e uma voz robótica fez seu anúncio.
—Fim de jogo. -jogo, sei...
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