Fascínio

4 Desinteresse


Notas iniciais
Este vai ser curtinho, estava sem criatividade hoje. Se não gostar de alguma coisa, por favor, diga e eu vou procurar melhor.
Boa leitura!

A janta foi ridícula, ao menos para mim. A palavra correta seria “entediante”. Todos comiam, bebiam, conversavam, sorriam, riam de piadas medíocres. Minhas primas até tentaram me fazer participar daquele espetáculo, mas não estava com ânimo para fingimentos hoje. Estava me preparando psicologicamente para a hora do pedido oficial – o qual aceitaria.

O conde estava sentado do lado direito de Alan que estava na ponta da mesa. Ele estava um pouco afastado de mim, suas primas pareciam estar sempre à sua volta, o vigiando como cães de guardas. Mulheres estranhas: tinham olhares estranhos, palavras bizarras e um olhar de arrepiar qualquer um. Umas três vezes pelo menos eu peguei o conde me fitando. Sempre sorrindo, como se compartilhássemos um segredo.

Finalmente chegara a hora do brinde. O conde se levantou e ergueu sua taça.

- Saudemos então meu caro amigo, que me permitiu o prazer de vir até sua casa hoje. Alan, o honesto. O honrado. Aquele que se sobrepõe a qualquer barreira para ajudar ao próximo. Não há limites para este homem.

Alan sorriu um pouco tímido.

Todos nós erguemos nossas taças e brindamos a Alan.

- Feliz aniversário meu amigo. – O conde prosseguiu. – Que sua vida seja plena de realizações.

- Muito abrigado Vlad. – O conde assentiu e se sentou. – Eu também tenho algo a dizer. Antes, obrigado a todos por sua presença, é realmente uma noite muito importante para mim...

Bem, acho que já sabe o que veio a seguir.

Após o jantar não conseguia olhar na direção de Alan que me sentia enjoada. Quando me livrei das pessoas que vieram me parabenizar me afastei para uma parte vazia da casa. Um corredor que ligava o salão a todo resto. O corredor não tinha janelas, pois era aberto, apenas um parapeito baixo nos limitava do lado de fora, como uma varanda. Grossas colunas brancas sustentavam tudo. Aproximei-me do parapeito apoiando-me ali. Estava longe do chão, podia ver o rio e a luz da lua tremulando nele. Podia ouvir uma música ao longe. Nova Orleans apagava suas luzes aos poucos. Respirei fundo o fresco ar da noite. Só pensava em como contar aquilo para o Finn. Qual seria sua reação? Ele ficaria feliz por mim? Ele detestaria? Talvez ele nem se importasse, mas gostaria que sim, gostaria que ele se importasse, ficasse louco comigo, gritasse e me pedisse uma explicação e no fim se declarasse. Quem sabe até propusesse uma rota de fuga... Desde pequena queria fugir daquele lugar, mas sempre tive medo, o máximo que fazia era sair todas as noites, explorava o pátio, deitava na grama e observava as estrelas. Depois que conheci Finn tudo ficou melhor, pois passei a sonhar que um dia fugira com ele e viveríamos felizes para sempre.

Não ouvi quando minha mãe se aproximou. Ela sentou-se no pequeno muro e ficou me olhando.

- Gostei do que fez. – Finalmente disse. – Pela primeira vez você me ouviu, estou surpresa.

- Obrigada. – Resmunguei.

- Filha... Um dia vai nos agradecer. O duque é uma boa pessoa, tem bom coração. Tenho certeza que vai gostar dele fácil, fácil. E há muito tempo que ele já estava interessado em você.

- Mas eu nunca estive interessada nele. Por que minha voz nunca tem som?

- Mas é claro que tem...

- Não importa! – A interrompi. – O que está feito, está feito.

Virei-me deixando minha mãe no corredor iluminado somente pela lua. Empurrei as grandes portas que davam para o salão, tive que descer alguns degraus até minhas primas. Elas estavam junto de meus tios que pareciam já se preparar para se despedir.

- Anne. – Kate pegou minhas mãos assim que me viu. – Estou tão feliz por você. Você tem tanta sorte.

Sorri agradecida, não queria que soubessem que eu não estava feliz. Alicia também me abraçou. Ela era a mais bonita de nós, mas pelo visto seria a última a se casar.

Fiquei aliviada quando chegou a nossa vez de voltar para casa. Acho que Alan percebeu o quanto eu não estava à vontade com aquela situação e por isso não se prolongou muito no seu “tchau”. Apenas beijou minha mão e prometeu que estaria ansioso até que nos víssemos novamente. Dentro da carruagem eu finalmente consegui respirar.

-//-

- Então foi isso? – Finn me perguntou após eu ter lhe contado os detalhes da festa do duque.

- Sim.

- Hum... – Foi tudo o que ele disse.

Hum...? Eu esperei o dia todo por uma oportunidade de poder ir até sua casa e lhe contar e tudo o que ele faz é ficar sentado em sua cama com um meio sorriso tolo, me olhando sem ânimo nenhum e dizer hum?

- Só isso?

- O que você quer que eu faça? Foi você que aceitou o convite.

- Porque é importante para meu pai.

- Ah... Poupe-me Anne. Você sempre faz o que seus pais querem. Pode fazer algumas birrinhas infantis, mas no final acontece sempre o previsível. E não culpo você, deve mesmo obedecer seus pais, eles sabem o que é melhor para você.

- Melhor para mim? – Me exalto. – Ninguém sabe o que é melhor para mim além de mim mesma! Pensei que você se importava comigo.

- Mas é claro que me importo.

- Sim, estou vendo como.

- Anne, eu realmente não te entendo. Me diga o que você quer que eu faça. Diga, pode dizer e eu farei.

Respiro fundo. Não quero brigar com Finn, só queria que ele se mostrasse um pouco mais...

- Eu só queria que soubesse. – Digo.

- Legal. – Ele se levanta. – Se era só isso eu... Tenho que voltar ao trabalho.

Olho dentro de seus olhos e não vejo nada. Ele não parece irritado, magoado, triste. É o mesmo Finn de sempre, calmo e com um sorriso humilde. Suspiro deixando bem clara minha decepção e saio de seu quarto.

Notas finais
Então foi isso. Beijos, amanhã tem mais.