Fascinação
1 Fascinação
Notas iniciais

Um feixe de luz escapava por uma fresta na cortina da janela do quarto em questão e iluminava-o fracamente.
Roupas estavam espalhadas pelo aposento, em especial, pelo chão, de forma displicente e era, praticamente, óbvio o que havia acontecido.
Um homem, de cabelos bagunçados e corpo com aspecto forte e bem definido, moveu-se na cama, tornando a abrir os olhos castanho-esverdeados, em seguida. Apertou-os, por alguns instantes, para acostumar-se com a claridade, embora discreta, do cômodo.
Sua vista estava um pouco embaçada por causa da falta do óculos e por ele ter recusado-se a usar lentes de contato. James não possuía nenhum tipo de preconceito ou aversão à trouxas e nascidos-trouxas e seus respectivos objetos e invenções, mas aqueles em questão não o agradavam muito.
Primeiramente, pelo fato de exigirem demasiado cuidado e higiene, e essas serem características que ele só possuía para com os demais, não para com si mesmo. James lembrava-se de reclamar e preocupar-se com Lily por, algumas vezes, a ruiva esquecer-se de comer ou ignorar uma refeição, ou o momento dessa, da mesma forma que a mulher fazia com ele algumas, constantes, vezes.
Outro motivo da sua recusa provinha de uma situação um tanto embaraçosa, quando ele tentou pôr, no banheiro, apenas para testar, uma lente de contato e falhou miseravelmente. Lily ajudou-o, aos risos, fazendo-o envergonhar-se, consideravelmente, mais.
“Não tem problema, James.” Ele lembra dela ter lhe dito. “Eu te ajudei, não foi? E tudo ficou bem, certo?”
“Sim.” Ele havia dito. “Você sempre me ajuda.” Ele deu um sorriso doce antes de passar a mão pela sua bochecha, suavemente, e puxar seu pescoço, grudando seus lábios, para um beijo apaixonado, em seguida.
Mesmo sem enxergar devidamente, ele sabia muito bem quem estava ao seu lado, naquele momento. Lily estava de bruços, próxima a ele, e dormia tranquilamente. Seu cabelo ruivo estava espalhado pelo travesseiro e por suas costas, de forma displicente, mas, ainda sim, com sua beleza própria.
Naquele momento, em que nem ele nem ela estavam agitados devido a correria comum do dia a dia, a única coisa que James poderia fazer era admirá-la, enquanto a mesma dormia com a mais pura tranquilidade. Admirar a mulher a qual amava e com quem havia casado-se e tudo relacionado à ela.
Seus contornos, bem desenhados, por debaixo do lençol; seus lábios, rosados e carnudos; sua aparência delicada, embora James soubesse que ela sabia defender-se perfeitamente bem; e seu cabelo ruivo, momentaneamente, espalhado pelo travesseiro e pela pele alva de suas costas.
Desde o instante que James havia posto seu olhar sobre os fios de coloração intensa, ele viu-se fascinado. Ruivas eram tão raras quanto Lily era demasiadamente importante e especial para ele.
Os cabelos vermelhos e naturais de Lily eram mais do que apenas fios com determinada aparência, eles retratavam a personalidade de sua dona.
Retratavam a determinação, uma característica demasiadamente vista em Lily e realmente memorável; a paixão, um sentimento que a ruiva possuía por tudo e todos aqueles que amava e admirava; a ação, outra peculiaridade da mulher, que, nunca, em hipótese alguma, ficava parada enquanto via atitudes e situações desenrolarem-se à sua frente; a coragem, inspiradora, digna e característica de uma verdadeira e excepcional Gryffindor; a força, outra característica admirável, que envolvia sua estabilidade perante algumas situações e sua força de vontade ao decidir algo ou dedicar-se a algo; o calor, em um amplo sentido, pois Lily era demasiadamente acolhedora e amorosa e ela e James funcionavam, digamos assim, muito bem juntos; e sua beleza, peculiar e exótica, porém tão linda quanto as demais belezas existentes.
James até arriscaria dizer que Lily havia sido a mulher mais linda a qual já teve qualquer tipo de envolvimento amoroso.
Porém, sua beleza não restringia-se à beleza física. Muito pelo contrário, Lily eram bela, também, internamente. James podia passar horas listando as qualidades da mulher ao seu lado sem nem ao menos cansar-se.
Ele passou, delicadamente e com cuidado, para não acordá-la, já que ainda era consideravelmente cedo, sua mão esquerda pelos fios ruivos da amada. Tocava levemente e admirando-os com precisão e atenção, como se quisesse guardar cada detalhe.
Passou o olhar pela pele alva de suas costas, que era visível por ele e que estava descoberta, e moveu, cuidadosamente, seus dedos compridos e habilidosos pela pele exposta, causando um pequeno arrepio na mulher, sensação que não passou despercebida pelo homem. Aproximou-se mais de Lily, envolvendo-a com seu braço esquerdo, e o descansou na curva de sua cintura.
Ela, aparente e visivelmente, havia acordado, e, por isso, virou-se, preguiçosamente, para James, que, dirigiu seu olhar para as orbes extremamente verdes de Lily. Ela os abriu, lentamente, e sorriu, fazendo-o sorrir também, ao visualizar, logo em seguida, os olhos castanho-esverdeados de James.
Ele sustentou o olhar por mais algum tempo, até transferi-lo pelo rosto de Lily. Ele mirava da mesma forma que havia observado os intensos fios ruivos da mulher: buscando memorizar cada detalhe, como se não conhecesse cada ponto de Lily.
Havia algumas pequenas sardas salpicadas, levemente, pelo nariz da ruiva e abaixo dos olhos, na área das temidas olheiras. O cabelo contrastava com a pele alva e o lençol branco, causando um choque e, simultaneamente, uma mescla de cores.
Se James pudesse definir como se sentia para com a beleza natural de Lily, ele diria que era fascinado. Amava-a, claro, e ninguém, em sã consciência, diria o contrário, mas, além desse sentimento belíssimo, o qual denominamos de amor, e é acompanhado pelo carinho tenro e o respeito mútuo, havia aquele de profunda admiração e fascinação pela mulher. Ela era bela, interna e externamente.
“Por que me olha tanto?” Lily perguntou, não aborrecida como nos primeiros anos de Hogwarts e como podia-se imaginar, mas, sim, curiosa e um tanto divertida, com seu cenho levemente enrugado.
“Estou te admirando.” James respondeu, simplesmente.
A ruiva, porém, não pediu, e tão pouco precisou de mais informações. Ele a admirava sempre que podia e lhe falava, também, quando possuía oportunidade, o quanto era fascinado por ela, não somente com relação à beleza natural e admirável, mas, também, por quem ela era. Desconsiderando sua 'origem', não no sentido de desprezar e ignorar, mas sim, sem levá-la em consideração para definir quem ela era e seu caráter.
Lily aproximou-se um pouco mais, e aconchegou-se em seu peito, aninhando-se em James como gostava. Ele beijou seus cabelos, e, em seguida, descansou suas mãos nas costas de Lily e ao redor da mesma, e sua cabeça, confortavelmente, no travesseiro de plumas.
Ela tinha cabelos ruivos e olhos esmeraldas que fascinavam qualquer um. Ele era um deles. Não que James reclamasse, claro.
Fale com o autor