Fascínio

31 O servo da besta


Notas iniciais
Aye gente linda! Desculpa ai, não postei ontem porque tudo que eu escrevia ficava um lixo, mas hoje eu consegui escrever direito, um capítulo curtinho, porém disse tudo que eu gostaria. Obrigada a todas que comentaram! Escrevo a Fic só por vocês! Boa leitura! E até segunda-feira.

Finn encarava imóvel a figura na entrada da sala. Pela escuridão ele podia apenas enxergar sua silhueta, e não a compreendia totalmente. O cheiro ruim ainda o deixava tonto e mais confuso ainda. Foi quando a figura começou a fazer sons estranhos, como de alguém engasgando ou tentando segurar o vômito que Finn percebeu que não era o conde.

– Eu... – Mais um engasgo. – É melhor sairmos daqui.

Finn ainda não confiava na criatura sem rosto, mas não podia ficar lá embaixo sequer mais um segundo. Seguiu o homem. Lá em cima após o homem trancar a porta debaixo da escada que levava àquele lugar medonho, o homem abriu as cortinas da sala deixando um pouco de sol entrar de forma que Finn entendeu que aquele cara não era um vampiro. Tinha roupas caras, cabelos escuros com poucos fios grisalhos e um rosto castigado, já devia ter mais de quarenta anos. O mais estranho naquele cara era um sorriso de gente doida.

– Quem é você? – Finn perguntou.

– Ora... Quem deveria estar lhe fazendo esta pergunta sou eu, já que você é o invasor.

– É algum empregado da casa? Eu não entendo... Você é humano.

O homem perdeu o sorriso e lhe encarou desconfiado.

– O que fazia aqui senhor? O que procurava?

Finn não respondeu, permaneceu encarando o homem com olhos semicerrados. O homem suspirou cansado.

– Eu sou Renfield, servo do conde Drácula da Transilvânia. – Renfield reverenciou Finn após se apresentar.

Finn até compreendia por que o conde iria querer alguém humano por perto, para ir aonde ele não poderia ir: ao sol. Mas aquele dali? Não tinha ninguém melhor não? Talvez escolhesse um homem estranho para não ter a vontade de mordê-lo e acabar o transformando.

– Se o senhor estava aqui procurando pelo conde...

– Sim. – Disse Finn enchendo-se de coragem.

– Bem... Deixe-me lhe dar uns conselhos. Você está perdendo seu tempo. Está se pondo em perigo e está me pondo em perigo por eu ter permitido sua entrada aqui.

– Eu não ligo para nada disso.

– Mas deveria ligar.

– Mas não ligo. Se eu não fizer nada, Anne vai... Eu... Vou perdê-la para sempre.

– Ah... A senhorita Foster. – Renfield olhou para baixo com pesar. – É uma menina incrível. Uma pena que seu destino esteja ligado ao do meu senhor.

– O destino dela não estava até ele surgir e estragar tudo. – Disse Finn com raiva.

Renfield o encarou com as sobrancelhas arqueadas.

– Você não faz ideia do que está se envolvendo. Não devia interferir nos assuntos do outro lado. Tudo que vai conseguir é perder a vida.

– Assuntos do outro lado? Que história é essa?

– Eu já lhe falei demais. Saia senhor enquanto eu permito.

Ren começou a puxar Finn pelo braço na direção da saída. Finnick estava tão absorto em pensamentos que nem percebeu. Aquele homem só podia ser maluco, não falava coisa com coisa. Destino, assuntos do outro lado... O que significava tudo aquilo? Será que o conde tinha planos para Anne além de torná-la sua escrava sugadora de sangue? Planos que envolviam rituais satânicos, invocar espíritos, etc? Porque quando Ren falou “Outro lado” foi isso que veio à cabeça de Finn. Ele não poderia sair dali sem antes descobrir isso.

– Espera. – Conseguiu se soltar de Ren quando já estavam na porta da frente do castelo. – Me diga o que está acontecendo. O que Anne tem a ver com tudo que você disse?

– Eu sinto muito senhor... Mas não posso lhe contar e é melhor assim. Adeus. – Renfield o empurrou para fora e bateu a porta a trancando em seguida. Para um homem magro até que era forte. Empurrou Finn de modo que o próprio tropeçou nos próprios pés e caiu sentado no chão.

Finn se levantou concentrando toda sua raiva e humilhação nos punhos. Seu desejo era socar aquela porta até quebrar. Depois achar aquele infeliz do Renfield e socá-lo até a morte, assim procuraria pelo conde livremente e o mataria ainda dormindo – se é que dormiam.

Ele respirou fundo. Antes de ter um acesso de raiva ele iria investigar, descobrir o que estava acontecendo. Mas e Anne? Não tinha tempo para isso, se demorasse seria tarde demais. Provavelmente amanhã velariam o corpo dela e a levariam para o jazigo da família. Ele poderia entrar lá após todos irem embora, mas como conseguiria a chave?

O senhor Foster não lhe daria... Ou talvez o duque as conseguisse. Claro, o duque era o noivo dela, talvez se pedisse ao senhor Foster este lhe concederia. Finn só teria que engolir seu orgulho e pedir ajuda ao 2º ser que mais detestava no mundo – após o conde. – E teria que explicar a Alan o que acontecia também, o homem certamente ficaria curioso e iria querer ir ao jazigo junto com Finn. E depois o quê? Esperariam ela acordar para devorá-los? Ou a matariam logo, sem perder tempo. Finn não podia permitir que ela se tornasse uma vampira, ele a preferia morta.

Voltou para casa sentindo-se um fracassado por não poder salvá-la. Seria isso que faria? A mataria. Tudo que restaria dela seriam lembranças. Lembranças de um belo rosto e de um sorriso que ela tinha somente quando estava com ele. Como ele havia sido tão tolo a ponto de perdê-la para aquele monstro? Tudo que estava tentando fazer era protegê-la, garantir que ela tivesse o melhor e no fim ela acabou caindo nas garras de um caçador impetuoso.

Finn sabia que não tinha a menor chance com um vampiro. No seu último encontro com o conde quase que morrera. O infeliz havia deixado Finn viver por um motivo, obviamente. Até nisso humilhara Finn, deixando-lhe a ideia de que só estava vivo porque aquela besta dos infernos decidira assim.

Maldito conde! Finn um dia teria sua vingança.

Notas finais
Beijos!