Fascínio
18 O que está havendo?
Notas iniciais
Naquela noite Alan e Luís jantariam lá em casa, e eu não estava com a mínima vontade de vê-los. Uma das criadas arrumava meus cabelos enquanto outra terminava de me maquiar. Não sabia o motivo de meu pai exigir tanta produção. Seria apenas um jantar com meu noivo e sua única família, seu irmão mais novo.
A noite finalmente chegou. Eu não disfarcei minha insatisfação por nenhum momento. – Já disse que eu era estúpida? Sério, hoje eu reconheço que nem mesmo eu me aguentava.
– Está melhor, Anne? – Alan me perguntou assim que me viu.
Eu apenas o encarei. Não disse nada nem assenti. Se eu estava melhor? Sabendo que minha mãe era uma coisa horrível agora e ninguém acreditava em mim? Eu estava péssima. Minha mãe não estava em paz, sua alma estava condenada.
O jantar foi servido. Luís e eu não dissemos nada por um tempo enquanto Alan e meu pai conversavam sem pausa. Não lembro sobre o que discutiam, mas não era interessante para mim. Minha mente estava vazia naquele momento, só queria me concentrar na comida. Terminei antes de todos e pedi licença para me retirar.
– Marianne. – Meu pai pediu.
Olhei para ele. Não queria que ele me obrigasse a ficar ali.
– Por que não conversa um pouco conosco?
– Conversar sobre o quê?
– Sobre o que você quiser.
Olhei para Alan. Ele mantinha aquela expressão preocupada no rosto. Luís não tirava os olhos de seu prato. Fiz a pergunta que queria fazer para meu pai há muito tempo:
– Por que quer eu me case? Seja sincero, por favor.
Alan abaixou o olhar e meu pai me encarou surpreso.
– Ora... Eu... Eu...
Eu me levantei irritada. Ele estava procurando uma desculpa.
– Você podia ser sincero, pelo menos desta vez! – Sai correndo.
– Marianne! Volte já aqui!
Eu não lhe dei ouvidos. Saí para a rua escura. Corri na direção contrária aos estábulos me lembrando do sonho que tive com minha mãe noite passada. Fui para perto das árvores no jardim. Escorei-me em uma árvore e pensando nos vários motivos que meu pai teria para se livrar de mim chorei. Eu tinha que perder aquela mania de chorar. Parecia uma garotinha fraca – talvez eu fosse.
Fiquei lá por tanto tempo que mal vi que Finnick estava ali. Escutei sua voz e instintivamente segui para ela. Eu queria um abraço, um carinho. Qualquer coisa! Queria meu amigo de volta.
Parei quando vi que ele não estava sozinho. Das sombras o observei conversando com a horrorosa da Caroline.
– Pensei que confiasse em mim. – Ele dizia para ela.
– Eu confio! Mas não confio nela! Ela só está usando você, será que não percebe?
– Eu sei agora. Acredite em mim. Nunca mais vou procurá-la. Eu só quero ficar com você. – Ele segurou o rosto dala com as duas mãos a forçando olhar em seus olhos. – Eu te amo.
Meu coração parou quando ouvi ele pronunciar aquelas três palavras para ela. E eu? O que eu significava para ele, aquele cretino!
Então os dois se beijaram e eu não suportei ficar ali assistindo aquilo nem mais um segundo. Ignorando meu medo de pesadelos corri para os estábulos. Precisava de um cavalo. Precisava desaparecer!
Depois cometi a maior loucura da minha vida: eu acreditei nas palavras do Conde.
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