Fascínio

44 Enquanto estiver nas Trevas


Notas iniciais
Último capítulo!!!! Eu queria agradecer à todos que favoritam ou/e comentaram a fic. Mesmo que tenha sido um comentário curtinho ou só uma vez na vida, ainda assim deu um sinal de vida. Este capítulo concluí tudo, eu acho, mas não deixe de ler as notas finais, certo? Sem mais delongas... Vamos ao cap. Beijos e boa leitura!

Eu carregava Finn pela estreita escada de metal para sairmos daquela espécie de jazigo. Um braço dele estava por cima dos meus ombros e eu o segurava pela cintura. Enquanto subíamos eu observava os corpos de Ilona e do conde e me perguntava o porquê do dele não ficar como o dela.

O peito de Finn doía bastante por causa do que Ilona havia lhe feito àquela hora. Ele havia me dito doer mais por parecer que seus ossos no peito haviam sido afastados. Quando chegamos ao topo da escada e saímos da casinha eu hesitei. Ainda havia sol e eu não tinha tanta certeza se podia tocá-lo. Vlad estava morto afinal, eu deveria voltar a ser humana, mas não me sentia diferente.

– Vamos para a casa. – Disse Finn com a voz trêmula apontando com o queixo a mansão do outro lado do jardim. De onde estávamos podíamos ver as janelas quebradas no quarto do conde e na sala do andar debaixo. O jardim também estava cheio de rosas esmagadas.

Eu dei um passo confiante para fora da sombra que a casinha projetava e tive que recuar assim que a luz do sol tocou a pele exposta da minha perna. Eu ainda queimava, eu não era humana.

– Não posso Finn... Não posso te tirar daqui.

Arrastá-lo comigo me faria ficar mais tempo exposta ao sol do que deveria.

Olhei para o chão antes de me sentar puxando Finn junto comigo. Sentada ao lado de Finn observei que o peito dele ainda sangrava e aquela situação estava me deixando sedenta. Rasguei um pedaço da saia do meu vestido para tentar estancar o sangue com o pano. Fechei os olhos quando o cheiro de sangue me atingiu e comecei a fantasiar o gosto...

– Anne? – Finn falou comigo.

Abri os olhos e encontrei seu rosto bem perto. Finn estava com os olhos caídos por estar fraco e a pele pálida por perder muito sangue.

– Eu não entendo. – ele continuou. – Eu o matei. Cravei a estaca no coração. Era para você deixar de ser vampira.

– Talvez o professor estivesse errado...

– Não. Ilona me mordeu, e agora que ela morreu estou livre de me tornar um vampiro, tenho... – Sua frase foi interrompida com o gemido que ele deu quando eu pressionei mais o pano contra seu ferimento.

– Desculpa. – Sussurrei.

– Vamos ter que esperar que anoiteça? – Sua voz falhava.

– Se você sobreviver até lá...

– Você é a pessoa mais otimista que conheço.

– Você sabe o que significa “otimismo”, não é?

Ele sorriu. Eu teria me permitido uma pequena distração com o sorriso dele se o cheiro de sangue ainda não me perturbasse.

– Eu posso fazer uma coisa? – Sussurrei, ainda incerta se deveria fazer o que eu pensava ou não.

Finn, confuso, me olha.

Antes que ele pergunte alguma coisa eu solto o pano ensanguentado que pressionava contra seus ferimentos, depois rasgo sua camisa expondo completamente seu peito. Analiso a ferida: ao redor de cada um dos cinco furos causados pelos dedos de Ilona está inchado.

Ainda hesito, mas quando faço não me arrependo. Eu lambo os furos absorvendo com minha língua cada gota de sangue. Quando me afasto vejo os furos se fechando. Finn se cura em segundos.

– Como você sabia disso? – Ele me olha surpreso.

– Eu não sabia. – admito. – Só estava com sede.

Ele ergue uma das sobrancelhas.

Eu encosto minhas costas na parede da casinha. Fecho os olhos enquanto espero que as horas passem e penso do que fazer depois. Em determinado momento Finn pega minha mão. Ficamos em silêncio, sentados um do lado do outro. São bons os instantes que fico com ele, eu não poderia pedir por ninguém melhor para ficar comigo numa hora como esta.

Ainda é estranho acreditar nas coisas que aconteceram naqueles últimos dias. Tudo começou após a festa de Alan, onde eu o conheci. E agora que penso que ele está morto na sala subterrânea é tão difícil de acreditar. Sinto-me vazia com a falta de Vlad. Mesmo depois das coisas horríveis que ele fez, eu queria que ele continuasse existindo. Talvez ele só precisasse de uma chance para se mostrar diferente. A solidão e a obsessão o tornaram um monstro, mas tudo começou por ele estar apaixonado e todos os atos do coração deveriam ser nobres.

– Anne. – Começou Finn. Ainda estava se recuperando dos ferimentos no peito, mas até a voz já havia melhorado.

– Sim? – Sorrio para ele.

– Você podia tê-lo matado naquela hora.

Ele falava de Vlad.

– Que hora?

– Bem, quando lutávamos aqui no jardim. Você podia ter cravado a estaca no coração dele, mas me pareceu errar de propósito.

Lembrei-me da hora que Vlad, na forma de um demônio, estava em cima de Finn tentando arrancar a cabeça dele com os dentes. Então eu cravei nas costas do conde uma das estacas que Finn havia acabado de fazer.

– Foi porque eu errei de propósito.

Eu o acertei no centro das costas, onde sabia que não atravessaria o coração. Não o queria morto, só enfraquecido.

– Mas... Todo o resto podia ter sido evitado. Nós quase morremos lá embaixo.

– Mas não morremos.

Sorri para ele que fechou a cara. Suspirei e desviei o olhar do de Finn.

– Eu sei, mas admito que eu não queria ele morto. Mesmo significando que eu continuaria vampira.

– Como pode sentir pena dele depois de tudo! – Finn empurrou minha mão para longe da dele. – Como pode ainda gostar daquela coisa?

– Mas eu não disse que gostava dele! – ótimo, agora eu também estava gritando.

– Dá para ver na sua cara que você gosta. Eu não sei o que vocês dois faziam quando estavam juntos... Na verdade eu imagino e fico muito enjoado toda vez que isso acontece. Mas o esqueça! Ele não é bom. É um monstro mentiroso.

– Eu sei disso. – Minha voz voltou a ficar calma.

– Então deixe de acreditar nas mentiras dele. Aquela coisa não tinha sentimentos. Ele não podia amar você.

– É, mas isso – apontei para o meu próprio peito, onde batia meu coração. – Não tem relação nenhuma com os sentimentos dele. E... Por que estamos discutindo isso agora mesmo?

– Porque você ainda não decidiu o que faremos agora.

Respirei fundo aliviando um pouco de tensão. Voltei a me escorar na casinha, fechei os olhos e comecei a falar conforme eu pensava:

– Primeiro vamos esperar o sol se pôr e você se recuperar um pouquinho. Depois iremos até a mansão que está na nossa frente procurar alguma coisa para atear fogo aos vampiros no andar de baixo e...

– Não é disso que estou falando. – Finn me interrompe. – Eu me refiro a nós dois.

– Eu estava chegando lá. – Sorri para ele e respondi: – Não sei.

Olhei fundo nos olhos negros de Finn tentando identificar seus sentimentos. Eles pareciam espelhos, refletindo apenas o que estava do lado de fora, e nunca por dentro.

Queria ser sincera com ele. Ao mesmo tempo em que o queria para mim, sentia que não era justo condená-lo ao que eu era. A eternidade como um monstro era pior do que uma vida com escolhas. Queria que Finn fosse livre! Tivesse uma família ao qual pudesse voltar no final do trabalho. Algo por qual lutar e viver. Queria que ele fosse admirado por seus filhos e amado por sua esposa. E no final de sua vida ele olhasse para trás e percebesse o quanto não se arrependia de nada, o quanto havia sido feliz. E eu não poderia lhe dar nada disso.

– Eu não sei ainda. – Repeti.

– Você pode ao menos responder uma coisa com sinceridade?

– Você o ama?

Eu abri a boca com a resposta pronta, mas não pude pronunciá-la, precisava pensar mais um pouco.

A verdade é que eu não tinha certeza. Minha vida inteira eu acreditei que Finn fosse minha grande paixão, mas depois que Vlad surgiu, com ele veio a dúvida. Pela primeira vez eu soube a dor que era ter um coração dividido. Mesmo eu tido escolhido ao Finn todas as vezes que Vlad pediu que eu fosse com ele.

Respirei fundo quando obtive a resposta sincera.

– Eu vou ser sincera. – Comecei a falar. – Se essa história de vampiros e monstros não existisse, ou se existisse, mas as coisas tivessem acontecido de outra maneira... Eu sou egoísta o bastante para dizer que gostaria de ficar com vocês dois. Talvez eu o ame e seja este o motivo de eu não ter acertado o coração dele assim que tive a oportunidade. – Peguei a mão de Finn novamente. – Eu sinto muito.

Finn assente e dá de ombros.

– De que importa? Ele está morto agora. – Ele diz antes de se levantar.

Começou a andar na direção da mansão. Levantei-me relutante em deixar as sombras. Agora que eu não precisava carregá-lo podia chegar rapidamente à mansão. Rápido o bastante para não entrar em combustão ao sol. Respirei fundo e corri. A queimação começou assim que toquei a luz do dia. Uma fumaça negra fedorenta levantava de minha pele, mas em um piscar de olhos estava dentro da mansão. Cheguei antes de Finnick.

Queria um espelho para ver meu rosto se curando das queimaduras, mas naquela casa não havia espelhos. Provavelmente vampiros não pudessem se enxergar neles... – Droga, o que vai ser de mim?

Vi Finn entrando na sala.

– Está com raiva de mim? – Perguntei.

– Eu deveria? – Ele mal olhou para mim e saiu para explorar a casa. Ainda caminhava meio curvado por causa na dor do peito.

Segui-o pelos corredores – que eram decorados com um ótimo bom gosto, apesar de ser tudo muito escuro, de certo modo até assustador. – Finn abria gavetas e portas de todos os móveis por qual passávamos.

– Deixa de ser infantil! – Disse à ele quando chegamos à cozinha.

A cozinha era toda branca, clara demais, não combinando nadinha com o resto da casa. Também era enorme e no centro havia uma imensa mesa retangular de madeira.

Eu avistei a caixa de fósforo em cima da mesa e consegui pegá-la antes de Finn. Ele revirou os olhos quando eu sorri me gabando, depois arrancou a caixa da minha mão.

– Espera aqui por causa do sol. – Ele riu sendo malvado.

Finn voltou pelo caminho que havia feito até a cozinha e eu o segui ignorando sua recente ordem.

– O que você quer que eu faça? – Disse enquanto o perseguia. – Transformasse você para que vivêssemos a eternidade juntos e felizes?

Ele parou no caminho se virando para mim de supetão. Quase lhe dei um encontrão.

– É exatamente isso que eu quero! – Ele respondeu. – Eu estava disposto a fugir com você, lembra? Ainda estou disposto a tudo por você! Mas quando é o contrário...

– Isto não está certo Finn! – Tentei lhe impor razão, mas era difícil quando ele era muito mais alto e me encarava com olhos ameaçadores.

Não que eu estivesse com medo dele.

– Eu só queria uma única prova de amor. – Seus olhos ficaram úmidos.

– É o que eu estou fazendo. – Respondi.

Finn riu sem graça e me deu às costas para voltar à casinha e tacar fogo em Ilona e no conde.

– Ao menos me dê um tempo para pensar! – Pedi.

– É o que eu estou fazendo.

Sorri por causa das palavras que ele escolheu, as mesmas que as minhas. Voltei a caminhar com passos firmes e decididos. Eu não o deixaria pôr fogo sozinho em Ilona e para isso eu teria que enfrentar o sol novamente.

†

Estávamos diante da casinha e eu percebi que Finn hesitava em descer aquelas escadas novamente.

– Me dê isso. – Pedi a caixa de fósforos e ele me entregou.

Desci rapidamente, pulando dois e até três degraus até finalmente chegar ao chão de cimento. O corpo de Ilona estava bem próximo das escadas. O buraco no peito dela ainda estava aberto, mas parecia menor do que antes. Sem delongas, ascendi um fósforo e o toquei no corpo dela. O fogo se espalhou quase instantaneamente, logo ela seria reduzida a cinzas. Agora viria a parte mais difícil: o conde.

Eu caminhei lentamente na direção do corpo dele, mas...

Cadê ele?

No lugar onde ele deveria estar havia apenas uma poça de sangue e a estaca que estava nas suas costas. Meu coração acelerou por causa do medo. Olhei para todos os lugares onde ele poderia estar escondido apenas esperando o melhor momento para me atacar. Olhei para o teto, para os túneis... Ele fugiu.

Respirei fundo. Estava aliviada por ele ter fugido e eu não precisar tacar fogo nele, mas também com medo de ele voltar a perseguir Finn e eu.

Eu poderia usar os túneis para sair daquele lugar, mas agora corria o risco não só de pechar com Lanore e Dábria como também com Vlad.

Juntei a estaca ensanguentada no local onde o conde estivera e fui até a pira de fogo que era Ilona. Não demorou muito até que as chamas se extinguiram deixando apenas um pequeno monte de cinzas. Comecei a subir para encontrar com Finn e lhe dar a notícia de que o conde havia escapado.

Parei no meio da escada encarando novamente a poça de sangue onde o conde estivera há pouco. O pensamento de que Vlad poderia ter escutado toda a conversa que Finn e eu tivéramos àquela hora passou a dominar minha mente.

†

– Ainda acha que é seguro eu voltar para casa? – Finn perguntou.

Nós dois cavalgávamos pelas ruas vazias de paralelepípedo pertencentes à Nova Orleans. Nós havíamos pegado um dos cavalos negros do conde emprestado. Eu segurava firme na cintura de Finn com um braço e o outro segurava minha mala. Aquela era uma noite agradável, e após eu ter dito a Finn que o conde havia escapado ele estava tão temeroso quanto eu.

– Eu acho que ele não vai fazer mal algum, por hora. – Disse à Finn.

– E o que você decidiu?

– Sobre...?

– Anne, por favor... Eu odeio quando se faz de sonsa.

Desviei o olhar. Eu o acompanharia até sua casa e o plano ainda era ir embora sem ele.

– Não decidi ainda. – Menti.

– Que tal assim? Eu pego minhas coisas, compramos as passagens para fora da cidade e, você não precisa me transformar agora... Pode ficar para mais tarde...

– Finn. – Eu o interrompi. – Podemos falar de outra coisa?

– Claro. – Ele sorriu e segurou minha mão que envolvia sua cintura.

Se alguém nos visse pensariam que éramos o casal de cavaleiros mendigos mais fofo do mundo. Ainda estávamos com roupas rasgadas, eu carregava minha mala com todos os meus pertences que estava na carruagem que Ren me levara do porto até a casa do conde. Pobre Ren... Mais um que morreu por minha causa. Antes de ir embora Finn e eu havíamos enterrado o pobre no jardim da casa, não havia outro lugar. Eu esperava que ao menos ele estivesse em paz agora.

– Acho que logo iremos chegar ao sítio. Quando eu aparecer lá após um dia inteiro desaparecido, irão me fazer perguntas.

– É. Mas você é bom em arranjar desculpas.

– Ou talvez eu não precise. Afinal... Eu posso ir embora com você.

Escorei minha testa nas suas costas. Ele iria me pressionar até o último instante.

– Tudo bem! – Ele se rendeu. – Eu não toco mais no assunto.

Quando chegamos à estrada de terra que nos levaria até o sítio o cavalo pareceu cansado e resolvemos parar um pouco. Ainda faltava mais uns dois quilômetros até o sítio. Eu estava tão perto e longe de casa. Seria a última vez que eu a veria.

Finn puxou o cavalo pelas rédeas até um pequeno laguinho que sabíamos que tinha no meio da floresta. Eu os segui a pé e me sentei debaixo de uma árvore na beira do lago. Finn amarrou o animal numa árvore de forma que ele conseguisse beber a água, mas não fugisse, e depois veio até mim para se sentar ao meu lado.

– Lembra de uma vez que eu te trouxe mais ou menos até aqui? – Ele me perguntou.

– Na verdade nunca viemos tão longe dentro da floresta. Na verdade nunca deixamos o sítio.

Ele riu.

– Mas você lembra.

– Claro.

Ele falava da vez em que me fez subir numa árvore até o topo, mesmo sabendo que eu tinha medo de altura. E tudo para quê? Para observarmos o céu estrelado.

– Naquele dia nós gritamos para o céu e parecia que tudo à nossa volta havia desaparecido. Ninguém, nem nada mais importavam. Somente a nossa voz e as estrelas. – Finn dizia olhando o reflexo da lua na água do laguinho.

Como eu sentia falta de tudo aquilo. Como eu queria voltar no tempo. Eu morreria de saudade se eu deixasse Finn e nunca mais voltasse. Eu estava morrendo naquele instante, sem nem tê-lo deixado ainda. Eu perdi tanta gente, não podia perdê-lo também!

Que injustiça!

Eu abracei Finn enterrando meu rosto no seu peito. Ele não reclamou então concluí que já estava curado. A vontade de chorar me deixava ainda pior. Era como ter algo entalado na garganta. Você sufoca, agoniza, e não consegue tirar.

– Finn, eu amo você. – Sussurrei.

– Eu sei. Eu também te amo.

Amaldiçoando o universo por ter me separado das pessoas que eu amava eu o beijei. Era a minha despedida.

Durante muito tempo eu senti vontade de me entregar a Finn completamente e eu faria aquilo naquela noite. De corpo e alma, não numa promessa, mas num adeus;

Finn segurou minha nuca puxando meu rosto para que meus lábios se aprofundassem ainda mais nos seus. Afastamo-nos por um pequeno instante para respirar. Eu aproveitei para subir no seu colo, com as penas abertas e dobradas ficando com um joelho de cada lado da sua cintura. Finn tinha os ombros largos, os braços com músculos bem marcados e a cintura perfeita. Parecia que ele havia nascido com o encaixe perfeito para o meu corpo.

Ele abraçou minha cintura com os dois braços e me apertou firme contra si. Ele enfiou o rosto entre meus seios, a sensação era muito boa. Fechei os olhos por causa do calor que eu já sentia. Segurei seus cabelos não suportando mais minha boca tão afastada da sua. Quando os puxei ele ergueu o queixo ficando com o rosto virado para mim e eu pude beijá-lo. Minha língua derretia na sua, era doce e envolvente. Ele era meu, e somente meu naquele momento.

Sua blusa já estava rasgada na frente por causa de antes quando lambi seu peito. Eu só terminei de rasgar o resto jogando fora os trapos que restaram. O corpo de Finn fervia. Seu suor brilhava refletindo a luz da lua. Finn desceu seus braços da minha cintura e segurou firme nas minhas cochas. Depois escorregou lentamente as mãos subindo pelas minhas pernas. Conforme suas mãos subiam o vestido ia junto. Aquela demora estava me deixando muito ansiosa. Puxei de uma vez o vestido por cima da minha cabeça ficando apenas de roupas íntimas em cima dele.

– Deus... – Ele me olhou de cima abaixo. – Você é muito linda.

Sorri e voltei a beijá-lo, segurando seu rosto com uma mão e a outra esfregando seu braço largo e forte. Eu não poderia esperar mais nenhum segundo para tê-lo, e Finn deveria pensar o mesmo que eu, pois logo me colocou deitada no chão, depois começou a tirar as calças enquanto subia em cima de mim. Quando se livrou delas ele se estendeu por todo pelo meu corpo. Seu peito pressionava o meu e suas pernas se entrelaçavam com as minhas. Ele mordeu de leve meu queixo antes de me beijar profunda e docemente.

Eu estava me perdendo em Finn. Havia esquecido completamente meus planos, o que aconteceu naqueles dias medonhos, como havíamos parado ali e até quem eu era. Nada importava, somente que estávamos juntos e que a noite era nossa.

Finn não interrompeu o beijo para puxar minha calcinha e me penetrar lentamente. Eu gemi extasiada enquanto ele mordia meu lábio inferior. Eu segurava sua nuca, uma das minhas partes favorita no seu corpo. Finn colou nossas testas, eu não via seu rosto, estava de olhos fechados absorvendo cada estocada. Ele ia devagar, era maravilhoso, mas como sempre, sou impaciente.

Segurei nos ombros de Finn e o empurrei para o lado, giramos e eu fiquei por cima desta vez. Voltei a beijá-lo enquanto acelerava um pouco nossos movimentos. Ele afastou várias vezes nossos lábios para respirar. Eu também estava ofegante. Cada gemido rouco que escapava da garganta de Finn me causa arrepios de prazer.

Finn segurou com firmeza minha cintura, seus dedos apertavam minha pele causando-me uma leve pontada de dor. Então nossos movimentos ficaram mais rápidos até que chegamos ao ápice.

Eu me deitei ao lado de Finn na terra úmida, minha respiração estava completamente fora do meu controle. Observei o céu que eu gostaria de ficar contemplando a noite inteira, porém não poderia, pois sentia que tinha poucas horas até o sol começar a nascer.

Finn olhou para mim e segurou algo que estava pendurado no meu pescoço. O pingente de madeira que havia feito.

– Temos que voltar para o sítio. – Ele disse. – Eu vou pegar as minhas coisas, amanhã assim que o sol se pôr eu te encontro aqui e nós vamos embora, certo?

Olhei para seus olhos que ainda fitavam o pingente. Se eu dissesse a ele que iria embora sem ele, começaríamos a brigar... E se eu o levasse comigo? Ele tinha toda razão, eu não precisava transformá-lo e ele poderia ir embora assim que quisesse. Podíamos dar um jeito.

– Tudo bem. – Me escorei em um cotovelo para me erguer e ver seu rosto de cima. – Você volta para o sítio agora. Leve o cavalo com você. Eu vou comprar passagens para fora da cidade, amanhã nos encontramos aqui.

O sorriso dele foi lindo, por um momento me orgulhei por deixá-lo alegre.

– Ok.

Eu beijei sua testa antes de me levantar. Na mala encontrei um vestido branco com saia marrom e o coloquei. Finn só pode colocar as calças, já que sua camisa não dava para ser salva.

Despedimo-nos na estrada onde cada um seguiu uma direção. Observei Finn seguindo no cavalo até sua silhueta desaparecer e procurei por um buraco para me esconder quando o sol nascesse.

Encontrei o buraco que havia caído naquela vez que fugia de Ilona e as outras duas vampiras. Lá tive tempo o bastante para pensar com clareza. Aquela noite com Finn havia sido maravilhosa, a dor no meu peito mostrava o quanto eu queria que ele viesse comigo. Nós teríamos mais noites como aquela e no final eu sentiria a mesma culpa que sentia agora.

Ali ele tinha futuro. Eu não poderia privá-lo disso. Sem contar que ainda pensava em Vlad. Eu admitia que, ao mesmo tempo em que eu temia o conde, eu gostava dele a ponto de querê-lo existindo. Não por perto e nem machucando as pessoas que eu amo, apenas vivendo em algum lugar do mundo ou do universo.

E aquela velha história de que não se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo? Tudo mentira! E a outra de que ninguém sabe o que é amor até ter a oportunidade de prová-lo? Aí é outra história...

Mas algumas verdades: O paraíso na Terra não é eterno porque a felicidade não é constante. Nascemos para morrer e aproveitar ao máximo a vida. Passamos por várias coisas no decorrer do nosso tempo na Terra, e a nossa recompensa por sobreviver à nossa vida são os pequenos momentos felizes. Isso é natural! Isso é plenitude. E é isso que eu quero para o Finn.

Finn e eu não nascemos destinados um ao outro. Doí aceitar isso, mas ele não é para mim e nem eu para ele. O conde tinha razão. E agora eu enfatizo que nosso amor é proibido e como consequência não deve dar certo.

Acredito que esta seja a minha prova de amor para ele. Acredito que esta seja a decisão mais certa que eu possa tomar.

Quando o sol se pôs eu estava decidida a sair da cidade por terra mesmo e comprar uma passagem de barco em outro lugar, ou caminhar até uma hora me cansar, sem rumo, sem planos. Mas antes precisava fazer uma coisa.

Eu fui até o local marcado por Finn e eu para nos encontrarmos naquela hora. Eu cheguei antes dele, observei o laguinho, o local abaixo de uma árvore onde havíamos nos deitado... Aquela árvore tinha um galho perfeito que me deu uma ideia. Escutei passos se aproximando e por isso agi rápido. Tirei o colar que Finn havia feito para mim e o pendurei no galho. Depois me escondi nas sombras da floresta e esperei.

Sim, eu sou covarde demais para lhe dizer adeus pessoalmente, mas sentia que era necessário ser feito.

Finn segurava uma trouxa de roupas. Ele se sentou abaixo da árvore e não viu o pingente pendurado acima dele. Ele ficou observando o lago, seus pensamentos estavam distantes, talvez nas estrelas com a lua e todo o resto. Ele tinha um sorriso otimista no rosto, um sorriso que diminuía junto com meu coração conforme as horas passavam.

Quando ele finalmente percebeu que eu não iria aparecer se levantou. Não estava com raiva, mas sim, magoado. Quando ele se levantou viu o pingente que havia feito para mim e o pegou como se fosse tão delicado quanto uma pétala de flor. Ele apertou o pingente contra o peito, de olhos fechados para segurar as lágrimas. Após respirar fundo Finn juntou sua trouxa e foi embora.

Eu não podia voltar atrás, mas tinha uma forte vontade de correr atrás dele, de lhe pedir desculpas e gritar que foi apenas uma brincadeira. Eu não desistiria até que ele risse e nós dois fossemos embora para criar e viver no nosso próprio mundinho.

Eu dei as costas para o lago e todas as lembranças daquela vida. Eu caminhei sem nem saber qual era a direção. O sentimento de que havia abandonado Finnick me perturbaria por alguns anos, até que eu passaria a acreditar que ele estava feliz, com Caroline ou até outra pessoa. Após mais alguns anos eu deixaria meus sentimentos humanos de lado e passaria a apenas existir.

Meu castigo e minha maldição era existir sabendo como era estar com ele, mas não poder tê-lo. Minha vida como a filha do barão, filha de Lilian que amava tulipas roxas e piano, a primas de duas gêmeas muito diferentes... Havia terminado. Minha morte foi real, eu tinha que recomeçar à parte do velho eu.

Por isso eu não olhei mais para trás.

Notas finais
O que acharam? Por favor, quem ler até o final comenta alguma coisa... Só para eu saber quem terminou. Se gostou da fic, comente. Se detestou, comente. Se achou mais ou menos, comente. Se achou que precisa ser melhorado, comente. Não fique com medo de impor sua opinião, reviews são muito importantes. Beijos e muita obrigada! O Ian Somerhalder disse que ama vocês! kkk. Até!