Fascínio
21 Contra Vontade
Notas iniciais
Eu estava em um jardim lindo e iluminado por um sol imensamente branco. As flores daquele jardim eram de todas as espécies, havia rosas, margaridas, cravos... Todas eram brancas. Se o paraíso ficava nas nuvens, ele deveria ter uma aparência assim, linda e clara, passando calmaria por toda a eternidade.
Entre as flores daquele belo jardim andava um homem também vestido de branco. Ele tinha a pele da cor de café torrado, lábios carnudos e belos, cabelos cacheados negros que ficavam soltos como os de um anjo. Era Finnick e ele vinha com uma expressão de estrema preocupação no rosto.
– Ele está te enganando. – Seus lábios se mexeram, mas a voz soou como se estivesse muito distante, como se não tivesse saído de sua boca. – Esta não é você.
Virei-me dando as costas para Finn, eu queria saber de onde vinha aquela voz, e acabei dando de cara com um sujeito vestido todo de preto. Ele segurou meus ombros para que eu não cambaleasse e caísse. Nas costas do homem eu podia ver um jardim em chamas, o céu vermelho com nuvens negras. Aquilo era o inferno, somente sua imagem me dava vontade de gritar.
O homem de preto era o conde, seus olhos agora eram vermelhos, seu sorriso era triste e desanimado.
– Acorde Anne. Isso é apenas um sonho. – Ele disse.
E eu saltei na cama. Agora estava no meu quarto, a luz da manhã iluminava passando pela janela. Estava tudo no seu devido lugar, inclusive eu.
Mas que sonho esquisito! Finn me dizendo coisas estranhas... E o Conde.
Mas uma coisa ficou bem clara para mim. De um lado era o bem e no outro o mal. E no momento eu me encontrava exatamente no meio.
– // -
Meu pai sempre me contava uma historinha cujo objetivo é mostrar que não existe meio termo. Ou você é uma pessoa boa, ou não. Aquela história sempre me fazia rir, porém agora me preocupava:
Ele falava que havia um muro, de um lado do muro ficavam os anjos e do outro os servos do diabo. E havia um homem em cima do muro. No lado dos anjos ficavam todos chamando por ele, lhe prometendo coisas boas, tentando convencê-lo a saltar para o lado deles. E do lado dos demônios havia apenas silêncio, ninguém se importava ou tentava forçar o homem a saltar para aquele lado. O homem confuso disse para os demônios: “Por que vocês não estão tentando me convencer a saltar para o lado de vocês como os anjos dali?”. E um dos diabinhos apenas disse: “Porque o muro é nosso”.
Como eu já disse, aquela história me fazia rir – o que enfurecia meu pai – mas agora eu estava com medo...
Ren apareceu após o almoço para entregar algumas cartas do Conde para meu pai, e quando ninguém via, ele me entregou a minha.
Senhorita Foster...
Que tal nos vermos novamente na sexta-feira? Dê-me uma chance de concertar tudo. Infelizmente não poderei ir até sua casa, mas tenho certeza que virá à minha. Após o pôr do sol, estarei te esperando.
C. Vlad.
Quem ele pensa que eu sou? Uma cortesã? Eu não deveria ficar me esgueirando à noite para a casa de um homem solteiro, mas queria muito vê-lo. Suspirei decidida a não ficar com medo. Eu podia confiar em Vlad, sabia que sim, mesmo depois do sonho de hoje?
Sim!
Mas o que está dando em mim?
Ah! Nunca me senti tão confusa. Eu não deveria ir! Eu não vou! Sou uma menina de respeito. Após as coisas que Finn me disse eu deveria ter aprendido a lição!
Peguei papel e tinta.
Pousei a ponta da pena na folha ainda indecisa do que escrever.
Sem indecisão Anne! Você vai dizer não e ponto. Simples assim. Vamos logo...! Escreva não!
Conde...
Até sexta-feira!
Mas que droga que eu fiz? Eu deveria ter amaçado aquele papel e escrito novamente, mas quando me dei por mim, já havia entregado à Ren. O homem já ia embora agora.
Querendo aliviar um pouco da minha dor de cabeça fui até o estúdio tocar um pouco de música. Eu estava tão estranha nos últimos dias... Ansiosa por causa de Vlad, desejando e sonhando com ele... Eu nem gostava dele no início, e agora penso nele o tempo todo. Isso é doença!
Essa não sou eu!
Lembrei-me do sonho com Finnick e o jardim branco. Ele estava me dando este aviso. Talvez fosse uma boa ir até a casa do Conde para esclarecer algumas coisas. Aqueles dias doidos haviam até me feito esquecer o monstro que rondava a cidade à noite – o que havia tomado posse do corpo de minha mãe.
A lembrança me causava arrepios.
Sexta-feira havia finalmente chegado e à noite coloquei um vestido simples, sem armação e sai quando ninguém me via. Desta vez quem abriu a porta na casa do conde e me deu as boas-vindas foi o louquinho do Ren. Ele sorriu para mim. Era velho, tinha mais de quarenta com certeza, mas fazia caretas e sorria como uma criança.
– Boa noite Ren.
– Senhorita Foster. Meu senhor a aguarda.
Ren me levou até a sala onde Vlad estava. Como sempre, ele vestia preto, observava a rua através de uma das imensas janelas que iam do chão ao teto. Ele dispensou Ren com um aceno de cabeça e depois veio até mim, com um sorriso torto.
– Anne. Estava contando os segundos para te ver.
– Precisamos conversar. – Fui logo ao ponto.
– Claro... Sabe – Ele começou a andar pela sala, foi até uma estante onde ficou analisando alguns livros e peças enquanto falava, assim não tinha que olhar diretamente para mim. – No meu país todos tem medo de mim. Ficam criando histórias assustadoras a meu respeito, é realmente muito desconcertante. Mas ainda assim, nunca fiquei tanto tempo longe de casa. Vim para a América conhecer alguns de seus líderes, fiquei em Boston por alguns dias... Então lembrei que o duque havia me convidado para visitar esta cidade e eu havia comprado esta casa... Ainda assim, não esperava ficar tanto tempo... – Ele olhou para mim. – Uma mulher pode mudar um homem.
Senti meu rosto esquentar. Ele conseguia me fazer corar o tempo todo.
– Mas o que você queria me contar?
Uni as sobrancelhas. Havia algo que queria contar a ele, algo que havia acontecido comigo naquela manhã. Mas não conseguia me lembrar...
– Não me lembro... – Respondi confusa. Minha voz soou monótona, como se não fosse minha, ou eu estivesse numa espécie de transe...
– Então não era importante. – Ele deu de ombros. Veio até mim e segurou minha mão. – Você aceita participar da festa?
– Que festa?
Ele sorriu de forma que me deixou arrependida por ter perguntado.
– // -
O salão principal da mansão era lindo, imenso, não parecia se encaixar com o resto da casa... Mas não foi isso que me espantou. Havia muita gente ali, segurando taças com líquidos vermelhos. A música era tão animada... Nunca havia escutado melodia tão... Contagiante. E as pessoas ali se vestiam todas com cores escuras, como roxo, bordô, vermelho... Quase sempre combinada com preto.
As pessoas dançavam de forma muito intima, sorriam com veneno nos lábios. Eu fiquei com medo de estar ali.
Uma das primas do conde veio até nós quando nos viu. Ilona vestia vermelho como sempre e o pior era que aquela cor combinava perfeitamente com ela.
– Veja só quem está aqui... A coelhinha.
Não sabia o que aquilo significava na época, mas odiei. Senti-me tão pequena e indefesa entre um bando de doidos com sorrisos cruéis.
O conde envolveu meus ombros com um braço, o que ajudou um pouco.
– Ilona... Não seja desagradável. – Ele disse.
– Eu não entendo o que viu nela Vlad... Ela é tão sem graça. Suas outras favoritas são muito melhores do que esta.
Favoritas? Como é?
Ilona saiu antes que eu pudesse perguntar a ela.
– O que ela quis dizer...
– Não ligue para ela. – Ele me interrompeu. – Está com ciúmes.
– Pensei que fossem parentes.
– E somos. Mas diga isso para ela.
Ele riu, porém eu ainda não estava convencida.
Juntamo-nos a festa, os homens daquele lugar pareciam não ter vergonha. Eles sorriam para mim como se eu fosse uma comida muito apetitosa. Alguns esbanjavam sensualidade, com olhares convencidos, outros estavam vestindo apenas calças.
Se meu pai sonhasse...
O conde aproximou seus lábios do meu ouvido, quando falou seu hálito fresco causou-me arrepios.
– Tente apenas se divertir. – Eu podia sentir o sorriso no seu rosto, mesmo sem vê-lo, e isso me fez sorrir também.
Aceitei uma taça de vinho que ele pegou numa mesa e me entregou. Engasguei-me com o gole. Havia outra coisa misturada na bebida que não pude identificar, mas era bom.
Reparei que as pessoas riam demais. Havia fumaça no lugar, que tinha um cheiro estranho. A fumaça vinha das narinas de algumas pessoas. Elas sugavam dos narguilés e espalhavam pelo ar.
– Dança comigo. – O conde pediu.
– E como se dança isso?
– Da forma que você quiser.
Eu ri sem me sentir. Dançar aqui foi tão hilário. Tudo estava parecendo bom, relaxante. Eu não estava mais com medo. Vi algumas mulheres dançando com seus vestidos sensuais, elas rebolavam, moviam a cabeça como se nada no mundo as preocupasse e tentei imitá-las. Vlad aprovou. Ele segurou minha cintura e puxou meu corpo junto ao seu. Eu não devia estar ali, pensei, mas quando ele começou a beijar e chupar a curva do meu pescoço não consegui fazer nada. Meus olhos reviraram de prazer. Ainda dançávamos. Seu corpo acompanhando os movimentos dos meus. Eu devia me sentir uma vadia por estar fazendo aquilo no meio de tanta gente, mas os outros pareciam nem nos enxergar. Eles não ligavam já que faziam as mesmas coisas.
– Eu te quero na minha cama. – Ele sussurrou fazendo meu corpo aquecer.
Isso era loucura! Como ele dizia algo assim para mim e eu concordava?
Não me lembro de subir para o quarto, mas lá estava eu. Sendo jogada na confortável e imensa cama do conde. Seu quarto lembrava um castelo clássico, dos tempos mais antigos. Com poucos móveis, a única coisa extravagante ali era a cama, com lençóis azuis escuros, como o céu à noite.
Ele havia me deitado ali e subido em cima de mim. Eu sabia que o que faríamos a seguir era errado, mas meu corpo não me permitia ir embora e meu coração implorava para que eu me entregasse.
Ele segurou meus joelhos separando minhas pernas para encaixar seu corpo no meu. Uma voz quase inaudível sussurrou em minha mente para que eu envolvesse sua cintura com as pernas e foi o que eu fiz. Ele segurou minha cintura, suas mãos me apertaram e eu não consegui segurar um gemido.
– Relaxe querida. – Ele se inclinou e sussurrou. Logo depois começou a mordiscar minha orelha. Desceu para meu pescoço e enquanto trilhava aquele caminho ia desamarrando a frente do meu vestido. Logo meus seios estavam expostos. O conde beijou o mamilo de um enquanto massageava o outro com o polegar. Eu estava ofegante, como aquilo podia ser tão bom?
Ele riu quando comecei a puxar sua capa e sua camisa. Queria saber como ele era por baixo de tantos panos. O conde se ergueu ficando de joelhos ainda no meio das minhas pernas e se desfez da capa e da camisa, ficando nu da cintura para cima e... Céus, como ele era lindo. O abdômen definido, os braços grossos e fortes na medida perfeita. Ele se deitou em cima de mim novamente e me beijou. Meus seios roçavam no peito dele me deixando mais excitada.
– Você é lindo... – Deixei escapar enquanto ele mordia meu lábio inferior.
– Você é muito mais. – Ele devolveu e começou a remover as calças.
Deus! Era agora e eu ainda não tinha certeza se queria isso. Pelo menos não hoje.
Ele sentiu minha tensão e segurou meus ombros deixando suas calças para mais tarde. Eu olhei nos olhos profundamente castanhos dele.
– Você não precisa ter medo. – Ele garantiu. – Eu jamais faria algo que você não quisesse.
Eu assenti, querendo desesperadamente acreditar nas suas palavras. Então ele terminou de tirar as calças, mostrando seu membro já ereto. Era a primeira vez que eu via um homem daquele jeito. Ele levantou a saia do meu vestido e eu fechei os olhos, esperando...
Ele entrou em mim, lentamente... Agora não havia mais volta. Ele ficou parado por um tempo, para que eu pudesse me acostumar ao seu tamanho. Enquanto isso ele me beijou mais uma vez. Nunca estive tão ofegante e quente. Daquele jeito eu começaria a suar como uma porca. Mas não ligava.
O conde começou a se movimentar devagar dentro de mim. Para frente e para trás... Sem soltar seus lábios dos meus. Ele me abraçava de forma tão aconchegante, eu o abracei também e escondi meu rosto em seu peito afastando nossos lábios por alguns segundos. Era firme e belo. Agora absorvia todas aquelas sensações embriagantes.
Ele continuou entrando e saindo dentro de mim, lentamente como se tivesse medo de me machucar. Eu não sei por quanto tempo ficamos assim até que começou a acelerar. Conforme seu ritmo aumentava mais eu gostava. Ele segurava minha cintura e me apertava contra si fazendo-me acompanhar seus movimentos.
Aquilo era tão bom... Jamais me esqueceria daquele momento. Arfava de forma selvagem. Às vezes ele gemia meu nome que ficava ótimo ditado daquele jeito. Eu estava lhe dando prazer também, o que me deixou contente e confiante. Sempre soube que era bonita e atraente. Mas quando vi o conde da primeira vez... Não nutri esperanças.
Agora estávamos assim, juntos de uma maneira que jamais quis imaginar. E eu estava feliz, enlouquecendo de prazer. Eu já não conseguia conter os gemidos, mesmo mordendo meus lábios. Eu segurei sua nuca com as duas mãos. Minha cabeça foi para trás enquanto meus olhos reviravam. Eu estava chegando ao limite. Chegamos ao limite juntos.
Vlad deixou o peso de seu corpo repousar sobre mim. Ele juntou nossas testas e riu. Nós dois suávamos como porcos e pela primeira vez eu não detestava esta sensação. Estava nas nuvens, era maravilhoso. Sorri para ele.
– Você é maravilhosa. – Ele me beijou, longa e deliciosamente.
Depois se deitou ao meu lado. Eu deitei minha cabeça no seu ombro, o fazendo de travesseiro. A festa ainda acontecia no andar de baixo, mas eu não conseguia pensar em mais nada além do homem que estava ao meu lado.
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