Farieland - O Reino das Fadas

4 Capítulo 3 - O Palácio da Rainha


Notas iniciais
Uri chega ao Palácio das fadas, escoltado por Áurea e o General Claus

I

Então eles pousaram nos jardins do palácio, que era incrivelmente grande, uma visão completamente surreal para Uri, havia uma grande variedade de árvores e plantas. Uri nunca tinha visto isso antes, nem quando visitara o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A natureza deixava-o calmo. Mas naquela situação, um tanto inesperada, ele se encontrava um pouco assustado. Tudo naquele reino era diferente, e estranhamente, maiores, desde a lebre que passara correndo por ele no jardim das margaridas, agora ele via uma abelha pousada numa flor, mas essa abelha é muito grande para seu tamanho natural, ou pelo menos para o tamanho que ele conhecia.

Uri ia à frente, seguido por Áurea e o general Claus. Ao perceber que o inesperado visitante se mostrava assustado, o general resolver quebrar o silêncio e interrogar Áurea.

— O que descobriu sobre ele?

— Nada do que você não já saiba. – replicou Áurea percebendo que o general queria iniciar um interrogatório.

— Mas pelo que vi você passou um bom tempo conversando com o estranho.

— Passei mais tempo observando ele. – ela dar uma olhada para o general – Só então depois de algum tempo resolvi me aproximar, para lhe observar melhor, aí foi quando, sem querer, pisei em um graveto. Ele escutou e foi o jeito eu me apresentar logo de vez.

— E o que ele falou?

— Pelo que percebi, ele não sabe de nada, foi o que ele me disse. Não sabe como veio parar aqui e nem o que trouxe. Ele estar assustado. Foi o que pude perceber e descobrir.

Uri percebe que o general e a fada estão conversando, provavelmente sobre ele. Então ele decide parar e esperar os dois se aproximar mais.

— Porque você parou estranho? – falou o general.

Uri se vira para eles e resolve encarar o general, afinal de contas ele também queria saber o que o levara para aquele lugar.

— Sei que estão falando sobre mim. E estão querendo saber o que vim fazer aqui. É isso que eu quero saber também. Eu sou a vítima aqui, parem de me tratar como se eu fosse um criminoso.

— Mas você é um. – disse o general – ou pelo menos a sua raça é.

— Estar certo. A fadinha aí já me contou essa história de que um humano veio aqui e cometeu uns “vacilos”.

— Vacilos? Que dialeto é esse? – o general não entendia a gíria que Uri pronunciara – Não sei o que isso quer dizer.

— Eu estou dizendo que, segundo vocês, um descendente de Caim, veio aqui e causou o caos. Ferrou com todo mundo. E os Arcanjos vieram e acabaram com a brincadeira do “cara”, enfim. Só que isso não lhes dar o direito de me julgarem.

— A sua situação aqui é bem mais delicada do que você possa imaginar. Os Arcanjos proibiram a entrada dos humanos no reino, e você acaba de desobedecer a uma ordem deles.

— Isso quer dizer que eu estou ferrado? Não importa por quem me julgue. Sejam os arcanjos ou o rei de vocês.

— Não temos rei. Quem governa é a Rainha Aine. E para que você saiba ela é mãe dela, a princesa Áurea. – Uri olha para princesa, completamente confuso com aquela situação — Agora deixe de conversa e caminhe. A rainha estar a sua espera.

Então eles continuaram a andar em direção a entrada do palácio. Voltaram à formação inicial com Uri a frente e o general e a princesa um pouco mais atrás. Que situação embaraçosa pensava o estranho, mas para ele o estranho aqui era aquele reino. Áurea, conhecendo a mãe que tem se abaixa toca o chão e manda uma mensagem para a rainha. Novamente o solo dar uma leve estremecida, e como Uri estava logo à frente do grupo sente o solo vibrando.

— Mas o que foi isso? Vocês sentiram esse tremor?

— Não foi nada. Continue caminhando. – Falou o general com o tom firme e sério, bastante característico dos oficias.

— Mas o chão tremeu. Acho... – Uri tentar parar de andar.

— Não se preocupe, fui eu que mandei uma mensagem para minha mãe.

— Já disse para continuar andando – o general Claus empurra o jovem estranho. – Caminhe.

Uri começa ver que realmente o general não estava de brincadeira. Mas Áurea tinha algo de diferente. Apesar daquela situação estranha e inesperada, ela se mostrava curiosa em querer saber mais sobre o estranho que invadira o reino. Havia algo de especial nele, isso ela podia perceber, mas o quê? Áurea queria descobrir, mas as suas respostas iam ter que esperar, afinal quem iria interrogá-lo primeiro seria sua mãe, a rainha Aine.

****

II

Dentro do palácio a rainha Aine esperava impacientemente a volta do general. Já havia algum tempo que ele saíra para obter mais informações sobre essa invasão do humano. O que esses humanos pensam que estão fazendo, depois de tudo que fizeram, ainda tem a audácia de voltar aqui no reino. A rainha mantinha um semblante firme, não querendo mostrar nenhuma fraqueza. Pelo menos não queria mostrar na frente de ninguém.

No passado foi à fraqueza da rainha que quase causou uma grande catástrofe.

Foi a sua fraqueza.

A minha fraqueza.

O assunto era proibido de falar, mas a rainha que se apaixonara pelo humano era a própria Aine.

*

Graças a um mago que vivia no reino naquele tempo, ela sobreviveu ao ataque. Após ter sido apunhalada pelo descendente de Caim, e este ter simulado um ataque de alguma fera do campo, o mago percebeu que a rainha tinha sido assassinada, pois da forma como o ferimento estava feito, não parecia que havia sido uma fera, fora o próprio mago que alertou sobre um possível assassinato da rainha. Imediatamente iniciaram as buscas pelo o assassino e colhendo pistas o mago percebeu que antes da rainha ser assassinada houve uma briga, a rainha além da terra, conseguia controlar o fogo, e foi aí que surgiu a grande pista para saber quem havia sido o assassino. Nas mãos da rainha havia cinzas, e estavam pretas, sinal que ela havia usado a magia do fogo, como ela morrera, o corpo não curou, assim era apenas refazer a cena e tentar saber se a rainha havia acertado o assassino, e se sim, onde ela o acertou?

O mago começou a observar todos que tinham cicatrizes, na maioria das vezes as cicatrizes era nos homens, por conta das constantes lutas e batalhas que eles travavam. Mas a cicatriz de todos já estavam “curadas”. Então tinha que ser uma recente, quiçá, com a carne do corpo ainda exposta. O mago avisou o general, sobre essa possível pista sobre o assassino.

As buscas ficaram mais intensas.

Foi então em uma audiência um dia antes do descendente de Caim ser coroado rei, o mago percebeu que ele tinha algo que incomodava no braço. Percebeu que o futuro rei em tempos em tempos levava a mão direita ao braço oposto. Tocando-o com cuidado, e que ele fazia pouco esforço com o mesmo braço. Então o mago pensou, tentando refazer a cena do crime em sua memória. Se a mão que estava com cinzas era mão direita da rainha, se ela num ato de desespero, claro que não ia mirar, apenas ia atirar o fogo em qualquer direção, e a direção mais óbvia seria, em linha reta. Isso quer dizer que possivelmente ela acertaria ou o meio da vítima, ou — o mago dar mais uma olhada para o descendente de Caim, que estava ao lado do trono conversando com o general – seu lado esquerdo.

— General! – gritou o mago com sua voz rouca – Detenha este homem. – o mago segurava um cajado, e mancava da perna direita.

O general olha para o mago sem saber o que estar acontecendo. O descendente de Caim tenta se esquivar do olhar do mago.

— Este é o assassino da rainha!

O mago acusa-o com convicção.

— General, olhe o braço dele. O braço esquerdo dele.

O futuro rei tenta sair correndo, mas o general é mais rápido, e o segura pelo braço. Então levantando a manga da túnica do descendente de Caim, ele ver a marca do ferimento causado pela chama que a rainha soltara. Seu braço estava queimado, e levaria algum tempo para se curar, a queimadura era profunda. A carne estava exposta.

— Você estar preso, humano maldito – disse o general.

Os outros humanos que havia ido ao reino e que sabiam do plano, entraram na sala do trono quando escutaram a gritaria lá de fora. Era em torno de 200 homens. Foi travada uma batalha com o exército do reino. O descendente de Caim consegue se soltar do general e sai correndo. O mago tenta acertá-lo mais ele estar no meio da batalha, buscando chegar à porta da sala. O exército do reino estava mais bem preparado para batalha, com estratégias de lutas, já os humanos eram acostumados apenas a atacar, sem estratégia. Apenas reagiam ao ataque do inimigo. Algumas fadas ajudaram na peleja, disparando seus poderes para deter os humanos. O exército da rainha, sem piedade, descia o fio da espada, matando cada humano que se colocassem no caminho.

O general sai em busca do humano que causou todo aquele caos, mas perde-o de vista frente a muitos humanos e soldados em seu caminho.

Quando o descendente de Caim chega à porta da sala, antes mesmo que ele possa abrir, uma força sobre-humana o arremessa para trás, um clarão toma conta do lugar. As portas da sala se abrem. Quando a luz se extingue, deixando muitos humanos cegos, por ser muito forte o clarão. Eis que se pode ver o que causou aquela extensa luz. Viram-se três homens. Trajando armaduras. Elmos. Espadas.

Os Arcanjos.

No chão jazia o culpado de todo aquele caos, cego, ferido o humano que tentou usurpar o trono das fadas.

Então os Arcanjos entraram na sala, todo o exército, e os outros presentes na sala, se curvaram, diante da soberania deles.

A frente vinha Miguel, com as asas arqueadas, elmo colocado, apenas seus olhos claros apareciam, sua íris da cor do oceano, pareciam duas pequenas gotas de água, seus cabelos longos e negros, descia por sobre os ombros até a altura do peito, sua armadura fundida de aço, mas não era um aço qualquer, era um aço divino, cobria todo o seu corpo, não deixando um ponto fraco a mostra, em sua bainha trazia sua espada. Sua capa de cor púrpura e com as pontas rasgadas, mostrava que o Arcanjo já havia travado muitas batalhas. Um pouco mais atrás vinha o Arcanjo Gabriel, trajando uma armadura cor de fogo, seu elmo por sua vez deixava parte do rosto a mostra. Seus olhos refletia a cor da sua armadura, ficando difícil de dizer qual era a cor real deles, tinha o cabelo louro, feito em trança que descia até o meio das costas. Trazia em punho sua espada. Não gostava de usar capa, pois julgava que atrapalhava no meio das batalhas. Por fim o último a entrar na sala vinha Rafael, o arcanjo mais indecifrável, uma luz o envolvia ficando difícil de dizer qual era a sua real aparência, ou se aquela não seria a sua real aparência. Então o Arcanjo Miguel tomou a fala.

— De hoje em diante todos os humanos estão banidos de todos os reinos. – sua voz era como de um coro – Permanecerão apenas ao que lhes foi reservado. Ficarão apenas no Éden. Não terão mais contatos com nenhum ser de outro reino. Da mesma forma vale para todos. Não poderão ter qualquer aproximação dos humanos. Qualquer violação desse decreto será pago com a própria vida.

Todos no salão ficaram se entre olhando e assentiram com a cabeça, começando pelo mago, passando pelo general, em seguida todos os outros.

— Que isso se faça saber em todos os reinos – disse Miguel por fim do discurso.

Então os Arcanjos se retiram da sala.

O descendente de Caim como recebera todo o impacto da chegada dos arcanjos, não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo ali mesmo. Aos que morreram foi feito uma grande fogueira e queimado os corpo. Aos outros que ficaram feridos foram levados a todos os vértices e expulsos do reino das fadas. Quando o último homem passou, um anjo apareceu para lacrar a entrada. Assim foi feito em todos os reinos.

Após a expulsão dos humanos e todos os portais serem lacrados, o mago, com uso de magia e algumas plantas silvestres conseguiu curar a rainha e trazendo-a de volta a vida.

*

— Obrigada grande mago. – Disse a rainha – Graças a você o reino foi salvo, e a sua grande sabedoria curou minha ferida que foi causada pelo aquele... – a rainha preferiu não pronunciar.

Agora aquele pesadelo estava de volta. Mas dessa vez, ela não seria piedosa.

****

III

Na porta do palácio dois guardas guardavam a entrada, ao verem o general Claus se aproximando bateram continência e foram se afastando e abrindo a porta. Um dos soldados, que estava à direita da porta, chamou a atenção do general perguntando quem era o invasor, se referindo a Uri.

— Deixe que as autoridades resolvam isso.

O general foi duro e sério. O soldado não esperava aquela resposta. O outro soldado que estava no lado oposto deu uma leve risada. Pouco antes de eles entrarem de vez no palácio, Claus deu ainda uma leva olhada para trás ordenando que o prisioneiro ficasse do lado de fora e que apenas ele e a princesa Áurea entrassem.

— Não vou deixar ele sozinho aqui fora – respondeu a princesa.

— Isso é uma ordem princesa – Claus respondeu com um olhar firme.

— Não recebo suas ordens general. E, portanto ficarei aqui com ele.

Uri vendo aquela discussão percebeu que a princesa havia se interessado por ele. Na verdade ele já havia percebido isso antes, quando ambos estavam nos Jardins das Margaridas. Se não fosse a interrupção do general talvez eles ainda estivessem lá. E quem sabe, descoberto o que tinha lhe trazido aquele mundo.

— Faça como bem entender princesa. – o general resolveu dar fim aquela discussão

Os soldados terminaram de abrir a porta para que o general entrasse.

— Não sei o porquê que o general quis que você ficasse aqui fora. Lá dentro do palácio há uma sala de espera que fica ao lado da sala do trono.

— Talvez ele tema que eu possa... sei lá, quebrar um jarro chinês.

A tentativa de piada de Uri foi sem sucesso, à princesa o olha sem entender o que ele quis dizer com aquilo.

— Chega de conversa desnecessária – falou a princesa – Lá dentro, quando estiver na presença da rainha, deixe que eu comece a falar. Tentarei ganhar tempo...

— Mas por quê?

— Porque eu quero livrar o seu pescoço.

Uri se lembrou da conversa que tivera com a princesa no Jardim das Margaridas. Ela havia falado que os humanos eram proibidos no reino. Mas havia algo de diferente na princesa. Uri percebera que a raiva inicial passara, e que agora dava lugar a um sentimento de compaixão.

Sob o olhar dos dois soldados que fazia a guarda na porta do palácio, Uri e a princesa, ficavam ali parados e refletindo sob tudo aquilo que estava acontecendo. Da sua parte, Uri pensava como ia escapar dali, como viera parar naquele lugar. Esperava que a qualquer momento fosse acordar deitado sob a mesa da biblioteca da universidade. A princesa estava pensativa, querendo saber o que o general estava contando a rainha, qual versão ele iria dizer.

— Pode me dar um beliscão? – Uri quebrou o silêncio

— O quê?

— É que estou achando que estou sonhado, então eu vi isso em um filme uma vez, isso vai me mostrar se estou ou não sonhando.

A princesa inspira e expira olhado para ele com um olhar de desaprovação.

— O que pensa que estar fazendo. Pensa que tudo isso é uma brincadeira? Acho que você não entendeu a gravidade de tudo isso?!

— Não estou brincando, só estou querendo saber se isso é real.

A princesa se aproxima e fica cara a cara com o jovem invasor.

— Isso é real e bem real.

A princesa dar um beliscão no braço esquerdo de Uri.

— Au! Isso doeu.

A princesa vira-se de costas e se afasta a uma distancia de dois passos dele. Estou tentando te salvar idiota.

****

IV

Ainda em seu quarto, Bianca percebe a agitação que começa a tomar conta do palácio. Soldados passavam pelo corredor do palácio gritando ordens, alguns se dirigiam a sala de armas. O que será que estar acontecendo? A jovem princesa se levanta de sua cama. Ver-se no espelho e percebe que seu rosto mostra marcas de choro, a maquiagem borrada. Não posso sair do quarto assim. Ela se dirigiu à porta e com cuidado abriu uns cinco centímetros para observar o que estava acontecendo. Como já havia percebido, havia guardas passando de um lado para o outro. Um dos guardas que passavam a viu observando pela fresta da porta.

— É melhor a princesa não sair – disse o soldado

Bianca não havia percebido que havia sido descoberta, instintivamente acaba batendo a porta tornando a fechar. Encostada na porta como quem se protege, se recupera do susto que levou do guarda. Repentinamente vem em seu pensamento: quem ele pensa que é para me dar ordens? Ela então decide abrir a porta para responder ao guarda, mas já era tarde. O soldado já havia saído. Novamente ela fecha a porta e a tranca.

A princesa volta a ficar de frente ao espelho que refletia seu leito bagunçado, com as almofadas jogadas por todos os cantos da cama, lençol mal dobrado, do espelho Bianca pode observar uma taça quebrada próxima a sua cama e em cima de uma mesa, que ficava ao lado, uma jarra derrubada, mas ainda inteira. Só não contém mais o suco de amoras que um dos criados havia deixado ali.

Voltando a se encarar no espelho ela diz consigo mesma: se eles pensam que eu não sirvo para nada estão todos enganados. No canto do quarto havia uma bacia com água para o asseio, a princesa se dirigiu até lá para tirar o que sobrou de sua maquiagem no rosto e começou a se lavar.

****

V

Dentro do palácio, na sala do trono, o General Claus se aproxima da rainha Aine. Ela espera ansiosa pelas informações que o general saiu pra buscar.

— Tem alguma notícia General?

— Sim minha rainha. Realmente é um humano que invadiu nosso reino. Mas pelo que vi, parece que ele não sabe muito bem como veio parar aqui.

— Tem certeza disso?

— Sinceramente, não! Acredito que seja um blefe dele.

A rainha coça o queixo, preocupada. Ela bem sabe o que aconteceu da última vez que um humano entrou no reino.

— Onde ele estar?

— Ele espera lá fora, ficou junto com a princesa Áurea.

A rainha levantasse abruptamente do trono.

— Você deixou minha filha sozinha com ele?

— Perdão minha rainha. Mas acredito que ele não tentará mal algum com ela. Há guardas lá fora, e quando eu o encontrei eles estavam conversando.

— Como assim?

— Eles se encontravam nos Jardim das Margaridas. Antes de abordar, fiquei um pouco afastado, escondido, e fiquei observando o que acontecia ali. Eles estavam conversando, não deu pra ouvir, mas em nenhum momento ele mostrou-se agressivo. Mas infelizmente fui me mover para mais perto e acabei pisando em um graveto, sua filha, a princesa Áurea, acabou ouvindo e tive que me revelar.

— Tudo bem. – a rainha torna a sentar no trono – Faça-os entrar. Quero saber o que esse humano veio fazer aqui.

****

VI

Do lado de fora do palácio Áurea estar pensativa, andando de um lado para o outro.

— Desse jeito vai furar o chão – Falou Uri.

Áurea instantaneamente para de andar. Olha para Uri e o repreende apenas com um gesto de cabeça, balançando em forma de negação.

— Olha, acho que esse seu humor não vai lhe salvar. Você não tem ideia do que a Rainha pode fazer com você. Mas se você resolver ficar quieto, acho que sua pena será amenizada.

— Essa rainha é tão má assim?

— Não. Mas nesse caso não sei como vai ser a reação dela. Não tenho a mínima ideia do julgamento dela.

As portas do palácio se abrem novamente e um ranger de madeira e dobradiças.

— Acompanhem-me – Fala o general Claus.

Então Áurea e Uri vão logo atrás do general. E entram no palácio.

****

VII

Luzes de velas e pedras preciosas ornamentam o palácio, as luzes ao se misturar com as cores variadas revelam um grande balé de cores, ao bater o vento na chama das velas as cores se movem nas paredes, ficando difícil de dizer qual era a cor real do palácio. Ao longe se vê pequenos pontos brilhantes passando de um lado para o outro. Mas o que é aquilo? Uri estava impressionado com o palácio. Nunca imaginara estar num lugar como aquele. Ainda encantado e sendo o último do cortejo, acaba chegando mais perto das paredes para ver aquilo mais de perto. Então resolve tocar em umas das pedras, mas antes que ele possa encostar ouve uma voz.

— O que pensa que estar fazendo? Isso não é um passeio. – Fala o general. – Continue andando, a rainha não pode esperar o dia todo.

— Andarei ao lado dele para que ele não tente fazer mais nenhuma gracinha. – Falou Áurea

— Então faça seu amigo andar mais depressa.

— Por que todo militar de alta patente é mal humorado? – Uri fala para Áurea

— Olhe – Áurea não dar atenção para a pergunta de Uri— quando estiver na presença da rainha. Não olhe direto para ela, não a olhe nos olhos, permaneça e responda sempre com a cabeça inclina para o chão.

— Mas por que isso?

— Você estar aqui para ser interrogado. Então essa é a postura que você deve adotar. Faça isso. Outra coisa – Áurea se mete na frente de Uri abruptamente – cuidado com o que você vai dizer. – chega mais perto dele e segura em sua mão – Eu acredito em suas palavras e poço ver o quanto estar confuso com tudo isso. – Uri acaba não prestando muita atenção no que Áurea estar dizendo, pois estar mais interessado pelo fato dela ter tocado em sua mão. Então ele se aproxima mais ainda dela quase encostando os lábios, mas Áurea se afasta, e rapidamente solta a sua mão e colocando o dedo indicador na boca de Uri fala parando o movimento dele – Não me desaponte.

A princesa volta para o lado do prisioneiro e continua a caminhar em direção a sala do trono.

Já ao fim do corredor, o general abria uma porta que dava acesso à sala onde se encontrava a rainha.

****

Notas finais
Espero que tenha gostado desse capítulo. Em breve o próximo será postado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.