Farewell, bystander!
1 Farewell, bystander! — capítulo único
Notas iniciais
Em busca de conseguir mais dinheiro para as despesas e ajudar sua mãe, em um momento que a clientela do salão era tão baixa que ela acabava por fechar as portas antes do que era de costume, Shouya decidira ir atrás de um emprego de meio período. Ou quantos ele conseguisse encontrar.
E por um longo tempo que se escorrera entre duas semanas ele conseguira ser chamado para trabalhar em uma mercearia. Era pequena e reclusa, algumas quadras de onde ele morava, mas era mais que o suficiente naquele momento de necessidade por isso, munido de toda a sua força de vontade ele fora encarregado de desempenhar algumas funções além daquela para a qual havia sido chamado.
E por um tempo, tudo correra bem.
Aprender a lidar com o público e ser cuidadoso quanto aos produtos que chegavam toda a semana, eram eventos com os quais ele lidava bem — até aquela garota aparecer.
Ele nunca a havia visto por ali, nunca que seus olhos haviam visto alguém como ela, que sorria sem motivo e parecia reclusa em seu próprio mundo.
O dono da loja fora atendê-la enquanto ele organizava a leva de produtos que haviam chego naquela semana, até notar que a garota movimentava demais os braços sem emitir uma palavra, somente sons esganiçados saíam de sua boca.
Ela parecia aflita, assim como o senhor que tentava entender o quê ela buscava ali.
A garota não parecia ser estrangeira e pelo o que Shouya sabia, estrangeiros eram bem diferentes — visto o homem com quem sua irmã mais velha havia se casado. Não, aquele era outro motivo que a fazia tão diferente do resto.
Foi quando ela colocara uma mecha de cabelo rosado atrás da orelha em um gesto ansioso que ele percebera o aparelho vermelho acoplado ali.
Ela era surda.
Os sons e os gestos faziam melhor sentido agora.
Mas ele sabia muito pouco da linguagem de sinais, então como poderia ser de alguma ajuda ali?
A latinha de refrigerante que estava enfileirando na geladeira aberta fora deixada solta ao lado do fardo, no chão, enquanto Shouya respirava fundo e tentava se lembrar de como diria o que tinha na cabeça através de suas mãos, e a imagem de uma garotinha muito semelhante aquela que estava cada vez mais próxima, lhe tomava os pensamentos.
Algo prático, algo fácil, pergunte Shouya! Pergunte!
Seus dedos se moveram rápidos, mais rápidos do que ele conseguira acompanhar enquanto perguntava "em que posso ajudá-la?" através deles.
Ele sentia seu corpo quente, era verão e estava tão quente.
Os olhos dela saltaram e um sorriso apareceu em seu rosto frustrado.
"Refrigerante. Latinhas de de refrigerante geladas", era o que ela buscava.
O fardo esquecido a frente da geladeira chamara por sua atenção, a medida que o senhor lhe dava tapinhas no ombro impressionado por sua habilidade inata.
Três latinhas, cada uma de um sabor diferente.
Ela pagou, agradeceu, pegou a sacola e fez um gesto com o indicador e o dedo do meio — ele se lembrava daquele movimento e de como o repetira várias vezes em frente ao espelho até que ele se tornasse algo natural de ser feito.
"Até mais", era o que aquele movimento significava.
E assim que ela passou pela porta de vidro ele se lembrou da garotinha que o fizera querer aprender a linguagem de sinais no fundamental.
Shouko Nishimiya.
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