Fardo

1 Nos olhos de uma garotinha


Notas iniciais
Eu devia estar malhando, mas não poderia deixar de enaltecer as poderosas nesse dia tão especial ♥

Espero que gostem da drabble!

Hinata sentia o vento levantar seus cabelos curtos e negros como se fossem as asas de uma borboleta contra um dia de primavera. A varanda da casa Uzumaki era palco dos pensamentos de Hinata, sejam eles alegres ou melancólicos; a julgar pelo seu olhar murcho e boca séria, percebia-se que ela transparecia arrependimento com uma pitada de sentimento de culpa, o qual preenchia seu coração como se fosse uma enorme tigela. Hinata recordava-se de seu passado, mais especificamente, tudo até a Guerra Ninja; de sua infância até a perda de Neji.

As suas memórias voltavam-se para seu pai, sentiu a dor do punho gentil de Hanabi em seu peito, a mesma que sentia em quase todos os treinamentos que tinha com sua irmã mais nova. Hinata tentava cada vez mais ser um orgulho para seu clã, queria que seu pai a olhasse com um brilho de felicidade nos olhos, e não de desapontamento. Ecoava os xingamentos que Hiashi usava, coisas como fracassada, fraca e fardo; aqueles três F ainda rebatiam em sua mente, e ao relembrar de seus feitos, ainda sentia como seu pai do passado estivesse certo.

Suas lembranças correram no tempo, chegando em seu time, considerado então um dos times com potencial mais desperdiçado, e enquanto Kiba e Shino davam duro, Hinata parecia querer apenas observar aquele que era seu sol e criar a utopia em sua mente de que um dia ela seria tão forte quanto aquele menino de cabelos dourados. Tantas missões falhas, obviamente, nem todas tiveram culpa de Hinata, mas sempre que ela deitava no meio da noite, chorava em seu interior ao pensar em tudo que poderia ter feito de diferente. Sentiu todo seu peso cair em cima de seus ombros pelas palavras de seu falecido primo Neji, que, mesmo mudando de opinião, acabou sendo morto também por Hinata, justamente deixando seu poder escapar como um pássaro nas mãos de uma criança.

Nem gostava de lembrar de suas lutas mais importantes, pensando que tudo que fez foi apanhar e preocupar seus amigos que, em seus olhos, sempre se davam bem em batalhas contra os mais poderosos oponentes, e só de pensar nas batalhas que quase ganhou, mas por causa de um escorregão quase acabou morta, seus olhos perolados já começavam a tremer.

Sem nem mais conseguir segurar aquelas lágrimas que sempre havia segurado em seu cotidiano, deixou-as cair em suas mãos nuas e delicadas, as quais apertavam sua coxa com força, descontando toda sua frustração naquele ponto. Hinata era uma mulher feliz, era casada com o homem de seus sonhos e tinha dois filhos lindos, no entanto, não conseguiu achar mais nenhum feito em sua vida, apenas enfatizando os três F que seu pai costumava dizer durante toda sua vida infantil:

— Mãe, Mãe! Olha aqui! — aquela voz tão doce ecoou, fazendo com que Hinata rapidamente enxugasse seu rosto levemente inchado

— O que foi? Himawari? — perguntou, obviamente notando uma folha de papel em suas mãos pequenas — Você fez um desenho?

— Sim! Para você! — Himawari esticou o braço, finalmente revelando sua obra de arte

Os olhos opacos de Hinata encheram-se de brilho ao observar o conteúdo do desenho feito com lápis de cor e giz de cera: uma figura feminina exatamente igual a ela com grandes bolas azuis cobrindo suas mãos. Bem à frente da tal mulher, podia-se ver um homem com xis em seus olhos, parecendo representar que ele estava desacordado. Todas as dúvidas em relação a aquele desenho foram resolvidas quando Hinata leu bem na ponta do papel “Super Mamãe Ninja”, e foi ali que teve de engolir a seco para poder continuar a encarar sua filha sem acabar suando frio:

— Viu, mamãe? É você! — afirmou com toda a energia provavelmente vinda de seu nome

— Himawari... — seus olhos finalmente obedeceram e foram virados para sua filha — Como você...?

— Há alguns dias, o papai foi me contar algumas histórias de quando vocês eram mais jovens! Ele me contou que você já salvou ele de um ataque a nossa vila! Isso com punhos azuis que eu nunca vi! Ele me contou sobre a Guerra também; disse que você estava tão forte que alguns inimigos tinham muito medo de te enfrentar! — Himawari tagarelava como se sua mãe fosse uma personagem de desenho — Quando vocês eram crianças, ele me disse que você sempre salvou ele em várias missões! Contra os caras mais malvados! E também... Também você foi para a lua! Um homem da lua quis se casar com você mãe? Que incrível! E ele ainda disse que você era uma princesa! — respirou, ainda deixando claro que tinha muito a se falar — Então eu também sou uma princesa! Não sou? E, e...

— Filha... — Hinata voltou a encarar aquele desenho agora tão especial para ela

— ...E eu queria que você me contasse mais histórias — corou levemente, aproximando-se do colo da mãe

Hinata não aguentou suas emoções comprimidas em seu peito: agarrou sua filha em um quente abraço, deixando então mais lágrimas caírem no corpo da filha, lágrimas que, estranhamente, pareciam mais leves que as anteriores. Hinata nunca mais soltaria aquela criança e aquele desenho, que inevitavelmente também acabou meio molhado

Obrigada Naruto; obrigada papai; obrigada Neji... Pensava em soluços, querendo gritar aquilo para que todos pudessem ouvir:

— B-Bom... Vou começar

Hinata contava suas histórias, e com o olhar de Himawari, ela percebeu que só ela se achava um fardo.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ E feliz dia das mulheres! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!