Fardeau
1 Capítulo Único
Adrien não estava preparado para saber o que tinha atrás daquela porta, e sua confirmação veio quando o moribundo do seu pai lhe estendeu aquela pequena borboleta, um objeto tão lindo, que se o loiro não soubesse do que se tratava, agraciaria o presente que seu pai estava lhe dando nos seus 18 anos.
Aquele talvez fosse o último aniversário do adolescente, recém adulto, que ele teria com seu pai, pois Gabriel estava sofrendo de uma doença gravíssima, que aos poucos o deixaria de cama, e depois o levaria para seu descanso eterno. Talvez aquilo fosse resultado do carma cósmico acumulado em suas costas, pelos cinco anos de maldade que obrigou aquele pequeno ser inofensivo a cometer.
— Pai – Adrien tinha lágrima nos olhos, nunca imaginou que seu pai fosse Hawk Moth, ele não estava recebendo uma dádiva em forma de miraculous, estava recebendo um fardo que nunca seria capaz de aguentar, afinal, ele ainda era Chat Noir, e sua parceira ainda era a LadyBug.
— Eu quero que fique com ele e faça um trabalho melhor que o meu, filho – Gabriel fala e tosse um pouco.
Adrien não tinha palavras, não sabia como negar ou aceitar aquele presente, o covil do vilão mais temido de toda a Paris estava bem ali, diante dos seus olhos, e ele ao menos sabia como se sentir.
— Seja sábio Adrien, seja tudo que eu não fui – Gabriel dá um beijo na testa do filho e se afasta sorrindo – feliz aniversário – ele tosse um pouco mais e se vira, levando sua bengalinha consigo – vou me deitar, está ficando difícil ficar de pé.
E Adrien não respondeu, apenas assistiu ao pai deixar o corredor em direção ao seu quarto. Imerso em seus pensamentos, ele não ouviu seu celular tocar, levando pouco mais de duas ligações para ele sentir o bolso da calça vibrar. Na tela tinha a foto da azulada com ele e seu nome ao lado de uma joaninha.
Adrien atende a chamada com receio, não fazia ideia de como contar isso a sua amada, afinal, eles passaram por maus bocados por conta daquele miraculous. E saber de repente, que ele esteve mais próximo de si, do que nunca, era algo a lhe deixar sem palavras.
Os dois haviam combinado de se encontrar no parque, e Adrien estava um tanto atrasado, deixando a azulada preocupada e ansiosa, será que ele havia desistido de ir? Não, não havia, ele apenas estava imerso demais para lembrar do compromisso que havia marcado. Ele atendeu a chamada e sorriu ao ouvir a voz doce dela.
— Você não vem mais? – perguntou a azulada, um tantinho triste, havia preparado uma linda surpresa para ele depois do passeio no parque. E a possibilidade de Adrien não aparecer, estragaria seus planos.
— Estou indo, só me atrasei um pouco – Adrien suspira, não tinha mais clima para aquele dia, mas não deixaria a garota na mão.
— Aconteceu alguma coisa? – ela pergunta ansiosa, prestando atenção no suspiro longo e no desânimo na voz dele.
Seu olhar recai sobre o miraculous de borboleta e sob o espaço a sua frente, sim, havia acontecido algo, algo muito ruim, um fardo, mas ainda assim não sabia como dizer aquilo para sua amada.
— Eu explico melhor depois – ele trata de lhe responder, e logo se adiantar para ir de encontro a mesma, que ainda o esperaria para que pudessem comemorar o aniversário dele juntos.
O loiro havia deixado Plagg em seu quarto, por isso o pequeno kwami não sabia sobre aquilo, mas definitivamente o diria quando pudesse.
O dia se passou bem rápido, considerando suas preocupações, ele e Marinette se divertiram, e a noite a azulada o levou até a padaria dos seus pais, onde havia preparado um jantar romântico, e entregaria o presente do loiro.
— Está tudo tão lindo minha bela – Adrien fala encantado, a garota havia preparado tudo com tanto carinho e tanta dedicação, que por um momento ele se sentiu mal em pensar em estragar aquilo.
— Que bom que você gostou – ela lhe dá um beijo na bochecha e juntos, eles se sentam um de frente para o outro – mas Adrien, eu sinto que você está meio estranho, desde a ligação que te fiz, aconteceu algo com seu pai? Ele piorou?
Adrien encara a garota e suspira, lhe lançando um sorriso triste. Logo tratando de pegar a mão da garota e acariciar seu dorso com o polegar.
— Tem algo que eu preciso lhe contar – ele suspira, ainda não sabia como dizer e nem sabia se estava pronto para ver a reação dela, mas precisava ser sincero, eles estiveram aquele tempo todo lutando contra aquele Miraculous e de repente ele parou de ser usado, e agora ele sabia o porquê.
— Está me deixando preocupada meu bem – ela sorri nervosa.
Ao invés de falar, ele apenas tirou o pequeno objeto do bolso e depositou sobre a mesa, deixando à mostra para que ela pudesse ver. Inicialmente ela ficou confusa, mas depois sua confusão se tornou indecifrável. Ele tinha medo do que ela faria.
— Você descobriu – ela suspira e fecha os olhos, largando a mão de Adrien, por um momento ele ficou confuso, Marinette já sabia sobre o miraculous? Porque não contou para ele? – eu não tinha certeza, apenas suspeitas, mas eu esperava que tudo fosse apenas uma paranoia minha, não queria lhe decepcionar.
Adrien ficou em silêncio, absorvendo todas aquelas informações.
— Ele lhe entregou? — Marinette pergunta e Adrien assente.
— Porque não me disse nada sobre suas suspeitas? – o loiro pergunta, um tanto chateado.
— Porque eu não queria que tivesse que carregar esse fardo – Marinette indica o objeto sobre a mesa – esse miraculous foi da sua mãe Adrien – revela – quando ela desapareceu, seu pai o usou para que pudesse encontrar os outros miraculous, porque se você se tornar o guardião, eles lhe concedem um desejo.
— Como sabe de tudo isso?
— Mestre Fu me contou depois que me entregou os miraculous, depois que...
— Que se tornou a guardiã – Adrien assente, sabia que ela jamais poderia contar segredos como aqueles, mas agora Adrien já havia descoberto sobre a borboleta, e os miraculous não estavam mais em perigo.
Marinette se levanta e pega algo embaixo do balcão, logo volta a mesa e o abre, estavam ali todos os miraculous, incluindo o dela e os que haviam sido perdidos. A azulada pegou a borboleta e colocou junto dos outros, desde que o pai de Adrien adoeceu que ele não era usado, e havia muitos anos que ele estava sendo contaminado, juntá-los poderia reestabelecer a energia do pequeno Kwami de borboleta.
— Você trouxe o Chat Noir? – pergunta e ele lhe estende o anel.
Ela pega da mão do loiro e coloca junto dos outros, logo também coloca os dela.
— É seu aniversário, eu lhe darei o meu desejo – ela fala o encarando e ele estava assustado demais com aquilo, para simplesmente decidir algo.
— Marinette, não pode fazer isso, eu não...
— Está tudo bem meu amor – a azulada se levanta e caminha até ele – eu sei o que você quer, apenas peça.
Ele nega e ela sorri, enquanto faz um carinho no rosto dele, não precisava ser um gênio para saber o que ele poderia pedir. Mas aquilo poderia mudar tudo para eles, mesmo assim, ela estava disposta a lhe conceder.
— Não importa como mudará, eu sempre acharei um jeito de lhe encontrar – ela suspira deixando um beijo na testa dele e se afasta novamente para buscar algo a mais, o bolo de aniversário, na verdade um pequeno cupcake, ela acendeu a vela e colocou em sua frente – faça um desejo.
Ele a olha com os olhos marejados, e ela sorri terna.
— Eu te amo Adrien Agreste – ela beija seus lábios, sendo retribuída pelo loiro, que não desejava que seu aniversário estivesse sendo tão trágico daquele jeito, sentia muito por isso.
— Eu te amo Marinette Dupain-Cheng – ele murmura, ainda com os lábios colados aos dela – obrigada.
— Não importa o que aconteça, eu sempre darei um jeito de te encontrar.
— Apague a vela – ela sussurra e sorri para ele, que se vira para o cupcake em sua frente, fechou seus olhos e soprou.
Aquela foi a última vez que o fardo de uma borboleta pesou sobre seus ombros, porque a partir daquele momento, tudo mudaria, tudo mudou, e nada do que viveram antes, nenhum perigo que foram expostos, seria capaz de retornar, porque o bater das asas de uma borboleta, alinhou todo o caos.
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