Faraó

1 Faraó


Não sei como, mas de uma hora para a outra...Lá estava eu, na casa da minha avó que eu não via a muito tempo, parada em seu quarto. Sons estranhos passaram pelos meus ouvidos, pareciam pessoas rezando, mas onde? Por que? Ou por quem?

Minha teoria estava certa, eram pessoas rezando, mais próximos do que eu imaginava. Haviam múmias parados na sala da minha avó, elas estavam cercando alguma coisa que eu não conseguia ver.

Me aproximei alguns passos, o suficiente para ver o que estava sobre a mesinha de centro de madeira. Quando enfim consegui enxergar... havia uma espécie de maca sobre a tal mesinha e deitado sobre ela havia um faraó com uma faixa cobrindo sua boca. Mas porque a faixa cobria somente a boca?

Perguntei ao unico homem não mumificado o porque daquela faixa estar localizada na boca. Foi ai que levei o susto, ele disse que a faixa estava cobrindo um corte, um corte que haviam feito em sua boca apenas pelo fato do faraó fumar muito e para que ele não fumasse mais, cortaram-lhe lábios.

Não consegui esconder meu espanto, no segundo em que o homem terminou a frase um grito estridente saiu da minha boca automaticamente fazendo com que todas as mumias que ali estavam olhassem para mim, mas sem parar de rezar. Caminharam até mim falando ainda mais alto. Mãos escorregavam sobre meu corpo, mas continuavam rezando, como se estivessem tentanto me dizer algo, quando então o faraó surgiu na minha frente e como se já não bastasse, em apenas um movimento tirou a faixa deixando completamente exposta sua boca, ou o que restou dela. Havia nada mais que um buraco cheio de dentes podres contornado por uma camada preta com um pouco de sangue escorrendo abaixo de seu nariz.

Tentei gritar, mas uma mão calejada e suja tapou minha boca com um pano.

Só me lembro de acordar em casa, foi ai que pensei que tudo aquilo não havia passado de um sonho, pois não fazia o minimo sentido ser real. Levantei e fui dar uma olhada na janela. Do outro lado da rua havia um homem de capuz preto parado, ele levantou a cabeça, ai então foi possivel ver seu rosto, menos sua boca, pois havia uma faixa identica a do faraó a tapando. Caminhei até o espelho e quando olhei para o meu reflexo, não era eu, não podia ser eu... Mas era, eu ainda possuia o mesmo olhar. Eu havia me tornado uma múmia, me lembro de ter ouvido uma história sobre quem olhar por muito tempo para o faraó se tornar múmia. E foi isso que aconteceu comigo.

Foi quando enfim despertei daquele maldito sonho, sã e salva. E principalmente, longe de múmias e faraós, ao menos por enquanto.

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