Far From Never
14 Bradford
Notas iniciais
Acordei ainda dentro do avião. Abri meus olhos e vi que Zayn não estava mais em meus braços, eu que estava nos dele. Minha cabeça estava apoiada no peito dele e seus braços estavam em minha volta me segurando. Seu rosto estava sereno enquanto ele dormia.
Fiquei quieta brincando com as pontas do meu cabelo. Comecei a realmente pensar em tudo o que aconteceu nos últimos dias.
Tipo: O Harry e eu estamos tendo um lance. Isso seria muito legal se eu não tivesse tão confusa.
Essa história da minha amizade com o Zayn realmente mexeu comigo. Ontem eu corei enquanto falava com ELE! E agora estou aqui viajando com ELE para a cada dos pais DELE. Nunca imaginei que eu fosse querer estar com ele para ajudar, para protegê-lo, dar apoio nos momentos difíceis.
— No que tanto pensa? – perguntou com voz rouca.
— Na vida – respondi fitando os meus dedos.
— Você parece preocupada – disse me analisando.
— Não é nada, Zaza – disse o fitando.
— Se quiser falar, eu estou aqui – falou me olhando.
— Obrigada – agradeci fitando os olhos dele.
Chegamos à Londres alguns minutos depois. Trocamos de avião e mais ou menos meia hora estávamos em Bradford.
***
Paramos em frente a uma bela casa. Era grande e seguia aquele padrão de casas britânico. Saímos do táxi e pegamos nossas coisas.
Minutos depois de apertamos a campanhia uma menina de estatura mediana, estilosa e com o rosto demonstrando cansaço abriu a porta. Ela abraçou Zayn e se desculpou. Olhou para mim com surpresa estampada nos olhos.
— Oi – disse sem graça.
Ela não me respondeu e entrou em casa sem falar nada.
— Doniya! – chamou uma mulher meio brava.
Ela olhou para porta e deu um sorriso ao ver Zayn. Depois o seu olhar caiu sobre mim e eu pude ver que ela parecia surpresa.
— Eu acho melhor deixar vocês a sós – disse para Zayn e dei alguns passos em direção à rua.
— Aonde você vai? – perguntou Trisha me olhando.
— Dar privacidade para vocês conversarem – respondi tranquilamente.
— Não precisa – disse Zayn.
— Entre – disse Trisha calma.
Simplesmente fiz que sim com a cabeça e segui em direção a eles que me esperavam no hall da casa. Entrei com calma e sussurrei um oi para ela que deu um sorriso em minha direção.
Segui Zayn e nós paramos na sala. O pai de Zayn ocupava um lugar no sofá, a outra irmã dele estava sentando no sofá e parecia tentar ler um livro. Ele começou uma conversa séria com seus pais e sua irmã mais velha. Eles estavam presos àquela conversa por longos minutos e eu precisava de ar.
— Pode me levar a área externa? – pedi para Waliyha que estava sentada ao meu lado.
— Sim – sussurrou em resposta.
Deixamos Yasser, Trisha, Doniya e Zayn conversando, segui a irmã dele pela cozinha, saímos pela porta que tinha ali.
Ao sair dei de cara com um jardim bem cuidado, uma árvore que possuía um balanço e uma casa da árvore.
— Obrigada – disse fitando os meus pés.
— De nada – disse Waliyha.
Sentei-me na escadinha que tinha ali e fiquei ali fitando o nada.
— Posso te fazer uma pergunta? – perguntou quebrando o silêncio.
— Pode – assenti olhando para ela.
— Por que do nada você veio para cá com o Zayn? – perguntou me olhando seriamente.
— Eu disse para sua mãe que eu não ia deixar ele fazer nenhuma besteira – disse depois de dar um suspiro.
— Então você é amiga que estava com o Zayn? – perguntou surpresa.
— Sim, era eu – respondi fitando os meus pés.
— Então vocês são amigos agora? – perguntou se sentando ao meu lado.
— Sim, a gente anda se entendendo – assenti sorrindo – Ele não é tão container assim – completei rindo.
— E você não deve ser tão maluca quanto ele fala – respondeu rindo.
— Eu não sou tudo o que aparento ser – disse de cabeça baixa.
Ficamos em silencio depois disso.
— Waliyha, pode nos deixar a sós – pediu Zayn que acabara de chegar ali.
— Claro – disse se levantando – Até daqui a pouco – falou olhando para mim e eu fiz que sim com a cabeça e ela saiu.
Zayn se sentou ao meu lado e fitou o balanço.
— Alguma notícia – perguntei.
— Não, nada – disse apoiando a cabeça nas mãos.
Eu não sabia o que dizer naquele momento, simplesmente comecei a brincar com os cabelos dele.
— Me desculpe, eu não sei o que dizer – disse num sussurro.
Ficamos em silêncio por algum tempo. Eu continuava a brincar com os cabelos dele. O meu celular tocou nos despertando daquele silêncio.
— Alo! – disse assim que atendi.
— Oi Vic! – disse Harry – Como vocês estão?
— Tá tudo bem – menti com certa facilidade – E ai?
— Tá tudo bem sim! – disse – Vocês já resolveram as coisas? – perguntou.
— Ainda não – respondi num sussurro.
— Ah – disse desapontado – Volta logo pra cá – pediu.
— Pode deixar – mal acabei de dizer e ele desligou o telefone.
Soltei um longo suspiro e fiquei fitando o celular calada.
— Harry? – perguntou Zayn.
— É – disse fitando os meus pés – Mas deixa prá lá, o importante é a Safaa – completei.
— Obrigado – disse me olhando.
— De nada – assenti sorrindo.
Todas as ações que fizemos na casa da família Malik nos últimos cinco dias foram em silêncio. Era o sexto dia do completo silêncio, eu estava ajudando com as louças das refeições e Waliyha com os deveres do colégio.
Em todos os momentos que o telefone tocou, era como se todo mundo parasse para ver se era uma notícia, foi assim durante os últimos dias, mas nenhuma noticia chegou.
****
Devia ser umas oito da noite, Zayn e eu estávamos sentados na escadinha dos fundos da casa fumando. Apesar de ventar um pouquinho a noite estava agradável.
(http://weheartit.com/entry/32422200/in-set/3079351-vic nos pés um vans branco)
— Quando começou? – perguntei indicando o cigarro.
— Faz um tempo já, tipo uns três ou quatro anos – disse pensativo – E você?
— Desde os 15, eu não me orgulho disso – disse depois de uma tragada.
— Eu também não me orgulho – concordou Zayn.
— Você já pensou no que queria estar fazendo daqui um tempo? – perguntei mudando de assunto.
— Já e você? – perguntou sorrindo.
— Já – respondi rindo.
— No que pensa para o futuro? – perguntou me olhando com curiosidade.
— Naquelas coisas clichês – disse mexendo no cabelo – E você?
— Tipo continuar cantando, ter a minha casa com alguém especial – disse pensativo – Mas é sério que você pensa nos clichês? – perguntou surpreso.
— Verdade – respondi dando um meio sorriso.
— Tipo casar? – perguntou me fitando com a sobramcelha arqueada.
— É – disse sem graça – Casar, ter filhos, sabe essas coisas ridículas que todo mundo quer – completei com as bochechas vermelhas.
Ele ficou me olhando em silêncio e eu por incrível que pareça conseguia ficar mais vermelha a casa segundo que se passava. Então o celular dele tocou. Zayn foi atendê-lo um pouco afastado de mim e ficou conversando por alguns minutos.
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