Far Away
2 Capítulo 1 - Vida que Segue
Bella POV.
Sentada no sofá, na sala, eu pensava em como tinha chegado àquilo. Dois anos haviam se passado desde que ele e eu completamos um ano de casado; hoje éramos para estarmos completando três.
E nossa garotinha – mesmo que ele não saiba que ela exista −, nossa Holly, está com um ano e dois meses e cada dia mais parecida com o pai.
Ela sabia que tinha um pai, mas eu omiti a parte de que ele a recusara. Ela não precisava saber disso.
Holly tinha os meus traços, mas os olhos verdes e os cabelos da estranha cor de bronze, como o pai. Todos, menos Edward, sabiam que ela fora fruto do que restara do nosso amor.
E, mesmo depois de dois anos, eu ainda o amo. Tenho a pulseira e o cordão que ele me dera de presente; provavelmente, ele já jogou o dele fora.
Suspirei pesadamente, balançando a cabeça. Por mais que dois anos tenham se passado, meu coração já não é mais o mesmo, e toda vez que eu me lembro daquela noite...
Como Edward pode recusar a filha? Como?
Eu ainda não conseguia acreditar nisso. Entretanto, eu estava ali. Eu o ouvi.
- Mamãe!
Corri até o quarto da Holly, depois de escutar seu chamado na babá eletrônica. Ela estava de pé, apoiada no berço. Ela já estava andando, mesmo cambaleando de vez em quando.
- Bom dia, meu anjo – sorri para ela.
Ela sorriu, mostrando os poucos dentes que tinha. Dei um banho nela e a preparei; iria almoçar na casa dos Cullen hoje.
Todos foram proibidos de contar a Edward a verdade, mesmo que eu achasse que ele iria pouco ligar para isso. Ele já a tinha recusado uma vez, duvido que vá voltar atrás.
Estacionei e percebi que Holly tornara a dormir; senti um aperto conhecido em meu peito. Minha filha cresceria sem o pai, sem saber que ele a rejeitara, antes mesmo de saber o sexo do filho. Suspirei pesadamente.
Eu não tinha visto Edward depois de nos termos nos divorciado. Lembro-me bem desse dia...
Flashback.
Um mês havia se passado desde que Edward rejeitara nosso filho. Eu havia decidido que não queria me manter casada com ele, já que em um mês ele iria para Paris; suspirei pesadamente, enquanto andava pelos corredores.
Iríamos fazer um encontro com nossos advogados hoje, para discutirmos como seria o divórcio. Nunca pensei que Edward e eu pudéssemos chegar a nos separarmos um dia. Não agüentava mais me surpreender. Primeiro, com Edward rejeitando o próprio filho, e agora iríamos nos separar, com apenas um ano e uma semana de casamento.
Cadê o amor? O amor que acreditamos tanto quando nos casamos?
Larry, meu advogado, já me esperava, quando abri a porta. Todos já me esperavam; Edward estava sentando já, a cabeça baixa, ao lado de seu advogado, Johnson.
- Desculpem-me o atraso – disse. – Tive que atender uma cliente.
Eu sou advogada; claro que não podia cuidar do assunto do meu divórcio, então tive que contratar um.
Edward me olhou, seus olhos verdes pareciam apagados... Pareciam vazios. Engoli a vontade de chorar, e perguntar por que ele fizera aquilo, por que ele rejeitara o nosso bebê. Por que ele tinha que ir para Paris e nos largar aqui?
Entretanto, eu não podia fazer isso.
Cumprimentei-os com um aceno de cabeça e sentei-me, de frente para Edward; nossos advogados sentados ao nosso lado.
Eu me perdi quando eles começaram a falar algumas coisas. Tudo o que eu conseguia fazer era olhar para Edward, tentar entender por que tínhamos chegado àquele ponto, por que tudo teve que ser assim.
- Estão de acordo? – Johnson, o advogado de Edward, perguntou-nos, retirando uma folha de dentro de sua pasta e a entregando a mim.
- Hã? – murmurei, desviando os olhos daqueles orbes verdes penetrantes.
- Estava perguntando, Sra. Cullen, se a senhora está de acordo com o que o Sr. Cullen está propondo.
Peguei a folha e ali; Edward queria que eu ficasse com a casa, com os dois carros, e ainda queria me dar uma pensão. Suspirei pesadamente. Ele queria que o amor que ele poderia dar ao filho, com dinheiro?
- Não quero nada disso – disse. Todos me olharem, sem acreditar no que eu estava dizendo. – Edward pode ficar com seu carro e eu ficarei com o meu. Não quero pensão – disse, firme. – Tenho meu próprio dinheiro e posso viver muito bem com ele. Podemos vender a casa, e dividirmos o dinheiro. Não quero nada disso.
Meu advogado não demonstrou qualquer surpresa, já que eu já havia dito isso a ele. Claro que ele tentou me fazer voltar atrás, mas eu fui firme.
- Mas... Bella... – Segurei o choro mais uma vez. – Eu não entendo.
- Não temos filhos – sussurrei, evitando seu olhar. Ele provavelmente nem iria querer mais saber se seu filho, então para que fingir que ele existia na frente de Edward? – Eu tenho meu próprio emprego, não quero depender de seu dinheiro. Acabou, Edward.
Ele somente assentiu, abaixando a cabeça.
- E você vai ficar com seu Volvo. Eu tenho meu próprio carro – continuei. O advogado dele, provavelmente, me achava louca por recusar tudo aquilo. – Não preciso de dois.
Edward tornou a assentir. Ótimo. Depois disso era só assinar os papéis, que ficariam prontos dentro de um mês, com todos os acordos e tudo o mais, e pronto. Eu voltaria a ser a Srta. Swan.
- Mas eu quero que fique com a casa – Edward disse. – Já aceitei duas decisões suas, Bella. Aceite apenas essa. Fique com a casa. Toda para você, passe-a para seu nome. Não a quero, nem quero o dinheiro dela.
- Não – disse, firme.
Edward levantou a cabeça, encarando-me profundamente. Seus olhos verdes me hipnotizaram e a dor em meu peito cresceu. Por que estávamos ali? Eu o amava, eu o amo, sempre o amarei. Pensei, no começo, que pudéssemos conversar, tentar resolver, mas parecia algo impossível. Desde aquele dia no restaurante, não conseguimos conversar; brigávamos o tempo todo, até eu chegar a meu limite e dizer que não agüentava mais.
- Por favor, Bella – pediu-me ele. – É a última coisa que eu estou pedindo.
Engoli em seco. O que fazer? Mordi os lábios, hesitando, e vi que Edward sorriu um pouco.
- Ah – abaixei os olhos −, tudo bem. Eu aceito ficar com a casa.
Ele assentiu, sorrindo timidamente. Os advogados perguntam se preferiam que eles levassem os documentos que tínhamos que assinar separadamente, ou se poderiam marcar outro encontro para dali a um mês.
Eu até poderia dizer que sim, que queria ver Edward mais uma vez, pela última vez, mas meu coração não agüentaria, e eu já estaria de três meses, não queria que ele visse minha barriga, mesmo que ela não esteja muito grande.
Despedimo-nos formalmente de nossos advogados. Eles saíram, permitindo que eu e Edward ficássemos sozinhos um pouco.
Ele avançou até a mim, segurando-me pelos ombros.
- Podemos voltar atrás, Bella – sussurrou. – Eu não quero me separar de você.
- É tarde demais – sussurrei.
Foi impossível resistir quando Edward aproximou nossos corpos e os colou, as duas mãos firmes em meu rosto, para que eu não fugisse. Quando ele encostou nossos lábios, deixei que, enfim, as lágrimas escorressem. Eu sentia falta dele, eu não queria que isso tivesse acontecido. O beijo foi doce e calmo; foi um beijo de despedida. E nós dois sabíamos disso.
Separamo-nos e nos encaramos. Verde no castanho, castanho no verde. Desejei que nosso filho tivesse a cor de seus olhos, que se parecesse com ele, porque eu queria guardar essa lembrança, queria levá-lo para sempre comigo. Independente de estarmos ou não juntos mais.
Edward beijou minha testa demoradamente e acariciou minha bochecha antes de sair. Olhei-o, e quando vi que a porta estava fechada, deixei que as lágrimas jorrassem com mais força.
- Eu te amo – murmurei, mesmo sabendo que ele já não podia mais escutar.
Fim do flashback.
Voltei a mim, limpando as lágrimas, e tentando esquecer aquilo. Holly acordou, percebendo que eu tinha chegado. Ela sabia que Carlisle e Esme eram seus avôs, e eu me sentia mal por mentir que um dia ela conheceria o pai, que ele só estava fazendo uma viagem. Um dia eu esperava que ela pudesse me entender.
Os olhos verdes que eu tanto desejei estavam ali. Os cabelos cor de bronze também. Ela era quase que uma cópia feminina do pai, a não ser por alguns traços meus.
Saí do carro e a peguei no colo.
- Vovô e vovó ‘tão aí? – perguntou, sorrindo.
Assenti somente. Ainda não me sentia muito segura para dizer algo sem deixar que as lágrimas derramassem. Ela sorriu para mim, com seus poucos dentes, e eu toquei a campainha.
Uma Esme sorridente atendeu a porta e mal me abraçou e já estava pegando minha filha, brincando com ela.
- Vovó! – disse Holly, sorrindo.
Eu achava lindo esse amor que ela tinha pelos avôs. Eles não conseguiam entender que o próprio filho tenha a recusado, mas prometeram que não iriam tocar no assunto com Edward, independente de ele voltar atrás ou não.
- Vamos nos sentar, Bella, querida – sorriu para mim, Holly ainda no seu colo -, Carlisle deve chegar logo.
Assenti e me sentei.
Suspirei pesadamente. Por que eu ainda não conseguia esquecê-lo? Por que, mesmo depois de um ano, eu ainda o amava, cada vez mais?
Edward POV.
Abri a porta do apartamento pequeno que eu tinha, absolutamente cansado. Era a minha última semana aqui; a minha última.
Às vezes eu me perguntava se valera à pena ter vindo passar esses dois anos aqui, longe dela. Eu a ainda a amava intensamente, a amava mais que tudo na vida. Não entendi a reação que Bella teve dois anos atrás, quando mencionei que não queria o cargo aqui em Paris. Parecia que eu tinha feito algo extremamente errado, que eu tinha a machucado muito.
Deitei-me no sofá, na sala de estar e jantar, completamente esgotado. Não só fisicamente. Cansado mais emocionalmente do que tudo.
Eu trabalhava praticamente o dia inteiro, dobrando turnos, plantões e etc. Não porque eu precisava de dinheiro. Eu ganho muito mais do que necessário para me manter, mas eu achava que se trabalhasse muito, logo me esqueceria de Bella.
Só que eu estava completamente enganado.
Suspirei pesadamente e fui para o banheiro do meu quarto, disposto a tomar um banho, para relaxar. Depois me joguei em minha cama, e fiquei ali.
Tirei de debaixo do travesseiro o cordão com o nome Bella escrito; acariciei-o. Provavelmente ela já tinha jogado o que eu dera a ela fora. Provavelmente, ela já tinha me esquecido.
Suspirei pesadamente, e antes mesmo que eu me desse conta as imagens do dia que Bella pedira divórcio invadiram-me... Lembrar-me disso, mesmo depois de dois anos, machucava.
Flashback.
Depois do jantar de um ano de casados, eu e Bella mais brigávamos do que tudo. Estávamos dormindo em quartos separados, totalmente distantes um do outro. Toda vez que nos víamos brigávamos por algum motivo fútil e idiota.
Não agüenta mais aquilo, não sabia o que estava acontecendo conosco. Bella estava uma pilha de nervos, brigava por qualquer coisa; não a entendia, e não podia perguntar que ela me olhava com cara de “você sabe muito bem por que, não se finja de idiota”, quando na verdade eu não fazia à mínima ideia.
Eu a amava muito, muito mesmo. Bella me atraíra de uma forma que nunca nenhuma outra mulher me atraíra. Eu seria de capaz de qualquer coisa por ela, não queria que nosso casamento acabasse. Onde estava o amor? Onde estavam as promessas e os votos que fizemos em nosso casamento?
Suspirei pesadamente e saí do quarto de hóspedes, onde estava dormindo. Encontrei Bella na sala. Tentei passar sem que ela percebesse, mas não demorou muito e estávamos brigando de novo. Ela chorava em meio aos gritos, totalmente descontrolada.
- CHEGA! – gritou, e só assim percebi como ela tremia. – Não. Aguento. Mais. Quero o divórcio! Chega. E chega mesmo.
Estaquei. Não. Eu não podia me separar de Bella, não queria. Ela é tudo o que tenho, a mulher que eu amo, a mulher com quem quero ter filhos, com quem quero ficar.
- Não, Bella – disse, ainda parado no mesmo lugar.
- Sim, Edward – suspirou fundo. – Dói em mim, mas não tem outro jeito. Estamos tentando adiar o que não dá mais para adiar. Vou arrumar minhas coisas, passar um tempo na casa dos meus pais.
Bella começou a sair da sala, mas eu a segurei. Ela chorava.
- Por favor, Bella – pedi. – Não desista do nosso amor, não desista de nós. Eu te amo, isso só é uma fase, vai passar, vai sim.
Bella balançou a cabeça, fechando os olhos.
- Não vai, Edward – sussurrou. – Não depois daquele dia. O que aconteceu lá... Não dá. Não é algo que vá passar.
Congelei. Não, não podia ser assim.
- Deixe-me ir – pediu. – Eu te amo, sim, mas não dá mais, não dá, Edward. Solte-me, por favor.
- Não – disse firme. – Você não pode desistir do nosso amor. Não desista.
- É tarde para dizer isso. Não depois do que você fez no jantar.
Eu tentei, milhares de vezes, perguntar o que eu fizera, mas Bella ficava com tanta raiva que eu desisti de perguntar.
- Fique aqui, então – sussurrei. – Eu saio.
Ela assentiu, e foi para a cozinha. Suspirando, segui para o quarto, onde peguei algumas roupas e saí de casa, rezando para que tudo aquilo fosse apenas provisório.
Mas não era. Foi total e completamente definitivo.
Fim do flashback.
Limpei as lágrimas que caíram de meus olhos, mas logo vieram outras, e eu chorei como há muito tempo não chorava.
Por que Bella e eu tivemos que terminar dessa maneira, Deus?
Notas finais
Perguntaram-me quantos capítulos a fanfic teria, eu acredito que deve ter uns cinco ou seis capítulos '
Então, meus amores, comentem! '-'
Kisses
Deh ;*
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