Far Away

6 Capítulo 5 - Surpresa


Notas iniciais
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Bella POV.

Era estranho. Completa e extremamente estranho. Era estranho imaginar que um casamento podia ter acabado por um mal entendido, e que os sonhos que tive – Edward sendo um bom pai – poderiam existir. Eu o amava, eu o queria... Se ele dissesse que me amava também.

Era tão lindo vê-lo com a Holly! Ela estava se dando bem com ele, e Edward já a amava, eu podia ver isso em seus olhos.

E hoje, depois do trabalho, iríamos conversar, e quem sabe nos ajeitar? Eu estava morrendo de saudades dele.

Trabalhei sem prestar muita atenção no que fazia. Foi a tarde mais longa da minha vida. E então, finalmente, eu pude sair do trabalho.

Dirigi rapidamente até a casa dos Cullen. Estacionei e toquei a campainha. Esme atendeu.

- Ah, Bella, precisamos conversar – disse, puxando-me para dentro.

Estranhei, mas fui. Edward e Carlisle estavam em um canto conversando; Alice e Rose lançaram olhos aflitos a mim quando eu entrei; Emmett e Jasper apenas suspiraram. O que estava acontecendo?

I Hope You Find It – Miley Cyrus

- O que foi? – perguntei.

Edward caminhou até a mim rapidamente, puxando-me para um abraço. Uma dor sufocante brotou em meu peito e as lágrimas escorreram, antes mesmo de eu dar conta do que estava acontecendo.

Edward me abraçou mais forte, sem dizer mais nada.

- É com minha mãe, não é? – perguntei. Eu tinha compreendido. – Ela... Ela...

Estas nuvens não vão a lugar algum, baby

A chuva continua caindo

Eu só pensei em te ligar, baby

Antes que você se afastasse demais da cidade

E espero que você receba essa mensagem que estou deixando para você

Porque eu odeio você ter partido sem ouvir o que eu tinha a dizer

Eu não conseguia dizer mais nada. Não conseguia me mover, nem mesmo conseguia pensar direito. Saí do abraço de Edward e encarei todos.

- Onde está minha mãe? O que aconteceu com ela?

Carlisle respirou fundo e veio até a mim. Ele apertou minhas mãos.

- O médico de sua mãe disse que ela tem no máximo vinte e quatro horas.

Afastei-me dele e disparei para fora de casa. Entrei em meu carro e, quando vi que Edward vinha atrás de mim, travei as portas. Ele tentou abrir, mas não abri. Eu tinha que ir ao hospital vê-la, tinha que ir.

- Bella, deixe-me entrar – gritou, batendo na janela.

- Não – disse eu. – Fique com a Holly. Eu vou... Vou ficar bem.

Tentei ligar o carro, mas minhas mãos tremiam tanto que não consegui. As lágrimas não deixavam que eu visse nada, também. Suspirei fundo e destravei as portas. Edward soltou um suspirou de alívio e abriu a porta, puxando-me para seu abraço.

- Vou levar você lá – sussurrou. – Minha mãe vai ficar com a Holly.

Assenti.

Edward me passou para o banco do carona, e dirigiu meu carro em silêncio até o hospital. Desci quando estacionamos, sem esperar por ele.

E eu espero que você encontre,

O que você está procurando

E eu espero que seja tudo que você sempre sonhou para a sua vida

E muito mais

E eu espero que você esteja feliz,

Onde quer que esteja

Eu queria que você soubesse disso

E nada vai mudar isso

E eu espero que você encontre

- Boa noite – disse eu, para a recepcionista −, eu gostaria de visitar a Sra. Swan.

- Ela está no quarto 308, no terceiro andar – sorriu gentilmente para mim, como se soubesse o que eu estava passando.

Só que ela não sabia.

Saber que amanhã minha mãe não estaria viva... Saber que ela tinha um limite de vida, como se um fosse um alimento com prazo de validade. Saber que eu nunca mais a veria depois... Nada poderia me causar uma dor tão grande.

Segui para o banheiro antes de ir ao quarto da minha mãe. Queria que ela se fosse com a imagem de uma filha que não ficava lamentando. Tentei tirar o máximo que pude os vestígios de lágrimas, e depois saí. Vi Edward ali, mas não disse nada a ele. Apenas entrei no quarto e senti um aperto enorme no peito.

Meu pai estava ali, sentado ao lado da minha mãe, e eu imaginava como ele estava se sentindo. Mamãe parecia dormir; ou talvez tenha tanta morfina em seu sistema, que nem acordada ela consegue se manter. Suspirei e toquei o ombro de meu pai.

Ele levantou a cabeça e suspirou também.

- Oh, Bella – sussurrou, puxando-me para um abraço.

Não chorei, apesar de querer e muito. Eu o abracei forte, sem saber o que dizer. Não poderia falar que tudo ficaria bem, pois não ficaria.

Ficamos ali uns minutos, apenas abraçados.

Eu deveria sentar e esperar para sempre?

As últimas palavras que eu disse

Mas isso não era nada além de um coração partido se expressando, amor

Você sabe que não foi o que eu quis dizer

Ligue pra mim, me avise que você recebeu essa mensagem

Que estou deixando para você

Porque eu odeio você ter partido sem ouvir o que eu tinha a dizer

- Vá tomar um café ou algo do tipo, pai – murmurei. – Eu vou ficar aqui com ela essa noite.

Ele assentiu e saiu do quarto. Sentei-me na cadeira que ele ocupara e segurei a mão de minha mãe, sem reconhecê-la. Ela estava tão magra! O câncer a atingira de tal forma, que a beleza toda dela se fora. Estava magra, esquelética e mais pálida do que era. Seus olhos se abriram e se voltaram para mim e ela sorriu fracamente, sem parecer ter forças para dizer alguma coisa. Abrir os olhos parecia algo extremamente difícil para ela.

- Oi, filha – sussurrou.

O câncer começara no esôfago. Talvez pudéssemos tê-la salvado, se tivéssemos descoberto no início. Ela não conseguia comer; tudo o que comia voltava. Agora, havia uma sonda. Havia meses que ela não comia nada sólido.

- Oi, mãe – respondi, tentando sorrir. Ela fechou os olhos e meu coração acelerou. Por um momento, pensei que ela nunca fosse abri-los novamente, mas suspirei aliviada, quando ela os abriu.

- Quanto tempo? – perguntou.

- Não vamos falar sobre isso, mãe – sorri. – Eu estou aqui.

Ela tentou sorrir, mas pareceu mais uma careta. Parecia que ela tinha que ter um esforço enorme para fazer isso. Assentiu lentamente.

E eu espero que você encontre,

O que você está procurando

E eu espero que seja tudo que você sempre sonhou para a sua vida

E muito mais

E eu espero que você esteja feliz,

Onde quer que esteja

Eu queria que você soubesse disso

Nada vai mudar isso

Eu espero que você encontre

O que quer que esteja lá fora que faltava aqui

- Seu... – engoliu seco. – Seu pai... Contou-me que Edward voltou.

Assenti.

- Ele... Está aqui?

Tornei a assentir, sem entender por que ela estava tanto me perguntando aquilo. Mamãe pediu que eu explicasse o que acontecera exatamente há dois anos. Eu nunca tinha explicado totalmente a ela e ao papai, com medo de que eles falassem: “eu avisei que vocês eram muito novos.”

Ela revirou os olhos depois de eu ter contado tudo e suspirou.

- Você ainda o ama, não ama? – indagou-me.

Assenti, sorrindo lindamente. Eu amava Edward. Sempre amei. Amava ainda mais do que amava antes.

Mamãe sorriu.

- Tenho certeza que ele também ama você – suspirou, parecendo estar com dor.

- Quer que eu chame um médico, mãe? – indaguei, olhando ansiosa para o monitor cardíaco.

E eu espero que você encontre,

O que você está procurando

E eu espero que seja tudo que você sempre sonhou para a sua vida

E muito mais

E eu espero que você esteja feliz,

Onde quer que esteja

Eu queria que você soubesse disso

Nada vai mudar isso

Não, não, não

Eu espero que você encontre

Eu espero que você encontre

Mmm,

Ooh.

- Não – disse. – Estou na dose máxima de morfina.

Senti a tristeza tomar conta de mim novamente, mas não disse nada.

- Durma, mãe – disse gentilmente. – Estarei aqui quando você acordar.

Mamãe assentiu levemente e fechou os olhos. Suspirei e fechei os olhos, esperando que um milagre acontecesse.

(...)

O milagre não aconteceu. Minha mãe faleceu quatro horas depois. Eu, meu pai, Carlisle e Edward estávamos com ela. Fui incapaz de chorar naquele momento. Eu ainda não acreditara que minha mãe tivesse realmente falecido.

Edward ficou comigo o tempo todo, enquanto ligávamos para resolver as coisas do velório. Avisamos a família, e eu segui rapidamente para casa, apenas para tomar um banho e trocar de roupa.

Segui para o velório. Meu pai já estava lá, chorando. Abracei-o e permiti que as lágrimas rolassem. Era estranho aceitar que eu nunca mais veria minha mãe.

E enterrá-la... Fora algo completa e extremamente doloroso.

- Quer passar um tempo comigo, pai? – indaguei-o, enquanto seguíamos para fora do cemitério.

- Não, querida – sorriu triste. – Tenho duas semanas de licença, e depois vou voltar a trabalhar. Vou ficar bem.

- Ok.

Deixei-o em casa. Queria que ele ficasse um tempo comigo, mas meu pai era teimoso demais e insistiu que ficaria bem. Somente pediu que eu fosse lá levar Holly para visitá-lo.

Minha filha estava agitada quando eu e Edward chegamos à casa de seus pais. Eu a peguei no colo e a apertei, estava morrendo de saudades dela.

E eu teria que conversar depois com Edward. Não tinha cabeça para isso agora, e estava muito cansada. Esme foi comigo para minha casa, para passar a noite comigo. Agradeci por ela ficar comigo. Eu realmente precisava dormir.

Desejei boa noite a ela e Holly e segui para o quarto de hóspedes. Esme dormiria no outro quarto de hóspedes que tinha naquela casa. O quarto que fora meu e de Edward permanecia intocado desde que nos separamos.

Deitei na cama e suspirei pesadamente. Tinha conseguido folga de uma semana no trabalho, e sabia que isso não aliviaria a dor. Dormi abraçada a uma foto minha e da minha mãe.

Edward POV.

Eu queria muito conversar com Bella, mas não dava. Ela mal vinha aqui em casa, e eu estava respeitando a dor que ela sentia naquele momento. Eu sempre ia lá visitar a Holly, e Bella só parecia que era ela mesma quando estava com nossa filha. Aos poucos ela começou a melhorar, dizendo que a mãe não iria querer que ela ficasse assim.

Eu tinha apenas mais uma semana de folga antes de retornar ao trabalho. Estava em casa, sozinho. Queria poder ver a Holly, mas Bella a levara para ver Charlie. Eu só a veria mais tarde.

Estava louco para poder conversar com Bella hoje, decidir tudo o que tínhamos para decidir, mas eu esperaria que ela dissesse que iríamos conversar.

Se ela demorasse... Bem, se ela demorasse, eu iria falar com ela de novo, dizer que precisávamos resolver nossa situação.

Estava mesmo morrendo de saudades dela.

A campainha tocou e eu me levantei, indo atender. Abri a porta e arregalei os olhos.

- O que você está fazendo aqui?

Bella POV.

Enquanto eu me divertia com meu pai e Holly, como há muito tempo não me divertia, eu pensava se eu e Edward iríamos nos acertar.

Bom, eu tentaria conversar hoje com ele.

Quem sabe nós não nos acertávamos?

Sorri com isso, e eu logo voltei a prestar atenção na Holly e em meu pai.

Edward POV.

Eu ainda não conseguia acreditar que ela estava ali. Ela disse que precisávamos conversar, mas não a convidei para que entrasse.

- Não tenho nada para conversar com você – sibilei.

Eu e Tanya tínhamos sido bons amigos durante o tempo que fiquei em Paris, até ela fazer uma coisa... Respirei fundo.

- Tem sim – disse.

- Não tenho, Tanya. Eu te disse que não queria vê-la nunca mais, te disse isso.

Ela respirou fundo.

- Se me der licença... – comecei, já fechando a porta, mas ela me impediu. – O que você quer? Eu te disse que não sou apaixonado por você, te disse que fui casado, e eu e minha ex-mulher estamos quase nos acertando, por isso você pode ir...

- Edward, eu estou grávida.

Notas finais
Não me matem por ter terminado assim *risos*, porque assim vocês nem sabem como a fanfic vai terminar *assovia alegremente.
Enfim, sem muito o que falar
Espero que tenham gostado ;]
Beijos
Deh