Far Away
3 Three
Notas iniciais
~boa leitura ~
Me espreguicei lentamente e encarei o relógio 9 30. Nada como acordar cedo — pensei comigo mesma, levantei da cama sem pressa alguma e ouvi minha gata miar, abri a porta e ela entrou, já se esfregando em mim, fiz carinho nela e lembrei de Harry.
~flashback on~
- Harry para de rir, não tem graça. — disse fazendo um bico e o vendo se jogar pra trás de tanto rir.
- Ah tem sim! — dizia ele rindo ainda e com a mão na barriga.
- Olha, foi uma experiencia, toda criança passa por isso.
- Eu não passei, ainda bem. — dizia ele rindo ainda, fiquei o olhando rir e por mais que estivesse tirando sarro de mim, sorri, adorava o jeito que seu rosto ficava quando ele ria, e adorava ainda mais o som de sua risada.
- Está bem, mas vamos mudar de assunto. — fui interrompida por um miado baixo, virei o rosto.
- Ai, ai. Estou até com dor no meu diafragma. — ele disse suspirando — Ei, o que está olhando ai?
- Acho que ouvi a Missie. — disse o encarando e depois voltando a olhar pra trás.
- Quem é Missie? — ele perguntou franzindo a testa, encarei-o.
- Minha gata. Espera vou abrir a porta pra ela e já venho. — disse levantando da cama.
- Está bem. — ele disse me olhando, notei seus olhos descendo pelas minhas costas e depois pelas minhas pernas, não resisti e sorri, andei até a porta e a abri, Missie entrou e logo se esfregou em mim, em seguida subiu na cama.
- Missie, este é o Harry. — disse apontando pra tela do notebook. — Harry essa é a Missie. — disse me sentando e a colocando em meu colo, ele abriu um sorriso carinhoso.
- Ela é linda! Que vontade de beijá-la. — ri do seu jeito.
- Não sabia que gostava de gatos.
- Eu que não sabia que você gostava. Você tem jeito de gostar de cachorros, sei lá. — não entendi da onde ele tirou isso, mas tudo bem.
- Não, eu amo gatos, só não tenho uma ninhada porque a Missie não deu sorte com o namorado dela. — ele riu.
- Olha ela quer ser vovó. — ele disse zombando.
- Vai começar? — sorri e ele riu mais.
- Tudo bem, vou ser bonzinho. Mas tenho que dizer, ela é uma gata que nem a mamãe. — ele piscou e eu ri, na verdade gargalhei o fazendo sorrir.
- Essa foi a melhor de todas, devia escrever um livro de sedução. — disse rindo.
- É? Qual seria o título?
- As Cantadas Que Você Nunca Deve Usar. — disse erguendo uma das sobrancelhas, ele abriu um sorriso maior ainda.
- Ela está afiada. — disse ele sorrindo — Por tanto que venda, eu não me importo. — ele riu.
- Seu materialista, interesseiro. — disse em um tom repreensivo, o fazendo ficar sério — Mas se for um best seller, não se esquece de me pedir em casamento tá? — ele riu e voltou a por a mão na barriga.
- Você é ótima sabia? — ele perguntou sorrindo.
- Lógico que sim, acha que é o primeiro que me diz isso? Harry tenho que te perguntar uma coisa muito séria. — disse suspirando pesadamente, tentando fazer o clima ficar tenso e funcionou, já que ele franziu a testa e fechou o sorriso.
- Pode perguntar o que quiser gatinha.
- Foi bom pra você? — perguntei me aproximando da câmera e piscando, ele riu jogando seu corpo pra trás.
- Foi inesquecível. — ele disse me olhando, eu sorri.
- Cala boca gata, cala a boca que eu sei. — disse tentando imitar a voz e a lerdeza dele de falar.
- Está me imitando é?
- Aham, sou uma especialista.
- Pior que é. — disse ele rindo.
~flashback off~
Ele ama gatos! Ah se morássemos juntos teriamos um abrigo! — sorri e coloquei Missie no chão, depois andei até o banheiro, lavei meu rosto, escovei os dentes, penteei o cabelo e voltei ao quarto, abri a janela e fui pra cozinha.
- Comer ou não comer? Eis a questão. — disse abrindo a geladeira, encarei um pedaço de bolo de cenoura e encostei e cabeça na geladeira — Você precisa resistir. — disse baixo, voltei a olhar o bolo — Não pense na cobertura, não pense... — suspirei e o peguei — Dane-se. — disse fechando a geladeira — Eu sou dona das minhas vontades. — disse comendo o bolo.
Andei até meu quarto comendo ainda, e coloquei o prato em cima da cama pegando meu celular encarei o visor: 2 mensagens de texto.
- De quem será? — fiz uma pausa — Fêah e Harry. — disse antes de destravar a tela, fui a página inicial das mensagens e lá estava os dois nomes que eu havia citado, fui primeiro na mensagem da best.
ACORDA DORMINHOCA! Aqui são dez da manhã já, ai deve ser umas sete e você deve estar no décimo sono OWIEOWIEOWIE' ami estou ansiosa pra te ver, tenho que te contar tanta coisa! Te amo tá? Beijões, best.
Sorri e respondi a mensagem: Bom dia best *-* Você sempre tem razão u.u as sete eu estava no décimo sono ainda HAUSHAUS' mas pra surpresa mundial eu acordei antes das onze ~palmas para mim HAUSHAUS' logo nos veremos e vou matar a saudade de você! Te amo mais, beijoos best.
Depois voltei e li a mensagem de Harry: Bom dia gatinha. Caramba você está me preocupando, passei a noite olhando a tela do meu celular e esperando ver seu nome nele, esperando uma mensagem, quem sabe uma ligação, mas nada. Nem no Skype você entra mais. Sério se eu fiz, ou disse algo errado, me desculpe. Sinto sua falta.
Senti meu coração apertar e suspirei. Ah que crueldade! Ele passou a noite esperando só uma mensagem, acho que mesmo que eu só tivesse mandado: "estou viva", ele já ficaria feliz. Ah que dó. — suspirei de novo e não resisti, escrevi de volta pra ele: Bom dia, me desculpa pelo sumiço, só estava sem tempo, fim de ano é complicado. Sinto sua falta também, logo nos falamos, prometo e desculpe fazer você se preocupar. Beijos.
Eu sei eu sou má, estava ha quase um mês e meio sem falar com ele, mas era preciso. Eu estava confusa, sentia vontade de matar aquela anta da namorada dele, sentia vontade de criar asas, voar até Londres e nunca mais voltar, sentia meu coração acelerar toda vez que lembrava dele e pior, sentia que precisava dele.
Já senti isso uma vez, e o resultado não foi bom. Por isso sinto tanto medo de amá-lo, as coisas começaram de um jeito tão errado, e não o culpo por isso, tudo começou como uma brincadeira e agora eu sentia meu rosto queimar por ciúmes e meu coração apertar de saudade.
Como sentir falta de alguém que você nunca viu na sua frente? Nunca tocou? É inexplicável. Eu só sei de uma coisa, preciso dele, nem que seja só pra ouvir sua risada, ou o som de sua respiração enquanto ele dorme, mesmo longe eu preciso da atenção dele. E isso é assustador.
Acordei de meus pensamentos ouvindo meu celular despertar, o desliguei e levantei da cama, terminei de comer o bolo, arrumei a cama e andei até a sala, passei a manhã toda deitada no sofá assistindo desenhos e respondendo mensagens. Como não senti fome, acabei nem almoçando nada, mais ou menos uma e meia da tarde meu pai me liga:
- Está preparada? — ele parecia mais animado que eu.
- Acho que sim. — disse apreensiva.
- Carol já falamos sobre isso. Lembre-se vai dar tudo certo.
- Tudo bem.
- Já arrumou suas coisas? Os documentos? O passaporte?
- Sim pai, já separei tudo, não vai mesmo me levar no aeroporto? — perguntei suspirando.
- Não posso, eu adoraria, mas as coisas ficaram complicadas aqui na empresa. Logo sua tia passa ai e te busca, ela vai te trazer aqui pra nos despedirmos e depois te leva pro aeroporto tá?
- Tá bom. — disse respirando fundo — Vou me trocar, logo estou ai pra me despedir. Te amo.
- Também te amo, até depois.
- Até. — delsiguei o celular e fui me trocar.
Sabia que lá estaria frio, mas aqui no Brasil estava calor, fim de ano e verão a todo vapor, devia estar pelo menos uns 24 graus, andei até meu guarda roupa e escolhi um look: http://www.polyvore.com/look/set?.locale=pt-br&id=55962593. Me vesti, deixei o casaco em cima da minha mala e fui terminar de arrumar minha bolsa de mão, nela deixei alguns objetos pessoais e os documentos de embarque, ouvi o telefone tocar, era minha tia, ela apenas avisou que logo estaria lá pra me buscar.
Me olhei no espelho por alguns segundos, arrumando alguns detalhes olhei Missie que estava na cama, ela me encarava quase sem piscar, senti meu peito apertar por ficar três meses sem vê-la, sentei perto dela e a acariciei delicadamente, depois beijei sua cabeça.
- Vou sentir saudades. — disse a olhando, como se ela pudesse entender. Ela ficou me olhando e piscou devagar, quase como um: "não vá." Ah a minha imaginação. Ouvi a buzina e me despedi dela novamente, peguei minhas malas, depois tranquei a casa, desci até o portão e coloquei tudo no carro, a essa altura sentia meu estômago embrulhar de nervoso.
Minha cabeça estava cheia de perguntas. Qual seria a reação dele ao me ver? Qual seria a minha reação ao vê-lo? Será que a namorada dele ia notar alguma coisa? Será que a best ia notar alguma coisa? E se eu agarrasse ele? Suspirei devagar e voltei a olhar pela janela, tentando me livrar de todas aquelas dúvidas.
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