Fantasmas Do Passado São Aterrorizantes
4 Reencontro com o carrasco
Reencontro com o carrasco
- Yamazaki, venha ao bar logo abaixo de onde mora aquele Yorozuya encrenqueiro. Conseguiu alguma informação a mais?
- Sim, senhor, vice-comandante! Consegui algumas informações novas e bastante interessantes.
- Ótimo. – a voz de Hijikata respondeu pelo rádio. – Venha ao bar, preciso dessas informações o mais rápido possível.
- Entendido.
Yamazaki saiu de fininho do local onde estava. O resultado de sua investigação fora bastante proveitoso. Não sabia a razão de seu superior chamá-lo assim, mas iria lá.
Sem fazer barulho algum, o espião do Shinsengumi colocou-se rumo ao local ordenado.
*
- Não sabia que o Shinsengumi tinha um serviço de táxi. – Gintoki disse, enquanto cutucava o nariz.
- Kondo-san pediu pra que desse uma carona, já que eu estava de ronda por aqui. – Okita disse.
- Cadê seu superior viciado em maionese?
- Eu ouvi isso, Yorozuya. – Hijikata disse através do rádio que
Okita segurava. – Estou aqui no bar da velha com o Katsura algemado.
- Quer dizer que você prendeu o Zura?
- NÃO É ZURA, É KATSURA! – foi o berro que se ouviu ao invés da resposta do vice-comandante.
- Acho que isso responde à sua pergunta, Gin-san. – Shinpachi disse.
- Pra que mesmo você veio aqui? – Gintoki perguntou a Okita.
- Como você sobreviveu ao último ataque daquela mulher, Kondo-san e Hijikata-san preferiram que você fosse escoltado pra não sofrer outro ataque. Segundo o que Yamazaki descobriu, mesmo quem sobrevivia acabava morrendo em um segundo ataque, como tentativa de “queima de arquivo”.
O rosto de Gintoki logo se fechou. Estava ligeiramente desconfiado de quem estaria por trás disso. Só não tinha certeza se a sua teoria poderia estar certa ou não.
*
Todos estavam reunidos na Yorozuya, a fim de saber onde estavam se metendo ao presenciarem direta ou indiretamente a tentativa de assassinato de Gintoki. Aliás, o próprio estava ali na poltrona, atrás de sua escrivaninha, degustando seu precioso parfait de chocolate, apenas presenciando as discussões e deduções.
E Katsura seguia algemado a Hijikata.
- Vamos, desembucha. – falou o último. – Fala logo o que sabe.
- Tudo bem. – Katsura respondeu. – Aquela mulher está trabalhando para dois grupos... Um deles é o Harusame. Se há algo relacionado a drogas, esse pessoal está envolvido no meio.
- Confirma isso, Yamazaki? Bate com o que você conseguiu?
- Sim, vice-comandante. – o espião conferiu o que tinha à mão.
- De onde você conseguiu essas informações? – Hijikata perguntou a Katsura.
- Tenho informantes por aí, mas isso não vem ao caso.
- Continue.
- O outro grupo é o Kiheitai, a facção mais radical e dissidente do Joui. Nem eu concordo com o que essa facção pratica.
- Isso confere, Yamazaki?
- Sim, Hijikata-san. O Katsura está certo. O Kiheitai e o Harusame são aliados.
- Então minha teoria estava certa. – Gintoki se fez ouvir pela primeira vez desde que chegara. – Aquela mulher ainda está caindo de amores pelo Takasugi, e ele a usa pra matar quem deve drogas para o Harusame. No mínimo, é alguma troca de favores entre um e outro.
- De onde tirou essa conclusão? – Hijikata o questionou.
- Conheço o Takasugi há anos, assim como o Zura.
- Não é Zura, é Katsura. – o líder do Joui assinalou. – Concordo plenamente com o Gintoki. A Yamada é apenas o “peixe pequeno” do Harusame.
- E aposto que ela veio matar o Gin-san pra ele não atrapalhar os planos do Takasugi. – Shinpachi disse.
- O Kiheitai é muito pior que o Joui. Pode acreditar, eles são muito mais perigosos!
- Você me convenceu, Katsura. – Hijikata disse. – Você vai ficar livre, mas não pense que será por muito tempo.
O vice-comandante pegou a chave e abriu as algemas, libertando, enfim, Katsura. Mas disse a Gintoki:
- Ela vai voltar pra tentar te matar de novo, Yorozuya. Quando ela souber que você sobreviveu, vai voltar pra queimar mais um arquivo. Mesmo você estando em alerta, é arriscado encará-la sozinho.
- Está se preocupando à toa, Hijikata-kun. Eu não fico sozinho em casa.
- Faça como quiser. Em todo caso, o alerta foi dado.
*
Alta madrugada, quase hora do amanhecer. Um barulho estranho acabava de ser ouvido na sala da Yorozuya. Gintoki acordou, alcançando a espada de madeira da qual não se separara nem para dormir.
O armário ao lado se abriu. Era Kagura.
- Gin-chan... O que aconteceu? – perguntou.
- É isso que vou olhar, Kagura. E provavelmente o Shinpachi também deve ter ouvido.
Os dois seguiram para a sala, onde em meio à penumbra encontrou o garoto já em pé.
- Vocês também ouviram, não é?
Os outros dois assentiram. Dirigiram-se juntos para a porta corrediça, que se abriu de um golpe só, surpreendendo o trio. Três vultos os atacaram, fazendo com que recuassem para dentro da sala. Gintoki apalpou a parede e encontrou o interruptor para acender a luz.
Assim que a acendeu, os três vultos foram revelados.
- Quer dizer que você descobriu que o serviço estava incompleto, não é, Naru? – Gintoki ironizou.
- Com o passar do tempo, você parece mais esperto, Gintoki. – a mulher respondeu. – Mas será que realmente deixou de ser um samurai estúpido?
- Oficialmente, não sou um samurai, mas com certeza meu espírito diz o contrário! – ele posicionou-se, a fim de colocar a sua espada de madeira como defesa. – Se continuo estúpido ou não, tire as suas conclusões!
- Gin-san, é muito arriscado! – Shinpachi o advertiu.
Naru e Gintoki se lançaram um contra o outro, a fim de atacar. Porém, em fração de segundos, ambos desceram do salto que deram, em pontos opostos. O albino logo se apoiou em um dos joelhos e levou a mão ao local do ferimento da véspera, deixando escapar um gemido de dor e sendo obrigado a largar a espada de madeira.
Naru enxergou ali uma oportunidade perfeita de liquidar o Yorozuya pelas costas. Porém, uma espada de madeira deteve a katana.
- Kagura-chan!! – Shinpachi vociferou. – Cuida dos outros dois, eu protejo o Gin-san!
- Shinpachi...! – Gintoki disse, tentando aguentar a dor do ferimento atingido pelo cabo da katana naquele momento do salto. – Ela é mais perigosa do que você pensa!
- Eu não vou sair daqui enquanto não botar ela pra correr! Não vou obedecer!
Shinpachi partiu ao ataque com a espada que Gintoki largara no chão. Porém, seu golpe foi prontamente detido pela katana de Naru.
- Você tem muita coragem, moleque... – ela disse. – Mas não tem habilidade nenhuma!
Com um único movimento de seu braço direito, Naru fez com que a katana mandasse longe a espada de madeira e fizesse um corte no peito do garoto, que caiu ferido.
- SHINPACHI!!! – Gintoki berrou ao vê-lo fora de combate.
Nisso, a mulher saiu correndo rapidamente, enquanto Kagura derrotava os outros dois que a acompanhavam usando seu guarda-chuva.
- Kagura, cuida do Shinpachi! – Gintoki disse e saiu correndo com a espada de madeira novamente em punho.
O albino desceu as escadas correndo a toda velocidade. E praguejando muito. Na rua, correu por mais alguns metros e estava prestes a alcançá-la.
- Eu vou pegar você, sua desgraçada! Vai pagar pelo o que fez ao Shinpachi!
Acelerou ainda mais o passo para alcançá-la, porém não conseguiu. Em meio à corrida, sentiu uma forte dor no local do ferimento, onde recebera a pancada. Cansado e pálido pela forte dor, deteve-se e levou a mão ao lugar ferido. Nisso, sentiu algo úmido e pegajoso.
Olhou para a palma da mão, com manchas em vermelho-escuro. Era sangue, que já atravessava seu pijama azul, cujo tecido começava a grudar no ferimento.
- Vai, maldita! Sei que você vai voltar quantas vezes forem necessárias para acabar comigo!
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