Fantasmas Do Passado São Aterrorizantes
5 Liberdade... Uma ova!
Liberdade... Uma ova!
Otose e Catherine, ao ouvirem que o barulho no andar de cima havia acabado, decidiram subir até lá. E se depararam com uma grande bagunça.
– Mas o que houve aqui? – Otose perguntou.
– Gin-chan foi atacado. – Kagura disse.
– E cadê aquele idiota? – Catherine questionou.
– Eu estou aqui, mulher-gato de meia-idade e imbecil!
Gintoki terminara de subir as escadarias, bastante ofegante e com uma das mãos segurando o local do ferimento e, com a outra, segurando a sua inseparável espada de madeira.
– Cadê o Shinpachi?
– Ele está sentado no sofá. – Kagura apontou para o garoto.
– Não se preocupe, Gin-san. – ele sorriu. – Foi só superficial.
– Heh... – o Yorozuya disse e se jogou no outro sofá, ainda ofegante. – Vê se não faz mais essa loucura, quatro-olhos. Se sua irmã tivesse visto, me mataria.
– Gin-san... Você tá sangrando...
– Não é nada de mais, Shinpachi-kun.
Gintoki tentava disfarçar, mas não conseguia fingir que estava bem. Aquela pancada doera demais, e seguramente abrira os pontos. Agarrou o local ferido, úmido e pegajoso de sangue. A expressão de dor apareceu em sua face quando a sentiu mais forte. Instintivamente, se curvou para frente, mesmo sentado no sofá. A dor era demais.
– Gin-chan!! – Kagura aproximou-se dele.
– Não se preocupe, Kagura... Não é nada de mais. Foi só a pancada...!
– Para de mentir, seu idiota! – Catherine disse.
– Cala a boca, aberração de meia-idade!
– Fechem as bocas, vocês dois! – Otose ordenou. – Gintoki, vá trocar esse curativo!
O homem saiu cambaleando, pois o jeito era obedecer mesmo. Tinha que admitir que não estava muito bem... Graças àquela mulher.
*
Logo ao amanhecer, o quarteto do Shinsengumi apareceu por ali, na cena preservada de mais um crime. Desta vez, a cena do crime era justamente na sala da Yorozuya. E falando em Yorozuya, Gintoki, já refeito do golpe que levara, saía do seu quarto, vestido com a sua costumeira roupa preta, porém sem seu habitual quimono branco. A faixa e o cinto acabavam incomodando-o, pois passavam por cima do ferimento e não podiam ser apertados.
Tudo bem que era preciso preservar o local do crime para o trabalho da perícia, mas...
– Mas que negócio é esse de isolar até a porta? – Gintoki perguntou. – Como vocês esperam que eu vá sair daqui? Voando?
– Passa por baixo das fitas de isolamento, imbecil. – Hijikata disse ao acender mais um cigarro.
– Não se preocupe, chefe Yorozuya, eu limpo a área. – Okita disse já com a bazuca apontada para seu superior.
– ABAIXA JÁ ESSA BAZUCA, SOUGO!!
– TÁ MALUCO, OKITA-KUN? TÁ QUERENDO DESTRUIR MINHA CASA E ME DEIXAR SEM TETO, É?
O capitão da Primeira Divisão do Shinsengumi abaixou a bazuca e Gintoki fez malabarismo pra passar pelas fitas de isolamento, e tudo isso com uma caixinha de seu sagrado iogurte de morango. Tomou tudo de uma golada só e se lembrou de buscar algo dentro de casa: a espada! Não poderia sair desarmado de casa, ainda mais que por duas vezes tentaram transformá-lo em “arquivo morto”.
Jogou fora a caixa vazia de iogurte e deu meia-volta. Esqueceu-se completamente do emaranhado de fitas de isolamento da porta e acabou se enroscando todo. E, claro, ficou louco da vida:
– SEUS BASTARDOS! TIREM ESSAS MALDITAS FITAS DAQUI!!
Debateu-se como uma mosca se debatia em uma teia de aranha, até que sentiu uma pontada de dor.
– Aiaiaiaiai...! – gemeu.
Depois de uma batalha pra se desenroscar só pra pegar a espada e o quimono – que decidiu usar, experimentando prender a faixa e o cinto um pouco mais frouxos – desceu ao bar de Otose, onde encontrou seus fiéis companheiros Shinpachi e Kagura.
– Saco... – ele murmurou. – Hoje minha vida tá uma bagunça...!
– A sua vida sempre foi bagunçada, Gintoki.
– Ah, velha, para de encher...! Não foi você a ser atacada por duas vezes!
O aborrecimento estava mais do que estampado na face de Gintoki. Parecia que seus tempos num campo de batalha estavam retornando à sua vida pacata de faz-tudo. Aliás, preferia essa vida de Yorozuya à vida de Shiroyasha. Preferia mil vezes pagar mico por dinheiro a viver como mendigo depois de uma guerra perdida.
“Saco... Uma louca me perseguindo, o Shinsengumi no meu pé e o Takasugi no meio dessa confusão... Tô feito mesmo...”
Gintoki “embainhou” a espada, colocando-a no cinto e já se dirigia à porta do bar de Otose, com o intuito de sair dali. Porém, uma placa o impediu:
“Aonde você pensa que vai?”
– Sai da frente, ô coisa! – Gintoki disse, ignorando e empurrando a placa que Elizabeth segurava.
E onde estava Elizabeth, outra presença era certa...
– Não é “coisa”, é Elizabeth. Você não pode sair assim, Gintoki. Pode ser surpreendido de novo.
– Eu preciso sair, Zura. Preciso respirar e ficar longe do cheiro de cigarro dessa bruxa velha e daquele viciado em maionese e nicotina!
– Não é Zura, é Katsura. Você tem certeza de que quer correr esse risco, mesmo não estando em plenas condições?
O albino simplesmente ignorou os avisos de seu amigo de infância e seguiu em frente. Já estava cansado de ficar “preso” ali, precisava realmente respirar um pouco além das quatro paredes. Shinpachi e Kagura não tentaram acompanhar ou impedi-lo. Conheciam-no muito bem para saber que ele queria dar uma volta sozinho.
Porém Gintoki não foi longe. Kunais quase o atingiram, parando bem diante de seus pés.
– EI, QUE NEGÓCIO É ESSE? – Gintoki já estava impaciente. – JÁ SOU BEM GRANDINHO PRA PODER ME CUIDAR SOZINHO!!
– Fique feliz por eu não ter acertado uma kunai na sua testa. – Tsukuyo disse.
– Afinal, por que vocês insistem tanto pra eu não sair pra rua? Até onde eu sei, sou capaz de me defender sozinho!
Tiros vindos do bar obrigaram o ex-samurai a dançar sapateado por livre e espontânea pressão... E pra não virar peneira.
– QUALÉ, KAGURA?! ATÉ VOCÊ?!
Teimoso, Gintoki marchou rumo à sua desejada “liberdade”... Mas não foi muito longe. Não, quando se tinha bem adiante do seu nariz a ponta de uma katana e a ponta de uma lança, respectivamente nas mãos de Kyuubei e de Tae. Diante disso, acabou obrigado a recuar, de marcha a ré, ao bar.
E lá dentro...
– Mas que diabos vocês pensam que estão fazendo? – Gintoki protestou contrariado. – Vocês parecem um bando de mães superprotetoras que não deixam um filho namorar ninguém!
– É pro seu bem, Gin-san. – Shinpachi disse.
– “Até tu, Brutus meu filho?” – Gintoki pronunciou ao mesmo tempo em que levava a mão ao rosto, fazendo um “facepalm”.
– Larga de drama, Yorozuya. – Hijikata adentrava o local, acompanhado de Kondo, Okita e Yamazaki. – Eles estão te segurando pra botar em prática um plano do Kondo-san.
Gintoki tentou escapulir. Temia que aquilo não fosse prestar...
– Prefiro correr risco a fazer parte de uma estratégia montada por um gorila!
– Sougo, agora é uma boa hora pra usar a sua bazuca.
Gintoki logo se deteve. Tinha amor demais à vida pra ser alvejado por uma bazuca.
– Acho que agora dá para eu expor meu plano, Toushi. – Kondo disse, após limpar a garganta.
O vice-comandante assentiu para o seu superior. Pela primeira vez, o comandante do Shinsengumi pensava em uma estratégia que não envolvesse Tae.
– Eu estive conversando com o Toushi sobre um plano para conseguirmos prender a assassina que está à solta aqui no Distrito Kabuki.
– E que plano é esse, Gorila-san? – Gintoki perguntou enquanto cutucava o nariz.
– Uma armadilha.
– E onde eu entro nesse plano?
– Você será a isca.
– Eu...? – o olho esquerdo de Gintoki tremia. – Sou a isca, é...? Não brinca...!
“Acho que esse bando de loucos é que vai me matar primeiro...!”, o Yorozuya pensou em seguida.
Fale com o autor