Fantasma - Faces do Espírito
2 Dez Tigres
Notas iniciais
– Ele contou – continuou depois de um gole – que vinha de uma caçada no interior da selva, ele ainda era dessa época em que se caçava o próprio alimento, quando foram encurralados por um tigre enfurecido. Parece que o animal tinha sido ferido por uma flecha que errou o alvo, aí vocês sabem, não é? Um animal selvagem ferido fica mais perigoso...
Eram 4 guerreiros adultos e meu avô, que era um menino na época, todos com lanças e arcos, mas o tigre metia medo em qualquer um. Eles sabiam que não tinham muita chance, que o tigre mataria um por um antes que pudessem fugir. Foi aí que ele apareceu do nada.
– Como assim do nada? – alguém perguntou.
– Como se tivesse caído do céu! Era alto feito uma árvore e quando se movia a terra tremia inteira! O tigre quando viu aquele gigante na sua frente atacou na mesma hora, mas o Fantasma o agarrou e o dois lutaram uma luta medonha, rolando pelo chão, o tigre dando patadas que rasgariam qualquer homem ao meio, mas que nem arranhavam o adversário, como se ele fosse feito de pedra. Aí o meu avô disse que de repente ouviu um som de uma coisa se quebrando e o tigre caiu morto no chão. Então o Fantasma apenas ficou de pé e desapareceu...
Quando Retalho acabou de contar, Jack deu uma cusparada no chão e arrotou. Depois perguntou:
– Então me diz uma coisa: como é que um homem desarmado ia vencer um tigre furioso?
– Você americanos acham que sabem tudo, não é? Pensam que as coisas aqui são do jeitinho que vocês inventam na América. – Retalho estava visivelmente perturbado – Fique sabendo que dizem que o Fantasma é forte como dez tigres. Dá pra imaginar isso?
– Só imaginando mesmo. – retorquiu Jack – Acreditar que um sujeito aparece do nada e some sem deixar nenhum vestígio é a maior burrice do mundo.
– Mas existe a marca do Fantasma! – disse Carlos – Eu já vi!
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