Notas iniciais
Yukari aqui! Espero que gostem desse cap! Depois de tantas emoções...ainda tem mais! hihihihehehehahaha *risada emprestada do Saga*
Boa leitura!

Shun acordou com a luz do sol batendo em seu rosto e virou-se para o outro lado incomodado. Abraçou o corpo próximo ao seu e recebeu um beijo na testa em resposta. Abriu os olhos lentamente com um leve sorriso nos lábios e encarou os olhos azuis de Hyoga. Seus pensamentos estavam embaralhados, mas lembrou-se instantaneamente da noite anterior assim que o namorado sussurrou sorrindo.

– Você me deu o melhor presente que eu poderia ganhar. Foi melhor do que eu esperava!

Shun permaneceu o encarando por alguns segundos, lembrando-se do desenrolar daquele evento. Observou sua cama bagunçada e ignorou Hyoga, que continuava a falar o quanto ele era o melhor namorado do mundo.

– Onde o Ikki está?

– Não sei. Acordei e ele não estava. — Hyoga espreguiçou enquanto Shun levantava, ainda nu, sem dizer nada. – Mas... Pô, seu irmão pegou pesado comigo, não?

Shun o observou sentar na cama com uma expressão de incômodo no rosto. Ele quase riu, mas ainda estava confuso demais para realmente achar graça do que quer que fosse. Pegou uma toalha e avisou ao namorado que tomaria um banho, enquanto a expressão de incômodo do loiro aumentava quanto mais se mexia.

Abriu o chuveiro deixando a água morna correr por seus cabelos e rosto. Sentiu-se mais relaxado, mas não menos preocupado. Tudo começara com aquilo que ele e Ikki haviam feito no quarto. Ele até conseguira formar uma frase coerente depois daquilo, o que não tornava o ato menos... Não havia adjetivo para descrevê-lo.

E aquele ménage? O que ele estava pensando quando decidiu que fingiria que aquilo havia sido combinado? Não era somente Ikki que estava ficando louco pelo jeito!

Como ele falaria com o irmão? Isto é, partindo do pressuposto que eles conseguiriam olhar um para a cara do outro. E se ele nem voltasse para casa? Já ficara dois dias sumido por causa do que haviam feito. E agora que tinha acontecido algo mais sério?

Droga, ele deveria ser o irmão sensato, não é? Ikki nunca fora de se preocupar com as consequências de nada, era ele quem colocava um breque no irmão! Como deixara as coisas chegarem àquele ponto? Como ele permitira que Ikki conseguisse o que queria naquela noite no quarto e como deixara que ele simplesmente fizesse aquilo com ele e com Hyoga duas noites depois? Aliás, o que levara Ikki a fazer aquilo tudo?

“Perguntas demais e nenhuma resposta”, pensou suspirando enquanto encostava a testa na parede gelada.

Ele precisava muito falar com o irmão. Não sabia de onde tiraria coragem para isso, mas precisava. Geralmente recorria ao irmão mais velho em busca de incentivo, mas agora, estava sozinho. Ikki quem era o problema. E que problema...

Ouviu um barulho de porta se abrindo e olhou através do vidro embaçado do box. Não precisou enxergar direito. Além de só estarem ele e Hyoga na casa, tomar banho juntos já era rotina para o casal.

Hyoga abriu o box com sorriso de orelha a orelha e o beijou entrando embaixo da água morna também.

– Você é o melhor namorado do mundo. Vou repetir isso até você cansar – falava distribuindo beijos por toda sua face.

Shun sentiu-se desconfortável. Ele não era nem de longe o melhor namorado do mundo. Na verdade se sentia péssimo, cheio de dúvidas. Sua falta de reação não incomodou o loiro, já que se sentia satisfeito demais pela noite anterior para perceber o estado de espírito de seu parceiro. Hyoga continuou a distribuir beijos por seu rosto, enquanto suas mãos passeavam pelo peitoral e costas do namorado.

– Eu não sei como ele foi concordar, mas se alguém pode convencer Ikki do que quer que seja esse alguém é você! — mordiscou sua orelha de leve.

Shun afundou o rosto em seu ombro. Seus pensamentos estavam longe e ele sentia que explodiria se Hyoga continuasse com aqueles agradecimentos todos. Queria sumir. Sentia-se o enganando. Pôde sentir o membro de Hyoga desperto roçando sua coxa e as carícias ficando mais intensas. Afastou-se de imediato e Hyoga o encarou.

– Cansado de ontem? – lhe dirigiu um sorriso sugestivo.

Shun ficou pior, se era possível. Suspirou e lhe deu um selinho rápido, saindo do box deixando Hyoga confuso. O assistiu pegar a toalha, amuado, e sua consciência pesou.

– Se arrependeu não foi? É seu irmão afinal... – desligou o chuveiro sem se importar de não ter tomado banho direito. Shun precisava dele. – Eu só joguei verde, nem esperava nada, me desculpe se eu...

– Pare! Não diga mais nada! – Shun parecia nervoso. Hyoga se preocupou ainda mais ao notar sua expressão e baixou o tom de voz, enquanto Shun colocava a toalha em volta da cintura.

– Me desculpe Shun, só estou...

– Preocupado. Eu sei. Mas não... – ia dizer que não merecia, mas não sabia se tinha coragem de continuar aquela conversa.

– Não me diga que não precisa! Você é meu namorado afinal! – Hyoga o abraçou ainda nu e molhado, quando Shun sentiu o coração apertar. Precisava falar.

– Ele não sabia... – murmurou com o rosto afundado em seu ombro.

– O quê? – Hyoga não havia entendido o sentido daquela frase.

– Ikki não sabia do ménage... Eu não falei com ele... – disse incerto do que ele pensaria. Hyoga afastou-se estranhando. Shun desviou o olhar sem saber que reação esperar, mas o loiro abriu um sorriso depois de alguns segundos.

– Hum... Não sabia que seu irmão tinha essas tendências! — riu diante daquela informação. Quem diria...

Shun o observou enquanto sorria. Ikki? Ele nunca tinha analisado por esse prisma. Estava tão angustiado com o fato de eles serem irmãos e de estar escondendo fatos de Hyoga que não parou para pensar coisas como “meu irmão é gay”. Aquilo soava estranho, mesmo depois de tudo. Saiu de seus devaneios quando viu que Hyoga havia parado de rir e pegava uma toalha na gaveta para se secar.

– Ele disfarça muito bem, alias... – falou secando os cabelos. – Mas, minha preocupação é com essa carinha triste aí. Você se arrependeu? Não me respondeu.

O nó na garganta de Shun parecia sufocante. Deveria dizer o que havia acontecido entre ele e Ikki? Tinha medo de magoar Hyoga de alguma maneira, afinal, fora escondido dele. Por outro lado, não havia sido algo planejado, intencional... Mesmo assim havia sido pelas costas, e ele ali, preocupado! Encarou-o finalmente:

– Estou assim porque deveria ter dito a verdade. Você fica ai todo agradecido, enquanto eu...

– Que é isso, Shun! – interrompeu colocando a toalha nos ombros. – Não houve muito tempo para dizer o que quer que fosse não? Relaxa. – lhe deu um selinho e saiu do banheiro, indo colocar uma roupa.

Shun fechou os olhos antes de segui-lo “Eu sou mesmo um grande filho da mãe...”.

Hyoga já estava de cueca e camisa branca, vasculhava a gaveta que continha algumas roupas suas atrás de uma bermuda ou calça quando Shun parou na porta, ainda somente de toalha e o observou pensando mais um pouco. Suspirou e cerrou os punhos como se aquele gesto pudesse lhe dar alguma coragem.

– Hyoga, não é só isso... – Hyoga murmurou distraído ainda vasculhando a gaveta. – Você se lembra, há três dias, quando Ikki sumiu, voltando somente ontem?

O loiro sentou na cama colocando uma bermuda jeans clara. Fez um sinal positivo e o encarou finalmente, com seus cabelos úmidos, o deixando aos olhos de Shun, ainda mais bonito. Quase voltou atrás em seu intento de dizer tudo, mas continuou antes que desistisse.

– Ele sumiu por que... Na noite antes disso eu e ele... – olhou para o chão, receoso. – Não foi algo calculado, eu nunca imaginaria, mas... A gente...

Hyoga reparou seu nervosismo, e não somente porque ele estava enrolando para falar e sua voz soava trêmula, mas principalmente porque o conhecia bem demais.

Tentou juntar alguma informação enquanto o outro se aproximava, ainda nervoso. Shun queria lhe contar algo. Tinha relação com Ikki, uma noite antes do sumiço do mais velho. Depois ele volta e rola aquele ménage sem aviso prévio...

– O fato – Shun disse se postando em frente a ele, suspirando. – É que eu e Ikki, assim sem mais nem menos...

– Espera. – Hyoga interveio erguendo a mão em sinal para ele se calar. – Você e Ikki? É isso? — Shun arregalou os olhos sem saber determinar se era bom que ele não precisasse terminar aquela frase, ou se deveria temer pelo fato de Hyoga parecer... Chateado? — Vocês dois? – levantou estreitando o olhar. – E eu fazendo papel de idiota?

Não, ele estava bravo. Já estava ficando com a face avermelhada, o que era um sinal de que ele estava realmente zangado.

– Hyoga! Não foi algo planejado, eu nunca teria a intenção de...

– Vamos ver: Você e seu irmão estavam de casinho e eu muito otário aqui preocupado com o que você iria achar da minha fantasia? E depois ainda me preocupei se você havia se arrependido? E você me apunhalando pelas costas?

– Não! Não foi nada disso! – Shun ficou parado no mesmo lugar enquanto Hyoga andava pelo quarto falando aqueles absurdos. O pior é que ele sabia que o outro tinha razão de estar daquele jeito. – Eu jamais faria algo que...

– Como eu sou burro! – o interrompeu novamente, falando para ninguém em particular. – A gente nessa cama e na verdade eu é que estava atrapalhando! — as mãos de Shun suavam. Tentou dizer algo, mas Hyoga continuava falando — Caralho... – olhou para ele finalmente. – Você nem precisava convencer seu irmão de coisa alguma! Vocês dois tão acostumados a estarem juntos em uma cama ou vai saber mais aonde! – Shun sentiu-se magoado e ultrajado ao mesmo tempo. Que tipo de pessoa ele achava que ele era?

Hyoga saiu do quarto abruptamente. Shun saiu em seu encalço, tomando fôlego para se explicar. Viu Hyoga pegando os sapatos atrás da porta e se sentando no sofá da sala enquanto tentava se justificar.

– Nem a gente sabe o quê ou por que aconteceu! Nunca tivemos nada, mas há três noites...

– Tanto faz. – respondeu sem encará-lo.

– Me deixe terminar! – Shun falou mais alto.

– Não Shun, eu não quero saber de mais nada! – Levantou terminando de colocar o tênis.

– Eu nem completei um raciocínio para você saber de alguma coisa!

– Não preciso que me diga nada! Eu não tô a fim de te ouvir. Dane-se. Eu sou muito idiota mesmo, deve ser essa coisa de cor de cabelo que as pessoas falam por aí – o empurrou para o lado para sair da sala e caminhou em direção à porta, ansioso para ir embora.

– Hyoga!

O loiro abriu a porta, e antes que Shun chegasse até ele, o encarou de lado, zangado.

– É óbvio que quem está sobrando aqui sou eu. Podem ficar à vontade agora. Desculpa atrapalhar o romancezinho de vocês.

Shun só teve tempo de ver a porta bater. Sentiu os olhos úmidos e correu para o quarto para colocar alguma roupa.

Desceu as escadas ofegante, mas não importava para qual lado da calçada olhasse. Hyoga havia partido.


Notas finais
Pois é, ferrou tudo agora! Pobre Hyoga! Ou pobre Shun? hum...Me digam o que acham!
Até o próximo!
Hana falando! Eita, mas que casal mais louco, hein! O pior é que já havíamos planejado a fic inteira, mas a cada revisão vamos colocando mais e mais coisas, eles estão fugindo do controle! hahaha
XD