Notas iniciais
E mais um capítulo da saga...
Divirtam-se!
Hana

Hyoga passara a semana inteira se martirizando pelo que tinha dito. Se arrependera poucos minutos depois daquilo. Se espantou de Shun ter concordado, afinal, era o irmão dele, não seria bizarro?

O fato é que ele parecia andar sobre cacos de vidro e, verdade fosse dita, não só por causa de arrependimento, mas também de expectativa. Ikki era... chato. Insuportável na maioria das vezes. Não sabia o que ele queria provar ou para quem. Porém, tirando a personalidade explosiva, Ikki era desejável. Não que ele ficasse prestando atenção, lógico!

Shun era alguém para se amar. A personalidade dele era agradável, serena. E era desejável a seu modo. Shun tinha um sex appeal oposto ao de Ikki. Não era óbvio e devastador como o do irmão, mas sutilmente delicioso.

Ikki era selvagem e... dominador. E aquilo dava ideias oras! O que tinha demais, afinal?

Shun não havia mais tocado no assunto. Mas ele sabia que este teria coragem de perguntar, embora ele nem conseguisse imaginar como.

Desde que começaram a namorar, Shun o havia surpreendido. Ele não era tão inocente quantos todos imaginavam. É certo que havia demorado um tempo para irem aos finalmentes, mas os amassos eram geralmente começados por ele, embora fosse Hyoga quem esquentava as coisas durante o processo.

Na primeira vez dos dois, ele esperava que Shun fosse tímido e que ele tivesse que comandar a situação como um todo, mas o namorado havia o espantado ao gemer sem pudor e ao pedir para que ele fosse mais forte e mais rápido.

Agora, ele não sabia como Shun convenceria o irmão. Hyoga não se importava com o que Ikki acharia, já que Shun havia concordado. Mas imaginar a abordagem do assunto o deixava constrangido. Como se vira para alguém como Ikki e se propõe um ménage com dois caras, um deles sendo seu próprio irmão? Ikki já era mal humorado normalmente – aliás, especialmente nos últimos dias – não sabia o quão zangado ele ficaria após ouvir a proposta. Seria de algum modo engraçado, como Shun mesmo comentara rindo da sua proposta noites atrás.

Enquanto isso, Shun estava no parque caminhando. Havia levado seu Ipod para ouvir música enquanto se exercitava, mas desligara sem ao menos terminar de ouvir a primeira faixa, pois seus pensamentos estavam longe.

Fazia dois dias desde que... Bom, o que quer que tinha sido aquilo no quarto de Ikki. Quer dizer, era óbvio o que acontecera, ele só não sabia o que significava.

Não tinha visto o irmão novamente. Tudo bem, não era novidade não vê-lo, mas ele sempre avisava antes ou durante suas escapadas. Era claro que Ikki não queria vê-lo. Nem mesmo Shun não sabia se queria.

Isso estava realmente o afetando. Até mesmo se esquivara, na noite passada, de atender aos pedidos de Hyoga e fazer o mesmo que havia feito naquela noite estranha com Ikki. O loiro adorava, principalmente quando Shun o acordava desta maneira, mas a única coisa em que conseguiu pensar foi naquela cena, e ele não sabia como se sentir em relação àquilo.

Fora... Bom. Mas também estranho. Não, bizarro... Ok, ele não saberia classificar. Sabia que Ikki estava sóbrio. Quando o beijou, sentiu seu hálito limpo, quente... Droga, ele estava começando a ter pensamentos sugestivos! Ikki era seu irmão, o que ele estava pensando? Aliás, no que IKKI estava pensando, afinal?

Aquilo parecia um eterno loop de perguntas. Ele até queria perguntar ao irmão o motivo de tudo aquilo, mas olhar para ele já seria constrangedor. Shun tinha gostado e isso piorava a situação ainda mais. No começo ficara confuso, depois acabara atendendo àquele pedido sem nem se esforçar para pensar em algo coerente e agora se sentia perdido.

E Hyoga? Tinha aquele pedido e ele já tinha concordado em atendê-lo. Depois daquela noite com Ikki, quais seriam as chances do pedido ser atendido? Shun achava que o irmão ficaria muito bravo, mas agora já não sabia o que esperar dele, não depois do que aconteceu.

Onde ele estaria agora?

Era real. Ikki havia transado com seu irmão, e, sentado sobre a cama daquele motel com as mãos na cabeça, tudo o que sentia era culpa. Culpa do desejo, de não ter se controlado assim que começara a ouvir os gemidos naquela noite. Estava tudo errado, mas nada poderia ser feito. Como encararia Shun após esse episódio? Como conviveria com ele? Não era um homem qualquer com o qual poderia simplesmente ignorar, não atender os telefonemas, mudar de cidade, país... Era seu irmão caçula. A pessoa por quem mais tinha carinho e proteção!

Sim, ele é quem deveria protegê-lo de situações como essa, mas não. Foi incapaz. Por um momento de prazer, acabou por fazer a maior besteira de sua vida. E o pior de tudo, é que havia sido muito bom. Shun realmente satisfez sua fantasia, não da forma como desejava, e esse era seu medo. De que outro surto de desejo lhe tomasse seu corpo ardente, tornando-o novamente cego, surdo, inconsciente, e que o pior acontecesse: Que possuísse seu irmão por completo.

Não, isso nunca poderia acontecer, afinal, não era correto. Tornaria ele um ser humano à margem da sociedade? Seria ele uma pessoa tão cruel? Tão louco? Tão... Mas não seria isso uma forma de amor? Não. Isso não era amor. Isso era carnal, um desejo, uma loucura cometida entre dois homens entre quatro paredes.

Pelos deuses... dois homens...

Era selvagem, uma atitude tomada por puro prazer. Só podia estar louco. Pensou que podia ter perdido o juízo ao perceber que segurava seu membro enrijecido mais uma vez com movimentos rápidos e contínuos, enquanto o suor escorria pela sua testa. Não podia fazer aquilo. Não podia estar fazendo aquilo. Deveria parar, imediatamente. Precisava ser sensato, racional, mas não queria. Iria parar, assim que...

A outra mão apoiada na cama fechou-se fortemente segurando o lençol que a cobria. Precisava parar. Precisava parar agora. Precisava...

Mordeu o lábio ao sentir novamente o sêmen morno e espesso escorrer em sua mão soltando um gemido preso na garganta. Estava enlouquecendo. Com os olhos fechados e respiração ofegante, ficou por alguns segundos... Ou talvez minutos estático. Voltou a si limpando a mão, com uma meia que achou jogada no chão – havia trazido algumas poucas coisas — e deitou-se sobre a cama gelada. Seu corpo, ainda quente e suado, relaxava enquanto seus olhos fitavam seu reflexo no espelho do teto, pensativo.

Não poderia ficar para sempre longe de casa. Não importa o que tivesse acontecido, não poderia dar as costas a seu irmão e nunca mais falar com ele. Tinha que explicar a Shun, mesmo que ele não soubesse que explicação dar. Precisava acabar com aquela situação, e teria que ser com urgência. Não. Precisava ser hoje.

Notas finais
Ihhh o que será que o sr. Ikki vai fazer? Hyoga, desista de sua fantasia, é o melhor que você faz!
Aguardem o próximo capítulo! XD