Fantasia muito bem criada
1 Vida perfeita
17/05/2006 — Tóquio 16:30 p.m.
“Sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagem. Deixe seu recado após o sinal… ”.
Era sua terceira tentativa e sempre caia na caixa postal. A ansiedade em falar com seu namorado e contar que voltaria de viajem mais cedo era tanta que Quatre, não aguentava mais em si. Queria voltar o mais rápido possível, porém, não tinha mais voos para Quioto hoje; teria que aguentar até amanhã de manhã. As viagens à Tóquio, para resolver os negócios em nome de seu pai, sobre a empresa Winner, estavam cada vez mais frequentes na vida do lourinho. Com a aposentadoria próxima e a saúde debilitada, seu pai não poderia mais fazer viagens longas e constantes. Então sobrou para o único herdeiro assumir essa função. Era sua terceira viagem em dois meses. Esperava que Trowa o entendesse.
“Sua chamada está sendo encaminhada para caixa de… ”.
— Droga! O que será que ele está fazendo? A essa hora ele já deveria estar em casa. — O bico que se formou em seus lábios, era comparado a tamanha decepção que sentiu no momento.
Desistindo de tentar mais uma vez, rumou ao hotel em que estava hospedado. Iria tomar um relaxante banho e sair um pouco para aproveitar seu último dia na cidade.
xXx
— O que deseja senhor?
— Um Dry Martini por favor.
Estava sentado no balcão do bar do hotel, decidiu que iria num evento que estava acontecendo no centro da cidade. Queria comprar alguns presentes para seus pais, Trowa e seu melhor amigo Duo. Pelo que tinha se informado com a recepcionista esse evento era muito bonito e religioso. Sanja Matsuri é um festival de celebração, com flautas, assobios, cânticos taiko e claro muita comida.
— Sua bebida senhor. — O gentil barman colocou sua bebida em sua frente.
— Obrigado. — Devolveu o sorriso ao barman.
Após tomar o primeiro gole do seu drink, Quatre sentiu seu rosto esquentar na hora. Não era acostumado a beber bebidas alcoólicas, mas, precisava de um pouco hoje. A reunião estressante com os empresários que tomou sua manhã toda se acumulou com a frustração em não ter falado com seu amado.
Decidido em tentar se divertir um pouco, terminara sua bebida em uma golada só sob o olhar atento do barman. Sentiu sua cabeça rodar um pouco, deixou uma bela gorjeta ao atendente e caminhou a saída do bar e do hotel. A noite de Tókio estava muito fria esses dias, seu nariz estava mais vermelho que de palhaço, subiu o cachecol até a metade do rosto e colocou suas mãos no bolso de seu grosso casaco, mas mesmo assim sentia muito frio. Decidiu ir a pé até o evento, como estava hospedado no centro mesmo, não havia a necessidade de pegar um táxi. Pode perceber estava perto do local, pelo som alto da música e a grande quantidade de pessoas naquela região e muitas vestidas com fantasias do período edo.
O evento era realmente fantástico. O mikoshi sendo carregado por várias pessoas e sendo levado pela multidão, a quantidade de enfeites coloridos, lojas com variados tipos de comidas típicas e souvenires e mais a frente pode observar um palco aonde tinha vários tambores japonês de tamanhos diferentes sendo tocados por homens caracterizados. Tudo muito lindo aos seus olhos.
Queria registrar tudo para poder mostrar depois ao seu melhor amigo, com certeza Duo iria amar isso, ele não perdia nenhum evento; muito menos se esse envolvesse comida e música de qualquer tipo. Com esse pensamento se dirigiu até o palco para poder ouvir e ver de perto aquele espetáculo, já com celular em mãos tirava fotos de tudo que achava belo. Após a apresentação daquele grupo se encaminhou para a loja mais perto de souvenires, queria comprar logo o presente de cada um, não poderia se esquecer de ninguém.
Acabou que comprou bem mais que pretendia, eram tantas lojas com objetos um mais lindo que o outro. No final do festival optou por comer um rámen, rumando em seguida de volta ao hotel.
Ao entrar na recepção do hotel, eram mais de dez horas da noite. Pediu para a recepcionista lhe acordar antes das seis horas para que pudesse levantar, tomar calmamente seu desjejum e arrumar suas malas. Depois de guardas os presentes, seguiu para o banheiro a fim de tomar um banho rápido. Já banhado e pronto para dormir, tentou mais uma vez ligar para Trowa, estava começando a ficar preocupado. Conseguiu após o quarto toque.
— Alô? — enfim pode ouvir do outro lado a voz de seu amado.
— Meu amor, sou eu. Onde você estava?
— Oi! tudo bem? Como está de viajem e quando você volta? — do outro lado Trowa estava feliz em ouvir seu amado lourinho.
— Trowa, eu tentei falar com você o dia todo e só dava caixa postal — falou com um bico enorme nos lábios, mesmo que o outro não pudesse ver.
— Não faz esse bico que sei que está fazendo agora — riu do seu comentário, sabia só pelo tom de sua voz. — É que tive um contra tempo na empresa e meu celular para ajudar acabou a bateria e só quando cheguei em casa que pude recarrega-lo. Agora me responde quando você volta?
— Só depois de amanhã meu amor. Queria muito voltar antes, mas as coisas não estão sendo muito fáceis por aqui. — não iria revelar que voltaria antes, estava disposto a fazer uma surpresa. — Já em escutar sua voz, me deixa muito mais tranquilo e feliz. Estou morrendo de saudades de você.
— Eu também meu amor, falta pouco. Só mais dois dias e vou ter você de volta ao meu lado. Essa casa é muito grande para uma pessoa como eu. — pode ouvir o outro rir na linha. Eram raras às vezes em que Trowa ria, era a risada mais linda do mundo em sua opinião e ele tinha a sorte que quando isso ocorria eram todas para si. — Estava pensando que quando voltar nós dois podemos tirar alguns dias de folga para ficarmos juntos. O que acha, somente nós dois?
— É claro que eu iria adorar, nem precisa perguntar. Passar uns dias somente eu e você; sem trabalho, familiares e estresse. Ia ser ótimo. — a felicidade em sua voz era palpável.
— Então quando voltar resolvemos isso. Agora mocinho, vamos dormir porque amanhã temos que trabalhar.
— Não quero! Quero ficar à noite toda ouvindo sua voz. — disse fazendo manha, podendo mais uma vez, ouvir a risada do seu amado.
— Não seja manhoso, você vai ver que o dia passará rápido e quando menos esperar vamos estar juntos. Agora vai dormir, boa noite meu amor.
— Boa noite… e Trowa?
— Diga.
— Eu te amo muito!
— Eu também Quatre. Boa noite. — disse desligando.
Agora sim seu dia estava completo. Tudo que precisa era ouvir a voz dele, mesmo que por telefone. Isso bastava e muito para ele. Desde que conheceu Trowa Barton três anos atrás, através de Duo, percebeu que só poderia ser feliz de verdade ao lado daquele homem de olhos esmeraldas e franja castanha; que tampava apenas um de seus lindos olhos. Foi amor a primeira vista, a primeira palavra e ao primeiro contato; pelo menos da sua parte. Já que o outro nem falou direito consigo. Demorou meses para que conseguisse fisgá-lo e, a cada mês que passavam juntos era motivo para celebrar. Com esses pensamentos, colocou seu celular na cômoda ao lado, já programado para despertar e apagou a luz para dormir. Amanhã finalmente estaria ao lado do seu amado, onde ficaria para sempre.
xXx
18/05/2006 — Aeroporto 09:20 a.m.
"Senhores passageiros do voo UA 896, com destino à Quioto. Por favor comparecer ao portão de embarque 11".
Eram 09:20 da manhã quando finalmente anunciarão seu voo. Desde que chegou ao aeroporto há uma hora, não aguentava mais a demora. Parecia que o relógio gostava de lhe torturar, pois, cada segundo demorava um século para passar. Já com a passagem em mãos, entregou a aeromoça dirigindo-se ao avião.
O sufoco que passou para pegar sua mala na esteira, foi tanta que quase derrubou um velhinho no chão. Depois de quase duas horas de voo e uma pequena turbulência, chegou a sua cidade. Assim que conseguiu pegar suas malas e pedir desculpas ao senhor, rumou ao ponto de táxi. Ao dar seu endereço ao motorista, finalmente pode observar a cidade. Quioto estava fria; não tão quanto Tóquio, mas o trânsito era o mesmo, demorou quase meia hora para conseguir pegar a pista expressa até à cidade.
Com a ajuda do motorista, conseguiu deixar suas duas malas na porta de sua casa. A essa hora Trowa deveria estar trabalhando, não teria ninguém em casa. Poderia descansar um pouco e depois arrumar a casa para uma surpresa para ele. Com os pensamentos longe, entrou em casa e pode respirar o ar de seu lar. Largou tudo na sala mesmo e rumou para cozinha de modo a pegar um copo d'água. Foi bebendo sua água no caminho enquanto subia para seu quarto no andar de cima, encontrando a porta do mesmo entreaberta.
Quatre Raberba Winner poderia estar preparado para tudo na vida. Menos para o que estava bem diante de seus olhos.
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