Notas iniciais
Ohohohoho amei escrever este cap.

No capítulo anterior...

— Agora lembrei que vocês falaram algo sobre transformar e deixar o professor com medo. O que isso quer dizer?

O brilho da lua



“Droga, pensei que o efeito iria durar mais tempo.” – Alice suspirou longamente, sentando-se na cadeira do professor.

— Criança, você é mais forte do que eu pensei e por isso responderei sua pergunta.

Sora deu um passo à frente, anunciando como se aquilo fosse realmente muito importante.

— Alice acaba de lhe conceder o privilégio de duas respostas, para duas perguntas. Escolha as perguntas com sabedoria e terá um vasto conhecimento.

— Ah, claro. – Sorriu debochado. – Então me respondam como conseguiram colocar medo no professor Severo Snape e de que transformação estavam falando?

— Suas duas perguntas foram aceitas. – Sora falou, cruzando os braços, visivelmente nervoso e Yoite prosseguiu com sua voz cautelosa de baixo:

— As respostas são simples. Podemos amedrontar qualquer ser porque somos os filhos da noite, do clã Blood. E a transformação foi uma a qual eu modifiquei meu corpo criando garras, caninos e outras coisinhas mais. Chamamos isso de modo de defesa.

— Oh, mesmo? Imagino o modo de ataque. Não me façam rir! Filhos da noite e garras?

Neste momento Alice, Anne, Yoite e Sora sorriram discretamente, ao seu modo elegante, alguns fechando os olhos e balançando a cabeça como se dissessem “Tão rude e infantil.”

— Ei! Do que estão rindo? — Sora parou de rir, olhando para sua irmã mais velha como se questionando se deveria ou não fazer algo.

— Por hoje é só, Draco. Quando precisarmos conversar novamente, nos veremos, ok? Agora teremos de lhe deixar por aqui. – Enquanto ela ia falando, iam saindo da sala, mas Sora lhe deixou um ultimo recado pouco antes de fechar as portas da sala com Draco dentro:

— Sua varinha está em cima da cadeira onde Anna estava sentada e não conte a ninguém o que conversamos. Pelo seu bem. – Estava quase na hora de Severo Snape e Alice Blood se encontrarem.

ALICE POV’S On

Estava escuro e com a hora se aproximando cada vez mais de meu destino fatídico, quase ia me esquecendo que teria de me encontrar com Snape antes de qualquer coisa. Ele irá com certeza e vai tentar me impedir como pretexto para ir. Sei que sim, pois apesar de sério e responsável, é um homem curioso.

Após dar uma ordem direta aos meus irmãos para não me seguirem, fui até o salgueiro lutador, reparando que alguém me seguia, mas continuei a caminhar até chegar a poucos centímetros de um dos galhos. A distância certa para que nenhum me atingisse, logicamente.

— Acho melhor desistir desta atuação, senhorita Blood. – De costas para a voz, sorri a reconhecendo como sendo do professor que convidara. Sem me virar, olho pro céu e suspiro longamente, ouvindo os pensamentos dele:

“Porque ela iria para a floresta e avisaria a um professor? Porque avisou a mim? Poderia muito bem ir escondida e jamais descobririam. Filth está muito ocupado em uma ala reservada.”

Ignorando seus pensamentos e também sua fala anterior, que visivelmente era apenas um pretexto para iniciar uma conversa, caminho na direção contrária ao salgueiro, indo à floresta proibida à passos rápidos. A lua estava quase posicionada, o que me dava pouco tempo.

— Criança tola, não sabe o quão perigoso é este lugar? – Sabia que ele me seguiria, mesmo que meus passos fossem rápidos. As árvores balançavam com o vento que soprava, levando alguns de meus fios negros a refletir um belo tom azulado quando batia a luz da lua. Ao chegar a certo ponto da floresta, parei repentinamente, deixando Severo alerta como se eu houvesse visto algo que ele não havia visto ainda, puxando sua varinha, mas logo a abaixou quando me viu deixar as vestes da Sonserina cair no chão, as sujando de terra e folhas.

Eu vestia a mesma roupa de quando cheguei à Hogwarts. Um vestido de tecido suave e esvoaçante, tão fino que o branco chegava a ser quase transparente. Quando me virei para Snape, me deparei com sua face surpresa e um tanto desconcertado, sem lembrar mais que estava com a varinha em mãos por cautela de encontrar algum ser maligno.

Sorri e o chamei com a mão, adorando ver sua surpresa aumentar, mas se recompôs, guardando a varinha. Foi até mim e desviou o olhar mais á frente, reparando que às minhas costas, havia um lago.

— O que pretende fazer, vindo a esta hora da noite e tirando seu uniforme, senhorita Blood? Coloque sua vestimenta. Vou relatar tudo isso que aconteceu à Dumbledore.

“Que coisa, ele nunca era honesto consigo mesmo?”

— Você é engraçado, Severo. Suas palavras são essas, mas seus pensamentos são outros. Se me impedir era o que pretendia, não teria me deixado correr para a floresta, não me seguiria, não estaria agora comigo e o mais importante, não estaria sequer me ouvindo. Está confuso e ansioso. Quer saber do porque lhe trouxe aqui e porque estou fazendo isso. Quer saber qual meu próximo passo.

Ele estava perplexo, lembrando de quando um de nós lera sua mente tempo atrás, mas sequer se dava ao trabalho para me fazer perceber isso por sua face, pois não queria me dar esse gostinho, o que apenas me animou mais ainda.

— Perdão pelo que farei agora, mas é necessário para que tudo ocorra bem. – Me aproximei do moreno mais alto que eu, e envolvi meus braços em volta de seu pescoço, parecendo por um momento que o beijaria e deixei meu corpo coladinho ao dele para que a suspeita aumentasse. Assim ele ficaria tão confuso que sequer pensaria no meu real intuito e assim ocorreu. Severo sentiu o corpo amolecer e não conseguiu mover um músculo sequer, pensado se aquilo era alguma brincadeira de mal gosto ou um pesadelo bizarro. Sim, bizarro, pois mesmo querendo pensar em algo para fazer ou dizer, não conseguia fazer nada além de manter um olhar perdido e confuso sobre mim, me vendo aproximar os lábios dos seus e desviar para seu pescoço, beijando o local gentilmente de modo a parecer um selinho singelo.

— O que ... está... fazendo ? – Sua voz saia meio entorpecida e sorri, notando ser o bastante, me afastando dele.

— Apenas o imobilizei por algum tempo. Tempo suficiente para isto. – Coloco minha mão por dentro de sua veste, onde sabia que estava sua varinha, retirando-a e a jogo em cima de minha roupa com o emblema da Sonserina.

— Não consigo me mexer! – Dizendo o óbvio para mim, que levo a mão para seus cabelos, fazendo um breve carinho enquanto ele tentava alguns contrafeitiços verbais.

— Me solte! Eu não sei como fez isso sem usar sua varinha, voz ou poção, mas quando eu me soltar, irá se ver comigo!

— Não deve usar sua varinha para me impedir, Severo. Isso seria minha ruína. – Lhe dou as costas e caminho em direção ao lago, entrando nele e banhando meu corpo por inteiro, imergindo e emergindo, molhando minha roupa e cabelos negros.

— Kai! – Uma simples palavra e um movimento com as mãos e o professor de poções da um solavanco como se antes tentasse se mover com todas as suas forças e algo o estivesse prendendo antes e de fato, foi isso mesmo o que ocorreu.

— Usei um jutsu comum, professor. Quando o abracei, fiz movimentos com minhas mãos sem que visse e assim, ficou paralisado. Eu precisava entrar no lago e você o acha perigoso demais. Nenhuma das criaturas que moram nesta floresta ou no lago pensaria em fazer algum mal a mim, Severo.

— Jutsu? Porque me trouxe aqui? – perguntou com raiva, indo em busca de sua varinha, a pegando com força como se aquilo fosse o motivo do nervosismo.

— Porque? Para me proteger, é claro! – O brilho da lua parecia ser atraído para meu corpo que brilhava mais e mais, surpreendendo mais ao professor de poções, que segurava sua varinha encantado com a beleza que via. Estava inebriado e por algum motivo perturbador, sentia o desejo absurdo de entrar na água com ela.

— Ora, se consegue fazer esses jutsus, e os seres da floresta não a machucariam, me pergunto de como a protegeria, senhorita Blood. – Sorria debochado quando tentando camuflar o quão encantado estava com aquela visão.

— Pois bem, lhe contarei. Nenhum de meus seguidores é capaz disto. Yoite é incapaz de me proteger neste estado, pois embora ele seja resistente e por um tempo conseguisse ficar apenas a me vigiar, no momento em que eu saísse das águas, me atacaria com sede ao pote e me faria dele contra a minha vontade.

— ... Como disse? – Perguntou descrente, me fitando sem acreditar no que ouvia. Embora não pudesse mais ouvir seus pensamentos naquele meu estado frágil, eu sabia o que ele estaria pensando.

— Todos os seres do clã Blood são enfeitiçados pela lua e isso faz de nós alvo de desejos do sexo oposto. É impossível para um homem comum resistir ao feitiço da lua, mas existem os poucos que embora sofram o efeito, conseguem resistir.

— Está me dizendo que precisa se banhar em um lago que receba a luz da lua e que seu próprio primo a tomaria para si? Contra a sua vontade? Ele e qualquer outro homem?

— Preciso me banhar no lago sempre que houver lua cheia ou perderei meus poderes e posso chegar a perecer... Talvez morrer. Yoite, por ser apaixonado por mim, sentiria o dobro de desejo, o que não seria conveniente. Respeito demais Anna para pedir seu namorado emprestado ou para que ela viesse pois se Ela viesse, ele também viria mesmo que escondido e seria muito desagradável.

— Sora e Anna são namorados? Não são primos? Porque todos vocês tem o mesmo sobrenome e dizem serem irmãos?

— Porque além de conveniente, é assim que chamamos uns aos outros do clã. Somos todos irmãos, pois temos o mesmo sangue amaldiçoado.

— O que a faz pensar que eu sou diferente, garota? Porque confia tanto em mim para me chamar aqui?

— O que me amedronta não são os seres desta bela floresta, mas os meus inimigos reais. Homens e os de meu próprio clã que podem estar em qualquer lugar. Mesmo eu sendo sua matriarca, poderiam tentar a sorte e frágil como estou, não poderia fazer nada.

— E achou que por eu ser seu professor não faria nada, correto? – Até agora a água estava até meu pescoço, movendo minhas pernas para não afundar. O brilho ia diminuindo aos poucos de meu corpo e quando parou de brilhar, nadei até a margem, deixando a água até minha cintura, fazendo Severo Snape olhar para mim impressionado. Aquilo já era esperado, mas me deixara muito constrangida.

— Errado. O escolhi porque Alvo confia em você e se ele confia em alguém, eu também confio. No entanto, há outro motivo também. Gostei de ti.

ALICE POV’S Off

O cabelo negro e o vestido branco estavam colados no corpo alvo da bela moça com olhar sério e intranquilo. Estava receosa, pois Alice conhecia bem os poderes que a lua exercia naquele momento.

O professor estava ficando corado com os pensamentos que se passavam por sua mente, preferindo olhar pro lado à ter a visão de sua aluna seminua.

— Veja só você. É mais resistente do que pensei. Fosse qualquer outro, tentaria me ter. Foi por isso que lhe escolhi, é um homem honrado.

Era visível que ele tentava manter seu olhar longe do corpo de Alice.

— Não fale como se soubesse o que penso. Não tenho interesse por menininhas, ainda mais uma aluna.

Não havia mais necessidade de ficar imersa na água e logo ela saiu de lá, indo à frente de seu professor, o olhando levemente irritada com o que o moreno havia dito.

— Despeito puro! É impossível para qualquer homem heterossexual não sentir desejo por uma garota, moça ou mulher do clã Blood.

— É algum tipo de feitiço que vocês lançam sobre o outro? – Snape olha a garota, percebendo que seu vestido branco e colado estava transparente por causa da água.

— Não enfeitiçamos ninguém, nós somos os enfeitiçados. Nosso porte, classe, aparência, tudo. Não fazemos de propósito, é tudo próprio de nossa raça.

Neste momento ele olhou nos olhos da garota que tinha os lábios mais rubros que antes por conta do frio que sentia.

— Está dizendo que é impossível a mim resistir? Que na verdade eu quero ter você? É isso?

A voz de Severo estava aveludada e enrouquecida, causando calafrios a morena, que o olhou surpresa.

Alice não sabia o que fazer. Estava sem a varinha. Usaria jutsus? Deveria machucá-lo? Se enganara a respeito dele?

— Você é um caso a parte, Snape. A questão é que você consegue resistir ao meu efeito natural. Você não é como os outros.

Apenas um passo a mais e o moreno estaria perto demais para se impedir qualquer coisa. Aquilo estava deixando a matriarca dos Blood temerosa, tentando ganhar tempo com suas palavras.

— E se eu não quiser resistir? O que vai fazer?

...Continua...