Notas iniciais
História escrita para cumprir o desafio de outubro do grupo ShinoKIba no WhatsApp. TEMA: Halloween Linha: livre interpretação. Boa leitura.

O público alvo da Akatsuki era seleto. Os critérios utilizados pelas hostesses para autorizar a entrada ou não na boate eram uma incógnita. As anfitriãs, em sua maioria Alphas, usavam inúmeras estratégias para separar o joio do trigo ainda na fila de espera quilométrica que se formava na calçada da casa noturna. Teuchi Ayame era uma dessas mulheres poderosas que decidia o destino de meros mortais.

− Perdoe-me, não posso deixá-lo entrar. − A mulher foi taxativa − Seu nome não consta em nossa lista vip.

Aquele era o sexto engomadinho que a hostess impedia de entrar na boate. O Satoru Gojo meia-boca ainda tentou suborná-la oferecendo um maço de dinheiro e mostrando as chaves de sua Ferrari 458 Speciale. O homem não queria ficar de fora da balada de Halloween mais incrível de Konohagakure.

— Mas...

— Chega de mas! Tu já me cansou, Alpha. Sem nome na lista, sem credencial. — Aos olhos da deusa Amaterasu, deusa do sol, do universo e também da porra toda. O sujeito, embora cheio da grana, não tinha atrativo algum para entrar naquele paraíso, o qual somente ela detinha as chaves.

A Alpha ainda tentava se livrar do chato quando ouviu um som clássico de saltos altos indo de encontro aos paralelepípedos da rua e sobrepondo-se ao burburinho predominante na entrada da casa noturna. Ayame, assim como todos ao redor, emudeceram ao visualizar o responsável por fazer tal som.

− Ca-ra-lho! − silabou o mala ao lado da Teuchi. − Este Ômega é estonteante num grau inexplicável, na realidade, um empecilho à sanidade de qualquer um... — O Alpha se desesperou logo em seguida −Me deixa entrar, por favor!

Desnorteada diante da visão, a Teuchi piscou algumas vezes:

−Dá uma licencinha, por favor, cara.− Não hesitou em lançar o outro para escanteio.

Frequentador antigo, aquele Ômega nem se submetia ao crivo das anfitriãs, sabia ser bem-vindo ali. Sempre causava quando adentrava as portas da casa noturna, e pelo visto aquela noite não seria diferente. Ayame costumava dizer à boca miúda, que o shifter de corpo perfeito e olhos castanhos selvagens, possuía uma sensualidade quase agressiva. Seu gingado era atraente demais para não ser classificado como inesquecível. Embora fosse o sonho de consumo de 99,9% do público assíduo da Akatsuki, inclusive da Teuchi, o Ômega jamais aceitou qualquer cantada, nem as sinceras e pudicas, nem as eloquentes e obscenas, muito menos deixou a boate na companhia de alguém…

Ayame permitiu-se secar o Ômega por alguns segundos. Ele estava vestido para matar numa fantasia sexy de Mortícia Addams. O longo negro sublimava seu bronzeado dourado e cada músculo presente em seu corpo, a peça expunha toda sua coxa esquerda através da fenda localizada propositalmente em sua lateral. Como se toda aquela produção não fosse bastante para deixá-la babando por horas, o Ômega ainda se equilibrava com maestria sobre scarpins vermelhos extremamente altos e ousados.

Ayame colocou a mão na altura do coração que estava a ponto de sair do peito.

− Seja bem-vindo a Akatsuki. −A Alpha achou a própria voz após instantes, boquiaberta. Ajeitou a postura e a fantasia de deusa. Ébria com tamanho Sexy Appel, mordeu fortemente os próprios lábios antes de abrir passagem para o rapaz.

Ciente do efeito que causava na mulher, antes de passar por ela, o Ômega ergueu os cantos dos lábios, de um vermelho vivíssimo, somente para brindá-la com o sorrisinho safado de caninos salientes que sempre lhe escancarou as portas certas.

Fantasia

No interior da Akatsuki, luzes cintilavam em sincronia com a batida frenética da música eletrônica. Empolgada, a famosa DJ Yamanaka Ino incentivava monstros, vampiros, fadas, anjos e demônios a balançarem seus corpos sob o ritmo imposto por sua controladora. Suores, perfumes, tabaco, álcool. Aromas distintos e inebriantes ditavam o tom e o ritmo daquela noite recheada de muitas gostosuras e travessuras. Aquele som e toda a efervescência à sua frente não condizia com sua personalidade, na realidade nada na Akatsuki combinava consigo, entretanto, Aburame Shino era um predador nato, definitivamente aquele habitat lhe era propício, principalmente naquele halloween.

— Uma cortesia… — Shino encarou com estranheza o barman. Estava tão atento às potenciais presas circulando no ambiente que mal notou sua proximidade, muito menos quando o Alpha de estrutura física semelhante à sua segurou a chamativa taça de Umetine diante de seu rosto. — Do Ômega na outra ponta do balcão. — O sujeito completou.

O Aburame agradeceria ao companheiro de casta que exibia grande parte do corpo através da micro fantasia de faraó que usava, mas o ele reteve a taça assim que Shino a tocou. O funcionário, chamado Sabaku no Kankuro, como se apresentou minutos antes, avaliou-o de cima a baixo.

Ao contrário do Alpha, Shino ocultava o corpo atrás de uma elegante fantasia de Gomez Addams. O terno cinza de riscas negras havia ficado perfeito com a camisa social branca e a gravata borboleta preta. Seus habituais óculos de lentes escuras, somados aos suspensórios, agregaram um charme ímpar às suas vestes.

− Disponha. — Mal-humorado, Kankuro finalmente liberou a taça em sua mão. — E aproveite a noite. — Soou debochado.

Shino ignorou a hostilidade gratuita. Voltou-se para o Ômega e arrependeu-se de não tê-lo feito antes. O rapaz encarava-o com intensidade ao bebericar uma dose de Cassius Orange. Coincidentemente o shifter estava fantasiado de Mortícia, a matriarca da família mais bela da ficção e também fiel companheira de Gomez Addams, vulgo, personagem fictício mais sortudo e apaixonado de todos os tempos.

O Aburame somente moveu os lábios:

“Obrigado, Mi amor. ” Apropriou-se de um dos gracejos mais utilizados por Gomez para enaltecer sua belíssima esposa, a quem o Addams devotava amor incondicional.

O Ômega imitou seu gesto:

"Por nada, Mon Cher. ” Deixou um biquinho convidativo nos lábios ao final da frase.

Fantasia

Quando entrou na Akatsuki, Inuzuka Kiba queria apenas dançar e ostentar a fantasia perfeita que trajava, mas ao se deparar com aquele Alpha sentado no bar, viu-se atraído. Kiba era um Ômega exigente, jamais flertou ou ficou com um shifter naquele estabelecimento, em especial um shifter que evidenciasse suas más intenções sem nenhuma culpa como aquele Alpha vinha fazendo há horas.

Maldito! Pensou antes de beber o restante do orange e deixar a taça vazia sobre o balcão.

Ao erguer-se da banqueta bistrô, percebeu a inquietação do Alpha. Caminhou charmoso até a pista de dança, mantendo o contato visual por todo o trajeto. Soltou uma risadinha, sabendo ter alcançado seu objetivo. Até o final da noite transformaria aquele exímio caçador em sua captura.

“UHULLL!”

A galera foi ao delírio com sua chegada na pista. Ino já estava à sua espera e, em sua homenagem, disparou um hit ainda mais frenético em sua controladora. Mesmo sobre os saltos altos e dentro de um vestido justíssimo, que normalmente limitaria seus movimentos, não se fez de rogado. Uma fonte de luz individual pousou sobre ele, favorecendo o desenho tridimensional do seu corpo sob o vestido. Abdômen de músculos bem definidos, pernas longas que o fazia parecer mais alto, bundinha tentadora.

Fantasia

Shino nem se lembrava qual havia sido a última vez que se enveredou pelos caminhos da dança, no entanto, seria perigoso deixar sua presa à mercê de olhares tão ou mais cobiçosos que os seus. Terminou o Umetine numa talagada só e seguiu no encalço do outro. Assim que chegou a pista de dança, o Ômega se achegou e espalmou a canhota em seu peito. Sem timidez, conferiu seus músculos. Com o indicador da destra envolveu seu suspensório e o puxou para si. Quase encostando os lábios nos seus. Desviou o percurso no último segundo para sussurrar ao pé de seu ouvido:

− Pensei que me faria esperar mais por sua companhia, Bubele.

Em reflexo, Shino fechou os olhos e saboreou o cognome sussurrado tão perto. Imaginou ouvir aquele Ômega chamando-o assim entre quatro paredes, sobre lençóis de linho, num quarto de motel… Sem pudor abriu os olhos e deslizou a mão pelo braço esquerdo do rapaz acomodando-a suavemente em sua cintura, o polegar acariciando-a num silencioso convite.

− Desculpe-me, Cara Mia. A partir de agora sou todo seu.

O Ômega sorriu diante da resposta, no mesmo instante a batida frenética que ecoava no ambiente cedeu lugar a um ritmo mais cadenciado e sensual. Num passo ousado o rapaz retirou a mão que lhe acariciava a cintura e girando em torno do próprio eixo colocou-se de costas para si. Shino quase foi à loucura quando sentiu o bumbum alheio tocar propositalmente seu pênis. O Ômega levou a mão direita à sua nuca e uniu seus corpos ainda mais. Shino Segurou-o com certa possessividade pelas ancas, passando a acompanhar o ziguezaguear lento e torturante de seu quadril.

− Ah, meu selvagem! − O Ômega exclamou, antes de gemer lânguido e indecente −Hum… − Totalmente rendido, ele se virou.

Shino poderia devorá-lo ali mesmo.

— Posso te beijar? — pediu rouco, mas, ao invés de receber autorização, o shifter atacou seus lábios com ânsia.

O beijo começou delicioso e foi ganhando contornos voluptuosos à medida que os dois começaram a explorar o corpo um do outro. Shino foi o primeiro, espalmou as mãos em suas nádegas e ergueu seu corpo a alguns centímetros do chão. O Ômega afastou os lábios dos seus na busca por ar, a cabeça inclinada expondo o pescoço. Um convite a...

— PUTA QUE PARIU, MAS QUE CARALHO! INO, DESLIGA A PORRA DESTE SOM! NÃO É POSSÍVEL, SEUS FILHOS DA PUTA. VOCÊS DOIS SÓ PODEM ESTAR ME TIRANDO. — A voz do Sabaku soou alta atrás do balcão, onde o Alpha preparava as bebidas. A microfonia foi insuportável em todo o interior do Ichiraku, assim que a Yamanaka realmente desligou o som.

Na pista improvisada, foi como se milhares de janelas de vidros se espatifassem. Kiba quase caiu do salto ao sair do transe, foi preciso Shino segurá-lo para não se estabacar no chão.

Kankuro continuou berrando e chamando a atenção de todos para o casal:

— O CASALZINHO ADDAMS PODERIA CONSIDERAR QUE ESTAMOS NUMA FESTA FAMILIAR E QUE A WANDINHA E O FEIOSO ALI NO CANTO… — Kankuro apontou para os filhos gêmeos do casal que estavam na área reservada às crianças — AINDA NÃO TEM IDADE PARA VER OS PAIS NESSE ESTADO?

Kankuro fitou as partes íntimas de Shino e Kiba e, por fim, bufou. Já não aguentava mais ver todo mundo curtindo a noite de halloween e ele “pegado” atrás do balcão. Arrependeu-se de ter aceitado o pedido do tio do ramen (que no momento ria a seu lado de toda a situação), para desempenhar aquela função que ninguém quis.

Teuchi teve a ideia de preparar uma noite especial de halloween para os frequentadores mais fiéis do Ichiraku. Ayame, sua filha, pensou numa noite temática onde todos pudessem dar vida às suas fantasias. Por isso, pai e filha decoraram o Ichiraku para assemelhar-se com uma casa noturna…

— Além do mais! — Ayame veio em defesa de Kankuro, embora não estivesse verdadeiramente tão aborrecida quanto ele. — Dá pra respeitarem os solteiros, ou tá difícil? Que merda? Tem gente no ambiente que está na seca, droga.

Rindo, a Alpha seguiu seu caminho acolhendo os convidados que continuavam a chegar.

— Marido… — Kiba chamou baixinho, no momento queria sumir. — Viajamos legal no plot. — Suas bochechas estavam coradas na mesma proporção que as marcas de seu clã. Nem mesmo a base clara que a irmã havia usado para deixar o batom em seus lábios mais destacados, conseguia disfarçá-las.

Shino ajeitou os óculos na ponte do nariz. Não perdeu a pose, embora seu pau deixasse claro que não tinha tanta compostura.

— Ninguém merece. — resmungou Tsume numa mesa à parte. Ela estava vestida de vovó Addams. Apenas para agradar os netos, como fez questão de esclarecer de minuto a minuto desde que chegou ao Ichiraku. — Mesmo depois de vinculado, esse moleque continua me fazendo passar vergonha.

— Cof, cof… — A sua esquerda Shibi, fantasiado como o simpático tio Fester, simulou tosse e saiu de fininho para um lugar reservado.

— Tia?! — Sora puxou Hana pela bainha da camisa — Acabou a festa?

Inuzuka Hana, que de fantasia só trazia o mãozinha sobre o ombro esquerdo, tentava a todo custo conter o riso ao ver o estado no qual seu irmão e cunhado se encontravam. A beta se abaixou para ficar na altura do sobrinho.

— Não, meu amor. Só desligaram o som um minutinho, daqui a pouco tudo volta ao normal.

— O tio Kankuro está triste com nossos papais? — Himeko perguntou também.

—Não, o tio Kankuro só está brincando com o Kiba-touchan e o Shino-tousan. Não fique preocupada.

Himeko ergueu a sobrancelha esquerda em dúvida e olhou para o irmão que deu de ombros, tão desconfiado quanto ela. Hana riu alto, não conseguindo mais se controlar.

−Okay, Okay! — Um som de palmas interrompeu o momento constrangedor no restaurante. − Chega de comoção!

Sasuke, que também curtia a festa de Halloween com a filhinha Naoto e o companheiro Naruto, veio em socorro dos compadres. O Uchiha não estava vestido de anjo à toa.

— Óe! Nós viemos aqui para se divertir ou não? — Naruto, um perfeito demônio, chamou a atenção dos presentes — 'Bora seguir o roteiro e dar sequência à balada! A noite de doçuras e travessuras está apenas começando.

— Isso mesmo, todos continuem dançando. — A intromissão dessa vez partiu da Yamanaka e foi incisiva para acabar com o alvoroço ao redor de Shino e Kiba. A Alpha religou o som.

Tsume foi a primeira a recomeçar os passos, atrás dela, Kankuro. Que menos irritado, abandonou o bar à própria sorte. Ao longe, Shibi começou a bater o pé direito no chão, mas não passou disso. Na sequência, todos começaram a dançar sob o olhar atento do tio do ramen e sua filha, Ayame. Ambos os donos do Ichiraku, felizes por ver seus amigos se divertiam naquele Halloween tão especial para os dois...

Naruto trocou um olhar cúmplice com os amigos. De fantasias e descontrole por conta das mesmas. o Alpha loiro podia falar com propriedade. Daria um desconto ao casal, visto que após o nascimento dos gêmeos Kiba e Shino nunca mais curtiram um Halloween só deles. Fez uma promessa a si mesmo que no próximo ano cuidaria de Sora e Himeko para dar aos dois um pouco de privacidade.

— Venha, Sasuke. — O Uzumaki estendeu a mão para o companheiro que trazia a pequena Naoto no colo. Sua filha estava linda na fantasia de fadinha.

— Comportem-se de agora em diante. — O Uchiha alertou. — Tem muitas crianças no espaço e minha filha é uma delas.

Mais apresentável, Kiba olhou para os gêmeos ao lado de Hana. A tia já havia engabelado os sobrinhos com dois pirulitões coloridos. Sora, tal como Himeko, ainda tinha os olhinhos curiosos e atentos sobre seus papais enquanto seguravam os doces com suas mãos gordinhas. O Inuzuka agachou-se com dificuldade por conta dos saltos altos e do vestido justo:

— Venham cá, meus bebês. — Abriu os braços para acolher seu pequeno Feioso e a fofíssima Wandinha Addams. Suas crias também estavam arrasando em suas caracterizações dos personagens. — Vocês estão muito fodas nessas fantasias, sabiam?

— Touchan! — Os gêmeos reclamaram em uníssono, mas riram logo em seguida.

— Ops! Desculpe-me... — Kiba deu um tapinha nos próprios lábios e — Não está mais aqui quem xingou.

Ergueu-se do chão trazendo os dois filhos, um em cada braço. Shino acolheu os três dentro de um abraço assim que Kiba ficou de pé. Aquela delícia de noite seria mais uma noite inesquecível para os quatro. Com os filhotes entre eles, Alpha e Ômega trocaram um olhar cúmplice com a promessa de dar sequência aquela fantasia assim que chegassem em casa. Intimamente, sem intromissões. Por ora iam apenas curtir ao máximo com os filhotes aquele Halloween cheio de gostosuras e travessuras, preparado com tanto carinho por seus amigos.

Gomez e Mortícia Addams que os aguardassem na calada da noite.

Fim

Notas finais
Espero que tenham gostado, principalmente a menina Tara, que fez essa fanart maravilhosa para mim. Como presente eu resolvi atender alguns pequenos desejos que essa moça talentosíssima teve assim que me entregou esse desenho incrível. 1º Que fosse uma ABO. 2º Que Kiba fosse um Ômega muito foda, um verdadeiro partidão, e de quebra ter eximia desenvoltura sobre um salto alto de 15 centímetros. 3º O terceiro desejo, a Tara ficou na dúvida se queria que Shino e Kiba fossem dois desconhecidos e se conhecessem no desenrolar do enredo, ou se já fossem esse casalzão da porra que nós já conhecemos e que tanto amamos. Eu disse que dava para fazer os dois. Dessa forma surgiu o Plot de Fantasia, Espero não tê-la decepcionado, Tarinha. Obrigada a quem chegou até aqui. Novamente, espero que tenham curtido. Até o próximo desafio.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!