Fantasia
12 Capítulo 9 - Arrependimento (Parte I)
Notas iniciais
Depois dessa, só mesmo eu ficando quieta, né? xP
Mas antes: Naruto e seus personagens não me pertencem. Peguei emprestado de Kishimoto Masashi-sensei. *reverência*
Capítulo 9 – Arrependimento (Parte I)
“A vida se torna melhor se não deixares a culpa, o remorso
e o arrependimento atrapalharem o caminho.”
(Vinny Leal)
Keiko estava surpresa com a escolha do lugar onde almoçariam. Mas já era algo de se esperar, vindo de um ninja de Konoha.
Depois de comprarem o almoço num restaurante do refeitório, Kakashi pediu à atendente que embalasse tudo para viagem. Em seguida, caminharam de volta para a floresta. A ruiva compreendeu tudo assim que atravessaram a orla das árvores.
Ela olhou para Kakashi com um sorriso e disse:
- Muito peculiar.
- Não acredito que nada em mim seja muito comum neste mundo. – Ele respondeu, sorrindo de volta.
Keiko teve que concordar.
Kakashi escolheu uma árvore grande, com um tronco largo, e parou ao lado dela. No chão, gramíneas formavam um verdadeiro tapete verde. Keiko nunca tinha pensado na possibilidade de almoçar ali. Isso também era de se esperar, vindo de uma garota urbana.
Mas o local onde comeriam logo deixou de ser o foco dos seus pensamentos. Assim que Kakashi parou ao lado daquela árvore, ela sentiu uma súbita ansiedade de iniciarem a refeição, afinal, o que mais queria era ver o rosto do seu shinobi mascarado.
Ele abriu a sacola, entregou a Keiko seu prato e seus hashis e convidou-a a sentar-se no chão, com as costas apoiadas no tronco da árvore.
O coração dela batia acelerado. O momento de ver o rosto de Kakashi estava próximo.
Mas, para sua total frustração, depois que ela se acomodou em seu lugar, o shinobi contornou a árvore e sentou-se do outro lado, ficando de costas para ela.
Keiko percebeu que já devia estar esperando por isso. Kakashi não mostraria o rosto assim tão facilmente. Superando a decepção, ela separou os hashis, preparando-se para comer. Logo atrás de si, ela ouviu Kakashi dizer:
- Itadakimasu.
Sua voz soou clara, sem a máscara para abafar o som. Keiko se arrepiou com a sensação de ter Kakashi sem máscara, tão próximo. Mas estava triste por não poder vê-lo. Ela sabia que, se tentasse espiar, ele ouviria e, além disso, corria o risco de deixá-lo chateado. Então se forçou a conformar-se com a situação.
Comeram em silêncio por um tempo, até que ela falou:
– Você fazia isso com frequência em Konoha?
Kakashi ficou calado por alguns segundos – provavelmente terminando de mastigar – e então disse:
– Fazia o quê? Levar garotas para comer no meio da floresta?
Keiko engasgou. Uma cena imprópria para menores de dezoito anos surgiu sem aviso em sua mente e ela corou violentamente, tanto pela visão da cena hentai, quanto pela tosse.
Não se passou nem uma fração de segundo e Kakashi já estava atrás dela – devidamente mascarado – dando tapinhas em suas costas.
Quando parou de tossir, Keiko olhou para ele com os olhos ainda marejados de lágrimas, tentando decifrar se o duplo sentido tinha sido proposital ou meramente por acaso. Ela estava começando a notar que ele adorava um duplo sentido.
- Falei algo errado? – Ele perguntou, com uma inocência que beirava o sarcasmo.
Ela só conseguiu sacudir negativamente a cabeça.
Kakashi riu e voltou ao seu lugar, e Keiko ouviu barulho de embrulho sendo amassado.
Ele havia voltado a comer.
- Então... – Recomeçou ela, um pouco sem jeito e ainda meio rouca. – Como é lá em Konoha? Quero dizer, quando você não está em missão ou algo assim.
Keiko jurou ter ouvido o shinobi suspirar.
- Basicamente eu me sento em alguma árvore e leio. Também costumo treinar e, algumas vezes, eu saio com meus amigos.
- Hmm...
- O Clima em Konoha é muito agradável na maior parte do ano. – Ele continuou. — E mesmo em dias quentes, a floresta se mantém fresca, então é muito gostoso ficar deitado na grama, ouvindo os sons da mata.
Keiko percebeu que o clima estava ficando nostálgico e ela sentiu um aperto no peito. Uma dúvida que ela não havia tido antes surgiu em sua mente:
- Você... – Ela vacilou um pouco antes de finalmente perguntar: – Você sente falta de lá?
Dessa vez, ela teve certeza que Kakashi suspirou.
- Sim...
Keiko sentiu-se tola. Era uma pergunta tão clichê. E a resposta era muito óbvia. Ela olhou para seu almoço. Definitivamente tinha perdido a fome. Mesmo assim, abocanhou um sushi para manter a boca ocupada e aproveitar o tempo para pensar no que dizer. Aquela conversa – que deveria ser um bate-papo descontraído – estava tomando rumos perigosamente dolorosos.
Todo esse tempo estivera tão preocupada com seus próprios sentimentos, que tinha se esquecido de pensar em como Kakashi se sentia. Tinha sido egoísta a ponto de sequer cogitar a hipótese de que ele não pretendia permanecer neste mundo. Que ele – muito provavelmente – estava pensando em encontrar soluções para voltar pra Konoha. Havia se preocupado tanto em conquistá-lo, que se esquecera de perguntar se ele gostaria de permanecer aqui. Ou não.
Agora, aquela conversa havia-lhe aberto os olhos.
- Você acha que tem um modo de voltar pra casa? – Ela perguntou baixinho.
- Eu tenho certeza. – Ele respondeu. – O caminho que me trouxe aqui é o mesmo que vai me levar de volta. Só preciso descobrir quem me trouxe e como.
Ela sentiu vontade de contar tudo a ele naquele momento; mas não queria que ele a odiasse. Não conseguiria viver sabendo que o homem que amava a odiava.
Cada vez mais, Keiko sentia um aperto no peito. Remorso, culpa, arrependimento, tristeza... Como pôde ficar todo esse tempo sem pensar em como ele se sentia? Pelo amor que tinha por ele, não podia deixar que ele nutrisse uma esperança de voltar para casa, sabendo que só a Miko poderia abrir o portal. Ela não conseguiria conviver com aquele sentimento de culpa. Não aceitaria viver uma mentira só para satisfazer o desejo de tê-lo ao seu lado.
Queria muito viver um romance com Kakashi. Mas queria que esse relacionamento tivesse como base a confiança, para que pudesse ser duradouro. E queria aproveitar cada segundo ao lado dele, em paz. Nunca conseguiria isso sabendo que escondera dele o seu envolvimento com a pessoa que o trouxera para esse mundo. Ela não tinha coragem para contar a verdade, com a certeza de que ele a odiaria por isso cravada em seu coração.
Keiko sentiu que o chão havia desaparecido.
Todos esses pensamentos levavam-na a enxergar apenas uma solução: procurar a Miko, mais uma vez, e pedir a ela que levasse Kakashi de volta para Konoha. Aquilo era extremamente doloroso, mas se não quisesse ver Kakashi sofrendo, precisava fazê-lo.
Ela estava tão absorta em seus pensamentos, que não ouviu quando Kakashi levantou-se, contornou a árvore e sentou-se ao lado dela, esticando as pernas e encostando-se no tronco. Ele tinha terminado de almoçar e agora, com a máscara em seu lugar habitual, olhava para a ruiva ao seu lado.
- Você come devagar demais, Aka-chan. – Ele disse, apontando para o prato de Keiko, que ainda estava pela metade.
Keiko levou um pequeno susto e olhou para o shinobi. Delineado sob a máscara, estava aquele seu sorriso torto. Ele estava tão próximo, que suas pernas se tocavam. Ela sentiu seus olhos arderem perigosamente. Estava muito abalada com as conclusões a que havia chegado. Sabia que pedir para a Miko levar Kakashi de volta era o mesmo que escolher uma vida incompleta: solitária, sofrendo por um amor platônico. Mas se optasse por ficar com Kakashi, quem viveria uma vida incompleta seria ele, já que estaria longe do seu mundo, esperando que cada novo dia o mostrasse a resposta de como voltar para casa.
Ela se esforçou para conter as lágrimas que ameaçavam cair. Não queria chorar ali, na frente dele. Isso o deixaria confuso e levantaria questões que, provavelmente, ela não poderia responder. Respirou fundo, tentando se controlar.
Ao erguer os olhos, viu que ele olhava para ela.
Keiko notou, mais uma vez, um brilho diferente em seu olhar e sentiu um frio na barriga. Ela compreendeu o que aquele brilho significava. Devia ser o mesmo brilho que Kakashi via em seus olhos quando ela olhava para ele.
Seu shinobi mascarado estava dizendo-lhe, em silêncio, que sentia algo por ela. E aquilo estava escrito não só no seu olhar, mas também em suas atitudes, como por exemplo, quando caminharam juntos, com as mãos quase se tocando; quando ele lhe dera um meio abraço a caminho do prédio principal e agora, ao sentar-se ao seu lado, tão perto.
“Por que logo agora?” – Ela pensou, com um aperto no coração. Seus olhos voltaram a arder e ela desviou o olhar, encarando a grama que forrava o chão.
Keiko nunca imaginara que sofreria quando soubesse que Kakashi sentia algo por ela. Muito pelo contrário. Em suas fantasias, sempre sonhara com o momento em que descobriria que seu amor pelo shinobi mascarado era correspondido. Porém, a realidade era bem diferente. Muito mais dura e cruel.
Descobrir que Kakashi estava se apaixonando tornava sua decisão de enviá-lo de volta para Konoha muito mais difícil. Keiko sentia-se arrependida. Devia ter pensado nas conseqüências da vinda de Kakashi para este mundo logo no primeiro dia. Talvez o sofrimento fosse menor do que agora, ao perceber o interesse dele.
- Você está calada. – Ele constatou, sério.
- Não estou me sentindo muito bem. – Ela resumiu, e sua voz falhou um pouco.
Kakashi interpretou seu mal-estar como sendo por conta da fraqueza decorrente da noite mal dormida.
- Quer tirar um cochilo antes de voltarmos? – Ele propôs.
Keiko não conteve a expressão de surpresa e seus olhos voaram de volta para o rosto do shinobi. Como sempre, não conseguiu dizer nada.
Kakashi ainda a encarava. O sorriso por baixo da máscara não era mais torto, maroto e nem divertido. Era um sorriso suave, carinhoso, daqueles que expressam cuidado e atenção.
A pele da ruiva arrepiou-se. Seus olhares ficaram em contato por segundos eternos. Keiko notou como os olhos dele eram bem desenhados, com cílios num tom de cinza escuro fazendo o contorno deles. A íris era de um castanho quase negro, profunda e, daquela distância, ela podia até enxergar as linhas rajadas que a decoravam.
Kakashi percebeu que Keiko estava agindo de maneira diferente da que costumava agir. Aquele silêncio dela não era de timidez. Ele notou que era um silêncio mais pesado. Sentiu vontade de perguntar se havia acontecido algo que a tinha aborrecido. Chegou até a pensar que ela não estava confortável com a proximidade dele. Mas soube que o motivo não era esse assim que ela prendeu o olhar no seu.
Seus olhos confessavam que ela estava apaixonada, ele tinha certeza. O que o intrigava era que havia algo mais. Um sentimento que ele não conseguia decifrar.
Ele desviou sua atenção dos olhos amendoados de Keiko e admirou a pele corada das maçãs do seu rosto. Depois olhou o nariz pequeno, com a pontinha levemente arrebitada, que encaixava perfeitamente em sua feição. Então, sem resistir, olhou para os lábios delicados e rosados com formato de coração. Eram convidativos.
Kakashi ergueu o braço direito, que estava mais próximo dela, passou ao redor dos seus ombros e puxou-a mais para perto, devagar.
O coração de Keiko martelou furiosamente em seu peito e seu rosto ficou completamente corado.
- É bom que você durma um pouco antes de dirigir. – Ele disse baixinho. – Depois voltaremos pra casa e você descansa o resto da tarde, tudo bem?
Keiko não conseguiu resistir àquele convite.
- Ok... – Ela murmurou e sentiu que a mão dele, que estava em seu ombro, escorregou para seu antebraço e ficou ali, quente e macia, amparando-a e protegendo-a. Ela inclinou a cabeça, recostando-se no seu ombro.
Keiko não estava nem um pouco com vontade de dormir. Estava sentindo-se muito mal pelo que havia acontecido com Kakashi. Até o momento, não havia enxergado as coisas pela perspectiva dele. Só pensara em si mesma, em como se sentia ao lado dele, como estava apaixonada, como fazer para se declarar e como estava feliz por tê-lo em sua casa. E havia deixado de lado pensamentos do tipo: como ele está se sentindo aqui? Quanta falta ele sente da sua vida? Será que ele aceitaria permanecer nesse mundo? Tinha sido tão egoísta que se sentia até envergonhada.
Kakashi fechou os olhos e respirou fundo, saboreando o perfume que emanava dos cabelos de Keiko. Ele sentiu uma vontade tentadora de beijar-lhe o topo da cabeça, mas sabia que deveria agir devagar. Era preciso saber até onde ela desejava ir.
A respiração suave do shinobi fazia com que a cabeça de Keiko subisse e descesse devagar, acompanhando o movimento do seu tórax.
Ela mantinha-se em silêncio, com os olhos fechados, mas sua mente estava agitada. Não queria mais sentir-se culpada ou envergonhada. Para livrar-se desses sentimentos ruins sabia que a solução era procurar a Miko o mais rápido possível. Apesar de todo sofrimento que aquilo iria lhe causar, ela sabia que era o certo a ser feito.
“Sofrimento...”
A palavra resgatou em sua memória a lembrança do que a Miko dissera na noite em que havia trazido Kakashi para este mundo:
“Eu vejo que você ainda vai sofrer muito em sua vida...”
Naquela noite, Keiko havia ficado confusa, sem entender o que aquilo significava. Agora compreendia. Aquela Miko era realmente boa.
Keiko sentiu uma vontade urgente de ir ao templo para falar com a velha sacerdotisa.
A mão de Kakashi ainda estava pousada em seu antebraço. Será que ele estava dormindo? Com delicadeza, Keiko pousou sua mão sobre a dele e chamou quase num sussurro:
- Kakashi-kun?
- Hm? – Ele respondeu logo em seguida.
Pelo visto, também não conseguira dormir.
- Lembrei que prometi entregar umas ervas para uma de nossas clientes hoje à tarde. – Ela mentiu, torcendo para que ele não percebesse. – E eu gostaria de cumprir essa promessa.
- Como você está?
- Estou melhor.
- Consegue dirigir?
- Sim...
Ele ergueu o braço que a envolvia e se afastou. Foi difícil sair do aconchego do abraço dele, mas Keiko reuniu forças, levantou-se e bateu a poeira das roupas.
Eles saíram da floresta e caminharam em direção ao estacionamento.
- Eu preciso pegar as ervas na estufa e buscar minha agenda que ficou no laboratório. – Ela disse, de repente. – Você se importa de me encontrar lá no estacionamento?
- Não. – Kakashi respondeu.
- Ok. – Ela esboçou um sorriso fraco e correu para o prédio principal do IPF.
Tinha que desabafar com Aki o mais rápido possível. Ainda sentia um aperto muito grande em seu coração. Era como se fosse explodir em lágrimas a qualquer momento. Precisava ouvir os conselhos da amiga e conversar com ela, nem que fosse por pouco tempo. Depois iria para o templo em busca da Miko e colocaria um ponto final no seu arrependimento e na sua fantasia.
(Continua...)
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~~Glossário dos Termos Japoneses~~
Hashi: hastes de madeira usadas para pegar o alimento no Japão. São os famosos “pauzinhos”.
Itadakimasu: expressão dita antes das refeições. Significa algo como “Obrigado(a) pela comida”.
Hentai: erótico, pervertido, tarado e, num termo mais pesado, pornográfico.
Miko: Sacerdotisa, mulher xamã, médium, profeta.
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Notas finais
Então, pessoal, antes de me despedir, gostaria de desejar FELIZ ANO NOVO PARA VOCÊS!!! o/ Divirtam-se bastante e façam suas simpatias e promessas para 2013, mas não se esqueçam que no sábado que vem tem atualização! Ehehe
Um grande beijo a todos!
Nos vemos em 2013! ;D
Tia Su
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