Fantasia
6 Capítulo 6 - Acreditar (Parte I)
Notas iniciais
Como vocês já devem ter percebido, meus capítulos oscilam entre três e quatro mil palavras e isso demanda tempo para fazer o planejamento, esqueleto, correção, revisão e publicação.
Se eu levava quase duas semanas para fazer um capítulo inteiro, quando estava de férias, imaginem agora, de mudança, começando no trabalho e sem computador em casa? >.<
Por conta disso, resolvi publicar os capítulos de forma fragmentada, para que a história não fique muuuito tempo sem ser atualizada (como já ocorreu anteriormente, no outro site em que eu publicava...).
Então, vocês verão os capítulos assim: 6 (parte I), 6 (parte II), 6 (parte III) e etc...
Vamos torcer para que minha vida se reorganize logo, não é? :D
Ah, lembrem-se sempre: Naruto não me pertence, peguei emprestado de Kishimoto Masashi-sensei. *reverência*
Grande beijo da Tia Su! :P
“A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível.”
(Lewis Carroll)
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O despertador já estava tocando há mais de 5 minutos. Finalmente, Keiko abriu os olhos, mirou o aparelho e deu uma porrada nele, fazendo com que parasse de tocar. Àquela altura, o sono ainda dominava-a e seu raciocínio estava lento. Ficou deitada, esperando Shippo entrar no quarto e subir em suas costas – como ele sempre fazia -, mas o gato não deu as caras. Achou estranho e virou-se na cama para olhar a porta.
Estava fechada. A visão do pôster colado nela fez o coração de Keiko acelerar, o que a deixou mais desperta. O desenho de Kakashi não estava mais ali e ela recordou o motivo: o ninja, agora, era real e estava hospedado em seu apartamento.
A ruiva levantou-se de um salto e abriu o guarda-roupa. Pegou um short e uma camiseta de algodão, vestiu-se rapidamente e abriu a porta, ansiosa por rever seu ninja favorito.
A casa estava silenciosa, exceto pelo guizo de Shippo, que balançava na sala. A porta do quarto de Kakashi, que ficava à esquerda do seu quarto, estava entreaberta. Na ponta dos pés, ela foi até lá e botou a cabeça para dentro.
Vazio.
A cortina estava aberta, deixando a luz do sol clarear todo o ambiente. Reparou que a cama estava perfeitamente arrumada e que não havia um objeto sequer fora do lugar, como se ninguém tivesse usado o quarto naquela noite. Sentiu um frio na barriga e seu coração falhou uma batida.
Correu de volta para seu quarto e mirou o pôster. A figura do shinobi não estava lá. Ele ainda estava nesse mundo, pelo menos isso ela podia afirmar.
Foi até a sala e viu Shippo brincando com uma bola de lã; mas o ninja também não estava na sala.
- Kakashi? – Ela chamou, mas não obteve resposta.
Ansiosa, foi até o banheiro; mas também não o encontrou lá.
- Kakashi! – Chamou mais alto.
Nada.
Seu coração batia num ritmo acelerado e suas mãos suavam. Não estava gostando nem um pouco da sensação ruim que aquilo lhe dava.
Entrou na cozinha, alimentando esperanças de encontrar o shinobi tomando um café, mas o ambiente estava silencioso, como o restante da casa.
- Kakashi... – Sua voz falhou um pouco e saiu baixinha e sem força.
A porta da área de serviço estava entreaberta. A claridade do sol, que entrava por ela, formava uma faixa clara no chão da cozinha. Com passos incertos, Keiko caminhou até lá. Abriu a porta e a cena que viu fez seu chão desaparecer.
Kakashi estava fazendo algumas flexões, usando apenas uma calça preta folgada, e o mp3 de Keiko encontrava-se preso na sua cintura. Ele percebeu a presença da ruiva, porque um sorriso se formou por baixo da máscara.
O shinobi levantou-se, ágil, tirou os fones e disse:
- Ohayoo, Aka.
Keiko não saberia dizer se sua voz tinha sumido por causa do alívio de ver que ele ainda estava em seu apartamento, ou pela visão de Kakashi usando apenas as calças e a máscara.
- O-ohayoo... – Ela gaguejou.
- Você tem umas músicas bem legais nesse aparelho. Eu não conhecia nenhuma delas. – Ele esticou o braço para pegar a camiseta que estava pendurada no varal.
- Ah... – Ela não sabia o que dizer, hipnotizada, olhando o jounin vestir a regata preta da noite anterior. – Você acordou cedo... – Ela murmurou, recobrando a capacidade de raciocinar, agora que ele estava completamente vestido.
- Não. Foi você que acordou tarde. – Ele rebateu.
Aquela constatação fez Keiko se lembrar que estava atrasada para o trabalho e ela não conseguiu evitar que um xingamento escapasse em voz alta.
Kakashi riu.
- Se serve de conselho, você pode usar a desculpa de que se perdeu na estrada da vida. – Ele disse, zombeteiro. – Eu sempre faço isso.
Keiko olhou para ele, incrédula, enquanto ele ria.
- Ok, preciso te revelar que essa sua desculpa nunca colou. – Disse, estreitando os olhos. – Bom, vou tentar correr para o trabalho, antes que a minha secretária ligue para checar se ainda estou viva.
Dizendo isso, ela voou para o banheiro. Despiu as roupas o mais rápido que pôde, ligou o chuveiro e entrou debaixo da água refrescante. Na pequena prateleira de acrílico da parede do box, havia duas saboneteiras: a sua e a de Kakashi.
Pegou o sabonete dele, com cuidado, observando que havia um fio de cabelo prateado preso nele. Sentiu sua pele arrepiar-se. Keiko nunca pensou que daria tanta importância a um sabonete, assim. Seu relógio biológico fez seu estômago roncar, fazendo com que lembrasse que precisava terminar o banho e tomar o café da manhã. Ela precisou de muita força de vontade para não se ensaboar com o sabonete de Kakashi. Quando terminou, catou o roupão de banho e correu para o quarto, para se vestir.
Como sempre, pegou uma calça jeans escura qualquer, mas, no meio do caminho para pegar uma blusa, ela sentiu uma vontade inesperada de caprichar um pouco mais no visual. Então, dedicou um pouco mais de atenção para escolher a camiseta. Optou por uma de algodão, branca, com algumas listras pretas horizontais, estampada com duas enormes cerejas. Ao pensar nos sapatos, ao invés do tradicional all star, sentiu-se inspirada para usar algo mais... delicado. Vasculhou o guarda-roupa até achar a sapatilha vermelha que Aki havia lhe dado no Natal passado. Deu uma olhada rápida no espelho e ficou surpresa ao ver o resultado.
Escovou os cabelos, abriu a velha maleta de maquiagens (raramente usada) e pôs um pouco de rímel e um gloss rosa bem discreto. Pegou um pincel grande e aplicou só um pouquinho de blush nas maçãs do rosto, morrendo de medo de exagerar. Borrifou seu perfume favorito no ar e atravessou a nuvem perfumada.
Keiko, definitivamente, não era o tipo de garota que gastava tempo se arrumando antes do trabalho. Em geral, preocupava-se mais em chegar no horário do que chegar bonita. Mas ela sabia que aquilo não era para o trabalho e pouco estava se importando com o seu atraso. Sua motivação era um certo shinobi mascarado, de cabelos prateados.
Depois de mais uma checada no espelho, ela saiu do quarto. Ouviu alguns barulhos, vindos da cozinha, e presumiu que Kakashi estivesse tomando o café da manhã. Com uma pequena esperança de flagrá-lo sem máscara, ela correu até lá.
Mas ele não estava tomando café; estava preparando o café.
Keiko ficou surpresa.
- Achei que podia retribuir a hospitalidade ajudando você com o café da manhã. – Ele disse, reparando que a ruiva tinha entrado na cozinha e colocando uma chaleira fumegante sobre a mesa, ao lado de um pratinho de biscoitos, uma travessa de frutas e uma jarra de leite.
Keiko murmurou um “uau”. Ela não se lembrava da última vez que vira sua mesa tão bem arrumada.
Kakashi sentou-se e ela o acompanhou. Pegou uma caneca, encheu de café, pôs um pouco de leite gelado e, quando seus lábios tocaram a borda do recipiente, ela se arrependeu de ter passado o gloss.
“Maldita inexperiência...” – Pensou.
Kakashi, obviamente, não se serviu. Ficou apenas observando-a, atento, e Keiko não sabia dizer se ele olhava para sua produção, para saber se o café estava bom, ou para ver se ela caía morta com o veneno que ele havia colocado, escondido. Keiko achou que a última opção era insana demais, então a descartou.
- O que foi? – Ela perguntou, na esperança que ele dissesse: “você está muito bonita, hoje”. Mas ele disse:
- Meu café não é tão bom quanto o seu, mas pelo visto, você aprovou.
Keiko olhou para o conteúdo de sua caneca, que já estava na metade.
- Ah, sim... – Ela tentou não soar decepcionada. – Você faz um café muito bom! – E sorriu. – Eu só não vou tomar mais porque, realmente, já estou bem atrasada. – Uma pontada de arrependimento surgiu em sua mente. Devia ter calçado o all star, desistido do gloss e poupado tempo.
- Entendo. – Ele disse.
Ela levantou-se, com um agradecimento pela gentileza e um pedido de licença, e voou até o seu quarto para pegar suas coisas. Na sala, juntou uma pilha de papéis que estavam sobre uma escrivaninha e enfiou tudo na mochila, junto com seu notebook. Kakashi estava aguardando, em pé, ao lado da porta, segurando as chaves do carro.
- Obrigada. – Ela agradeceu quando passou por ele, pegando as chaves de sua mão. – Fique à vontade para ler os livros que estão na estante do meu quarto, ok? – Disse, antes de sair. – E para ver TV, comer o que quiser, enfim. Sinta-se em casa. Eu também deixei uma cópia das chaves do apartamento ao lado da TV, então se quiser dar uma volta...
Ela forçou um sorrisinho, mas ainda se sentia muito tola por ter gasto tanto tempo se arrumando, nutrindo uma esperança idiota de chamar a atenção dele. Devia ter imaginado que ele não daria atenção a essas bobagens. Certamente, estaria mais preocupado em achar um meio de voltar para seu mundo.
Kakashi agradeceu e observou Keiko atravessar o hall, em frente ao apartamento, e apertar o botão para chamar o elevador.
- Ei, Aka. – Ele chamou e Keiko virou-se para olhá-lo. – Você está... diferente, esta manhã. – E um sorriso delineou-se por debaixo da máscara.
Foi como se alguém tivesse mudado a configuração da TV de “preto e branco” para “super-colorido-em-HD”. Um sorriso bobo estampou-se no rosto dela, sem autorização. O elevador chegou e ela se despediu com um aceno, enquanto via Kakashi fechar a porta do apartamento. Não era bem aquilo o que ela esperava ouvir, mas ele havia reparado nela e era isso o que importava.
De repente, Keiko notou como aquele dia estava lindo e percebeu que nunca havia se sentido tão bem ao sair de casa para ir ao trabalho.
(Continua...)
Notas finais
Para quem ainda não viu o apartamento da Keiko (ou viu, mas não lembra), deixei uma planta baixa (bem malfeita, mas dá pra entender ehehe) no capítulo 3! Ou, você pode visitar o fotolog da fic, neste endereço: http://eflog.net/suzanaleifer
Eu ia postar esse capítulo só amanhã, mas eu não estarei em casa (planos de última hora >.<'). Por isso, fiquei até agora (23h04) acordada para finalizar as correções e postar. @.@
Não se esqueçam de comentar! Beijocas!
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