Notas iniciais
Obrigada por todos os comentários! Espero que gostem ♥

Usando o dinheiro que a lei obrigava que Umbridge me desse, eu e Marlene passamos os dias seguintes comprando roupas.

A funcionária da Inside – Stephanie Fortier – me disse que para a première precisávamos usar vestidos. Precisava ser adequado ao evento, mas não precisa ser longo.

— Tem que ser vestido curto então? – Marlene perguntou quando eu disse o que Stephanie havia indicado.

— Acho que sim né? Ou um daqueles longos que só chega ao tornozelo.

— Você não acha que vamos ficar deslocadas não?

— Eu acho que vamos ficar deslocadas se aparecêssemos lá vestidas que nem as atrizes.

— Quem vai fazer as nossas maquiagens?

— Nós mesmas.

— E o cabelo?

— Idem. – ela fez uma careta. Passeamos pelas lojas e compramos um vestido longo que tinha uma peça por baixo que era curta e o vestido em si é transparente para Marlene. Preto, porque ela está na fase gótica. Tardiamente, eu sei, mas antes tarde do que nunca.

— Você devia comprar um verde. Realça seus olhos. – ela disse enquanto finalizava a compra.

— Eu não gosto muito de roupas verdes em mim.

— Por que?

— Porque me faz sentir irlandesa.

— De onde veio isso?

— Você sabe. – eu disse revirando os olhos. Na quarta série, tinha um menino que implicava comigo porque eu era ruiva. Ele dizia que eu era irlandesa, mesmo eu falando que a minha família não tinha nada de lá. Foi um ano terrível.

— Credo. É sobre aquele garoto da quarta série ainda?

— Marlene, você não pode julgar um trauma que não sofreu. – ela revirou os olhos.

— Tudo bem. Que cor será então?

— Não sei. – eu disse passando a mão pelos vestidos pendurados nos cabides.

— Ah, eu fiz alterações no nosso roteiro. – ela disse se dirigindo a porta. – Vamos ser turistas normais. Você acredita que em todos esses anos eu nunca fui à London Eye?

— Mentira.

— Sério. Nunca dava tempo e quando dava, alguém ficava com medo da altura.

— Eu confio no seu roteiro. Desde que você não beba demais e fique louca em algum bar em Londres.

— Relaxa, eu não vou estragar nossa viagem. Além do mais eu estou em uma fase nova. Marlene 2.0. Renascida das cinzas como uma fênix. Qualquer coisa desse gênero. Sem bebidas, mais estudo.

— Nossa. O que aconteceu com você?

— Eu não sei o que eu bebi naquela vez que a gente saiu, mas foi o suficiente para eu sair dessa vida. Pelo menos, por ora. Eu devo deixar isso para lá daqui a alguns meses. Já sei! – ela disse parando no meio da calçada. – Vermelho!

— O que?

— Seu vestido! Vermelho!

— Você não acha que eu vou ficar muito vermelha?

— É claro que não. Você é ruiva o que é praticamente uma indicação biológica de que vermelho é a sua cor.

— Marlene, eu provavelmente vou ficar envergonhada na première. Envergonhada significa corada para mim e aí eu vou ficar com o cabelo vermelho, o rosto vermelho e a roupa vermelha.

— Não fica corada então.

— Essas coisas a gente não controla. Sem vermelho.

Acabamos escolhendo um vestido azul para mim, era curto na frente e longo atrás. E em todos esses anos acho que nunca tive um vestido tão bonito como aquele.

Não compramos sapatos porque Marlene tem muitos e, felizmente, compartilhamos o mesmo número.

No dia 3 de setembro eu acordei sorrindo, porém antes que eu tivesse qualquer pensamento sobre hoje, a porta se escancara. Marlene está segurando duas xícaras e sorrindo.

— Nós vamos para Londres!

— Nós vamos para Londres! – eu me ajeito na cama e ela se senta ao meu lado.

— Mandei uma mensagem para Alice e ela quer autógrafos.

— Eu vou pedir autógrafos para todo mundo, para a Alice, para a Dorcas. Até para a Petúnia.

— Credo, Lily. Não precisa exagerar né?

— Como assim?

— Para a Petúnia? Sério?

— Ela é minha irmã. Se fosse o contrário eu gostaria que ela me trouxesse um autógrafo.

— Se fosse o contrário ela nem se lembraria de você. – não comento nada enquanto bebo meu chá. — Que horas a menina vem buscar a gente?

— Que menina?

— A funcionária da Inside. Esqueci o nome dela.

— Stephanie Fortier. – eu disse prontamente, tinha passado os últimos dias decorando cada coisa do e-mail que a Inside me mandou e dos detalhes anotados no caderno depois da ligação de Stephanie no mesmo dia. – Ela estará aqui às 9 horas.

— Certo. Eu estou surtando, mas só um pouquinho. – arqueei uma sobrancelha para ela.

— Você está surtando? – ela revirou os olhos.

— Sim! E se eu estou, imagine você. – fiquei quieta. Desta vez, ela arqueou a sobrancelha. – Você não está surtando?

— Um pouquinho. – dei de ombros e bebi mais um gole de chá.

— Lily.

— Marlene.

— Sério.

— Sério. – eu disse me virando para ela.

— Como você não está surtando? Eu pensei que iria entrar nesse quarto e ver você pulando, gritando, o quarto todo bagunçado...

— Também não é pra tanto. – fiz uma careta.

— Só estou dizendo que esperava mais.

— Ah sei lá. Eu estou calma agora, quando eu chegar lá quem sabe como estarei?

— Ok. Só achei atípico de você. – suspirei e olhei para ela com meu olhar de quem sabe das coisas.

— Marlene, relaxa. Eu estou calma e vou me manter calma. Não vou bancar a fangirl louca ok?

***

Eu estava surtando, mas não ia falar nada. Só acenei com a cabeça para tudo que a Stephanie dizia. De fato, a única indicação de que eu não estava bem eram os meus olhos que permaneceram arregalados durante todo o percurso até o hotel.

Eu não podia fazer nada. Ou era isso ou seria uma série de gritos, pulos ou sei lá mais o quê.

Marlene começou a rir assim que ela fechou a porta do nosso quarto de hotel.

— Marlene relaxa. Eu estou calma e vou me manter calma. – ela disse fazendo uma péssima imitação da minha voz.

— Eu não falo assim. – eu disse, relaxando os olhos e colocando a minha mala perto da porta.

— Eu sabia. Você é muito fangirl para ser uma pessoa normal. – reviro os olhos.

— Quem estava surtando mais cedo era você!

— Mas é claro! Porque eu estou vindo a Londres sem pagar nada, além de gastos adicionais. Não tem nada a ver com Bittersweet.

— Foi a Bittersweet que te trouxe aqui.

— Foi a Inside.

— Tá. Sei. – ela se jogou na cama. – O que vamos fazer hoje no seu roteiro? – eu pergunto a ela enquanto me deito na cama.

— Bom, eu quero ir a London Eye e daí a gente improvisa né? – me viro para ela que ainda continua encarando o teto.

— Eu não acredito! Montar esse roteiro foi o que você fez nas últimas semanas e a única coisa que você decidiu foi a London Eye?

— Ei! Eu estava fazendo um trabalho! Além do mais, nós duas já conhecemos Londres.

— Ok, ok. – pego meu celular e mando uma mensagem para o grupo de administradores da fanpage.

Cheguei em Londres!
A première vai ser amanhã


Louise
Não se esqueça dos nossos autógrafos!!

É claro que todo mundo pediu autógrafos. Eu só não sei se eu vou conseguir lembrar de todo mundo quando estiver lá com James Potter me encarando.

— O que você acha? – a voz de Marlene me retira de meus devaneios.

— Desculpe o quê? – ela revira os olhos.

— O que você acha de irmos agora à London Eye e depois almoçarmos?

— Claro. – pensei em usar uma das minhas camisetas de Bittersweet, mas Marlene torceu o nariz quando me viu retirando-a da mala e eu decidi usar outra coisa pelo bem maior.

A fila para a London Eye estava razoavelmente grande e Marlene me abandonou depois de dez minutos quando viu um garoto bonito e nas palavras dela “rolou uma troca de olhares e eu não vou perder a chance”.

Aproveitei para entrar no Twitter. Como eu ganhei a promoção, os nossos seguidores pediram para eu falar sobre tudo o que estava acontecendo.

Tirei uma foto da London Eye e não coloquei nenhuma legenda porque eu não tenho nenhum talento para isso. De fato, o máximo que eu coloco em alguma foto minha é algum emoticon.

Marlene voltou arrumando o batom.

— Você não perde tempo. – ela sorriu.

Depois, Marlene entrou em um aplicativo e escolheu um restaurante. Ela escolheu um restaurante muito caro e naquele dia eu decidi que nunca mais deixaria Marlene escolher essas coisas.

Mais tarde enquanto Marlene assistia algo na TV e eu tentava atualizar todos sobre a minha viagem a Londres, pensei em como seria a première.

Claro que eu já pensava sobre isso desde que eu me inscrevi na promoção, mas agora está mais perto. É amanhã.

Meu coração acelerou enquanto eu pensava em como ia ser amanhã. Nada poderia dar errado. Eu não poderia surtar, nem sorrir demais. Tinha que bancar a plena e fingir que não estava nervosa enquanto os meus maiores ídolos estariam ali na minha frente.

Comecei a me mexer na cama, em dúvida se exteriorizava meus pensamentos ansiosos para Marlene. Decidi que não quando ela me olhou com uma careta.

— Lily Evans, se acalme.

Ela poderia muito bem ter me mandado respirar debaixo da água.

— Olha para a TV. – ela disse, estava passando um dos filmes prediletos dela “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Eu morro de tédio com esse filme. Pelo amor, até o título é entediante.

Porém, naquele momento não havia coisa melhor para fazer além de assistir Sociedade dos Poetas Mortos, porque caí no sono instantaneamente.

***

Acordei com um puxão na minha perna.

— Acorda Lily! – ouvi a voz de Marlene. – Rápido, Stephanie logo estará aqui! – senti mais um puxão na perna e abri os olhos.

É hoje, finalmente. Meu coração acelerou enquanto me levantei e encontrei Marlene terminando de se arrumar.

— Que horas são?

— Quase 9 da manhã.

— Por que não me acordou mais cedo? – perguntei enquanto me levantava e corria para me arrumar.

— Eu tentei. – ela respondeu enquanto penteava os cabelos. Corri para a mala e peguei a minha mais nova camiseta de Bittersweet. Eu havia comprado na principal concorrente da loja da Umbridge e fiz questão de passar em frente a loja dela. Aproveitei e acenei para ela com a mão que carregava a sacola. – Ah meu Deus, Lily. – ela disse enquanto eu levava as minhas roupas amontoadas no braço até o banheiro para me trocar.

— O que foi dessa vez? – eu perguntei exasperada.

— Você sabe o que é. – ela acenou em direção a mim com a escova. – Essa blusa de Bittersweet!

— Mas é claro que eu vou usar a blusa de Bittersweet! Eu estou aqui por causa dessa série!

— Pelo amor, Lily! Pare de ser tão literal! Você não pode sair por aí mostrando a todos que você é fã de Bittersweet! Tem que bancar a plena.

— Eu estou bancando a plena! Desde ontem.

— Sim e você estava ótima ontem. Aí você vai e pega essa blusa.

— Marlene, já são quase 9 horas, tá? – e corri para o banheiro para me trocar. Ainda conseguia ouvir Marlene resmungando, mas eu estava muito preocupada com meu cabelo e o curto período de tempo que eu teria para dar um jeito nele.

Esquece, não vou dar jeito algum. Eu vou prender.

Ao sair, Marlene estava colocando o telefone de volta a base.

— Stephanie chegou. Vai esperar por nós no saguão.

— Ok.

— Lembre-se de ficar calma e bancar a plena.

— Bancar a plena. Ok. – Marlene pegou a bolsa que nós separamos ontem à noite com nossos vestidos e maquiagens.

— Isso mesmo.

Quando chegamos ao saguão, encontramos Stephanie nos esperando. Seus cabelos loiros e curtos emolduravam o rosto fino dela e eu queria saber como ela deixava o cabelo dela assim. Quer dizer, ele parecia tão hidratado.

— Bom dia meninas! Espero que tenham aproveitado muito seu dia ontem e que tenham tido uma boa noite de sono porque hoje será um dia cansativo.

— Não se preocupe Stephanie. – Marlene disse com aquele sorriso dela que fazia as pessoas acharem que ela era uma moça bem comportada. – É pra isso que estamos aqui.

Eu apenas assenti com a cabeça e sorri. Seguimos Stephanie até um carro estacionado em frente ao hotel. O motorista já deveria saber pra onde iríamos porque não disse nada quando ligou o carro e começamos a andar.

— Então, como vocês sabem hoje é a première da terceira temporada de Bittersweet. Vocês vão poder conhecer os atores e tirar fotos durante o tapete vermelho. Depois vamos ver os dois primeiros episódios da temporada e aí iremos para uma festa exclusiva. – ela disse com os olhos brilhando e um sorriso no rosto. Parecia mais feliz do que eu que só de pensar na quantidade de ídolos reunidos por metro quadrado já me deixava com vontade de gritar por aí.

Meu Deus acho que vou passar mal.

Marlene deve ter percebido que eu estava prestes a ter uma crise porque começou a comentar sobre as estações do ano e seus efeitos em Londres com Stephanie enquanto segurava minha mão.

Isso vai ser um desastre.

Chegamos a Mark Meets, onde aconteceriam os eventos hoje, e Stephanie nos conduziu pelos preparativos da première. Inúmeras pessoas caminhavam de um lado para outro carregando peças, cuidando da eletricidade, montando grandes peças de ornamentação, repórteres tentavam achar um bom espaço ao longo do tapete.

— Caótico, não? – Stephanie disse a nós. – Cuidado para não se perderem.

Atravessamos até uma tenda montada onde tinha alguns camarins. Stephanie nos indicou um.

— A première só começa à noite, então deixem suas coisas aqui. Depois vocês podem explorar o lugar, mas voltem às 15 horas ok? Vocês terão ajuda de maquiadoras e cabelereiros, e eu vou dar uma identificação especial para vocês poderem ter acesso durante o tapete. – ela retirou um adesivo da bolsa e colou na porta.

Dizia:

Ganhadoras da Inside:

Lily Evans e Marlene McKinnon.

Sendo assim, eu e Marlene deixamos nossas coisas no camarim e passamos o resto da manhã e parte da tarde perambulando pela Leicester Square.

— Eu não acredito que vamos ter maquiadores e cabelereiros profissionais. – Marlene disse com um sorriso enorme enquanto dava alguns pulinhos no meio da confusão que é o Mark Meets agora.

— Eu sei! A Stephanie não disse nada e eu pensei que teríamos que nos virar. – suspirei de alívio. Apesar de Marlene saber maquiar bem, ela não sabia se maquiar direito então, geralmente, eu tentava ajudar. E eu não tenho talento algum para isso.

O delineador sempre ficava borrado, cutucava muitas vezes o olho de Marlene com o rímel e nunca sabia se era melhor passar o batom com a boca aberta ou fechada. Então, Marlene tinha que ficar abrindo e fechando a boca toda hora e seus dentes ficavam manchados de batom.

Eu sempre me saía bem porque Marlene sabe maquiar bem, mas ela não e eu me sentia imensamente culpada por isso.

E com o cabelo é pior ainda porque nenhuma de nós duas tem a mínima ideia de como fazer um penteado mais elaborado. Então, a gente só deixava solto, mexia um pouco para ficar um pouco enrolado nas pontas e ia.

Voltamos cinco minutos antes das 15 horas e encontramos Stephanie que nos deu passes com nossos nomes escritos, além de VIP escrito com letras grandes e pretas debaixo de nossos nomes.

Tirei uma foto e postei na fanpage no Facebook.

Respondi as dezenas de mensagens empolgadas que recebi e comecei a responder os comentários dos curtidores da página.

Até que as cabelereiras chegaram e eu e Marlene ficamos pelas próximas horas sentadas em cadeiras altas com nossos cabelos sendo puxados, nossas unhas sendo feitas e sentindo as maquiadoras passando camada após camada de maquiagem em nossos rostos.

Quando terminaram, porém, tudo valeu a pena.

Stephanie apareceu também arrumadíssima e nos encaminhou para fora da tenda. Tudo já estava arrumado, centenas de fãs já ocupavam os espaços destinados a eles e Stephanie nos guiou até um espaço maior perto dos outros fãs. Estava vazio a não ser por dois seguranças na frente. Um banner estava montado atrás com o logo da Inside.

— É aqui que iremos ficar! – Stephanie disse e se adiantou para falar com os seguranças. Marlene fez uma careta.

— Nós? Ela vai ficar com a gente?

— Acho que ela tem que supervisionar.

— Supervisionar o que?

— Os fãs. Você sabe, existem muitos fãs loucos por aí. – eu disse e fui até Stephanie.

— Os atores irão chegar em breve. – ela disse animada, mas depois passou a mexer sem parar no celular.

Tirei fotos do tapete vermelho, dos fãs e depois pedimos para Stephanie tirar uma foto de nós duas.

Fiquei bem emocionada quando uma das fãs me reconheceu da fanpage e pediu para tirar uma foto comigo.

Esperamos por mais um tempo até o primeiro carro elegante estacionar em frente ao Mark Meets. Todos os fãs presentes começaram a gritar, menos eu e Marlene que continuamos plenas.

Iniciei um vídeo ao vivo através da fanpage no Facebook – porque sempre quis fazer um e porque muita gente pediu isso nos comentários.

— Estamos aqui no Mark Meets, na Leicester Square, para a première da terceira temporada de Bittersweet. – eu disse sorrindo e animada tentando esconder meu nervosismo e bancar a repórter. Mirei a câmera do celular para a pessoa que saía do carro. É o ator Sirius Black. Os fãs recomeçaram a gritar e eu virei de novo o celular. – É o Sirius Black! Ele interpreta James Sinclair na série! – eu disse, como se ninguém que estivesse acompanhando essa live soubesse quem era Sirius Black, e a minha voz parecia aguda demais aos meus ouvidos.

O que provavelmente não era um bom sinal.

Porém, segui o baile né.

— Parece que ele está com algum acompanhante. – eu disse em um tom que não deveria ter sido tão malicioso assim, mas acabou sendo.

Eu, claro, como uma boa fangirl sei tudo sobre a vida amorosa dos atores, shippava-os uns com os outros e sei que todo aquele lance entre a Juliet e o James no começo da primeira temporada foi somente uma jogada de marketing que não deu certo.

Sei também que rola uma teoria de que as garotas com quem Sirius Black saía, geralmente, eram beards, mas nada confirmado.

Podia ouvir Marlene bufando de impaciência atrás de mim. Ia me virar para ver o que era quando a pessoa que estava acompanhando Sirius saiu e era ninguém mais ninguém menos do que Remus Lupin – outro ator de Bittersweet que interpreta Willliam Dashner.

Senti meus olhos arregalarem e meu queixo cair. O que era aquilo? Significava que todas as teorias de que Sirius Black e Remus Lupin tinham um affair eram reais?

Eu, particularmente, nunca havia participado dessas discussões porque apesar de opinar e shippar, eu acho que as únicas pessoas que tem que ter alguma opinião sobre o relacionamento eram as próprias pessoas do relacionamento.

E se Sirius Black e Remus Lupin realmente tivessem um affair, namoravam ou coisa assim, eu só queria que eles assumissem logo de uma vez para eu poder shippar e suspirar pelas fotos bonitas de casal em paz.

Marlene bufou de novo e posicionei meu celular para que ele continuasse gravando os garotos enquanto eu me virava para olhar Marlene que estava agachada ali no meio do tapete vermelho.

— Marlene! – eu disse um pouco alterada demais com aqueles atores bem ali a menos de 50 metros de mim. – Por que está sentada? Pensei que a gente tinha que bancar as plenas!

— Eu vou! Assim que tiver alguém aqui pra ver que eu estou bancando a plena. A Stephanie saiu, você não conta, os seguranças estão virados e o resto do pessoal só grita.

— Marlene, levanta daí. Daqui a pouco eles vão chegar aqui!

— Tá bom, quando eles chegarem eu levanto. Esses saltos estão me matando... Ei! E se... – mas eu não estava mais ouvindo, me virei quando percebi que os gritos estavam mais altos e histéricos.

Juliet havia chegado. Ela estava tão bonita como sempre com aqueles cabelos ruivos cacheados e os olhos azuis gelo e um vestido maravilhoso.

Ela chegou sozinha e se juntou aos garotos para tirar fotos.

Só faltavam mais dois rapazes para completar os Marotos – que era como os personagens de Sirius Black, Remus Lupin, Peter Pettigrew e James Potter se autodenominavam. Aliás, era daí que saía uma série de especulações e teorias nos grupos de Bittersweet.

Nesse momento, chega mais um carro, mas era só de alguns atores coadjuvantes e a plateia não vibrou tanto.

Porém, eu percebo que o grupo composto por Sirius Black, Remus Lupin e Juliet Keyes – e sim, provavelmente eu repetiria o nome deles pelo resto da minha estadia em Londres – se aproxima de onde eu e Marlene estamos. Dando autógrafos e tirando fotos, respondendo repórteres e tudo mais.

Stephanie não tinha chegado ainda e ela tinha dado vagas explicações sobre como deveríamos agir.

Quer dizer, como eu agir, porque apesar de Marlene estar comigo eu acho que ela só ficaria do meu lado me ajudando a pedir autógrafos e me impedindo de surtar.

— Onde é que está a Stephanie? – eu pergunto me virando e sentindo meu coração começar a acelerar.

— Não sei. – Marlene respondeu. Ela parecia menos alta agora e estava de pé encostada no banner da Inside. – Ela saiu e disse que voltava logo.

— Chega pra cá, os atores logo estarão aqui. – ela revirou os olhos, mas pegou os pôsteres e papéis em branco que estavam na bolsa que trouxemos e que estava atrás do banner da Inside.

— Benjamin, Sarah, Louise, Alice, Dorcas, Petúnia, eu... – ela começou a ler a lista.

— Pra que você quer autógrafo de alguém da Bittersweet?

— Para vender no eBay? – ela disse como se fosse óbvio, mas só era para ela. Eu não disse nada porque não queria me irritar e porque eles estavam cada vez mais perto. – Lembre-se: não surte e banque a plena.

— Ok. – respirei fundo. – Eles estão vindo. – eu disse em um tom ansioso demais, quase me esquecendo de que eu ainda estava gravando e que eu não queria que o pessoal que estava assistindo percebesse que eu estava quase surtando.

— Relaxa. – Marlene sussurrou no meu ouvido. – Plena.

O trio se aproximou da gente, eu – sem querer, juro – aumentei meu sorriso e pela visão periférica vi Marlene plena. Ai, ai.

— Então, foram vocês que ganharam a promoção. – Remus Lupin disse com um sorriso amistoso no rosto. Eu demorei um pouco pra perceber que ele estava falando comigo e quando abri a boca para falar, Marlene me interrompeu.

— Pois é. Toma. – ela disse empurrando os banners para ele. – Começa a assinar e passa para seus amigos. – assim mesmo sem mais nem menos e segurou na frente dele a lista de nomes.

Ele ficou um tempo encarando Marlene, que permanecia séria, e começou a assinar. Juliet Keyes que estava do outro lado e seria a última a assinar, começou a puxar papo comigo. Apesar, de ela ser bem quieta e pouco carismática nas redes sociais, de acordo com Benjamin, ela é bem legal e divertida. Ela falou com a galera da live e respondeu algumas perguntas que eles mandaram.

E eu claro, me senti a correspondente.

Marlene ficou quieta supervisionando a sessão de autógrafos.

Durante aquilo tudo teve um momento meio estranho, mas eu não disse nada porque né.

Sirius Black – sim, eu vou usar o nome e o sobrenome porque acho que eu não sou tão íntima a ponto de usar só o primeiro nome – se inclinou para mais perto de Marlene e começou a conversar com ela. O que parecia bem normal até que eles começaram a sorrir demais e até se tocaram e eu fiquei tipo “O quê?” e sem querer mirei o celular para eles e logo a live ficou tomada de gente perguntando o que significava aquilo.

Eu logo mirei novamente para o rosto sorridente da Juliet Keyes e ignorei as perguntas.

Todos foram muito amigáveis com nós duas e eu me senti particularmente vitoriosa quando Benjamin admitiu que Juliet é carismática – e sim eu a chamei de Juliet porque conversamos muito e acho que já somos íntimas.

Depois disso chegou mais alguns atores – inclusive Peter Pettigrew – e meu celular estava cheio de fotos com os atores e eu estava postando cada foto com um intervalo de cinco minutos. Sério, eu acho que nunca postei tanta foto assim no meu Instagram.

Marlene começou a guardar alguns pôsteres lotados de autógrafos e a colocar seus sapatos — já que ela simplesmente os tirou e escondeu-os atrás do banner — e nada de James Potter.

Até que Stephanie nos avisou de que ia começar a exibição dos episódios.

— Mas está faltando um ator.

— James Potter? Ele avisou que iria chegar atrasado. – ela deu de ombros. – Às vezes acontece. – ela nos guiou até a entrada onde nos sentamos em uma fileira atrás dos atores.

Porém, eu, incrivelmente, não estava mais surtada. Eu estava bem tranquila, até. Sim, eu também fiquei surpresa.

Assistimos os dois primeiros episódios e eu tentei exibir um pouco na live, mas logo tive que desligar quando as luzes se apagaram completamente.

Na segunda metade do primeiro episódio, porém, uma movimentação ocorreu e eu vi uma figura se sentando nas primeiras fileiras. Fiquei curiosa pensando se seria James Potter, mas não conseguir ver ou ouvir nada e Marlene estava muito concentrada no celular – com o brilho bem baixo – para perceber o que estava acontecendo ao redor.

Depois da exibição, fomos conduzidas até outro lugar onde aconteceria a festa. Fiquei procurando para ver se ele estava ali, mas Marlene me apressou e eu tive que me concentrar para não tropeçar ou coisa assim.

A festa de Bittersweet está linda, cheia de luzes e alguns cenários para tirarmos fotos divertidas – eu chamei Marlene para vir comigo, mas ela disse que não queria se expor.

Tinha uma estação em que você podia fazer o seu próprio cookie – em referência a personagem Victoria Han – e eu fui umas duas vezes. Queria ir de novo, mas Marlene falou que ia ser deselegante.

Tiramos fotos, conversamos com outros atores que foram convidados, conversamos com personalidades, tiramos mais fotos e eu encerrei a live depois de me cansar de andar por aí com o celular levantado.

Aliás, qual é a melhor bebida do mundo e por que champanhe?

Eu acho que nunca tinha tomado um champanhe tão bom nessa minha vida e a cada taça eu agradecia à Inside, à Bittersweet, à minha sorte, ao carma, à Marlene, até comecei a agradecer a Umbridge – mas então eu pensei melhor e agradeci ao meu celular.

Eu acho que só cheguei perto de beber um champanhe tão bom quanto esse na festa de Natal de um professor rico da faculdade. Mesmo assim foi só uma taça porque ele é mão de vaca e é por isso que ele é rico.

Marlene tinha saído para retocar a maquiagem e sabe-se lá o quê mais e eu estava conversando com um ator de outra série.

Por incrível que pareça eu ainda continuava plena, mas acho que é isso o que acontece quando você se acostuma a tantas presenças ilustres. Isso mesmo, euzinha conversando com toda aquela gente famosa e interessante depois de meses aguentando a presença da Umbridge e dos gatos dela.

O mundo dá voltas.

Nunca desistam dos seus sonhos.

Entretanto, ainda tinha um ator que eu não tinha conversado e nem tirado foto. Ele mesmo, James Potter.

Já era quase meia noite e eu tinha que ir embora porque teria que acordar cedo amanhã para participar dos eventos.

Marlene voltou com o batom borrado e ela tentou — e falhou — esconder de mim.

— Você não tinha ido retocar a maquiagem?

— O que? E não está? – ela disse passando a mão em volta da boca. Pegou a minha taça e bebeu todo o conteúdo em um só gole.

Eu não queria nem perguntar.

— O que aconteceu? – mas perguntei assim mesmo.

— Nada, vamos embora?

— Mas o James...

— Vamos logo. – ela disse estreitando os olhos e me puxando pelo pulso. O que me fez tropeçar e quase cair com aqueles saltos de 10 centímetros, porém, Marlene faz academia cinco vezes por semana e ela me segurou antes que eu caísse de cara no chão. – Quantas taças você bebeu?

— Quantas taças você bebeu? – eu repeti a ela, porque havia perdido as contas de quantas taças eu bebi e eu não queria admitir para Marlene.

— A sua foi a segunda. Esqueceu-se da minha nova fase? – ela disse enquanto me guiava entre as pessoas até Stephanie que conversava alegremente com uma garota. – Stephanie, podemos ir embora? A Lily bebeu muito champanhe. – ela acrescentou em voz baixa, mas ainda assim eu ouvi.

— Não bebi não! – eu disse ofendida.

— Ok. Eu já ia chamar vocês. Essas festas geralmente acabam cedo porque os atores também ficam muito cansados. – ela disse em tom de explicação depois se despediu da garota e nos guiou até a saída.

— Por que você disse que eu estou bêbada? – perguntei para Marlene em voz baixa para que Stephanie não ouvisse. – Eu não estou bêbada.

— Nada pessoal Lily. – ela disse distraída enquanto virava a cabeça de um lado para outro como se procurasse alguém.

— É claro que é pessoal! Me envolve.

Até que Marlene para do nada e eu me colido com ela. Porém, ela nem se mexe. Eu paro ao lado dela, a olhando meio indignada. Até que ela dá um daqueles sorrisos enigmáticos dela – que geralmente é direcionado a algum rapaz que ela quer ficar — e depois volta a me puxar pelo pulso como se tudo aquilo não fosse nada.

Ela me olhou de um jeito que dizia que ela não me diria nada e eu tive que ficar quieta.

— Esperem aqui que eu vou procurar o carro. – Stephanie disse se afastando.

Ficamos em silêncio. Eu comecei a me abraçar porque está frio e as mangas do vestido são curtas e finas.

Marlene ficou quieta enquanto mexia no celular. Eu até tentei dar umas olhadas, mas ela mudava a posição do celular toda hora e eu nunca conseguia ver nada.

Fiquei encostada na parede até que duas figuras surgiram ao lado da porta.

Para falar a verdade, primeiro uma surgiu e depois outra.

A primeira que saiu da porta é James Potter e eu o reconheci devido aos cabelos sempre bagunçados e os óculos que ele às vezes usa.

A segunda foi um repórter com um celular pronto para gravar que saiu das sombras de algum lugar o que me assustou um pouco.

Marlene continuava alheia a tudo conversando com alguém e sorrindo demais.

— James Potter! – ele gritou e assustou James que estava olhando para o outro lado. – Poderia me responder umas perguntas. Um minuto! – ele disse e parecia bem desesperado.

— Claro. – ele deu de ombros, mas fez uma careta assim mesmo.

— Como você deve saber, a Inside promoveu um concurso e trouxe duas fãs para cá hoje. Você chegou a falar com alguma delas?

— Não. Você sabe como são essas fãs que participam de concursos assim. Sempre empolgadas e loucas demais. Eu preferi ficar longe de qualquer fã maluco hoje.

Meu mundo parou.

Eu continuei ali encarando o sorriso de escárnio da pessoa que eu mais idolatrava durante esses últimos três anos.

E Marlene continuava alheia, claro.

Ele e o repórter riram.

— Mas você já teve alguma experiência desagradável com algum fã?

— Claro! Quase todas as vezes pra falar a verdade, principalmente com as fãs. Elas sempre são muito histéricas e desorientadas. – ele disse em um tom que beirava o desgosto.

Eu não percebi que estava chorando até soltar um soluço que deve ter sido muito alto porque Marlene parou de mexer no celular e James Potter e o repórter viraram.

Me senti terrível por estar mesmo chorando por aquilo.

Aparentemente, Marlene não estava tão alheia assim porque me pegou pelos ombros e me trouxe para perto dela.

— Vamos Lily. Não ligue para o que esse arrogante e convencido disse. – ela me guiou até o fim da rua pela direção que Stephanie foi.

Fiquei chorando no ombro de Marlene até Stephanie nos achar e eu enxugar minhas lágrimas.

Estava chorando de decepção e de raiva de mim mesma por estar chorando.

Marlene abriu a porta do quarto e eu me joguei na cama, sujando o lençol de maquiagem e chorando mais. Porém, eu pensei que não seria uma fangirl completa se não chorasse pela minha série favorita. Se não chorasse de decepção ao pensar que “conhecia” uma pessoa; de ingenuidade ao pensar que Luke Moyes e James Potter eram a mesma pessoa; de vergonha por deixar que uma série me afetasse tanto. Mas, principalmente, por decepção.

Notas finais
Acho que a palavra que eu mais usei nessa fic foi "plena". Sério. Me deixem saber o que acharam :3 Bj, bj, SdL ♥