Fanfic sendo reescrita e com novo título.
10 Duvidas plantadas.
Notas iniciais
Algo desliza sobre o meu pescoço, me fazendo cócegas. Eu me encolho e começo a rir. Tento abrir os meus olhos, mas acabo fechando novamente quando eles começam a lacrimejar. O lugar está muito claro e mal consigo deixa-los abertos.
— Acorda dorminhoca. — Peeta diz beijando o meu pescoço.
—Nao, Peeta.
Eu resmungo e ele rir.
A medida que a minha visão foi se adaptando a luz, a minha mente foi assimilando as imagens. Quando abro completamente os meus olhos, vejo a lareira na minha frente e nos dois estamos deitados no chão. Lentamente viro a minha cabeça que está descansando no seu ombro e tento apoiar o meu peso no cotovelo.
Eu olho para Peeta que está sorrindo.
—Adoro te ver dormir. -Ele sussurra.
—Então por que me acordou? Só era me deixar dormir e você poderia me observar o quanto quisesse. — Resmungo, mas dessa não consigo evitar o riso.
Peeta gargalha.
— Porque eu também adoro ver a cor dos seus olhos. — Ele diz e de repente sua expressão muda e Peeta me olha sério.
—O que foi ? — Pergunto.
Ele hesita, mas continua me olhando enigmático.
—Peeta, o que foi? — Insisto.
—So me lembrei da sensação horrível que sentir ontem, quando pensei que você tinha ido embora. — Ele me olha aflito. — Não quero voltar a sentir aquilo, Katniss.
O tom angustiante de sua voz aperta o meu coração. Pelo visto ele não vai esquecer tão fácil.
—Eu já prometi que não farei novamente. -Respiro fundo.- Sinto muito, não foi a minha intenção causar preocupação em você. E além do mas, eu não fui embora, estava aqui na floresta.- Respondo.
Ele ergue as sobrancelhas e me encara por um breve momento em silêncio. Eu levanto a minha mão e começo a acariciar o seu cabelo que desliza entre os meus dedos. São tão macios.
Os olhos de Peeta continuam fixos em mim. E de repente, sem esperar, ele se curva cobrindo a minha boca com a sua, me beijando. O Seu beijo é necessitado, profundo e ao mesmo tempo suave.
Quando ele se afasta, eu estou sem fôlego.
—Bem, vamos embora logo. Do jeito que as coisas estão indo, ficaremos outra noite aqui. — Murmuro.
Peeta se afasta um pouco para me olhar e solta um risada.
—Até que não seria uma má ideia. -Ele diz fuçando o meu cabelo com o nariz.
Eu engasgo com o comentario dele e começo a rir.
—Estou brincando, vamos para casa. — Ele fala se divertindo e estica o braço me ajudando a levantar.
Pelo resto da semana os meus dias são conturbados. Não sei se foi o medo ou a ideia de perder Peeta, mas me sinto mais estranha que o normal.
Nessas últimas noites os pesadelos estão se intensificando de uma maneira cada vez mais obscura sobre mim. Ainda não contei para Peeta que esses são pesadelos diferentes dos habituais. E para falar a verdade, nao tenho nenhuma intenção de contar. Prefiro que Peeta continue pensando que são os mesmo pesadelos com crianças perdidas e mutações aterrorizantes. Afinal, ele não precisa saber que comecei a ter pesadelos novos, e que sao sobre uma criança em especial...um filho meu e dele sendo levado por Snow. Eu sei que não tem fundamento esse pesadelo, mas ele tem o poder de me aterrorizar, mas do que qualquer outro que eu já tive.
Apesar de Peeta não ter tocado mais no assunto sobre filhos, eu não consigo me sentir tranquila e muito menos relaxada sobre essa situação. Não, quando sei que ele sofre em silencio por eu ter reprimido o seu desejo de ser pai. E o meu coração se contorce ao pensar na dor que eu posso ter causado em Peeta.
Cinco anos depois...
—Katniss! Katniss!
Começo a ouvir uma voz sussurrante. Mas não a reconheço e nem consigo ver de onde ela vem. Os meus olhos estão abertos, mas não consigo enxergar nada. Tudo estava tomado pela escuridão.
—Katniss! Katniss! Katniss!
A voz continuava a chamar o meu nome. Estiquei o meu braço tentando achar algo em que tocar, para me guiar, mas só sentir o vazio.
Enquanto eu ainda andava, algo atingiu as minhas costelas, me fazendo cair de joelhos no chão. Tentei respirar, mas uma dor agonizante rasgou a minha carne. Tentei levantar, mais as minhas pernas estavam sem equilíbrio. O que me atingiu? Meu subconsciente me ordenava para correr, mas eu não conseguia. Meu corpo não respondia.
De repente um grito torturador cortou o ar ecoando por todo o lugar. E a voz veio novamente, dessa vez ainda mais forte e mais perto de mim.
—Katniss! Katniss! Katniss! Katniss! Katniss!
E a voz continuava a gritar o meu nome como uma ladainha e por alguns segundos pensei que iria enlouquecer.
—Me deixem em paz! -Gritei para o nada.
O pânico e o medo sugavam todo o meu fôlego e sem poder fazer nada, tapei os meus ouvidos e comecei a gritar em desespero.
Acordo cortando o ar e completamente aterrorizada. Sinto os meus olhos arregalados e percebo a umidade descendo na minha bochecha. Levanto a minha mão para tocar os meus olhos. Eu estava chorando? Pisco rapidamente afastando as lagrimas e ainda ofegante empurrou o lençol para longe das minhas pernas e caminho até o banheiro. Apoio as minhas duas mãos sobre a pia e abro a torneira molhando o meu rosto.
Maldito pesadelo, penso comigo mesma.
Depois de sair do quarto, ando pelo corredor em direção as escadas e desço os degraus sem muita animação. No andar de baixo, escuto a porta da frente se destrancando e quando ela abre, Peeta entra na sala todo eufórico.
—Katniss! -Ele grita, e só sorrir quando me ver em pé na escada. — Aí está você!
Eu ergo as minhas sobrancelhas sem entender o motivo tanta alegria.
—Venha comigo, eu quero lhe mostrar uma coisa. — Ele diz empolgado e estende a mão direita na minha direção.
Eu aceito a sua mão, mas olho para Peeta com minha a testa franzida.
—E posso saber onde exatamente você quer me levar? — Pergunto enquanto ele me puxa para fora de casa.
Ele para um segundo e olha para mim.
—Para a cidade, é uma surpresa. — Peeta responde e os seus olhos brilham.
Sorrio para ele.
—OK! — Digo.
Gosto de ve-lo animado desse jeito. Seja lá o que for que Peeta esteja aprontando, o importante é que está deixando ele feliz.
Quando entramos na cidade, Peeta nos leva a uma rua próximo a praça e para em frente a um grande armazém fechado. Eu olho para ele sem entender, mas Peeta não diz nada. Ele retira uma chave do bolso e caminha ate uma imensa porta de ferro branca que fica na lateral do armazém. Ele me olha e abre a porta me conduzido para dentro.
Segurando minha mão, ele me leva até o centro do prédio. Eu solto a sua mão e cruzo os meus braços em volta do meu corpo olhando em volta. Eu me viro para Peeta, ainda sem entender o porquê de estarmos aqui.
—Então, o que acha? — Ele me pergunta ansioso.
—Você quer saber se eu gostei daqui?
Peeta confirma balançado a cabeça.
—É um lugar adorável. -Digo. — Mas, por que você queria me mostrar?
—Eu quero comprar esse galpão e trazer a padaria para aqui. Mas eu quero ouvir a sua opinião primeiro. — Ele murmura.
Olho atentamente para Peeta, e depois volto a rodar os meus olhos mais uma vez pelo lugar .É um ambiente confortável. Várias janelas estão espalhadas pelas paredes de tijolos. Normalmente um lugar desses seria abafado, mas ao contrário, esse é bastante arejado. Deslizo o meu pé esquerdo sobre piso de madeira, ele brilha tanto que tenho certeza que foi encerado a pouco tempo.
Eu volto a olhar para Peeta, e percebo que ele tem razão. A ideia dele é ótima.
—Então você vai trazer a padaria para aqui? — Pergunto.
—Só se você gostar.
Eu sorrio para ele que me olha com cautela.
—É fantástico!
Peeta sorrir. E posso jurar que depois de me ouvir, ele soltou os ombros relaxado.
—Que bom que você gostou. — Ele rir novamente. -Estou muito empolgado com essa mudança de ambiente. Vai ser muito bom trabalhar aqui, é tão espaçoso.
Peeta encurta a mínima distância que existia entre nos e passa o braço envolvendo minha cintura por trás, me puxando para ele. O seu queixo que está um pouco áspero da barba apontando para nascer, faz cócegas no meu pescoço quando ele apóia a cabeça sobre o meu ombro.
—E quando você pretende fechar o negócio? -Pergunto.
Ele suspira.
— Eu fiquei de dar uma resposta amanhã ao atual dono. -Ele beija o meu ombro.
Ainda presa em seus braços, eu giro o meu corpo colocando os meus pulsos envolta do seu pescoço.
—É muito bom, ver você feliz assim. — Murmuro.
Suas mãos se movem nas minhas costas e sua boca suavemente se fecha na minha.
—Sou feliz, porque tenho você. -Ele susurra entre os meus labios.
Eu fecho os meus olhos apoiando minha testa contra a dele e beijo a ponta do seu nariz. E pela primeira vez durante todo o dia, consigo me sentir feliz.
Depois que saímos do galpão, caminhamos de mãos dadas pela praça e Peeta me conta quais são os seus planos para a reforma do galpão. Antes de chegarmos perto do edifício da Justiça, encontramos Dally vindo sobre a calçada. Em seus braços eu vejo que ela segura uma de suas criança. Eu já tinha visto as outras de longe, mas essa é a primeira vez que vejo.
—Peeta! Katniss! — Ela vem sorrindo em um vestido branco florido e nos abraça espremendo a menina entre a gente. Eu retribui com um abraço rapido e cauteloso.
—Delly! -Peeta sorrir, e os olhos dele correm de Dally para a bebê — Que linda sua filha, eu não a conhecia ainda. — Ele acaricia a pequena bochecha e depois segura a mão gorducha que se fecha no dedo de Peeta. — Qual é o nome dela?
Delly sorrir.
— Ruana. -Ela responde.
— Você tem um lindo nome, Ruana. — Peeta murmura encantado.
A pequenina rir e por alguma razão, começo a me sentir desconfortável.
—Ela é tão inquieta. — Delly rir ajeitando a filha no braço. -Bagunça tudo o que encontra. Vocês verão quando tiverem um. -Ela me olha, e como se lembrasse de alguma coisa continua. — Vocês querem ter filhos um dia, não querem? — Pergunta.
Eu posso jurar que nesse momento não tem uma gota de sangue no meu rosto. Peeta percebe a minha tensão e toma a frente da conversa.
— Ainda não pensamos sobre o assunto, Delly. -Peeta diz, mentindo. Mentindo para me proteger das perguntas questionadoras de Delly.
Sinto os músculos do meu estômago se contrair. Eu olho para Peeta, e ele me da um sorriso triste colocando as duas mãos nos bolsos da calça.
—Mas vocês querem ter filhos um dia ou não? — Ela insiste curiosa e em seguida faz careta, quando a menina puxa o seu cabelo amarelo e enfia na boca.
Por que Delly não pode ficar com a boca fechada? Sempre tão direta e indiscreta com sua conversa fiada.
Eu vejo Peeta inquieto e olho novamente para ele sentindo o seu constrangimento. E pela primeira vez, eu vejo que ele não saber o que dizer. Eu me sinto tao incomodada com a situação que acabo respondendo sem pensar.
—Claro que sim, só não chegou o momento. — Disparo no meu estado confuso.
Demorei um segundo para absorver as minhas próprias palavras. Por que eu falei isso? Droga, o que Peeta vai pensar?
Eu fecho os meus olhos tentando evitar o seu olhar questionador, que sinto sobre mim. Mas como não consigo, viro o meu rosto e vejo ele confuso e com as sobrancelhas franzidas.
—Que bom Katniss! Quando esse momento chegar, eu quero ser uma das primeiras a saber! E vou te ajudar em tudo com o seu bebê. — Ela fica saltitando na calçada.
Eu mordo o meu lábio aterrorizada com a ideia e no momento a única coisa que sei, é que preciso sair dali o quanto antes. Mas como sempre, as coisas nunca saem do jeito que eu planejo.
A pequena bebê de Dally, começa a pular agoniada no colo da mãe. Ela estica os curtos bracinhos e fica abrindo e fechando as gordas mãozinhas na minha direção. Olho assustada para a menina. Eu já vi outras crianças fazendo isso. Ela está me chamando?! Não pode ser.
—Olha Katniss! Ela quer você! — Delly murmura feliz.
O que? Não!
—Delly é melhor não. Eu não tenho muita prática para carregar crianças.- Eu minto.
—Que besteira, Katniss. Já nascemos com esse dom. — Ela diz me entregando a menina.
Eu a carrego e pisco confusa olhando a pequena criatura de bochecha rosada e olhos azuis que está sentada nos meus braços. Ela olha para mim e sorrir mostrando a sua gengiva praticamente banguela, se não fosse por dois minúsculos dentes brancos em sua boca. De repente a bolinha rosada boceja e esfrega os olhos.
E então o inevitável acontece.
Ela se aconchega encostando a pequena cabeça sobre o meu ombro, e quando do por mim, os seus olhos se fecham e ela adormece no meu colo.
Eu congelo.
Quando sentir o seu frágil corpinho sobre o meu, um medo terrível me abateu, mas de repente comecei a me sentir tranqüila, e naquele instante eu só queria fechar os meus braços e proteje-la. Tentei acalmar os meus pensamentos acelerados, porque eu não sabia exatamente que tipo de sentimento pairavam sobre mim no momento. Estava confusa. Uma verdadeira batalha travava no meu interno.
Peeta me olhava atordoado, e pela sua expressão eu não sabia dizer quem estava em maior choque de nos dois. Olhei mais uma vez a menina adormecida nos meus braços e em seguida a entreguei a Delly.
—Eu não sabia que seu braço era tão bom. — Brinca Delly.- Ruana gostou muito você. Ela nunca fez isso com ninguém. É bom que você já vai se preparando para o seu, Katniss. -Delly rir igual a uma boba. — Bem, eu já vou indo. Foi muito bom encontrar voces dois. — Ela abraça a mim e a Peeta novamente, mas não tenho reação para falar nada. — Tchau meus amigos. — Ela murmura com a sua voz suave e sorrir enquanto se afasta caminhando pela rua com a bola rosada deitada em seus braços.
Enquanto isso, Peeta fica me olhando como se estivesse nascido chifres na minha cabeça. Eu dobro os meus braços contra o meu corpo, em um gesto de defesa, e evito continuar olhando para ele. Por que estou me sentindo tão estranha?
— Porque você disse aquilo a Delly, Katniss? — Ele pergunta com as voz tão baixa, que pareceu mais um gato miando.
Eu do de ombros confusa.
—Eu não sei.- Digo. Mas eu sei que Peeta precisa de uma resposta mais concreta. — Ela estava fazendo muitas perguntas, então foi a única maneira de fazer ela parar. — Minha voz hesita em cada palavra. — Eu quero ir para casa, Peeta.
Ele pisca incrédulo para mim, mas para a minha sorte ele não fala mais nada sobre o assunto.
—Tudo bem, vamos para casa. — Fala Peeta.
Por fim, ele segura a minha mão e seguimos todo o caminho para a vila em silêncio. Mesmo que Peeta não me diga uma única palavra, eu sei que a mente dele está tão barulhenta quanto a minha.
Realmente é inevitável que não estivesse.
Naquela noite, deitada na cama, eu viro e reviro tentando dormir. Quando o despertador marca as três da manhã, eu decido levantar. Eu ergo a minha cabeça um pouco, para olhar para Peeta e levanto com cuidado com medo de acorda-lo.
Caminho até a janela e encosto minha testa no vidro frio, e o alívio é reconfortante para minha dor de cabeça. Eu fecho os meus olhos rezando para que algum vestígio de sono apareça, mas ele não vem. Estou a horas acordada e por algum motivo, a filha de Dally não sai da minha mente. Me sinto confusa e assustada com as coisas que sentir. O que está acontecendo comigo? Porque carregar aquela menina me perturbou tanto desse jeito?
Foi a primeira vez que aquelas sensações me atingiram. E apesar da minha confusão, eu me sentir bem.
Eu suspiro infeliz.
E por algum motivo...alguma razão, tenho vontade de sentir todas essas sensações novamente.
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