Natal. Época de magia, branco e vermelho por toda parte, amigos e famílias reunidas. Considerado por muitos a melhor época do ano. A época das surpresas. E para a latina não poderia ser melhor. A mesa preparada, a decoração sendo finalizada pela esposa, suas duas melhores amigas discutindo na cozinha, enquanto o enorme peru começava a assar.

– Largue de ser prepotente Berry!

– Só quando você largar de ser ignorante Fabray!

– Cuidado RuPal, seu ego está quase chegando ao tamanho do seu nariz e olha, acho que do ano passado pra cá ele deve ter crescido uns cinco centímetros. Pelo menos algo em você cresce não é?

– Muito engraçada você LUCY. Já pensou em ser comediante ou entrar para o circo? Se bem que com o peso que você está é capaz de te contratarem para elefante – retrucou Rachel furiosamente.

– Elas têm quantos anos mesmo? – perguntou Brittany se aproximando da esposa que observava tediosamente a discussão Faberry em sua cozinha.

– Eu me pergunto é quando elas largaram de ser racionais e amiguinhas e voltaram a ser essas irritantes do colegial.

– Talvez tenha sido quando a Quinnie não pode comparecer ao casamento, devido á você sabe o que e você tenha colocado a Rachel de madrinha no lugar dela – cutucou Brittany fazendo Santana revirar os olhos.

– Você sabe o motivo amor, além de estar em cima da hora. Berry era a única disponível. Quem você queria que eu colocasse? Kitty, Madison, Marley, Unique? Jamais. Rach era a escolha mais óbvia – respondeu.

– A morte de Shelby foi um choque para todos. Entendo o porquê de você não ter contado a Rachel na hora, mas o ódio dela por você depois quase estragou nossa lua de mel nas Ilhas Lesbos.

– Ela vai superar baby, aquele anão de jardim me ama.

– Superou isso, mas não vai superar você escolher a Quinnie pra ser madrinha do nosso filho – comentou Brittany, fazendo Santana gelar, não conseguindo expressar nenhuma reação.

– Olha aqui sua mesinha de cabeceira, é impossível assistir alguma peça sua porque EU NÃO TE VEJO. E quando apaga todas as luzes e foca só em você miniatura do plankton, eu preciso de binóculos para te enxergar – falou Quinn preparando os ingredientes do macarrão vegan de Rachel.

– AAAAHHHH, então você assume que é minha fã e vive assistindo minhas peças? Não tente se enganar Fabray, eu sou a maior estrela que você já conheceu –desdenhou a Berry – E além do ma...

– DA PRAS DUAS ADOLESCENTES CALAREM A BOCA QUE MINHA MULHER ACABOU DE ANUNCIAR QUE ESTÁ GRÁVIDA? – gritou Santana saindo do transe, vendo Brittany rir, enquanto Rachel e Quinn arregalavam os olhos, gritavam e pulavam em cima das duas.

– Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus, deu certo dessa vez então? – perguntou Rachel extasiada, vendo Brittany confirmar – Ai meu Deus, eu vou ser madrinha de um bebê Brittana – disse alegre, dando vários pulinhos e vendo as amigas rirem, exceto...

– Hey, hey hey hey, espera aí Man Hands, da onde você tirou que VOCÊ vai ser madrinha dessa criança? Se toca mini plankton, que quem vai ser madrinha do primeiro bebê Brittana sou eu – alfinetou Quinn e Rachel não pensou duas vezes em retribuir.

– E lá vamos nós outra vez – comentou Brittany revirando os olhos. Santana a olhou sorrindo, com os olhos brilhando.

– Tem certeza? – Britt assentiu – De verdade? – novamente a loira assentiu – Jura juradinho? – perguntou e a loira a beijou com paixão, rindo da citação da namorada.

– Juro juradinho Santana Lopez.

– Obrigada por me fazer a mulher mais feliz do mundo. Eu te amo com toda minha vida.

– Obrigada por me deixar te amar de volta.

– EU ODEIO VOCÊ FABRAY.

– EU ODEIO VOCÊ EM DOBRO BERRY.

– Eu odeio as duas ao quadrado, então parem de estragar meu momento – respondeu Santana largando as duas na cozinha, indo atender a porta – Ah não, você!

– E você – o homem respondeu com o famoso sorriso sarcástico.

– Ainda tinha a esperança de você ter se perdido, ou esquecido o caminho, ou até quem sabe se atrapalhado e pulado de uma ponte.

– É sempre um prazer te ver também Santana.

– Não posso dizer o mesmo St. James. Agora, vá até cozinha e dê um jeito na sua mulher, Sam ainda não chegou para ajudar e aquelas duas ali estão se matando.

Rachel e Jesse começaram a namorar pouco tempo depois da morena ter voltado aos palcos e estavam juntos desde então. Eram maduros agora. Berry em busca do estrelado e St.James dando aulas de teatro e canto para crianças. Moravam em NY, onde Santana e Brittany também moravam, além de Quinn, solteira desde o trágico término com Puck. Amava o judeu, mas desde que o mesmo se ferira em uma batalha e mesmo assim resolveu voltar para o exército, deu o ultimato: Ou a guerra ou ela e Beth, que vive com ela e às vezes com Rachel desde o assassinato de Shelby, no dia do casamento de Brittany e Santana. Desde então nunca mais tiveram noticias do moreno e a loira se culpava por isso. Sam ainda vivia em Lima, coordenando os McKinley Titans junto com o treinador Beiste, mas constantemente viajava até NY, por Rachel principalmente.

Se reuniam normalmente em quase todas as datas festivas, exceto por Mercedes, devido aos inúmeros shows e falta de tempo e às vezes por Kurt e Blaine, o que não era diferente desta vez. Mercedes ligou em cima da hora avisando não poder ir por problemas pessoais, mas lógico que Santana e Brittany sabiam do que realmente se tratava: Sam Evans. Pouco depois de Rachel assumir o coral, depois da sua fracassada série, Sam e ela se envolveram e por mais que Mercedes dissesse não sentir mais nada e o amar como amigo, não era bem assim. Sam foi seu primeiro, verdadeiro e grande amor, sempre seria. A dor de ver uma de suas grandes amigas se envolvendo com seu ex foi o estopim para a diva. Desde então, mesmo com o fim do casal Samchel, Mercedes evitava comparecer em ocasiões em que os dois estariam juntos e como sempre Sam nunca percebia isso, ou pelo menos era o que ela achava.

– Ok, mais um desfalque hoje – comentou Brittany ao desligar o telefone, atraindo todos os olhares para si – Kurt e Blaine não poderão vir. Algo sobre Sebastian e resolver uns problemas. Não entendi ao certo.

– Klaine terá um Natal caliente com aquele projeto de gay, me gusta– falou Santana aplaudindo, enquanto Quinn e Rachel reviravam os olhos.

O som de Don’t Rain On My Parade começou a tocar alto e crescente, fazendo Rachel pegar o celular rapidamente, atendendo mesmo sem reconhecer o número.

– Alô – falou ela ficando séria rapidamente. – Sim, é ela – ao seu lado estava Jesse, o qual sentia o aperto em sua mão crescer a cada segundo – Ok – as palavras monossilábicas e seriedade da Berry puxou toda a atenção dos outros para si – Eu.. Ok, eu estou indo o mais rápido possível – Rachel respondeu encerrando a ligação em seguida.

– Berry? – chamou Santana não obtendo resposta.

– Rach? – desta vez foi Quinn, se aproximando da amiga. Rachel a olhou, com os olhos marejados.

– Shelby – disse simplesmente – Era o Departamento Policial de Lima. Eles descobriram quem assassinou Shelby, pelo menos dizem achar ter descoberto.

Santana sentiu Brittany lhe abraçar e Jesse fez o mesmo com Rachel, beijando o topo da cabeça da mesma.

– Eu tenho que ir pra lá. Agora. Não quero mais esperar.

– Eu vou com você – falou Quinn se levantando.

– Vamos todas – foi a vez de Brittany e Santana assentiu.

– Temos que avisar o Sam, poderia fazer isso Jesse? – perguntou Quinn e Jesse assentiu, discando para o loiro – San, Beth está dormindo, você poderia pegar ela? – A loira pediu e Santana obedeceu sem nem questionar.

– Estamos voltando pra Lima – falou Rachel encarando a loira mais baixa.

– Estamos finalmente voltando pra Lima – Quinn respondeu.

***

O coração de Kurt quase saiu de seu corpo ao receber aquela ligação. Esperou por tanto tempo, mas só agora percebera o quanto estava desesperado por isso. Respostas. Cancelou todos seus planos na hora, mas sentia que não estava preparado.

– Essa roupa está boa? – perguntou á Blaine, que terminava de se arrumar.

– Você está ótimo Kurt, sempre está – Blaine disse se aproximando.

– Não está muito sério, ou muito irresponsável, ou...

– Hey, hey... Se acalme – pediu.

– E se... Se eles não gostarem de nós, ou de mim e eu estragar tudo. Blaine, esse é o nosso sonho. E se eu for o culpado por arruinar nosso sonho?

– Esqueça isso. É impossível não gostar de você e eles também vão gostar e perceber que você é a melhor escolha pra isso. Eu amo você Kurt Hummel, amo tudo em você e sei que eles também vão te amar. Nos amar. Vai dar tudo certo. Tenha fé – falou Blaine segurando as mãos de Kurt, o beijando em seguida – Feliz Natal meu amor.

– Eu amo tanto você Blaine Anderson – respondeu de volta.

– Vocês são tão melosos – comentou o loiro encostado no vão da porta, com um copo do que Kurt tinha certeza ser whisky, debochando dos dois.

– Até quando Sebastian vai ficar aqui mesmo? – Kurt perguntou.

– Até Dave o aceitar de volta ou ele arrumar um emprego por aqui. É por pouco tempo baby – disse Blaine terminando de arrumar sua gravata borboleta.

– Ter ele por aqui futuramente nos trará problemas, você sabe não é?

– Nos livraremos dele antes disso, não se preocupe – Blaine respondeu.

– Hey, eu ainda estou aqui e posso ouvir vocês – gritou o Smythe vendo os amigos saírem de casa, o ignorando – E boa sorte ok, ingratos!

Fazia quase duas semanas que Sebastian Smythe estava morando em NY com Kurt e Blaine. Ironicamente, após Blaine e Dave terminar e o garoto do gel voltar com o ex-namorado, Kurt sentiu “pena” do amigo e entrou com a missão cupido, junto com Blaine, na intenção de arrumar um namorado para Karofsky. Depois de meses de tentativas e encontro desastrosos, numa tarde qualquer no Lima Bean encontraram a pessoa perfeita, como se a resposta estivesse na frente deles o tempo todo. Depois de um tempo de encontros entre os quatro, Sebastian finalmente aceitou ir a um encontro somente com David e desde então estão namorando. Ou estavam pelo menos. Tiveram uma briga feia graças ao ciúme obsessivo de Dave e inconveniência de Sebastian, o que nos trás a Sebastian chegando de madrugada na casa dos amigos, bêbado, furioso, vindo de Lima e se hospedando lá desde então. Duas semanas fracassadas de tentativas de conversaram com Dave.

Assim que Blaine estacionou o carro, Kurt se agarrou ao banco. Suas mão tremiam, soavam frio e seu coração nunca bateu tão rápido quanto naquele momento.

– Apenas respire. Vamos? – Blaine perguntou apertando a mão do amado. Kurt assentiu e saíram do carro.

A enorme instituição almejada seriedade, conforto e um sistema rústico. Tudo modelado no seu devido lugar, sem nenhuma falha. Uma jovem loira, aparentando não ter mais que 25 anos se aproximou dos dois sorrindo.

– Olá, Sejam Bem-Vindos a nossa instituição. Meu nome é Elise e sou a assistente social responsável pelo o encaminhamento entre os interessados à adoção e a criança. Você devem ser os Srs. Hummel-Anderson certo?

– Sim – respondeu Blaine. Elise sorriu mais ainda ao ver o nervosismo de Kurt.

– Se acalme ok? Vocês já passaram pelo o mais difícil. Meu superior passou o caso de vocês, eu li os relatórios das entrevistas que fizeram com nossa psicóloga e orientadora, com nosso chefe responsável por todas as avaliações adotivas, e agora vocês chegaram até a mim. Nosso trabalho é tranquilo. Hoje levarei vocês para conhecerem as crianças. E nesse meio tempo, iremos conversando, sem pressões ok? – falou Elise diretamente para Kurt.

O corredor até a área que levariam até as crianças foi o caminho mais tortuoso que Kurt já percorrera na vida. Blaine conversava animadamente com Elise, falando sobre o casal, o desejo da adoção, a vida pessoal e não teve dúvidas que a assistente social simpatizou com eles.

– Bom, vou deixar vocês a sós. Não precisam ter medo, são apenas crianças, de variadas idades, mas são uns amores. Espero que vocês encontrem o que desejam aqui. Tenho uma surpresa pra vocês no final. Qualquer coisa estarei na sala ao lado. Aproveitem – disse Elise – Pessoal, digam olá para Kurt e Blaine. Eles vieram visitar vocês hoje. Sejam legais ok? – falou ela se retirando da sala em seguida, deixando o casal sozinho com vários olhinhos os encarando.

– Olá – falou Blaine sorrindo, ao sentir uma pequena mãozinha em sua perna – como você se chama? –perguntou agachando para ficar na da altura do pequeno menino de cabelos castanhos – Eu sou o Blaine.

– Marcus – respondeu o garoto.

–Marcus, é um lindo nome. Quantos anos você tem Marcus?

– Quatro. Eu gosto de desenhar – disse Marcus puxando Blaine pela a mão até uma mesa com várias folhas e giz de cera, entregando uma com vários rabiscos coloridos ao moreno.

– Nossa você que fez? – o pequeno menino assentiu timidamente.

– É um cachorro brincando com uma bolinha. Eu gosto de cachorros e de bola também.

– Pois seu cachorro ficou lindo. O que mais você gosta? – Blaine se ocupou com o garoto, não percebendo Kurt se afastando até o canto da sala, onde estava uma garotinha que não aparentava ter mais de dois anos, com longos cabelos negros e olhos profundamente negros também, sentada sozinha com seu vestido azul claro e agarrada à uma pequena boneca. Lentamente ele se aproximou da pequena, sentando ao lado dela sem falar nada. Apenas observava.

E foi assim por um longo tempo. Blaine conversou com várias outras crianças do local com Marcus sempre ao seu enlaço, enquanto Kurt passou todo o seu tempo ali em silêncio, ao lado da pequena morena da pele clarinha como a neve. Logo Blaine apareceu ao lado de Kurt com Elise ao seu lado.

– Hey, vejo que conheceu a Alice. Você falou oi para o tio Alice? – Elise perguntou, não obtendo uma resposta da criança – Bom, o tio tem que ir embora agora ok?

Kurt olhou para Elise, depois para Blaine e por último para a pequena.

– Tchau Alice – Kurt a olhou. A garota continuou encarando a boneca como se eles não estivessem ali. Os três se encararam, seguindo caminho a saída, quando Kurt sentiu um puxão em sua calça, parando e se surpreendendo ao ver Alice ali. Se agachou até ela e sorriu. Alice estendeu a mãozinha para Kurt, entregando um pequeno ursinho para o mesmo.

– Ed da Ice (Ted da Alice) – correndo de volta ao lugar anterior, fazendo o coração de Kurt saltar pela a boca de tanta fofura.

Se dirigiram até a sala de Elisa, onde a mesma começou a dar certas explicações.

– E aí, encantadores não? – Ela perguntou – Bom, agora funciona da seguinte forma. Vocês podem visitar a Instituição sempre que quiserem, todos os dias, em vários horários, vai da preferência de vocês. A permanência dura de uma á no máximo duas horas com as crianças aqui. Enfim, eu gostei de vocês e sei que serão ótimos pais. Por isso, como disse antes tenho uma surpresa para vocês. Como é véspera de natal e a primeira visitas de vocês, é impossível da minha parte entregar uma criança em suas mãos hoje, mas estou assumindo um compromisso com vocês que na virada do ano eu permitirei vocês levarem a criança que vocês mais se identificaram por dois dias. Vocês precisam se adaptar a ela e ela a vocês. Combinado? – Elise podia ver o brilho nos olhos dos dois e esse era o motivo pelo o qual ela sabia estar tomando a decisão correta.

– Muito, muito, muito obrigado mesmo. Você não sabe o quanto isso significa para nós – Blaine falou apertando a mão de Kurt.

Assim que entraram no carro, os dois se encararam sorrindo.

– Nós seremos pais – falou Kurt sentindo as lágrimas começarem a descer pelo o seu rosto.

– Nós seremos pais, ótimos pais. Juntos – respondeu Blaine emocionado.

– Juntos – Kurt sussurrou antes de beijá-lo.

***

– Hey é quase natal, o que você está fazendo aí? – perguntou Emma entrando no escritório do marido.

– Só mais 20 minutos amor. Estou separando algumas playlists de possíveis canções para as Regionais – disse William à ruiva, juntando os vários papeis espalhados por sua mesa. Após a saída de Kurt e Rachel do comando do New Directions, Schuester assumiu novamente o comando do coral que tanto amava. Mesmo com o pouco dinheiro que ganhava, era o que amava fazer. E queria passar todo esse amor para seu filho. Voltou sua atenção para a porta ao notar Sheldon entrando no local – Hey, Sheldon. Não sabia que já tinha chegado.

– Será que podemos conversar? – pediu o treinador sério. Will obedeceu, apontado a cadeira a sua frente para o amigo.

– Aconteceu algo Sheldon? – Ele perguntou preocupado.

– Puckerman – respondeu Beiste – Parece que o encontraram. Jake veio dar a notícia.

– E onde ele está? Como ele está? Vamos vê-lo agora Sheldon – falou Will apressadamente, mas Beiste o segurou.

– Ele está no hospital Will. Mas está sobre escolta policial. Ninguém sabe o que aconteceu e parece que ele ainda não acordou – respondeu.

– O que faremos agora? – Will perguntou.

– Esperamos, Jake certificou de nos informar qualquer mudança. Mas não sei, acho que você deveria ligar para a Quinn.

– Quinn está em New York Sheldon. Acho melhor não incomodar até termos certeza se está tudo bem – Will falou incerto.

– Puck desapareceu por meses Will, não dias ou semanas. Acho que Quinn gostaria de saber que o pai da filha dela voltou – comentou o treinador.

– É natal Sheldon, não quero arruinar as coisas pra Quinn justo hoje. Não agora ok?

– Seja lá o que Puckerman fez, explicações serão necessárias. Muitas. Não se deixe abalar pelo o sentimento de proteção que você tem por eles Schuester. Às vezes você tem que soltar a mão deles, pra se equilibrarem sozinhos. Não apoiando em você. – Beiste falou, voltando para a sala de estar. Willian respirou fundo, sem saber o que fazer.

– Okay, vamos lá mais uma vez – Sussurrou para si mesmo. As coisas complicaram demais depois que eles cresceram. Era só isso que o professor conseguia pensar.

***

Artie se dirigiu o mais rápido que pode até a porta, graças a incessante campainha que não parava de tocar. Provavelmente seria a namorada, devido à hora. Mal abriu a porta, o cadeirante assistiu o amigo entrar todo molhado, consequência da rápida chuva que caíra minutos atrás. Mike andava aflito de um lado para o outro, passando a assustar o amigo.

– Ok, pode me dizer o que está acontecendo? – Artie perguntou fechando a porta, indo até o asiático.

– Tina – disse Mike finalmente, soltando toda a respiração e se jogando no sofá – Ela está grávida.

Artie o olhou surpreso, sorrindo em seguida.

– Isso é ótimo Mike. Fico feliz por vocês – comentou o cadeirante.

– Ótimo? Ótimo Artie? O que tem de ótimo nisso? Não. Isso não podia estar acontecendo, somos novos ainda, nem nos casamos, moramos em cidades diferentes. Eu ainda não concluí a universidade. Isso acaba com todos os meus planos – Mike respondeu indignado – Eu não sei o que fazer com isso, não sei como agir. Ela está toda feliz e eu... Não sei se sirvo para ser pai de alguém – desabafou.

O cadeirante ia o responder quando novamente a campainha tocou e Kitty apareceu pela a porta, notando o clima tenso que estava presente naquela sala.

– Está tudo bem? – ela perguntou os encarando.

– Vai ficar – Artie respondeu, segurando a mão da namorada e olhando para o amigo – Nós estamos com você, tudo ficará bem.

Mike suspirou e assentiu, pegando o celular em seguida, notando ter três chamadas perdidas de Tina. Respirou fundo uma última vez, retornando a ligação. Explicou para a namorada onde estava e que logo estaria em casa, encerrando a ligação minutos depois. Olhou para Artie e Kitty sério.

– Mrs. Schue ligou para Tina. Pediu para que todos nos encontrássemos na porta do McKinley antes que escureça. Parece que precisa conversar com todos nós urgentemente – Falou ele.

– Céus, nem no natal Schuester consegue ficar longe de nós – brincou Kitty pegando suas coisas, sendo a primeira a sair.

Artie olhou para Mike sorrindo, antes de o amigo o empurrar para fora de casa.

– Depois continuaremos a nossa conversa ok? Mas primeiro, veremos o que de tão importante o Will tem para nos falar – Artie comentou, vendo Mike assentir, antes de partirem rumo ao colégio William McKinley.

***

Em um momento súbito de consciência Rachel quase pulou de seu acento, assustando seus amigos.

– Kurt! – exclamou ela os olhando – Esquecemos de avisar o Kurt.

– Hey Rach, fique calma. Quando chegarmos em Lima ligamos para ele e Blaine. Mas sei que provavelmente Mercedes os avisará. Liguei pra ela pouco antes de embarcarmos – Sam comentou se virando para olhar a amiga. Rachel se tornara para ele algo próximo à uma irmã mais nova após o término da relação que tiveram. Perceberam que funcionavam melhores como amigos e desde então Sam considera sua obrigação proteger a pequena. Rachel passara a ser sua melhor amiga, sua confidente e a amava, como amiga é claro. A relação dos dois era algo de se admirar, mesmo morando longe um do outro.

– Conversou com ela? – Rachel perguntou curiosa, mas o loiro negou.

– Que nada. Ela não quer me escutar mais. E eu só precisava disso, cinco minutos para falar tudo o que preciso, tudo o que sinto – disse ele.

– Hey, ela irá te escutar, sei que sim. Confie nos seus sentimentos e lhe dê mais um tempo. Todos sabemos que vocês foram feitos um para o outro. Ela também perceberá.

– Eu espero Rach, eu espero – Sam confessou.

– Só mais 40 minutos pessoal, só mais 40 minutos – Jesse comentou, sentindo Rachel apertar seu braço depositando todo seu medo ali. Ao mesmo tempo em que queria finalmente saber o culpado, a morena não queria pisar novamente em Lima. Foi ali que seu grande amor morreu, onde seus pais se separaram, onde correu quando tudo fracassou, onde sua mãe foi assassinada. Rachel só não queria mais pisar em Lima, mas ao mesmo tempo sentia uma necessidade imensa de rever seus amigos, se apoiar neles. Sentir o quanto era especial. Se sentir amada pelas pessoas que mais amava. Sua segunda família. Seu suporte. O lugar que sempre poderia chamar de lar.

***

Kitty se surpreendeu ao chegar no local combinado e encontrar lá Marley, Jake, Ryder e Unique, assim como Mason, Madison, Jane, Spencer e Roderick, esperando junto a Will, Emma e Beiste, percebendo se tratar de algo mais sério do que imaginava.

– Que bom que chegaram. Desculpem por ligar tão em cima da hora e em uma data como essa, mas achei que todos deveriam saber ainda hoje. – Will disse aos seus antigos alunos – Noah Puckerman foi encontrado.

– O que? – Artie perguntou confuso.

– Onde ele está? – foi a vez de Mike perguntar.

O burburinho entre os ali presente era notável. Somente os que estavam ali sabiam do “desaparecimento” de Noah. Para a mãe, o judeu ainda estava no exército. Talvez até seja verdade, mas a falta de notícias de Puck os fizeram acreditar que algo havia acontecido.

– HEY, QUIETOS. TODO MUNDO – gritou Jake – Não sabemos ao certo o que aconteceu ok? Ele pode ter sumido por uns tempos. Ninguém sabe. Mas o que importa agora é que ele está aqui, então, por favor, sejam menos inconvenientes.

– Ok, porque está sendo tão estúpido assim? – Kitty falou devido a atitude de Jake.

– Não estou sendo estúpido. E acho essa reunião desnecessária. Contei a vocês na intenção de manterem para si até termos uma posição sobre o que aconteceu, mas não. Como sempre, tudo tem que envolver o Glee Club – Jake respondeu de volta.

– Você sabe de algo que não sabemos Puckerman? – retrucou Kitty séria. Jake estava inquieto desde que chegaram e a loira não deixou isso escapar.

No entanto, quando o moreno ia responder o telefone de Will tocou e rapidamente o professor atendeu ao ler no visor o nome tão conhecido.

– Temos que avisar os que estão em New York. Quinn tem que saber que ele está aqui – Tina falou se intrometendo na conversa dos dois.

– Puck não merece Quinn, muito menos o amor dela. Acho que ela não deveria ser envolvida nisso – Marley comentou.

– Todos deveriam saber, ele é amigos de todos nós. Somos uma família esqueceram? – Unique replicou.

– Concordo com a Marley, Quinn não precisa ficar sabendo. Já não é mais do interesse dela – Ryder falou se posicionando.

– Ah, é lógico que você vai concordar com ela. Quando você vai sacar que ela não te quer cara? – Jake questionou, empurrando Ryder em seguida.

– Ela é minha amiga e não te quer também cara. Se liga – alfinetou Ryder o empurrando de volta. E foi aí que a confusão começou. Kitty se virou para Marley furiosa.

– ONDE DIABOS VOCÊS SE METERAM ESSE TEMPO TODO? – questionou a loira demonstrando o quanto estava magoada com os amigos – EU PRECISEI DE VOCÊS, DE VOCÊ E NENHUM ESTAVA AQUI.

– Eu vou acabar com você Lynn.

– Pode vir Puckerman.

– JÁ CHEGA – Will gritou assim que desligou a ligação, vendo de um lado Sheldon e Spencer segurando Jake e Roderick e Mason segurando Ryder – VOCÊS NÃO ACHAM QUE ESTÃO GRANDINHOS PARA ISSO NÃO?

– Foi ele quem começou – Jake respondeu e Ryder revirou os olhos.

– Não importa quem começou. Temos assuntos mais importantes para tratar do que essa briguinha infantil de vocês – falou o professor.

– Precisamos avisar Rachel e os outros Mrs. Schue – comentou Madison, pela primeira vez na noite.

– Não será necessário. Santana acabou de me ligar – disse ele respirando fundo em seguida – Eles já estão vindo para Lima. Rachel recebeu uma ligação – o suspense de Will estava deixando todos agoniados – Era do Departamento Policial. Sobre o assassinato de Shelby.

– Descobriram algo? – Emma perguntou ao marido, preocupada, assim como todos.

–Sim. Encontraram o culpado pela a morte dela. Eles estão vindo para cá por isso – disse ele vendo todos surpresos com a noticia – Encontraram a pessoa que assassinou Shelby Corcoran – repetiu ele terminando eu olhar em Sheldon, o encarando como se tentasse conversar por pensamentos. E notou que o treinador entendera o que ele queria dizer ao ver o mesmo arregalar os olhos.

Seus pensamentos não poderiam estar corretos. Pelo menos Will tentava acreditar que não.

– Onde eles estão agora? – Tina perguntou chamando a atenção do professor de volta.

– Eles estão a caminho. Estão voltando para casa – respondeu ele olhando para a mesma – Agora temos que esperar. Esperar por Puck, por Rachel e os outros. Apenas esperar – disse se afastando da ex-aluna, indo até Sheldon.

– Você acha? – Beiste perguntou ao amigo.

– Pretendo não acreditar nisso. Só temos que esperar agora.

– Will... – advertiu Sheldon,

– Eu tenho fé e não vou acreditar em outra coisa até provarem. Nós somos assim Sheldon, não deixamos de acreditar uns nos outros e isso basta – Will confessou – Somos uma família.

– Como quiser Will, como quiser!

***

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.