Família de semideuses - Profecia incompleta
18 Ela voltou!
Notas iniciais
Annabeth POV´s
*DOIS DIAS, DEZOITO HORAS E TRINTA E QUATRO MINUTOS DEPOIS...*
– Percy, acorda, chegamos em Roma! – disse eu, animada
– Já? – perguntou ele, sonolento
– Sim, agora ande, cabeça de alga, estão esperando.
Estávamos descendo com Argo III no rio Fiume Tevere, que cortava a cidade. Leo e Calipso ficariam no navio para o deixarem flutuando sobre Roma. Ai deuses, tantos monumentos para conhecer... Pena que não tínhamos tempo suficiente. Conversando muito com todos, pipes os convenceu a conhecermos três lugares. Em nossa outra visita tínhamos conhecido o Coliseu e pouco das ruelas da cidade tão maravilhosa. Infelizmente eu tinha conhecido uma parte ruim do subterrâneo, onde quebrei o pé e logo depois onde havia uma entrada para o tártaro, na qual eu cai e tive os piores momentos de minha vida.
Enfim, voltando a minha felicidade, hoje iriamos conhecer o Vaticano, reveríamos o Coliseu e conheceríamos a basílica de São Pedro. Eu já me contentava só de olhar para a arquitetura daquelas ruas e casas antigas, mas graças a pipes, conheceríamos por dentro, mesmo sem tempo.
Não faltava muito para chegarmos ao nosso destino, mas confesso que esses dias pareciam séculos por causa dos ataques. Como evitamos Hércules, ele mandou grandes monstros atrás do Argo III, por isso tínhamos que viajar somente no ar. Percy passava a maior parte do tempo perto de Jason – mais com Jason do que comigo -, pois acreditava que Zeus não arriscaria a vida do filho. Talvez fosse impressão minha, mas me pareceu que o medo de Percy de viajar no ar tinha aumentado.
Subimos no convés principal e demos de cara com a linda paisagem de Roma. Diante daquele lugar perfeito, Percy percebeu minha alegria e me beijou, para deixar tudo ainda melhor. Piper veio nos chamar para o café da manhã. Ainda estávamos descendo, portanto Hazel disse que não comeria nada. Ela se levantou da mesa e foi esperar na parte aberta do convés. Depois de comer, Frank embalou um sanduiche e levou para Hazel comer quando descêssemos do navio.
Estava esfriando, então colocamos agasalhos e nos preparamos para descer. Era muito cedo para ter alguém na rua, mas não sabíamos o que a névoa passava aos olhos mortais. Como Leo e Calipso ficariam, não precisamos de escada. Achei arriscado, mas Percy invocou as aguas do rio para uma aterrisagem segura, como fizemos no tártaro... Jason controlou os ventos e levou Piper no colo. Frank se transformou em dragão e levou Hazel. Quando chegamos, Leo já subia com o Argo III. Héfia colocou a cabeça para fora e olhava pipes partir tristemente.
– Não se preocupe, eu volto – Piper gritou para ela, e atirou um beijo
– Tudo bem, para onde vamos? – perguntou Hazel
– Coliseu? – sugeri
– O.K., mas temos que fazer uma coisa antes. – disse pipes, com expressão assustada
Olhei para onde ela olhava e vi o que a apavorava. Vi uma exposição de tecelagem. Não. Concurso de tecelagem. Fotógrafos e jornalistas começaram a se amontoar ao redor de algo, mas o pouco que vi foi mais que o suficiente. O pavor me consumiu e eu fiquei com os olhos arregalados.
– Annie, temos que ir até lá. – disse Percy
– Não. Não posso me reencontrar com ela.
– E se não for ela? Temos que ter certeza. – respondeu ele
– Temos que mata-la. – disse pipes
– Alguém me explica? – disse Jason
– Vou me certificar do que se trata. – disse Percy, bravamente
– Vou com você – falei, mesmo contra minha vontade e sai correndo atrás dele
– Annie, não precisa vir se não quiser – disse ele correndo e colocando a mão no bolso à procura de contracorrente.
– Acertou. Não quero, mas vou igual... – falei, enquanto corria ao seu lado
– Sei que não quer se reencontrar com ela – disse ele
– Ela quem? – perguntou Frank
Não respondi e continuei correndo. Chegando perto, vi a mais perfeita tecelagem. Feita com fios de ouro, transada somente em sentidos diferentes, formando a mais bela tapeçaria. Sem duvidas, era ela...
– Annie, vá até o navio, agora! – gritou pipes
Eu sabia que era o melhor a fazer, não pensei duas vezes, então me virei para correr, mas eu simplesmente não consegui. Não sabia o que estava acontecendo, mas senti que cai e fui arrastada. Os flashes das câmeras estavam direcionados para mim, não me deixando ver muito ao redor. As memórias me vieram à cabeça e senti sua teia apertando meu tornozelo. Aracne me puxou para trás da tapeçaria dourada que continha a imagem do Coliseu, e só então pude vê-la. Tão rápido quanto meu medo apareceu, Percy atacou Aracne, mas foi um grande erro. Ela estava mais que preparada para isso. Aracne lhe lançou uma teia, que se enrolou em seu pescoço.
– Você não vai me matar tão facilmente, filhote do mar. – A voz áspera chegou aos meus ouvidos como uma lâmina.
– Solte-os! – gritou pipes.
– Ou o que? – desafiou ela, enquanto os outros chegavam perto
– Ou você sentirá a fúria do amor.
– Hahaha – riu Aracne – Vocês acham mesmo que podem me ferir? Agora saiam enquanto eu estou de bom humor.
– Solte-os – disse pipes, usando charme. Não funcionou
Piper e Jason a atacaram. Hazel e Frank passaram por trás para nos soltar.
– Seus tolos! Estou muito mais forte e ágil do que antes. – disse ela, com arrogância – Se querem o filhote do mar ou a filha da sabedoria, desistam. Se querem liberdade, fujam agora. A decisão é de vocês.
Piper atacou pela frente novamente, enquanto Jason ia por trás. Frank se transformou em dragão e Hazel se escondeu, esperando o momento certo para nos resgatas. Eu poderia fazer alguma coisa contra ela, já que eu estava só com o pé preso, mas o medo e a dor me consumiam por inteira. Ao ver Percy sendo estrangulado meus sentidos voltaram. Deixei a dor e o medo de lado e peguei minha adaga no bolso. Me arrastei pelo chão e num corte rápido, cortei a teia que ligava Percy e Aracne. Ele por si só conseguiu soltar o pescoço. A briga estava grande, e achei que era distração suficiente para Aracne, então tentei me soltar. Na mais inesperada velocidade, ela se virou e me atacou. Com a sensação de raiva, medo, dor, angustia e desprezo, joguei minha adaga em sua direção e em poucos instantes, Aracne não estava mais lá. No primeiro momento eu não sabia o que estava havendo, mas então vi algo que me chamou mais atenção que entender a situação. Percy estava caído no chão, com o pescoço vermelho. Algumas gotas de sangue lhe escorriam.
– Percy – gritei.
Tentei levantar, mas não consegui, então...
– Annie, não! – gritou pipes
Olhei para o meu tornozelo, que agora doía tanto que se igualava ao dia em que quebrei-o. Estava com o mesmo vermelho do pescoço de Percy e também sangrava em alguns lugares. Se Percy estivesse sentindo o mesmo que eu, não demoraria muito para que morrêssemos.
– Piper – gritei desesperada
Olhei para ela e notei um pequeno vermelho em seu rosto. Jason também tinha um, porém no ombro. Tentei olhar para os outros, mas eu simplesmente não conseguia enxerga-los. Minha visão estava turva, fiquei muito tonta e com uma dor latejante no tornozelo. Eu sentia o veneno da teia subindo pela minha perna, percorrendo todo o meu corpo até chegar no pescoço, onde uma sensação sufocante surgiu, me apavorando. Quando chegou na cabeça, tudo começou escurecer...
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