Family Complex

1 A pequena garota de cabelos loiros


Notas iniciais
Olá e sejam bem vindos a minha fanfic.

Criei uma fanfic inteiramente focada na família e nos seus assuntos mais complicados. Pois é. Cada um sabe que sustentar uma família não é fácil, principalmente quando se trata de criar uma criança. É aí que os cabelos começam a cair.
Bom, não sou muito expert no assunto, então é mais ou menos assim que eu o vejo. (risos)

Enfim, espero que gostem do tema e tenham uma boa leitura!

Praticamente eu comecei meu dia assim: eu acordava sobressaltado no meio da noite por conta de um pesadelo que me perseguia noite após noite. Esse era um motivo na qual eu não conseguia dormir e ficava zanzando pelo quarto por horas até os primeiros raios de Sol começar a brotar no horizonte. Hoje fiz algo diferente do que eu fazia anteriormente que era simplesmente acordar e ir até a sala assistir algum programa na TV.

Tirei meu corpo cansado da cama e fui direto ao banheiro. Fui até a pia, liguei a torneira que liberou um jato frio, juntei a palma das mãos que começaram a transbordar e levei até o meu rosto. Analisei por um instante minha reação encharcada no espelho a minha frente. Pele pálida, olhos castanhos caídos e como sempre a barba ainda por fazer. Bom, preciso resolver isso mais tarde, pois agora meu corpo começou a agir por vontade própria, se esparramando na cama, mais morto do que vivo.

Eu ainda tinha força de sobra para erguer meu braço e checar o relógio em cima da pequena estante de três gavetas. Eram exatamente 4 horas da manhã em ponto. Bom, tentei tirar uma soneca ao menos, mais minutos depois quando penso que tudo estava tranquilo e minha mente havia finalmente encontrado a paz, o mesmo pesadelo vem e me assombra novamente me arrancando o último fôlego.

O sonho era basicamente assim: eu dirigia numa rua deserta no meio da noite, morto de bêbado, e do nada, aparece uma mulher jovem com uma aparência elegante e delicada que acaba sendo atropelada por mim. O sonho acaba sem eu ao menos ver o rosto da mulher manchada em sangue. Um motivo a mais para eu abrir meus olhos e refletir por um momento se isso era ou não algo que aconteceu realmente. Faltando vinte minutos para as cinco, decido me levantar novamente e saio do meu quarto, rumo à cozinha que ficava no primeiro andar da minha casa.

Na cozinha, eu abro a geladeira e por alguns segundos, retiro uma caixa de suco natural e começa a despejar o conteúdo garganta a baixo deixando ele quase na metade. Solto um arroto.

―Tédio... ―suspiro levemente.

E devolvo o recipiente ao seu local.

Devo admitir que mesmo morando sozinho em uma casa enorme em que meus pais haviam me ajudado a pagar, eu meio que me sentia entediado na maioria das vezes por viver solitário. Como podem perceber, sou um homem velho e chato como todos da minha família dizem, no início dos 30 anos. Sou um rapaz lindo mesmo na flor da idade ―ao menos tenho que admitir isso― e com um corpo em ótima forma. De vez em quando apareço em casa com uma mulher diferente em casa a cada encontro apenas para espantar a solidão, porém acabam que terminando a relação muito antes de começarem pelo simples fato de eu possuir um trabalho árduo que pague pouco. Se isso é um alívio para mim, bom, eu digo que sim. Se as mulheres se apaixonam por eu ser um “gato”, bom, mil vezes sim, pois essa é a verdade creio eu.

Minha rotina matinal sempre começava com exercícios físicos apenas para manter a saúde e o meu corpo em boa forma. Eram exatamente quatro corridas pelo quarteirão e no final, quatro séries de trinta envolvendo flexões e abdominais no final de cada percurso.

De volta a minha casa com a blusa branca ensopada de suor, vou até o banheiro e começo a me banhar com água fria que saia do chuveiro. Foi só eu sair do banho que meu celular começa a toca e eu já tinha um palpite de quem era.

―Alô.

―Oi meu filho! Sou eu, sua mãe!

Oh, novidade...

―Oi mãe. ―respondo fingindo está alegre com a ligação. ―Eu não esperava a sua ligação. Está tudo bem com a senhora?

Ela demorou a responder. Tinha algo de podre aí e eu podia sentir de longe assim que respondeu com um tom de voz um tanto triste.

―Bom... Liguei para você pra saber se tem como dar uma passada por aqui hoje. É urgente.

Definitivamente havia algo de errado.

―Acabei de voltar do treinamento, mas já que a senhora disse que é algo urgente, já estou a caminho.

―Ótimo. Obrigada.

Ela desligou muito antes de eu perguntar do que se tratava. Bom, talvez eu descobrisse assim que eu chegasse lá. Praticamente, meus pais e outros parentes moravam na mesma casa a algumas quadras daqui. Ir até lá a pé não iria me esgotar completamente, mas a curiosidade me deixou forte o suficiente para me arrumar e sair às pressas de casa.

Chego ao meu destino. O calor da manhã me fez suar completamente no meio do percurso e acabou me esgotando até aqui. Espero não está passando por tudo isso em vão. Sem fazer muita cerimônia, entrei sem hesitar em casa e em seguida vejo alguém que acabou me chamando a atenção por alguns segundos.

Uma pequena garota ―cujo eu nunca tinha visto na minha vida― de pele branca com seus cabelos loiros presos em um rabo de cavalo com um pompom rosa começa a me olhar curiosamente com o seu belo par de olhos azuis enquanto eu me agacho e retiro meu tênis na entrada. Só para deixar claro: eu detestava ser observado por gente que eu não conhecia. Eu me sentia um completo esquisito trajando uma blusa verde listrada e calças jeans escuro. Já a menor, era algo comum na sua idade vestir uma blusa com estampa de um peixe e uma sainha branca que combinava com a cor da blusa e uma sapatilha preta.

Tornei meus olhos para o meu tênis. Segundos depois, olho de relance por cima do ombro. Ela ainda estava me olhando atentamente com aqueles olhos azuis na qual eu tinha um fetiche. Bom, por mulheres mais adultas é claro.

―Ei.

Resmungo e ela parecia inerte em sua própria imaginação, pois ela me olhou com uma reação espantada por um momento quando eu aumentei a voz. Ela não falou nada. Creio que tenho me abrir mais um pouco com ela por ser uma criança. Garotas dessa idade que não conhecia muito bem outros rostos geralmente eram bem tímidas.

―Tudo bem com você? ―esbanjei um sorriso simpático para que ficasse um pouco mais calma.

Ela olhou para o lado com uma expressão tímida em seu rosto. Algo normal também.

―Meu nome é Douglas Cesar. ―estendo minha mão para ela e pela primeira vez sinto a suavidade das mãos de uma criança. ―Qual é o seu nome?

Nada. Calada desde que entrei em casa.

―Ei vamos lá. Não precisa ter medo de mim.

Parecia que eu não estava conseguindo conquistar sua confiança. Suspirei.

―Eu não mordo tá? Olha, sou mais pateta do que dizem que sou.

Ela estava em dúvida, dava para olhar na postura dela. Tudo que fiz foi fazer uma careta rápida e um tanto idiota para mudar seu humor. Ela riu de orelha a orelha. Foi mais fácil do que eu imaginei que fosse. Ela é apenas uma criança afinal de contas. É muito fácil arrancar uma risada de uma de vez em quando.

―Recapitulando, meu nome é Douglas Cesar. E o seu?

Mesmo corando um pouco, ela abre a boca:

―Meu nome é...

Ela se enrolou toda. Começou a se gesticular vergonhosamente, sorrindo.

―Meu nome é...

Ela se virou para trás e se livrou das minhas mãos, correndo até a cozinha onde todos estavam no momento, pois eu conseguia ouvir vozes vindas de lá.

Não sou um cara mau, muito menos feio. Sou?

Talvez minha patetice deixou-a com vergonha ou algo do tipo pra sair correndo sem ao menos dizer “oi” em primeiro lugar. Já descalço, vou até a cozinha e de repente surge no corredor da entrada a minha irmã caçula Christine Johnson em seus 17 anos de vida curtindo a o que a vida jovem tem a oferecer antes dos 18. Vestindo uma blusa branca e mini shorts azul, ela me recebe com um forte abraço. Eu pensei que tinha que me agachar para fazer o mesmo, pois eu era o cara mais alto da família comparado ao meu irmão que estava com o resto da família na cozinha pelo que eu imaginava.

―Cara, que saudades de você. Por onde andava?

Dou de ombros escondendo um sorriso sínico.

―Não me vem com essa de que estava pegando garotas, seu velho tarado. ―ela me olhou no fundo dos olhos, me repreendendo igual como a minha mãe faz.

―Oras viver sozinho é um puta saco, viu. Tenho que ter alguém comigo de vez em quando, senão...

Ela levou uma mão a minha boca e se certificou de que ninguém havia me escutado.

―O quê? ―pergunto com a maior ingenuidade do mundo.

―Você ainda não percebeu que há crianças neste local?

―Sim, sim. Acabei de conhecer ela. A loirinha de olhos azuis. Fofinha ela, não?

Ela me dá uma paulada na cabeça. Talvez eu merecesse isso. Fiz uma pose na qual insinuava algo como: “pô. O que eu fiz?”.

―Nem vem. Isso não é hora pra piadinhas, seu traste.

Ela mudou sua reação para séria com uma pitada de tristeza. Agora era oficial: mamãe me liga seis horas da manhã com uma voz meio triste dizendo para que eu desse uma passada aqui, minha irmã boba e alegre fica séria pela primeira vez na vida, e o mais importante, uma pequena garota loira de olhos azuis na qual eu nunca havia conhecido na vida estava aqui, na casa dos meus pais. Óbvio que algo cheirava a treta e eu não tinha ideia do que era. A caçula deu uma breve pausa e suspirou.

―Você se lembra da nossa irmã mais velha, a Jess?

Demorou um pouco para eu responder a tal pergunta, mais finalmente consegui me lembrar.

―Sim. Claro. O que tem ela?

Ela novamente deu uma breve pausa e continuou com um doce pesar em sua voz:

―Ela desapareceu.

Eu nunca podia imaginar que isso fosse acontecer. Não com um membro da minha família, muito menos com a minha irmã em que eu tanto admirava e me pedia conselhos. Parece que foi ontem que vi ela se despedir dos pais assim que anunciou que ela iria viver com o marido em Orlando. Eu estava enganado. Até agora, nem me lembro do seu rosto desde que completou 22 anos.

Meu estômago se revirou por completo, minha voz não quis mais se manifestar naquele momento. Muito pelo contrário, eu tentava apagar o fato da minha irmã estar desaparecida e levar isso como uma brincadeira. Eu cheguei até a rir disso do nada bem na frente da caçula. Dessa vez, Christine me deu uma tapa no meio do rosto. Estava ardendo. E muito. Ela estava mais séria que anteriormente.

―A garota na qual você conheceu, segundos atrás... ―uma terceira e breve pausa acompanhado de um suspiro. ―... É a filha da nossa irmã.

Notas finais
Espero ver vocês no próximo capítulo! Até! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.