Family

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Pronto, João.

Eu estava fazendo minhas malas enquanto Kurt estava no trabalho. Depois de tanta briga, de tanta discussão, eu realmente estava indo embora. Não queria deixar minha família, nem minha casa. Mas eu sei que isso era o melhor a se fazer. Antes uma família quebrada do que nenhuma família, certo?

Rory estava na escola, então não tinha que me preocupar me explicar agora para ele o que aconteceu. Eu só espero que isso não afete em nada o meu garoto. Eu sinto saudades dos tempos em que eu segurava Rory nos meus braços e tudo estava bem.

Fechei a mala e saí para a sala. Dei uma ultima olhada para o que antes eu chamei de casa. Respirei fundo e saí pela porta. Decido a nunca mais voltar, mas na verdade, eu queria voltar.

Mandei uma mensagem para Rory me encontrar no Central Park, ele merecia algumas explicações.

POV RORY

Eu estava no meio de uma aula de inglês quando recebi uma mensagem do meu pai. Ele queria me encontrar no Central Park depois da aula. Eu já imaginava o que ele iria dizer, e eu estava com medo, muito medo.

Carson estudava na mesma escola que eu, portanto tive a sorte de ter sua companhia. Eu não andava mais com meus antigos amigos, só as vezes. Eu passava o almoço com ele, sentados embaixo da arquibancada.

– Hey, não fique assim. – Ele me deu um empurrão de leve. – Minhas mães se divorciaram, e olhe, estou vivo e normal.

– Defina normal. – Eu ri e ele revirou os olhos.

– Você sabe que não é oficial, é só uma briga. – Ele sentou no chão e se encostou em uma viga que sustentava o local.

– Foi mais sério dessa vez. – Sentei-me ao seu lado.

– Apenas respire, pequeno herói, tudo dará certo. – Ele disse olhando para frente, o queixo erguido e a mão estendida à frente.

– O que? Pequeno herói? – Comecei a rir e ele me acompanhou.

As aulas passaram mais rápido do que eu queria. Peguei meu carro novo e fui até o Central Park. Bem, todos sabem que aquele lugar é imenso, e que é quase impossível achar alguém ali. Mas eu sabia onde meu pai estaria, onde ele sempre me levava quando pequeno. O nosso cantinho.

Tudo continuava igual e apesar de ele não me trazer aqui com frequência, eu vim sozinho muitas vezes, apenas para ter o prazer de relembrar. Ele estava no mesmo lugar que ficava quando me observava brincar nas árvores. Sentado em um banco de ferro escuro, as pernas cruzadas e óculos de Sol.

– Pai? – Chamei e ele me olhou imediatamente.

– Oi, filho. – Ele tirou os óculos e sorriu, me dando um abraço.

Ele acenou para o banco, para que sentássemos juntos. Ele não falou nada nos primeiros dez minutos. Apenas continuou a observar as árvores. Penso se ele estaria relembrando os bons tempos. Quando ficamos aqui até tarde e papai veio furioso atrás de nós. Mas não era o mesmo tipo de furioso de ontem à noite.

– Rory, você sabe que seu pai e eu estamos brigando muito e... – Ele começou e eu o cortei.

– Eu ouvi ontem à noite, férias permanentes, pule pro final, pai. – Lhe encarei a pude ver ele cerrando os punhos. – Pule para a parte em que vocês se divorciam. – Pude ver o maxilar contraído. Ele abriu os punhos e me olhou.

– Sempre soube que era inteligente, Rory. – Ele sorriu. – Estou orgulhoso do que você se tornou. – Ele pegou minha mão. – Mas voltando ao assunto, é exatamente isso. Seu pai e eu não damos mais certo. Foi necessário.

– Eu sei. – Eu apertei sua mão. – Você vai sair de casa ou...?

– Já saí, na verdade. – Ele voltou o olhar para o horizonte. – Arrumei um loft aqui perto. Nada grandioso.

– Quero morar com você. – Disse rápido e decidido.

– Rory, é melhor não. Podemos passar todos os fins de semana juntos, algumas horas depois das aulas, mas é melhor morar com Kurt. – Ele me olhou, ainda sem os óculos, com seus olhos piedosos.

– Mas eu não quero ficar com ele, pai. – Sussurrei.

Ele não falou nada, apenas me abraçou. Eu queria mostrar que era forte. Que entendia a situação e que não era mais criança. Porém não consegui conter as lágrimas, elas simplesmente vieram e não pediram permissão.

– Pai, eu não queria chorar, eu... – Comecei a soluçar em seu ombro.

– Está tudo bem, querido. – Ele falou em meu ouvido. – Não precisa guardar isso, sei que está sendo difícil, e acredite, não é só para você. – Eu notei sua voz rouca.

Quando saí do abraço, notei que meu pai também estava chorando. Não como eu, de soluçar, mas resquícios de lágrimas estavam em seu rosto. Ele sorriu para mim e disse que tudo daria certo. Eu queria acreditar que sim.

Ele me largou em casa algumas horas depois. Não fizemos nada de diferente, apenas ficamos olhando para o horizonte, e meu pai me contou, pela milésima vez como foi se apaixonar por papai, mas desta vez havia mágoa em sua voz. E ele usou o verbo do passado para dizer que amou meu pai.

Quando eu entrei no apartamento, passei pelo quarto de meus pais. Kurt estava sentado na cama, olhando para o closet aberto com uma parte vazia. Era a parte de meu pai. Eu notei seus olhos vermelhos e inchados. Ele também estava chorando.

– Rory querido, você chegou. – Ele pigarreou e limpou o rosto. – Como foi a escola?

– Normal. – Disse e entrei no quarto.

– Ah, melhor irmos... – Ele começou a me empurrar para fora.

– PARA! – Gritei. – Não adianta esconder. Eu sei que ele foi embora, tudo bem? – Papai ficou imóvel em minha frente.

– Rory...

– ISSO É CULPA SUA. – Gritei e as lágrimas voltaram a descer. – Você brigava com ele por tudo. TUDO!

– Rory Anderson-Hummel. – Ele me olhou sério, e um tanto apavorado.

– Acha que me chamar pelo nome completo vai fazer com que eu te odeie menos? – Ri sarcástico. – Você acabou com a minha família, papai. – Soei debochado.

A raiva me consumia tanto que eu não parei para pensar que ele também estava sofrendo. Ele começou a chorar na minha frente e então eu o abracei. Antes era o contrário. Ele me abraçava para dizer que um dia aquela ferida iria cicatrizar e tudo iria ficar bem.

– Eu sinto muito. – Ele sussurrou. – Mas saiba que não é o único que está sofrendo aqui. Eu amei muito o seu pai, ainda amo. Mas nós sabíamos que não estava dando certo. – Eu suspirei.

– Me desculpe. – Eu disse lhe soltando. – Mas ainda estou com raiva de você.

Notas finais
agora mais só semana que vem.