Family

1 Capítulo único


Não era de costume de Dean dormir cedo; muitas vezes sequer dormia. Porém, em datas especiais como o Natal, ele o fazia. Não tinha muito o que comemorar na data, ou quem presentear para celebrar a esperança e blablabla, mas podia dar um presente a si mesmo e, pelo menos, dormir decentemente.

Era umas dez horas da noite quando se deitou. Sam ainda não tinha dormido, mas Dean sabia que logo ele iria. Estava quase adormecendo quando ouviu um familiar farfalhar de asas e em seguida um baque na mesa, provavelmente um reflexo de Sam à chegada de Cas.

— Cas, o que raios está fazendo aqui? — Dean perguntou sentando-se na cama. O anjo olhou confuso de Sam para Dean e depois para o estranho objeto que carregava na mão. Parecia-se com um prato, coberto com um pano vermelho.

— Você estava dormindo? — perguntou para Dean.

— É claro que eu estava dormindo, o que mais eu estaria fazendo? — respondeu irritado. Cas parecia mais confuso do que nunca com aquela situação toda.

— Mas é Natal — Cas disse com cautela.— Vocês não deviam estar comemorando?

Dean olhou para Sam, que fez uma leve negação com a cabeça, dizendo que não havia Deus que o convencesse a comemorar nada naquele momento. Dean entendia; ele próprio nunca tivera muito que celebrar. O último natal que o fizera, bom, não fora muito agradável; acabou indo para o Inferno alguns meses depois e aquele Natal havia sido uma espécie de despedida. Desde então, fazia ainda menos força para celebrar a data.

— Cas, nós não comemoramos o Natal — Dean explicou, o que pareceu deixar Cas chateado.

— Mas eu trouxe comida — ele argumentou, numa última tentativa. Dean não queria ceder, mas seu estômago lhe dizia exatamente o contrário. Olhou para Sam com um olhar pidão, de quem dizia “por favor, só dessa vez”. O caçula ergueu as mãos em rendição. Sabia que aquela era uma batalha perdida.

— Ok, o que você trouxe? — Dean parecia um pouco mais animado, e ficou mais ainda quando Cas tirou o pano vermelho que cobria o prato que trazia. Imediatamente, o aroma de torta de maçã invadiu o quarto do motel, e Dean se levantou imediatamente. Estava disposto a quebrar suas tradições por um dia se fosse por uma torta.

Puxou o prato da mão de Cas e o colocou na mesa. Por sorte, ele havia trazido alguns pratinhos e garfos de plástico ou, caso contrário, não teriam como comer senão com a mão. Dean se sentou na mesa e pegou um avantajado pedaço de torta, que começou a comer quase na mesma hora. Cas se juntou a ele e, após muita resistência, Sam também o fez.

Fora estranho no começo, sentar em uma mesa e assistir Dean comer praticamente toda a torta sozinho em silêncio – ele não se importava, é claro. Talvez por não perceber o quão estranho era o momento, ou simplesmente por estar muito feliz com a torta, ele foi o primeiro a fazer um comentário completamente aleatório.

Aos poucos, eles começaram a conversar sobre assuntos inúteis, justamente o tipo de coisa que nunca conversariam porque suas vidas não lhes davam tempo para conversas bobas. Com o tempo, até Sam foi se soltando, se permitindo responder aos comentários de Dean e até rir com ele algumas vezes. Cas raramente falava alguma coisa, porque não sabia o que dizer ou se deveria dizer.

Mas Cas estava feliz. Porque, apesar de tudo, aquilo lhe trazia uma sensação tão reconfortante, tão boa, que ele se sentiu em paz talvez pela primeira vez em sua existência. Passara tanto tempo lutando que jamais tivera uma oportunidade de sentir algo como aquilo.

Conforto, como aquele que encontramos em nossas famílias. E Castiel tinha uma família agora. Ele poderia até ter perdido sua “verdadeira” família devido às recentes tragédias, mas acabara ganhando outra, que era muito mais verdadeira do que qualquer outra que pudesse ter.

Notas finais
Espero que tenham gostado! :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!