Hekate – Peço imensa desculpa

Hekate sai imediatamente de cima. Olhou para a pessoa e percebeu que era uma menina na mesma fase que ela. O cabelo negro, comprido e liso estava a tapar-lhe a cara, mas quando ela tirou os fios, Hekate não sabia se estava assustada ou surpreendida, pois as duas tinham o mesmo rosto

A outra menina levantou-se rapidamente, aparentemente assustada, e fugiu de Hekate

Hekate — Espera!

Hekate correu atrás dela. A outra não sabia para onde estava a ir, apenas queria afastar-se de Hekate. Mas quando chega ao fim do arvoredo e está a uma distância bem pequena na “fronteira” entre o arvoredo e o prado, onde os raios de sol banhavam fortemente o relvado, a menina pára. Ela estava com uma expressão de nunca ter visto tanta luz, então estende o braço para sentir o calor, mas ela queima-se e grita de dor.

Hekate, que estava mais atrás, ao ver que ela queimou-se, aproximou-se dela, pegou calmamente na mão queimada e começou a curar com o cosmo verde saindo na sua mão.

A outra menina estava encantada com a bondade de Hekate, nunca ninguém mostrou tanto carinho com ela

Hekate — Não precisas de ter medo, ninguém neste mundo te fará mal. Sou Hekate... E tu?

Némesis — Ahm... O meu... é... Némesis

Hekate – De onde vens?

Némesis – Não sei dizer, eu fugi

Hekate — Fugiste? Porque?

Némesis — Ninguém gostava de mim e tratavam-me mal

Hekate — Bom... Eu gosto de ti e ninguém vai tratar-te mal, mas eu estou muito confusa, és igual a mim sem contar com o cabelo

Némesis — Antes de fugir, eu ouvi a conversa que o meu pai é um Deus chamado Apollo

Hekate — O meu pai é um Deus que chama-se Apollo, nós somos irmãs!

Hekate curou totalmente a mão de Némesis. Então a de cabelos negros analisou bem Hekate e atentou-se às suas asas. Hekate reparou nisso

Hekate – Ganhei-as há pouco assim que cresci

Némesis – Eu também cresci há pouco

Hekate – Cresceste porque fugiste? Então seguiste o teu instinto

Némesis – Não, eu cresço do nada. Mas ouvi na conversa que eu cresço em sintonia com outra pessoa, possivelmente deves ser tu. Estou tão confusa e perdida, quero saber quem eu realmente sou e não ser um boneco

Hekate – Então vem comigo, vou levar-te aos meus pais

Némesis – Mas… eu vou queimar-me

Hekate deu a mão a Némesis e uma barreira envolveu-a

Hekate – É só não soltares a minha mão

~...~...

Apollo voltou para o seu templo com quem compartilhava com Selene. Tinha voltado da longa conversa com o seu ex mestre e iria falar com a sua amada sobre um assunto que ele deixou de lado há 33 anos. Mas a Deusa da Lua não estava, ela deveria estar com o seu irmão Hélios, o Deus do Sol. Foi para o seu laboratório. Chegou lá e logo viu uma carta em cima da mesa com uma pedra preciosa do tamanho um pouco mais pequeno que a palma da mão, cor-de-rosa choque. Pegou no papel e começou a ler:

“A minha divida para contigo nunca terminará, mesmo que não saibas quem eu sou e do que eu estou a falar. Há muito tempo, em vez de teres matado alguns dos meus filhos, tu e a tua irmã deixaram-nos viver, pois só estavam a seguir o seu instinto e que tinham tanto direito de viver quanto qualquer outra criatura.

Estou eternamente grata, então para não estar em divida contigo, tenho andado a proteger a tua filha do mal que lhe querem pôr. Mas agora ela fugiu e já não consigo protege-la como dantes, então envio esta pedra que lhe protegerá, pois eles vão querer trazer de volta a este mundo horrível, porém sugiro que faças um colar com um pentagrama e encaixes a pedra no símbolo, pois assim nunca a encontrarão.

Para sempre em divida para contigo”

Não estava assinada. Apollo estava perplexo com o que acabara de ler, mas concentrou-se mais na carta. Percebeu logo que não se tratava da sua filha com Selene, mas da sua filha com Eris, aquela que ele foi obrigado a gerir. Dava para entender que essa sua outra filha não era malvada… e quem será essa pessoa que está eternamente em divida para com ele?

Sentou-se e examinou bem a pedra preciosa. Era idêntica a um cristal, mas havia algo diferente

? — Éftasa!

Apollo foi apanhado de surpresa por Selene que abraçou-o por detrás. A Deusa da Lua tinha a pele bem clara, cabelo branco como a lua e os olhos também da mesma cor

Apollo – Sel, queres que eu morra de susto?

Selene – Muito engraçado

Selene desfez o abraço e foi para outro canto sentar-se

Selene – Onde está a Hekate?

Apollo – Ela disse que ia brincar com a Hebe

Selene – Passei pela Hebe no caminho, e sem sinal dela. Mas não estou preocupada, sendo tua filha deve andar por ai a explorar

Era a hora…

Apollo – Falando em filha, preciso de contar-te algo…

Selene – Alguma coisa com a Hekate?

Apollo – Não… É qu-

Hekate – Bampá! Mamá!

Hekate chegou e abriu uma das portas da entrada para o laboratório, e causou surpresa aos pais. Hekate tinha crescido e tinha um par de asas enormes nas costas

Selene – Hekate, estás linda

Hekate – Efcharistó, mater. Mas não é tudo...

Antes de um dos pais questionar essa ultima afirmação, a outra porta abre e é revelada Némesis. Selene ficou confusa, mas Apollo soube logo quem era. A Deusa da Lua sente que Apollo estava desconfortável e olha para ele com uma expressão de dúvida misturada com assustada, e o Deus das Artes interpretou logo que Selene estava a questionar-se se foi traída.

Apollo – Selene, eu posso explicar…

Némesis imediatamente entendeu a tensão que estava a surgir entre o casal e entreviu

Némesis – Ele não a traiu e não tem culpa de eu ter nascido. Para a minha mãe eu nasci para ser uma arma do seu plano de dominação

Selene não conseguiu reagir com o que Némesis falava, a mulher que a menina dizia ser sua “mãe” não merecia esse título, pois via nos olhos dela o quanto sofreu, mesmo não sabendo quem era a menina e a sua história, e quem era a “mãe” dela. Selene sentia empatia com Némesis

Apollo – Meninas, podem deixarem-nos a sós?

Um pouco apreensivas, elas saíram para fora do templo. Apollo estava receoso com o que poderia vir, mas enganou-se

Selene – Eu não estou zangada para que saibas

O Deus olhou para ela com espanto e a cara dela mostrava realmente que não estava zangada, mas sim preocupada

Selene – O que ias falar-me tinha a ver com esta menina

Apollo – Digamos que sim

Selene – O que aconteceu?

Apollo aproximou-se de Selene e encostou as testas

Trinta e três anos atras

Apollo estava no Oraculo de Delfos a curar uma das sacerdotisas, acompanhado da Sacerdotisa-Chefe, uma senhora já com uma certa idade

Sacerdotisa – Muito obrigada por cuidar dela. Espero que não seja inconveniente estar aqui

Apollo – Fez muito bem chamar-me, o estado dela estava péssimo

Sacerdotisa – Eu não entendo, ela estava bem e de repente grita e desmaia depois. Ficamos em pânico. O que ela tem?

Apollo – Se quer que lhe responda, não sei, mas ela já está curada

Sacerdotisa – Conseguiu cura-la mesmo não sabendo? Incrível

Apollo – Na verdade, eu não fiz nada, mas pelo que me contou, isto foi de prepósito, mas não por ela. Alguma coisa ou alguém fez isto com ela

Sacerdotisa – Devemos fechar as portas até que seja resolvido?

Apollo – Não, eu próprio vou investigar. Onde é que ela esteve antes de se reunirem?

Sacerdotisa – Ela foi colher flores para a decoração no bosque ao lado

O deus foi para o mesmo local que a sacerdotisa jovem esteve. Ele já sabia o que provocou aquela situação, mas não disse nada para não haver preocupações.

Ele sente uma áurea negativa perto dele e vira-se

Apollo – Eu sei que és tu, Éris. Aparece

A Deusa da Discórdia apareceu atras de uma árvore

Eris — Olá, irmãozinho. Há quanto tempo? A última vez que te vi ainda eras uma criança

Eris estava com uma expressão psicopata

Apollo – Porque fizeste aquilo? O que queres?

Eris – Ora, só vim pedir-te algo, não é uma coisa muito pessoal

Apollo — Eu não te vou dar nada

Eris — Ah não?

Apollo sente umas mãos invisíveis a agarrarem-no e puxam-no para baixo ficando deitado no chão. Eris vai até ele e senta-se na cintura dele. O deus tenta-se soltar das mãos invisíveis, mas era inútil, e nem conseguia usar cosmo, parece que ele estava paralisado. Eris agarra o queixo dele

Eris – Realmente é verdade, de todos os filhos de Zeus, tu és o mais idêntico fisicamente a ele. E eu também sei que por detrás desta tua carinha linda está um dos deuses mais perigosos de todos, fiz bem ter-te escolhido

Aquilo não era mentira. Era verdade que ele era o Deus das Artes e dos talentos, mas ele também tinha os poderes da morte súbita, das pragas e doenças, também tendo os poderes opostos dos anteriores como a cura e a proteção contra as forças malignas.

Apollo – O que vais fazer?

Eris – Nada do que já não tivesses feito com a Selene

Ele começou a ficar em pânico

Eris – Tu fazes parte de um plano que ando a trabalhar há muito tempo. Eu fiz uma pesquisa e se nós os dois tivermos uma criança, ela terá o poder da Destruição, dando origem à reencarnação da Grande Deusa da Destruição Némesis, e é isso que eu quero

Presente

Apollo afastou as testas, porem Selene pós as suas mãos no rosto dele. Os seus olhos estavam lacrimejados

Selene – Apollo, porque não me disseste nada?

Apollo – Desculpa

A Deusa da Lua abraçou-o com o maior amor

~...~...

Enquanto o Deus das Artes e a Deusa da Lua estavam naquela situação, as duas meninas foram pelos campos abertos

Némesis – Espero que não aconteça nada

Hekate – Conhecendo os meus pais, acho que não vai acontecer nada, eles amam-se muito

Némesis – “Amam-se”? O que é isso?

Hekate – Hã? Amor… Não sabes o que é amor?

Némesis – Nunca ouvi falar disso?

Hekate coçou a nuca como expressão de não saber o que falar

Hekate – Bem, eu também não sei dizer, Amor pode ser qualquer coisa. Mas resumindo é mostrar afeto, carinho, preocupação… eu não sei. Acho que vou ter que te levar à Afrodite para ela poder explicar-te melhor

Hekate ouve vozes inconfundíveis a aproximarem-se. Olha para a direção de onde elas vinham e obviamente eram Hermes e Eros, inseparáveis como sempre. Esses dois deuses viram-nas e foram ter com elas

Hermes – Hekate, cresceste!

Eros – E com asas e uma irmã-gémea?

Némesis ficou encantada com eles os dois, sentia que eles tinham personalidades diferentes um do outro, e no entanto eram grandes amigos. Eros, o Deus da Paixão, filho de Afrodite e de Ares, com os seus cabelos vermelhos longos e escadeados e olhos azuis, com as suas asas e o inseparável arco em que atirava as flexas, não parava de olhar para as asas de Hekate, eram maiores, e de alguma maneira diferentes que as dele

Hekate – Eros… Hermes, esta é a Némesis

Némesis acenou timidamente

Hekate – Ao que parece, sim, ela é minha irmã, mas gémea? Gémeos devem ser filhos do mesmo pai e mãe, não? Nós as duas temos mães diferentes

Hermes – Aderfe Apollo tem uma criança que não é da Selene?

Hekate – É complicado, mas parece que não foi traição

Eros – Uma parte da maldição de Zeus também foi para ele?

Némesis – Não, ele é que não quis envolver-se com a minha mãe

Para não ficar um clima tenso, Eros virou-se para Hekate

Eros – Teté, que tal uma demostração das tuas asas?

Hekate – Eu dou de cara no chão, não consigo controlar…

Eros – Eu ajudo

Hekate – Eu acho que é melhor não, elas parecem ser diferentes das tuas e das de Eos

Eros – Vá lá, por favor?

Hermes – Não sejas chato

Eros vira-se para o Deus-Mensageiro, e ambos estavam praticamente colados um ao outro como forma de implicação

Eros – Tu é que és chato

Hermes – Não sou eu que estou a pedir algo que o outro não quer

Hekate aproxima-se do ouvido de Némesis e segredou-a

Hekate – Queres ver amor numa maneira divertida?

Némesis ficou confusa. Hekate foi para trás de Hermes sem largar a mão da outra e empurrou-o para Eros, fazendo com que os dois se beijassem. Némesis não entendeu, amor era juntar as bocas?

Os dois deuses afastam-se sobressaltados e vermelhos.

Hermes – Hekate! Porque fizeste isso?

Hermes estava muito envergonhado

Hekate – Até parece que não gostaste

Hermes – E-Eu…

Eros – Malaka, Hekate! Eu queria que o meu primeiro beijo fosse com uma mulher de peito grande e linda! Não com esse idiota cabeçudo!

Hermes – Olha quem fala, imbecil!

Hekate – Parem de fingir que não há um sentimento mais profundo entre vocês dois. Anda, Némesis

As duas afastaram-se dos deuses que estavam a implicar mais um com o outro. Ficaram assim por muito tempo até Hermes receber um sinal que ele precisava ir à costa receber uma mensagem

Hermes – Recebi um sinal, vou ter com a Anfitrite

Eros – Vai lá, pamonha

Hermes saiu voando em direção ao bosque

Eros – (Um momento, isso quer dizer que ele vai ter com aquela sardinha do Tritão. Ah não…)

Eros foi atrás do Hermes o mais rápido que pode até alcança-lo no meio das árvores e atirando-os ao chão

Hermes – Que raio, Eros! O que é que te deu?

Eros – Não vais sozinho para a praia

Hermes – Porque?

Eros estava com cara de emburrado

Hermes – Tu sempre ficas estranho quando vou para lá, parece que não gostas que eu fale com o Tritão

Eros – Não é como se eu gostasse de ti, tu só és muito burro para veres a maldade nos olhos dos outros seres, idiota

Hermes sorriu ao perceber que Eros não dizia a verdade. Era ironia o Deus da Paixão esconder o seu amor pelo melhor amigo

Hermes – Hekate tem razão, pelo menos vou parar de mentir para mim próprio que não tenho sentimentos maiores por ti

Eros ficou tão vermelho quanto a cor do seu cabelo

Hermes – Não é preciso teres ciúmes do Tritão ao paquerar-me

Eros — ...... Malaka...... S 'agapó, ilíthios

O Deus-Mensageiro ficou tão vermelho quanto o Deus da Paixão, nesse mesmo momento, os corpos deles são envolvidos por uma luz. Quando a luz desaparece, eles tinham mudado de fase, agora são Jovens-Deuses, com aparência de 17 a 19 anos humanos. Não mudaram muito, o corpo cresceu e ganharam leves músculos, e se alguma coisa que irritou Eros, é que Hermes agora era um pouco mais alto que ele

Eros – Que raiva, era apenas dizer a verdade dos meus sentimentos para crescer?

Hermes apenas riu

~...~...

Voltando ao Templo da Lua e das Artes, Apollo estava a preparar-se para ir ter com Zeus explicar o que está a acontecer e anunciar que há uma nova “cidadã” de Olympus

Apollo – Queria levar a Nemesis já comigo

Selene – E pelos vistos a Hekate também vai, parece que não vai afastar-se dela tão rapidamente

Apollo – Hekate estava a protege-la do Sol com uma barreira, como ela veio do Inferno e nunca teve contacto com a luz, ela queima-se. Tenho que preparar a mesma coisa que fiz com o Tanatos para ele poder sair quando quiser do Submundo. E tu? Estás confortável com ela?

Selene – Eris falhou a tentar reencarnar a Deusa da Destruição, esta menina é tão doce que não dá para acreditar que veio do Inferno. Estou mais que confortável, eu quero ser mãe dela, Apollo

O Deus das Artes pensava o quanto tinha sorte de ter alguém como Selene ao seu lado. Depois de ter tido o coração partido varias vezes no passado, foi difícil acreditar que alguma vez seria feliz com alguém ao seu lado. A Deusa da Lua sempre esteve ao seu lado desde que chegara à Moradia dos Deuses Gregos.

~...~...

Enquanto num lado havia sorrisos e bondade, noutro havia paredes partidas e raiva. Eris tinha dado conta há pouco tempo que Nemesis desapareceu e estava a fazer de tudo para encontrá-la, com Dafne a ajudar em nada

Dafne – Perdeste-a, Eris... O que vais fazer agora?

Eris – Eu não a perdi, aquela peste não vai ficar longe por muito tempo

Dafne – Como podes ter a certeza? Nem sabes onde ela está

Eris – Se quero encontrá-la, tenho que pedir ajuda aquela p*** da Lilith, ela é a única do Inferno que não está presa a este lugar

Dafne – É sério que vais fazer isso? Vou só procurar alguns aperitivos para apreciar isso

Eris – Tu vais mas é para outro lado... Antes que eu te mate

Dafne – Que medo

Lilith estava no seu cómodo pessoal, um local escuro iluminado de velas de chamas encarnadas, cheio de plantas, de poções, de ingredientes dos mais raros e exóticos até aos mais comuns, com prateleiras cheias de livros, e no centro um caldeirão. Ela estava entretida a olhar para dentro do caldeirão quando ouve alguém bater à porta

Lilith – Sim?

E entrou. Lilith ficou surpresa ao ver Eris no seu cómodo, era algo raro ser a Deusa da Discórdia a ir ter com a Primeira Humana

Lilith – O que te trás aqui?

Eris – Não notaste nada diferente por ai?

Lilith – Por acaso sim, ainda não te ouvi a seres péssima mãe com a Nemesis

Eris – Essa monstrinha desapareceu

Lilith – Não estou surpresa. Subestimas muito o poder dela. Já reparaste que ela não segue os teus comandos? Ela é mais forte que parece

Eris – Eu só não a deixo aos teus cuidados por termos objetivos muito diferentes, mas nós as duas queremos ver o nosso Senhor feliz. Ajudas-me a encontrá-la?

O olhar de Lilith estava distante, mas não demorou muito a responder

Lilith – Só consigo encontrá-la na próxima noite

Eris – O QUE?! Só pode ser brincadeira!

Lilith – Aguenta o rabo, Eris. Já tens sorte eu ajudar-te

Eris – AARRHH! Que raiva

Eris respirou fundo

Eris – Tudo bem, faz como bem entenderes, só quero-a de volta

~...~...

Hekate e Nemesis entraram no templo e foram recebidas por Selene com um frasco nas mãos

Selene – Olá, meninas

Hekate – Ei, mater

Selene – Ainda bem que chegaram, o vosso pai foi ter com Zeus e queria ter levado Nemesis para torná-la uma cidadã de Olympus

Nemesis – Eu? O que é cidadã?

Selene – Teres direito a tudo o que Olympus te dá, como se tivesses nascido aqui

Hekate – É sério? Pater foi fazer isso mesmo?

Selene – Sim, e tenho aqui algo que vai fazer Nemesis andar á vontade ao sol... Aqui... Bebe

Selene deu o frasco a Nemesis e esta bebeu. Não sentiu nada diferente. Então largou a mão de Hekate e foi por a mão a sentir os raios de sol na janela. Diferente do que aconteceu antes, Nemesis não se queimou e sentiu o quando o calor da luz era agradável

Nemesis – O-obrigada

A Deusa da Lua aproximou-se dela e pôs as mãos nos ombros dela e agachou-se

Selene – Assim que te tornares uma cidadã de Olympus, espero que me dês a chance de eu me tornar uma mãe para ti

Némesis emocionou-se e abraçou Selene. Depois do abraço, Selene virou-se para Hekate

Selene – Hekate, eu sei que estás muito ligada á Nemesis por ela ser tua irmã, mas e que tal ser eu a levá-la a Zeus?

Hekate – Tudo bem, e com certeza vou arranjar algo para fazer

~...~...

Apollo entrou no comodo onde Zeus estava. O Deus dos Relâmpagos estava sentado na janela a relaxar com raios de sol a beijar a sua pele

Zeus – Hoje descobri que és mais parecido comigo sem ser na aparência

Apollo não contava com aquilo, Zeus já sabia da existência de Nemesis

Apollo – Tu só tens muitos filhos por causa da maldição, mas já não estás amaldiçoado. Mesmo assim continuas a falar como se ainda tivesses

Zeus – Posso não mostrar, mas eu sinto dor de ter sido a causa da morte de muitas mulheres... Então...

Zeus mostrou um sorriso manhoso

Zeus – De quem é a criança? Da Dafne? Da Talia? Da Urania? Da Calíope? Da Corónis? Da Cassandra? Da Manto? Da Creúsa? Ah... Talvez seja do Jacinto!

Apollo – Tens muita piada. E como sabes de todos os meus relacionamentos?

Zeus – És meu filho, tenho essa obrigação

Apollo – Engraçado que alguns desses relacionamentos eu e a Artemis ainda não tínhamos entrado em Olympus. Se sabias da minha existência porque não fizeste nada?

Zeus – Estavas em ótimas mãos. Porque reclamas?

Apollo – Está bem, chega. Vim aqui para conceder cidadania à Nemesis

Zeus – Nemesis? Quem lhe deu o nome da Grande Deusa da Destruição?

Apollo – A tua filha Eris

Zeus agora estava realmente sério

Apollo – Depois conto tudo

Nesse preciso momento, a bateram à porta...

~...~...

Hekate estava num alto de um monte. Estava em dúvida se deveria experimentar as suas asas. O vento estava agradável, talvez isso ajudaria. Com dificuldade, ela conseguiu abrir as asas, mas uma rajada de vento bateu nela e Hekate desequilibrou-se e ia cair dali. Então sentiu uma mão a puxar-lhe para cima