Nove de Abril de 33 d.C., era Primavera, e nas Moradas dos Deuses do Mundo: Olympus, Pyramis, Tenpuru, e outros Reinos Divinos estavam o maior Caos. Em Olympus, os Raios de Zeus e o Fogo de Héstia estavam descontrolados, o Mar estava tão agitado que Poseidon não conseguia segurar, os Animais que Artemis cuidava estavam doidos, e até mesmo as almas vagantes que Hades protegia para elas não saírem estavam inquietas. Mas quem estava em estado mais grave era Perséfone, que não acordava, mas também não estava inconsciente, ela tinha constantes dores corporais, e a sua pele estava muito quente.

No Templo de Apollo, Perséfone, a Deusa da Primavera de cabelos longos louros e olhos castanhos que não abriam, estava deitada em cima de uma mesa baixa com a cabeça em cima das pernas de Anfitrite, a Deusa da Agua de olhos violetas e de longos cabelos ondulados da mesma cor que o seu cabelo e de orelhas de Nereida, tinha as suas mãos na cara dela para esfriar o corpo. Apollo, o Deus das Artes e dos Talentos de cabelos dourados e de olhos azuis e de tiara de testa icónica, fazia de tudo para amenizar o que quer que a deusa tinha, mas era difícil sem saber o que estava a acontecer. Hades, o Deus do Submundo de cabelos negros escadeados e dos olhos da mesma cor, segurava a mão da sua amada, que sentia a força que Perséfone fazia quando estava a ter um ataque de dor. E ainda estavam presentes no local Artemis, a Deusa dos Animais de cabelos que mudavam constantemente de cor dependendo das fases da lua (cabelo loiro quando a lua está cheia, cabelo loiro com madeixas castanhas quando está quarto minguante, cabelo castanho quando está lua nova, e cabelo castanho com madeixas loiras quando está lua quarto crescente) e de olhos azuis, estava a segurar a outra mão de Perséfone, pois a Deusa dos Animais e a Deusa da Primavera eram melhores amigas, e Zeus, Deus dos Relâmpagos de cabelos escadeados dourados e de olhos da mesma cor, que estava sentado na janela a olhar para o lado de fora à espera que aparecesse Hermes com novidades dos outros Mundos Divinos

Apollo estava exausto, não encontrava nada que acalmasse Perséfone

Apollo – Bastava saber o que é isto, realmente aconteceu do nada, Hades?

Hades – Isso mesmo, ela estava a voltar dos Campos Elísios quando do nada ela desmaia e começa a ter estas dores. Thanatos foi perguntar se Perséfone estava bem enquanto estava lá, e todos disseram que ela estava como sempre. Foi nesse preciso momento que as Almas das outras divisões começaram a ficar inquietas e descontroladas, tive que usar a corrente que Hephaestus fez com o material da gaiola que aprisionava Nike para elas não saírem

Zeus – Quando é que isso aconteceu?

Hades – Quando o sol estava no topo

Zeus – Exatamente quando os meus raios começaram a cair do céu do nada

Artemis – Na mesma altura que os animais começaram a agitar-se

E finalmente Hermes, o Deus-Mensageiro de cabelos castanhos e olhos da cor de avelã, e que ainda tinha corpo de um pré-adolescente, apareceu

Zeus – E então?

Hermes – Não é só aqui que está a acontecer estas agitações, também está a acontecer com os todos os outros mundos, menos num: Paradisum

Zeus – Então temos que comunicar-nos com eles

Hermes – Mas, Zeus, eu não consigo entregar mensagens a eles, só consigo mover-me pelas Moradas dos Deuses

Zeus – Mer**

Apollo – Talvez o Hermes não…

Apollo estava a escrever rapidamente num papel tudo o que estava a acontecer com os Mundos e com Perséfone. Assim que terminou, dobrou e entregou para Hermes

Apollo – Leva isto até Athena, a Nike consegue ir até Paradisum

Nike era a Aguia de Athena, mas na verdade ela era um Anjo que já viveu em Paradisum, mas ela acostumou-se tanto com Olympus que decidiu viver lá como uma Ave de Rapina

Hermes foi rapidamente até ao Templo de Athena, em que a Deusa estava sentada a ler e Nike num ramo a balançar-se. Athena, a Deusa da Sabedoria, tinha o cabelo que de frente parecia curto, mas era muito longo, era castanho e tinha olhos castanhos. O Deus-Mensageiro entrou e assustou as duas

Hermes – Athena, precisamos de um favor. A Nike consegue ir ao Paradisum levar esta carta para eles lá em cima e-

Athena – Hermes, calma, eu entendi. Nike…

A aguia pousou no ombro da deusa. Athena pegou na carta e deu a Nike, que segurou-a pelo bico. Sem esperar mais nenhum segundo, a Aguia voou para fora e subiu a toda a velocidade até desaparecer numa espécie de portal.

Em Paradisum, os quatro Arcanjos estavam à volta de algo que mostrava o que estava a acontecer na Terra, a pequena luz que Gabriel tinha dado à israelita Maria tinha morrido crucificado. Ouviram uma ave a voar em direção a eles. Nike pousa no chão e transforma-se num anjo. Já fazia tempo que ela tinha aquela forma, e mais tempo ainda da última vez que ela esteve em Paradisum

Miguel – Nike?

Nike avançou até ao Arcanjo Guerreiro e entregou imediatamente o papel

Nike – As coisas não estão bonitas pelos reinos divinos

Enquanto Miguel lia o conteúdo, Nike olhou para o círculo que eles estavam a olhar e viu um humano crucificado. Assim que o Arcanjo acabou de ler, entregou o papel ao Arcanjo Curandeiro

Miguel – É contigo, Raphael

Raphael era um Arcanjo Feminino de pele escura e de olhos azuis, os seus cabelos era castanho-escuro e encaracolado, ela era quem Gabriel estava apaixonado, mas não lhe dava trela. A Curandeira também leu o papel

Raphael – É só com a Perséfone que está acontecer isto, Nike?

Nike – Hermes foi a todos os outros reinos e não mencionou mais ninguém na mesma situação

Raphael – Podes voltar e falar com Apollo que eu já vou lá ter, sei do que preciso para ajudar-vos

Nike – Obrigada

Miguel – Uriel, consegues desfazer o que está acontecer nos outros mundos?

Uriel era um Arcanjo de cabelos negros e de olhos castanhos puxados (ou seja, “asiático”)

Uriel – Consigo, mas depois o Gabriel vai ter que ir a cada um para parar de vez

Gabriel – O que seria de vocês sem mim?

Passaram-se três dias, as coisas estavam a retomar ao normal em todos os mundos divinos. Miguel estava agora fora de Paradisum, sentado na beira de uma colina de pedra em Olympus a olhar o pôr-do-sol. Deixou as suas asas soltas para aliviar a tensão de elas estarem praticamente fechadas dentro do seu corpo. Estava tão perdido nos seus pensamentos que não percebeu que estava acompanhado nesse momento

? — Bem me pareceu que as asas eram demasiado grandes para ser o Eros

Miguel olhou para trás e era o Deus dos Talentos e das Artes, Apollo. Ele emblemava um belo sorriso com os seus olhos azuis a brilhar ao pôr-do-sol e a brisa lenta a movimentar o cabelo loiro, e como sempre, ele estava a usar a sua icónica tiara de testa reta de ferro dourado

Miguel — Estavas a espiar-me?

O Deus foi sentar-se ao lado do Anjo na mesma posição

Apollo — Estava apenas de passagem a procurar algumas ervas medicinais. Decidiste escapar um pouquinho da tua zona de conforto?

Miguel — Apenas relaxar um pouco e tirar as asas de dentro do corpo

Apollo — Fazes bem, tens muito peso em cima de ti. As coisas andam bem por lá?

Miguel — Bem demais para o meu gosto, cada vez mais humanos adoram-nos. E por aqui?

Apollo – Por aqui não muda muita coisa, nem mesmo o Hermes e o Eros

Miguel – Eles ainda estão na Fase Pré-Jovem?

Apollo – É preocupante, nunca nenhum ser divino demorou tanto a crescer, ainda mais dois deuses

Miguel – Eu ensinei Zeus a ter paciência, não me faças ensinar também a ti, ainda mais que já és um Deus Completo

Apollo – Até que não me importaria, afastaste-te tanto de Olympus quando os humanos começaram a adorar-vos mais que até sinto falta de ter a companhia da primeira criação da Grande Deusa à sua imagem

O Anjo não pode deixar de sorrir

Miguel – Contigo a namoriscar-me dessa maneira não me admira o Gabriel falar disparates. E como anda a Artemis?

Apollo – Para além de andar a namoriscar o Helius, vai constantemente ver a Perséfone

Miguel – Ela ainda não acordou? Queres que avise a Raphael?

Apollo – Acho que não é preciso, ela disse que poderia demorar a acordar. Mas desde que eu continue a enviar ervas medicinais, não é preciso preocupar-nos. Mas ainda não consigo entender como é que a morte da vossa “pequena luz” teve um grande impacto nos reinos divinos

Miguel – Diferente do que os humanos pensam, nós todos estamos ligados uns com os outros, porque todos nós viemos da Grande Deusa

E de repente, uma deusa na fase infantil saltou para cima de Apollo abrando-o alegremente

? – Bampá!

Quando Miguel olhou bem para ela, ele não quis acreditar nos que os seus olhos viam, a pequena deusa era igual a Eluaryne, o mesmo rosto, os mesmos olhos, a mesma cor de cabelo, tudo… exceto no tamanho

Apollo – Hekate, não apareças dessa maneira

Hekate – Desculpa

Hekate tinha uma alegria contagiante

Apollo – Filha, este é o Miguel, foi ele que treinou-me quando eu era criança e foi quem ajudou Zeus a derrotar Cronos

Hekate – Sério?!

Miguel sentiu o seu peito a ficar quente, mas não era o seu corpo. Foi ver o que estava a acontecer e era o cristal que Eluaryne lhe tinha dado na missão de o entregar à sua reencarnação. O cristal estava a flutuar na direção de Hekate como se estivesse atraído por ela. Hekate estava encantada com o brilho que o cristal transmitia. O anjo tirou o colar que estava a segurar o cristal do pescoço e deixou-o flutuar até ela. A pequena deusa apanhou o cristal com as duas mãos e ele deixou de brilhar

Hekate – O que é isto?

Miguel – É o cristal que pertenceu a uma deusa muito poderosa que partiu há muito tempo, ela deu-me a missão de entrega-lo à nova dona dele. Esse cristal contem muito poder e guiar-te-á para o que quer que precisarás para te transformares numa deusa muito poderosa, e também irá proteger-te

O colar automaticamente pôs-se no pescoço de Hekate. Ainda estava admirada com a pedra preciosa. Ela levantou-se do colo de Apollo, despediu-se dos dois e tinha a intenção de ir brincar com Hebe. Quando Hekate afastou-se definitivamente, Miguel pós a mão na cabeça de Apollo

Miguel – Com que então o senhor tinha uma filha e não me dizia nada

Apollo – É, eu… desculpa

Miguel – Estava a brincar. Há quanto tempo?

Apollo – Trinta e três anos. E o cristal… aquele é o cristal da Grande Deusa?

Miguel – Sim, só não sei o porque o cristal ter reagido logo agora, era suposto ele ter reagido quando Hekate nasceu. A única possibilidade é que nasceu mais alguém com poderes de poder controlar o cristal e mais algumas coisas dela. Será que a nossa “Pequena Luz” também poderia ter esses privilégios?

O Anjo viu que o deus estava com cara de preocupado com um toque de choque

Miguel – Está tudo bem?

Apollo – Acho que a Hekate não é a minha única filha

Muito longe dali, num lugar onde não existe amor, paz e luz, Dafne, uma driade que dantes era uma ninfa que habitava Olympus estava a tirar uma soneca quando assusta-se com o estrondo da porta a abrir-se e a Renegada Deusa da Discórdia, Eris, entrar furiosa. Ambas a mulheres tinham cabelo preto, mas Dafne tinha cabelo curto e Eris longo, e ambas tinha olhos amarelos

Eris – Chega! Eu desisto, ela nem é capaz de fazer mal a um inseto

Dafne – O que foi desta vez?

Eris – É aquela irritante que não serve para nada. Ela devia ser Némesis, a Deusa da Destruição, mas saiu Némesis, a Deusa que não serve para mer** nenhuma

Dafne – Tem paciência, ela ainda é uma criança

Eris – Por quanto tempo? Ela está conectada com a sua suposta irmã-gémea, sabe-se lá o que aquela pirralha anda a fazer para aumentar os seus poderes e crescer, enquanto esta não destrói nem uma parede

Dafne – Não te esqueças que foi a tua ideia literalmente abusares o Apollo. Com certeza deveria ter tido outra opção sem ser engravidares dele para nascer uma deusa com a mesma bondade que ele

Eris olhou para Dafne e percebeu logo que a Ex ninfa estava com ciúmes, pois ela era muito apaixonada pelo Deus, e riu-se

Eris – Ora, ora, nem mesmo no Inferno deixas de estar apaixonada por aquele deus, larga o osso, ele está muito bem “casado” com a Deusa da Lua

Eris queria chatear mais a Dafne

Eris – Fica descansada que aquilo que fiz com ele foi metade “profissional”

Dafne – Quer dizer que a outra metade foi pessoal?

Eris – Se calhar até foi mais que metade, é que foi muito bom

Dafne – Sua—

? – Já chega vocês duas!

Entrou noutra porta uma mulher muito bela com longos cabelos loiros e olhos vermelhos

Eris – Ora se não é a queridinha do nosso superior… Lilith, a mãe de todos os monstros

Lilith – Poupa-te de sarcasmo, renegada

Eris – Enfia “renegada” no teu c*

Lilith – Dafne, já te disse para deixares os homens de lado, deixaste-te de ser ninfa por isso. E tu, Eris, vê se tratas melhor a Némesis. Queres que ela viresse contra nós?

Eris – Poupa-me com essas atitudes de mãezinha, ela perdia até para o mais burro dos humanos. E já que és tão boazinha, porque não a adotas? És a mãe dos monstros e Némesis é uma montrinha, olha que combinação perfeita

Lilith – Já que não a suportas, porque te ofereceste para seres a escolhida a dares à luz à Deusa da Destruição?

Eris – Porque eu achei que seria diferente e porque quero vingar-me

Escondida atrás de uma das portas, estava uma pequena deusa a ouvir a conversa

Némesis – (Eu sou fraca, um monstro, ninguém me quer, não sirvo para nada)

Ela correu dali e foi para a sala dos portais onde correu para o primeiro que viu. E desapareceu do Inferno para um lugar onde poderia estar longe daquele