Família
1 Capítulo único - Família
Notas iniciais
Entrou no templo e não sentiu o cosmo do seu amado e nem do seu filho. Suspirou pesado aquilo indicava problemas e dos grandes. Foi na cozinha e viu um bilhete escrito com a letra caprichada do seu marido colado na geladeira.
“Deba, fui na escola do Rafa. Voltou logo. Beijos.”
Um pouco cansado pegou as malas e foi ao quarto, precisava de um bom banho e descansar. Depois saberia o motivo dele não usar o celular algo tão comum nos dias de hoje. Entrou no quarto do casal e viu o celular do amado ali tocando, pegou o aparelho e notou que era um telefonema do Saga.
— Alô, Saga? – escutou o outro resmungando. – Ele foi na escola do Rafa. – silencio. – Saga? – mais resmungo. – Saga...
Suspirou e viu as inúmeras ligações do geminiano. Algumas ligações suas e algumas mensagens. Pensou em pegar o carro e ir à escola, mas se no meio do caminho houvesse um desencontro. Era melhor tomar um banho e esperar. Após o banho sentou se numa cadeira nos fundos do templo e bem vestido fechou os olhos, relaxando.
Acordou com um susto. Alguém gritava e chorava, foi a entrada da sala e viu o outro cavaleiro com a mochila de Rafa em uma das mãos e um desanimo.
— O que houve? – questionou o taurino.
— Deba... – o chamou para ir a cozinha deixando a mochila pendurada em um gancho no corredor. – Sabe quando Gabriel nos falou que íamos ter grande problemas com o Rafa.
— Sim. – viu o outro lavar as mãos e iniciar o jantar. – Então começou os problemas?
— Bem ver um criança de cinco anos mostrar um par de asas e depois socar um parede com os olhos vermelhos não estava nos meus planos.
— Um surto?
— Pelo que a professora me explicou uns meninos mais velhos estavam fazendo brincadeira sem graça com o amiguinho de Rafa que usa óculos...
— Sei.
— E Rafa defendeu o amigo dele e do nada tivemos um anjo enlouquecido querendo acabar com a pequena escola.
— Quem o parou?
— A tia Bel por quem ele é apaixonado. – parou um pouco de mexer na panela e virou se para o brasileiro. – Tenho medo que ele faça de novo... eu temo...
— Ruivão. – aproximou se do marido e o abraçou de forma terna. – As coisas não são fáceis nem mesmo quando nos apaixonamos e nem quando nós nos oferecemos para ser os pais de um anjo poderoso que foi transformado em criança para nos salvar na batalha do apocalipse.
— Eu sei, mas as memorias dele está no zero. – sentiu o carinho nos longos cabelos vermelhos. – Ele é uma criança que não sabe o que faz e ficou mais assustado que a professora e os amigos. Quero que ele seja normal Deba.
— Ele é, amor. – se afastou e beijo os lábios do amado. Ainda de rosto colado falou. – Vou falar com ele Kamus.
Viu o francês sorrir e deu mais alguns beijos antes de ir ao quarto do filho. Aldebaran bateu a porta do quarto e não houve resposta, mas a porta estava aberta. Entrou e viu o pequeno juntando algumas coisas em cima da cama e fazendo uma mala com o lençol da cama de um dos personagens de anime que o pequeno gosta.
— Onde pensa que vai Rafael dos Anjos Pereira Blanche? – fez a voz de autoridade.
O menino ficou parado segurando firme os pertences.
— Falei com você Rafael dos Anjos Pereira Blanche. – notou que o menino tremia. – Rafael?
Soluços e muitas lagrimas. Sorriu o brasileiro e pegou o menino nos braços o abraçando carinhosamente. Como se fosse um bebê, o brasileiro andou com ele um pouco pelo quarto nos braços e o acalmando com carinho nos cabelos negros como a noite.
— Pai. – falou baixinho o pequeno. – Eu sou... uma pessoa ruim?
— Não Rafinha. – colocou na cama e sentou se ao seu lado. – Pelo que você fez hoje você mereci mesmo uma medalha pro ajudar seu amigo.
— Eu não. – limpou os olhos e olhou os pés. – Eu machucar os amiguinhos.
— Como?
— Ele falou que eu sou filho de chocado. Que meus pais são omo... alguma coisa e que é feio ser filho de omo e eu devo morrer. Eu... não deveria ter nascido. Foram coisas feias pai.
Aldebaran se levantou e se ajoelhou em frente do menor. Ajudou a limpar o rosto marcado por lagrimas e sorriu ao pensar que nunca um anjo soube o que era homossexual ou que viu um preconceito na vida. Afinal após a Deusa Atena ajudar o reino do céu numa batalha apocalítica contra demônio o taurino fez amizade rápida com Rafael. E também soube dos sentimentos de um certo francês sobre si. Muita coisa aconteceu em meio àquela guerra que os humanos não souberam e nunca iram saber.
Fitou os olhos negros como a noite e sorriu de forma doce para o pequeno. Afinal ser um meio humano ia dá sérios problemas ao anjo. Ia explicar sobre todos aqueles problemas que os adultos veem em todos os lugares quando um enorme barulho soou do estomago do pequeno. O brasileiro riu. Riu mais alto e percebeu que o pequeno também começou a ri. Afinal não tinham comido nada durante o almoço.
— Bem depois... – respirou fundo para parar de ri. – conversamos. Mas primeiro banho e descer para comer o jantar do Kamy.
— Eu...
— Sem pressa filho. – deu um beijo na testa do menor. – Tudo ao seu tempo porque seu eu e o Kamy não te amassemos você acha que íamos aceitar um bebe novinho em nossas vidas?
— Não sei. – fez um bico.
— Quando eu e o Kamy vimos você nos braços do tio Gaby foi amor à primeira vista. – limpou o rosto do menor fazendo carinho. – Você era pequeno da pele escura igual a noite sem estrela que nos foi entregue. Sorriu como uma lua no céu iluminando nossos corações. E de todos os cavaleiros naquela noite fria eu queria ter você nos meus braços e cuidar de você, mas ai vejo você agora.
O menino o fitou curioso.
— Com cinco anos e me olhando confuso além de curioso pensando na sorte que teve e também pesando quando ele vai parar de falar e irmos comer.
O pequeno sorriu e foi logo tomar um banho. Aldebaran foi a cozinha e viu a mesa posta, fitou o francês que sorria ao ver a família perfeita que tinha. Jantaram e após a janta foram aos fundos olhar as estrelas.
— Sabe Rafinha. – falou Kamus. – Você veio dê lá – apontou para o céu. — trazido por um anjo numa noite igual a essa. – o menino arregalou os olhos. – E se você pensar em ir embora e me deixa sozinho com o pai Deba, eu vou ficar triste.
— Mas papai um dia eu vou ficar grande. – fez bico.
— Eu deixou você ir embora um dia. – o beijo na testa. – Mas promete que volta pra nos ver?
— Eu juro. – colocou a mão no peito e jurou.
— E deixar eu abraça-lo, beija-lo e fazer cocegar...
— Coce... – começou a ri. – Não papai... – riu mais... – Coça não...
Não muito longe dali, um anjo olhava aquela família nada em comum. Sorriu ao ver que Rafael ia crescer forte do lado de pessoas fortes e carinhosas. Lembrou de uma conversa que teve com o amigo de guerra e realizou um dos pedidos de Rafael.
“- Gabys.
— Não me chama disso Rafael. Tenha modos.
— Ah Gabys!
— Diz logo.
— Se um dia.... Eu reviver poderia me enviar para uma família boa que me ame.
— Rafael somos imortais...
— Pode tirar minha imortalidade desde que me dê a uma família que me ame mesmo eu sendo diferente dos outros anjos. Que me ame como eu amo os humanos e o céu sem estrelas.
— Deixa de ser melodramático e vamos.
— Gabys estou sendo um pouco humano...
— Temos serviço. Vem amigo.”
Sorriu Gabriel e voltou ao seu serviço de vigiar a Terra de longe afinal cumpriu sua promessa e deu o que seu amigo Rafael o que ele queria ser um humano, numa família que o amasse como a noite e os humanos que Rafael sempre amou e zelou. Ah Gabriel sabia que naquele dia na luta, Rafael poderia impedir os efeitos da sala de luta, mas o contato com o humano Aldebaran o fez querer ir além da imortalidade, ir além das experiências divinas, ir além de servir ao Todo Poderoso. Rafael queria viver como os humanos e se tornou um humano a qual ama e algumas vezes odiado por ser quem foi e por quem será.
FIM
‘Recomeçar sempre foi difícil, mas viver é errar e aprender com os erros.
Arcanjo Rafael de Anjos Pereira Blanche.’
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