Faltou Dizer Eu Te Amo
7 Capítulo 7: O Lendário Kuwabara
Notas iniciais

Em frente à residência dos Urameshis.
A luta entre Kuwabara e de Muteo seguia intensa, no entanto, a youkai possuía considerável vantagem sobre Kazuma. Cada rajada de vento e energia que ela lançava contra o homem era possível ver sua carne sendo cortada, sentir o cheiro de sangue. Um golpe certeiro e o ruivo é jogado ao chão com grande violência, e foi possível escutar seus gritos de dor sobrepujando a risada de Muteo.
—Senhor Kuwabara! –Takaki grita seu nome, mas é calado por um golpe de Muteo.
—Qual a surpresa, humanos? –ela diz, dando uma risadinha. –Eu não fui escolhida como o braço direito do senhor Kuroi a toa. Somente minha força é superior ao meu ódio por Kurama. Força que claramente está acima de sua mediocridade! Assim que acabar com vocês, será a vez da família de Urameshi e de todos que ele conheceu!
—Ah, cala a boca! –dizia Kuwabara, se levantando com dificuldades. –Se pensa que ficarei parado vendo machucar esse pirralho, a Keiko ou qualquer um está muito enganado!
—Ainda tem forças para se levantar? –Muteo olha com desprezo para o humano. –Idiota! Fiquei deitado, pare de sofrer e morra de uma vez!
—Um homem de verdade não se deixa vencer assim tão fácil! E eu sou um homem com H maiúsculo, tá sabendo?
—Maldito!
Muteo avançou e um punho colidiu com o rosto de Kuwabara e a youkai sentiu que teria causado danos nos ossos da sua face e sorriu de modo maligno. Kuwabara tropeçou para trás, mas por puro força ou teimosia, não caiu, fitando a youkai com seriedade.
—Por que você não cai e aceita sua morte? –gritava Muteo com indignação.
—Por que um... homem de verdade... não desiste facilmente...
Então, para a surpresa de Muteo, Kuwabara pegou impulso, jogando-se para frente, salto no ar, e chutou o adversário com força suficiente para joga-lo há metros de distância.
—Eu normalmente não gosto de usar a força desnecessária contra um adversário, mas você não me dá muitas opções. –diz Kazuma, limpando o sangue que escorria pelo canto da boca. –Ei, moleque!
Takaki olha assustado para Kuwabara.
—O que está acontecendo afinal? Venho de longe visitar meus amigos e encontro essa batalha aqui na porta da casa deles? Cadê o Yusuke, a Keiko e os pirralhos? E quem é você?
—Eu...
—FALA LOGO!
—Eu sou Takaki Sukuyama, sou um detetive sobrenatural! A senhora Urameshi está dentro da casa, o senhor Urameshi foi procurar os filhos porque tem um youkai psicopata atrás deles e do senhor Kurama para se vingar dele! –disse tudo em um único fôlego e depois suspirou. –O senhor é mesmo o lendário Kazuma Kuwabara?
—Que? Lendário, eu? –apontando para o próprio rosto e sorri feito bobo. –É, eu sou o lendário Kuwabara! E acabou de ver um pouco das minhas lendárias habilidades de lutas!
Então ouviram Muteo se erguendo, soltando um grito gutural da garganta e seu corpo sendo envolvido por energias espirituais poderosas. Logo as formas femininas e delicadas davam lugar a uma criatura disforme e gigantesca, com enormes presas, garras e asas de mariposas, que fitava com ódio os dois humanos com suas orbes cor de sangue.
—Ih, rapaz... gostava mais quando ele tava vestido de mulher...
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Em algum lugar da cidade.
Botan despertava confusa sobre onde estaria e a primeira reação é levar a mão ao ventre em uma muda intenção de protege-lo e ao bebê de algum perigo mortal. A jovem notou que estava em um chão duro, sujo e frio e sentou para tentar descobrir onde estava e deduziu que era algum tipo de armazém enorme e há muito abandonado.
O cheiro forte de óleo de motor a fez imaginar que este local já fora alguma oficina ou depósito de grandes veículos. Tudo estava mergulhado na mais profunda escuridão, mas mesmo assim sentia que era vigiada.
—Não é bom...
—Se mover, senhorita.
Duas vozes masculinas a assustam e ela fica em pé, tentando adivinhar quem era.
—Saiam de onde estiverem!
—O mestre Kuroi...
—Nos deu ordem...
—De cuidar de você...
—Até o seu retorno.
As vozes pareciam vir de todos os lados, das sombras, do chão e do teto. Botan ficou aflita.
—Saiam de onde estão!
Das sombras, Botan pode vislumbrar duas formas esguias que ocultavam os rostos com máscaras de teatro Noh, parecendo demônios. Uma prateada sorridente e outra dourada entristecida.
—Eu sou Kin... –disse o primeiro, de cabelos e máscaras douradas.
—Eu sou Gin... –completou o segundo, de cabelos e máscaras prateadas.
—Somos os irmãos Buraddorein! –diziam ao mesmo tempo e depois voltaram a se ocultar nas sombras.
—Agora, volte a sentar... –disse Kin.
—Que o espetáculo irá começar... –continuou Gin.
—Assim que os atores principais...-completou Kin
—O antagonista e o protagonista dessa tragédia... falava Gin logo atrás de Botan, assustando-a.
—Ao palco principal chegarem! –falou por último Kin, e ambos voltaram para as sombras.
—Kurama... –Botan murmurou, voltando a se sentar no chão, abraçando as pernas contra o corpo, depois ela fita as sombras com um olhar determinado. –Não vou ficar aqui parada sem fazer nada!
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De volta a casa dos Urameshis.
De dentro do restaurante da sua família, observando da janela, Keiko presencia quando o gigantesco demônio chamado Muteo ergue o braço com a intenção de com um único gesto esmagar com o punho cerrado Kuwabara e Takaki. Pedras e poeiras se levantam impedindo que vejam o que aconteceu, e a primeira impressão que se tem é que a criatura havia conseguido o seu intento.
No entanto, quando a poeira se assenta, Muteo vê com espanto que seu punho fora impedido pela Lei Ken de Kuwabara, que fazia um esforço descomunal para segurar aquela mão gigantesca.
—Mas... que droga... –murmurava o ruivo, colocando toda a sua força em seus braços para empurrar Muteo. –Eu não... viajei 4 horas até aqui ... para se esmagado por um ... youkai transformista!
As palavras do homem irritam ainda mais o youkai, que ergue o outro braço, com a nítida intenção de esmagar Kuwabara, mas um vulto a alta velocidade investe contra ela e derruba Muteo no chão, após receber um puxão no braço.
—Ah! Hein? Você, moleque? –Kuwabara se espanta com quem o ajudava.
Takaki Sukuyama tinha em suas mãos fios dourados, feitos de sua energia espiritual, os quais haviam se enrolados no pulso de Muteo, tal qual uma marionete. No entanto, Takaki não os usava para esse fim. Com um puxão os fios dourados apertam o pulso da criatura e corta a mão com a mesma facilidade que uma katana cortaria uma simples fruta.
A criatura urra de dor e fúria, enquanto os fios dourados envolviam o jovem detetive como um escudo protetor.
—Não fui escolhido para essa função à toa, senhor Kuwabara.
—É...e eu estou vendo. –olhando com cara de bobo.
Takaki se torna o próximo alvo da criatura. Ele salta, estende os braços como se ordenasse que os fios dourados envolvessem o corpo de Muteo, e com outro movimento arremessa a criatura no ar e a joga com força no chão.
—Faz um favor pra você e fique quieto agora! –disse Kuwabara dando as costas para o monstro e indo até o garoto. –Que técnica! Gostei muito e...
—Senhor Kuwabara! Cuidado!
Antes que Kazuma percebesse, Muteo havia mudado sua forma, reduzido seu tamanho para escapar dos fios dourados e assumido uma aparência semi-humana, atacando o ruivo. Ela agarra Kuwabara por trás e morde seu ombro, dos lábios do homem sai um grito de dor e choque.
—Kuwabara! –Keiko grita seu nome, colocando a mão na boca devido ao horror da cena.
—Mas que DROGA!
Kuwabara grita, pego de surpresa, furioso pelo ataque covarde. No momento quem Muteo iria cravar novamente suas presas nele, o ruivo bate a cabeça para trás com toda a sua força, atingindo a face de Muteo, quebrando os dentes da frente e seu nariz com o golpe.
A criatura o larga para colocar as mãos institivamente no rosto devido a dor e ao sangue que escorria abundante do nariz quebrado. Kuwabara volta a atacar, desta vez com os punhos, desferindo um golpe no estomago da criatura e em seguida lhe dá uma joelhada no rosto, quebrando os demais ossos da face do youkai.
O demônio desabou dando apenas um grito engasgado pelo sangue em sua garganta, ficando inerte no chão com os braços, derrotado.
—Eu mandei que ficasse quieto, droga! Isso que dá enfrentar o Lendário Kuwabara Kazuma!
Takaki fica apenas olhando, com espanto, o final da luta.
—Agora, rapaz! –Kuwabara pergunta sem muita paciência. –O que diabos está havendo ... –sente um pouco de tontura pela perda de sangue... e me conte com detalhes, está bem? –e cai no chão, sem sentidos.
—Senhor Kuwabara?!
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Algum tempo depois.
Kurama finalmente chegara à residência de Yusuke, e sem esperar escancarou a porta do apartamento da família no andar superior ao do restaurante. Ali encontrou Keiko e Takaki cuidando dos ferimentos no ombro de Kuwabara, que ostentava alguns outros curativos pelo corpo.
—KURAMA! –a alegria em rever o amigo fez o rapaz esquecer momentaneamente os ferimentos.
—Kuwabara? O que faz aqui? Espera! Pode me falar depois! –Kurama segura os ombros de Keiko, com uma expressão ansiosa. -Keiko, onde está a Botan?
Keiko baixa o olhar:
—Eu não sei... sinto muito...
Kurama a solta e começa a imaginar que o pior pode ter acontecido. Nesse momento Yusuke aparece, com uma expressão preocupada.
—Não achei os pirralhos em lugar algum! Kurama já voltou e... –olhando para Kuwabara. –O que faz aqui, criatura?
—Você se esqueceu que eu te mandei um SMS avisando que viria visitá-los nessa semana? –dizia ofendido.
—Ih, rapaz! Eu esqueci! –Yusuke coçava a nuca, rindo sem graça.
—Yusuke, isso não tem graça! –dizia Keiko. –Onde estão os meninos? Um youkai nos atacou! E a Botan sumiu!
—Como é? –Yusuke fechou as mãos em punho. –Cadê o youkai miserável que atacou a minha esposa?
—Foi derrotado. –respondeu Takaki.
—Eu acabei com ele. –Kuwabara se gabava e ouviu Keiko e Takaki pigarrearem. –O garoto ajudou. Mas vem cá. Que história é essa de irmão do Karasu aparecer querendo vingança? Aquilo lá tem irmão? A mãe deles insistiu no erro e fez dois?
—Eu adoraria te explicar melhor, mas não posso ficar aqui perdendo tempo e...
—MAMÃE! PAPAI! –nesse momento Yutaro e Koji entravam na sala correndo, sendo seguidos calmamente por Hiei.
—Meninos! Keiko os abraça com força, depois puxa suas orelhas. –ESTÃO DE CASTIGO!
—Aiaiaiaiai!!! –gemiam os dois ao mesmo tempo.
Keiko solta as orelhas dos meninos e logo em seguida cada um recebia um soco na cabeça do pai.
—Tem ideia do medo que passamos com o sumiço dos dois? –Yusuke estava furioso.
—Desculpa pai...
—Desculpa...
Yusuke suspira e os abraça forte, deixando os garotos sem entender a reação do pai.
—Nunca mais façam isso comigo... eu ficaria louco se perdesse os dois.
—Desculpa... –falaram os dois, baixando a cabeça.
—Hiei! –Yusuke se levanta e estende a mão para o koorime. –Obrigado, amigo. Por ter trazido meus garotos pra casa!
—Tudo bem. –ele ignora a mão estendida e olha para Kuwabara. –O que o inútil está fazendo aqui?
—Olha como você fala, Pintor de Rodapé! –Kuwabara exclama. –Saiba que eu mal cheguei e já salvei o dia, tá ligado?
—Demorou a aparecer e já está todo inutilizado para as lutas que virão. –resmungou. – É um idiota mesmo!
—Ora seu!!! –Kuwabara se levanta com o punho próximo ao rosto inexpressivo de Hiei e depois se encolhe todo pela dor dos ferimentos. –Dói demais... ai, ai, ai...
—Inútil... –resmungou Hiei se afastando. –Kurama, nem sinal do verme do Kuroi. E perdi tempo trazendo esses pirralhos pra cá. Que cara é essa?
—Botan desapareceu. –havia muita preocupação na voz do Yoko.
—Acha que Kuroi a pegou? –Yusuke pergunta e Kurama confirma ao cerrar os punhos. –Maldito!
—Senhor Urameshi!
A voz de Takaki chama a atenção de todos. Este olhava pela janela que dava a visão de uma árvore no quinta de sua residência, onde um youkai estranho estava em seu topo. Ele tinha o rosto coberto por um tipo de manto negro, e não era possível determinar mais nada além de orbes brancas de sua aparência, parecendo estar encolhido, aguardando alguma coisa ou alguém.
Yusuke escancara a janela, com o punho em riste para a criatura.
—Escuta aqui! Se vieram em busca de briga vão ter!
A criatura nada diz, estende um braço longo e magro, mostrando que trazia uma carta em seus dedos ossudos para Kurama.
—Que bracinho comprido... é parente do Slender man? –pergunta Yusuke, achando o youkai desagradável.
—É um mensageiro. –explica Hiei.
O Yoko pega o envelope e a criatura se encolhe esperando uma resposta. O ruivo olha para os amigos e em seguida abre a missiva e lê seu conteúdo para todos.
—É um desafio.
—Kuroi quer me encontrar em Kamakura, amanhã. –disse Kurama sério. –É um desafio.
—Kamakura? –Yusuke parecia não entender. — Por que lá?
—É um local antigo. –explicava Hiei. –Tem muito yokki e youkais velhos morando naquela região. Fico imaginando se ele não vai usar mais aliados, como esse Trapo Velho aí!
Kurama olha para a criatura.
—Diga ao seu mestre que irei encontra-lo no local e hora marcados.
O youkai assente com a cabeça e salta no ar, desaparecendo da visão de todos.
—E agora? –Kuwabara pergunta, ficando novamente em pé.
—Irei para Kamakura, atrás de Botan. –responde o Yoko, amassando a carta em sua mão.
—Nós iremos para Kamakura trazer a Botan de volta sã e salva! –corrigiu Yusuke, estralando os dedos.
—E acabar com Kuroi. –completou Hiei.
—Contem comigo... –Kuwabara dá um soco no ar e para como se levasse um choque. Aiaiaiaia.... dói... dói...
—Inútil! –diz Hiei.
Kuwabara e Hiei começam uma nova discussão, Yusuke somente observa se divertindo com isso. Mas, quando nota o semblante preocupado e carregado do Yoko observando a árvore pela janela, toca em seu ombro.
—Vamos salvá-la, Kurama.
Kurama concorda com um aceno de cabeça, tentando ser confiante. Sim, iria salvar Botan, seu filho e faria Kuroi e qualquer um se arrepender de ter colocado quem amava em perigo.
Continua...
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