Faltou Dizer Eu Te Amo
3 Capítulo 3: Preciso de você!

Dizer que beijar a sua boca,
Completa, basta
Ou afasta
A solidão, é tolice!
Eu quero ter você
Por dentro e por fora
Sem tempo, nem dia, nem hora.
Eu quero corroer o seu coração num abraço
E nesse espaço deixar você se convencer
De que ainda precisa de mim.
Eu já me convenci,
Preciso de você!
Ivo A. Siqueira.
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—Estou grávida. Vamos ter um bebê.
Ao ouvir essas palavras, Kurama foi invadido por um verdadeiro turbilhão de emoções. Surpresa, medo, receios, alegria...sim, alegria. E por que não?
Ele ficou ali parado, olhando-a sem dizer nada. Imaginando o que dizer a ela.
—E então? -ela perguntou nervosa pelo silêncio. Certamente ele não deveria estar feliz com a notícia. -O que faremos?
—Como assim o que faremos? -Kurama repetiu a pergunta dela com calma. -Faremos o óbvio, Botan. Vamos nos casar. Não é o que pessoas adultas fariam nesse caso?
—Não.
Aquela era claramente a resposta que Kurama não esperava ouvir. Apesar de não demonstrar em suas feições seu desagrado com a negativa, era possível reparar que seus olhos escureceram, revelando uma mistura equilibrada de aborrecimento, consternação e fúria.
—Por que não?
—Não quero que se sinta obrigado a se casar comigo por causa do bebê. -ela respondeu parecendo ofendida. –Nos dias de hoje? Não foi para isso que vim.
—Então, veio para que?
—Achei que iria querer saber que seria pai. -ela cruzou os braços e desviou o olhar do dele. -Eu só...
—O que eu quero não importa. -disse interrompendo-a. -Você sumiu Botan! Me deixou preocupado e agora aparece esperando um filho meu. O que esperava que eu dissesse?
—Não quero que se case comigo só por que acha que tem alguma obrigação!
—Não é só por causa do bebê, Botan.
—E qual seria o outro motivo para que queira casar comigo?
Por um período que parecia eterno, Kurama ficou em silêncio.
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—E então? -Yusuke flagrou a esposa espionando o casal conversando.
—Yusuke! -Keiko fez um gesto para que ele se calasse. -Eu estou preocupada com a Botan!
—Sei. Acredito, minha filha! -ele zombou, e recebeu um olhar mortal de Keiko, mas ele ignora. -Vamos logo antes que eles percebam!
—Yusuke, eles parecem que estão discutindo. Isso não é bom para o bebê!
—Ficar espionando também não! -ele a puxou pela mão. -Vamos.
—Ele se levantou! -Keiko avisou e Yusuke também começou a prestar atenção no que acontecia.
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—Quero que fique aqui na casa dos Urameshis, Botan. -Kurama avisou, pegando seu casaco. -Não vá embora ainda.
—E por que?
—Porque há um youkai que quer me atingir. E acredito que você poderá estar em perigo. Ficaria mais tranquilo se permanecesse aqui, com Yusuke e Keiko. -ele pega em seu queixo delicadamente com a ponta dos dedos e a força a encará-lo. -Pela sua segurança e a do nosso filho, fique aqui.
—E-está bem. Eu fico. -Botan sentiu as pernas tremerem diante do olhar dele.
—Ótimo. -ele ia saindo mas olha para a porta do fundo e chama. -Yusuke, vamos conversar lá fora. Keiko, por favor, cuide de Botan.
No mesmo instante, o ex-detetive sobrenatural cai de seu esconderijo, ficando sem graça.
—Como ele sabia que estávamos aqui? -murmurou seguindo o Youko.
Antes de sair, Kurama lançou um último olhar a Botan.
—Nem pense em fugir.
Botan ficou irritada, levantou-se e foi para os fundos, subindo as escadas para os quartos. Kurama acenou para Keiko e saiu.
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Do lado de fora.
Então, ela não queria se casar com ele.
Kurama refletia sobre tudo o que estava acontecendo, a notícia de que seria pai, que Botan esperava um filho seu, mexeu muito com ele. Mais do que queria admitir. Como queria abraça-la, dizer que estava tudo bem, que a queria ao seu lado não por causa do bebê, mas porque a queria muito.
—E aí, Kurama? -Yusuke o tirou de seus devaneios.
—Está sentindo essa energia sinistra? Ele está por perto! -Kurama comentou com serenidade.
—É eu senti assim que descemos do metrô. -Yusuke olhou para os lados, como se procurasse alguém. -O desgraçado faz questão que a gente saiba que ele está por aqui, mas não mostra a cara feia dele!
—Está mostrando que se quisesse, poderia ter matado Keiko e Botan.
—QUÊ!? -Yusuke cerra os punhos, em fúria. -Maldito! Não me conformo dele ter chegado tão perto assim da minha família!
—Calma, Yusuke. -Kurama pediu. -Está na cara que Kuroi está querendo fazer um jogo e nos deixar nervosos, imaginando o que ele fará. Vou andar por aí, e tentar ver se eu o encontro.
—Parou! Parou! Tempo! -Yusuke fez um gesto pedindo tempo. -Vai sair por aí caçando esse sujeito sozinho?
—Sim. Você precisa ficar e proteger Keiko e os meninos, caso ele volte. Cuide de Botan também.
—Nem precisava pedir. -Yusuke sorri sem graça. -Cê sabe que a Botan é uma amiga querida. Uma irmã. E aí? O que vai fazer?
—Sobre?"-fingiu não entender a pergunta de Yusuke.
—Sobre o seu filho! -respondeu nervoso. -E com a Botan também.
—Vou me casar com a Botan, é claro! -falou com convicção. -Só preciso convencer a Botan disso.
—Eu sei como é duro crescer sem um pai, é barra! -Yusuke comentou. -Mas a Botan não parecia que queria se casar não.
—Eu a convencerei.
—Isso que é confiança. –dando os ombros. –Toma cuidado com esse tal de Kuroi.
—Pode deixar.
Em seguida, Kurama desaparece em meio das pessoas que caminhavam por ali.
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Do alto de um edifício, bem longe da casa de Yusuke Urameshi, o vento balançava a capa e os cabelos negros de um homem de olhar maligno e sorriso confiante. Seu espião lhe mantinha atento sobre tudo o que acontecia com seus inimigos.
Graças a ele, sabia que Kurama o procurava, que Urameshi o deixou sozinho para proteger sua família, e que uma fêmea humana esperava uma cria do youko. Tudo perfeito! O plano original era matar os amigos de Kurama, mas agora...era melhor ainda!
O pequeno youkai espião se aproximava da janela do quarto dos filhos de Yusuke. O pequeno Koji brincava com um mini game, deixando de lado seus cadernos, enquanto que o mais velho, Yutaro estava deitado na cama com ar de tédio.
—Poxa! As aulas nem começaram e a mamãe faz a gente estudar. Ninguém merece! -reclamava.
—Por que não brincamos? -perguntou Koji.
—Tô com tédio! -respondeu Yutaro. -Queria ir ao cinema! Todo mundo vai para assistir ao Megatroid 2000!
—Quem?
—O filme daquele seriado legal! -Yutaro dizia entusiasmado. -É um robô gigante, que lança raios dos dedos assim!
Brincando, o menino aponta o dedo como uma arma para a janela aberta, como se atirasse. Sentiu um formigamento na ponta do dedo e em seguida, para o susto de ambos os meninos, um raio luminoso sai de seu dedo, voa pela janela e atinge o pequeno espião de Kuroi, reduzindo-o a uma bola de fogo.
—N-Não...não conta pra mamãe! -Yutaro pediu, olhando surpreso para o dedo. Koji concordou com os olhos arregalados.
—Que barulho foi esse, meninos? -Keiko perguntou do lado de fora do quarto.
—Nada mãe! -responderam ao mesmo tempo.
Kuroi estava intrigado, perdeu o contato com seu espião. Certamente fora descoberto por Urameshi. Bem...isso não importava mais. Decidiu se apresentar formalmente para seu alvo.
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Kurama caminhava quando sentiu uma presença conhecida. Sorriu discretamente e entrou em um parque, longe dos olhares das outras pessoas, se aproximando das árvores. Parou diante delas e chamou:
—Há quanto tempo, Hiei?
Um vulto todo de negro salta das árvores e para diante dele. Hiei estava um pouco diferente do que ele se lembrava. Pouco mudara em anos, apenas estava um pouco mais alto.
—Você cortou os cabelos? -Hiei comentou assim que olhou bem para Kurama.
—Não nos vemos a dez anos e apenas pergunta se eu cortei os cabelos? -Kurama sorriu. -Pensei que iria perguntar sobre as últimas notícias de seus amigos.
—Hunf! Está passando tempo demais com os ningens. -resmungou. -E quais seriam essas últimas novidades?
—Eu vou ser pai. -respondeu achando graça na surpresa nos olhos do velho amigo.
—Interessante. -disse-lhe com certa frieza. -Agora que você realmente não abandona o mundo dos ningens. E quem é a mãe? Eu a conheço?
—Sim, você a conhece. É a Botan.
Desta vez, ele não parecia surpreso.
—Aquela garota sempre gostou de você. Mas não espere um Parabéns. -comentou, e antes que Kurama falasse mais alguma coisa. -Procuro por Kuroi.
—Então, você é o agente enviado pelo rei do Makai para capturar Kuroi e levá-lo de volta?
—Rainha...atualmente Mukuro governa o Makai. Ela venceu o último torneio. -respondeu. -Ela disse que não faz questão de que eu o traga vivo. Ele tem causado muitos problemas no Makai.
—Também procuro por Kuroi. -disse Kurama. -Ele ameaçou a mim e meus entes queridos.
—Procuram por mim? -uma voz com um tom de divertimento chamou a atenção dos dois, que se posicionaram em alerta. -Aqui estou.
Ambos olharam para um homem vestido totalmente de negro, longos cabelos que balançavam ao vento e um sorriso debochado no rosto. Ele mostrava as mãos como se dissesse que estivesse desarmado, ou que não representava perigo. Mas Kurama e Hiei sabiam que isso não era verdade.
—Você é Kuroi? -Kurama se preparava para qualquer ataque, mas ele não aparentava que iria atacar.
—Sim. -ele respondeu nem um pouco intimidado pelos youkais.
—Ótimo. Poupou-me o tempo de procurá-lo. -Hiei sacou sua katana e avançou contra Kuroi, que desviou do ataque para a surpresa do koorime. -Mas...como?
Então, com um sorriso sarcástico, Kuroi reaparece diante de Hiei e este apenas vê uma luz emanando da mão do youkai antes de sentir uma dor causada por uma explosão e ser lançado longe, batendo em uma árvore.
—Hiei!
—Não se preocupe. Isso não é o suficiente para matá-lo. -Kuroi fica parado diante de Kurama. -Meu assunto é com você. Não tenho mais a intenção de matar seus amigos, apenas a mulher e seu filhote.
—Deseja vingança porque derrotei seu irmão? -perguntou com frieza, retirando uma rosa de dentro da manga de seu terno. -Não imagino que pessoas como Karasu tivessem qualquer sentimentos fraternais...como acredito que você não os têm.
—Não desejo matá-lo por causa disso. -respondeu. -Estou furioso com você por ter me privado da oportunidade de matar Karasu com as minhas próprias mãos. Veja bem...você o destruiu, e eu nunca poderei saber qual seria a sensação de vê-lo morrendo agonizante diante de mim. Então, vou descontar minhas frustrações em você.
—Vamos acabar com isso agora? -a rosa se transforma em um chicote de espinhos.
—Não. Agora não. -ele dá um passo para trás, e desaparece assim que Hiei tenta golpeá-lo por trás.
—O maldito é rápido! -Hiei bufou de raiva.
—É mais divertido deixá-lo apreensivo sobre como e quando vou matar sua companheira. -sua voz era ouvida, mas eles não conseguiam descobrir de onde ela vinha. -Depois de matá-la, farei o mesmo com você...hahahahahahahaha...Acho que vou fazer-lhe outra visita, aqueles olhos violetas são realmente belos! Talvez eu os guarde de lembrança, depois de arranca-los daquele rosto tão jovem.
—Botan!
Kurama corre em direção a casa de Yusuke, sendo seguido por Hiei.
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Como um furacão, Kurama entra na residência dos Urameshi, causando um grande susto em todos.
—Caramba, Kurama. Onde é o incêndio? -Yusuke perguntou nervoso, depois reparou em Hiei. -Hiei, amigão! Também de volta?
—Urameshi. -ele olhou para Keiko e depois para os meninos. -Seus filhos? Dá para perceber pela enorme energia espiritual deles, apesar de serem pirralhos.
—Cuméquié? -ele olha para os garotos e depois para Hiei. -Que energia?
—Eu percebo por causa do meu Jagaan. -respondeu e encostou-se em uma parede. –Se não tivesse feito a idiotice de selar seus poderes, reduzindo-os, também sentiria.
—Você sabe que foi preciso, Hiei! –fazendo uma careta nervosa, levando a mão até o lado esquerdo do peito, como se algo o incomodasse. –Escuta aqui...
—Onde está a Botan? -perguntou logo, antes que Yusuke continuasse a conversa com Hiei.
—Estou aqui. -ela apareceu.
—Arrume suas coisas, Botan. Você vem comigo. -determinou.
—Que? Mas não pode decidir isso por mim. -respondeu nervosa com as mãos nos quadris.
—Kuroi quer matá-la. Se ficar ele vai matar qualquer um em seu caminho, inclusive Keiko e os pirralhos. -Hiei respondeu, sem sequer olhar para ela.
—Esse tal de Kuroi...quer me matar por que?
—Por causa do bebê. -Kurama respondeu.
—Vou continuar procurando Kuroi. -Hiei disse já de saída. -É perda de tempo ficar aqui parado.
Botan ficou parada, absorvendo aquelas informações.
—Vou pegar minhas coisas.
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Algum tempo depois, no apartamento de Kurama.
—É provisório. -ele disse colocando as malas de Botan no hall de entrada.
—Não imaginei que acabaria causando-lhe problemas.
—Não diga isso. Não tem culpa de nada. Kuroi é tão louco quanto o irmão dele.
—Mesmo assim. -ela suspirou.
—Tomei uma decisão, para protegê-la. -ele declarou.
—Que decisão?
—Vamos para uma casa de campo que comprei recentemente. -disse-lhe.
—Nós? Sozinhos?
—Sim. É natural que viajemos juntos, já que vamos nos casar.
—Mas...quem disse que vamos nos casar? -o coração dela disparou com essas palavras. –Já disse que não. Você vive em qual década?
—Não pretendo mudar de ideia. E sei que você também quer isso. -respondeu com frieza.
—Sei que não quer se casar comigo por minha causa. -ela disse-lhe.
—Isso também não é verdade. Eu preciso de você, Botan. -Dizendo isso, ele venceu a distância entre eles, pegou-a nos braços e beijou-a.
Um beijo apaixonado como os que haviam trocado na noite em que se amaram. Quando a boca quente de Kurama tocou a dela, convencendo-a, abrindo-a, a mente de Botan foi invadida pelo desejo, que logo foi refletido pelo seu corpo. Ela desejava aquilo. Desejava Kurama.
Desejo, ânsia, necessidade e paixão. Todos esses sentimentos a invadiram com uma fúria avassaladora. O sangue ferveu em suas veias, o coração acelerou-se. Ela entreabriu os lábios, permitindo que ele a invadisse, saboreando-o, retribuindo-o. Kurama gemeu.
Ele segurou-a com mais força, puxando-a para si. Em vez de se sentir assustada com a maneira impetuosa que ele a beijava, ela sentia-se excitada. Viva.
—Eu preciso de você, Botan. -ele disse-lhe rouco, afastando-se dela, pegando em sua mão e levando-a para seu quarto.
Continua...
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