Falso amor
59 Capítulo 59
Olá lindas, aqui estou com mais um capítulo. Obrigada por lerem. Bjs
Maria tinha levantado primeiro da cama quando deixou Estevão dormindo nela.
Debaixo do chuveiro enquanto ela tomava seu banho do dia, estava pensativa.
Pensava na conversa que teve com Estevão antes de adormecerem e terminou contando a ele que ela tinha um acordo com Patrícia. Um passaporte pelas verdades que ela precisava. Um acordo simples assim. Ela daria algo e receberia em troca outro.
O que levou Estevão se oferecer a fazer aquilo por ela. Afinal, ela havia deixado claro a ele, que apesar do recomeço que viviam ela necessitava da verdade.
E então ela confiou nele. Confiou de verdade para aquela missão. Que talvez se unissem para desmascarar o que fizeram a ela e ao amor deles, não seria nada mal. Já que ela ainda que fosse a mais prejudicada, Estevão também tinha sofrido percas.
Um bom dia dado a ela, chamou a atenção dela que virou para porta do seu banheiro. Estevão estava só de cueca box, parado entre a porta e de braços cruzados.
Ela desceu os olhos para todo o corpo dele e suspirou vendo o volume que se concentrava na frente do pano preto de sua cueca.
— Estevão: Não me olhe assim Maria que entro nesse banho contigo.
Ele sorriu de lado e alisou o queixo, agora ele olhando o que ela mostrava de frente para ele.
Que assim ela disse decidida em ter um pouco mais dele aquela manhã.
—Maria: Se entrar agora, teremos alguns minutos antes que eu saia para despertar Estrela e tomarmos nosso café.
Por um momento Estevão gostou da ideia. Depois de dormir mais uma noite inteira ao lado da mulher que amava, ia ter sexo com ela e depois ainda um café da manhã em família, ou quase por estar faltando apenas Heitor com eles. E o que ele queria mais? O que tinha feito de bom na vida que estava tendo outra vez o que tanto desejou?
Só que infelizmente a última parte daquele convite dela, ele teria que adiar. Tinha dormido bem depois dela quando a ouviu falar do acordo que ela tinha com Patrícia. Que indignado ele se propôs a resolver aquela questão. E seria ele pessoalmente com Patrícia e agindo do seu modo...
Que assim entrando mais no banheiro ele disse, contendo de verdade como ele estava por dentro.
—Estevão: Eu estou ansioso para resolver a questão que temos pendente com Patrícia, por isso quero estar logo em casa ter roupas limpas e resolver isso Maria.
Maria suspirou arrumando alguns fios soltos do seus cabelos que estavam presos para não serem molhados. Olhou Estevão parado muito perto dela e meditou naquela questão dele sobre as roupas, que ela pensou poderia naturalmente ser resolvido com apenas uma sugestão. Que então assim, ela disse.
—Maria: Poderia deixar algumas de suas roupas aqui para não termos esse problema.
Estevão sorriu para ela pensando que tinha uma sugestão melhor e disse.
—Estevão: Ou você e nossa filha poderiam se mudar para minha casa. Nela estaríamos todos juntos, querida.
Ele sentou em cima do vaso sanitário tampado e dando a mão para ela sair do box, ela o respondeu indo até ele.
—Maria: Penso que não é o momento de tomarmos ainda essa decisão. Estrela ainda começará se acostumar em tê-lo aqui . Não posso fazer tudo rápido demais Estevão.
Ele desceu a cueca mostrando uma potente e enorme ereção e ela já sabia o que fazer, porque ele só teve que abraçar o corpo dela que sentava de frente para ele.
—Estevão: Você já tomou essa decisão quando aceitou se casar comigo... Oh, Maria.
Ele gemeu levando uma mão em um seio dela e a boca no outro, quando teve ela engolindo o membro dele em seu interior, molhado e apertado.
Ela gemeu entre a dor e o prazer tanto por tê-lo dentro dela como por ele ter chupado e apertado os seios dela com vontade demais, que sentindo eles mais sensíveis por conta da gravidez aquela manhã ela pediu.
—Maria: Oh, devagar Estevão. Meus seios estão doloridos...
Ele subiu a cabeça murmurando um desculpe e voltou mais carinhoso tomar um seio, rodeando a ponta de sua língua no bico dele.
Maria por sua vez, começou se mover no colo dele. Ela segurou nos ombros dele apertando enquanto começou cavalga-lo. E seguiu gulosa até que ela teve seu orgasmo que a fez amolecer nos braços dele, o fez ele tomar a cintura dela com fervor e fazer ela cavalgá-lo outra vez para ele então gozar enquanto a beijava na boca.
Mais tarde...
Estevão chegava com pressa na mansão San Roman. Já tomado banho com Maria, o que ele desejava era apenas roupas limpas, um café preto sem açúcar e 3 rosquinhas, para sair e ter seu acerto de conta com Patrícia.
Porque ao contrário do que transpareceu a Maria, ele estava furioso e capaz de tudo para arrancar a verdade que Patrícia poderia revelar.
Podia se lembrar de todas as vezes que havia questionado a ela, se ela tinha dúvidas da culpa de Maria e ela sempre fazia questão de dizer que não havia nenhuma. Então ela o mentiu todo aquele tempo e Estevão cada vez mais tinha certeza que foi rodeado por falsos traidores.
Até que enquanto ele já subia a escada, ele topou com Alba.
A mulher o mirou. O via sumido de casa, feliz, Maria mais constante na mansão e ele mais constante com ela como ela sabia que era onde ele tinha passado mais aquela noite. Alba sabia também que Patrícia estava deixando o barco e ela julgava que também tinha que fazer igual, mas da sua maneira.
Que então assim, ela disse.
—Alba: Queria que essa noite convidasse Maria e Estrela para um jantar aqui em nossa casa, Estevão. Sei que estão juntos, então não vejo problema de nos reunirmos como a família que um dia fomos.
Estêvão a olhou desconfiado. Tinha mil motivos para não confiar em mais ninguém que só o apoiaram em sua fracassada tentativa de odiar Maria em todos aqueles anos . E sua tia, seu próprio sangue estava entre os que ele não podia confiar. Dentro do seu lar era ela, fora dele o problema era bem pior que era o que Maria cheia de certezas dizia o que acontecia em sua empresa. Outros traidores existiam nela e ele estava certo pelo último acontecimento nela, que não era só Bruno.
Que então assim ele respondeu Alba.
—Estevão :O que pretende com isso, tia?
Alba deu um sorriso de lado e tocou no braço dizendo.
—Alba: A paz Estevão. Mesmo que não confie em mim e que Maria certamente o tenha colocado contra mim, o que eu posso entender. Ela sofreu tantas coisas sendo inocente...
Ela deixou de toca-lo e baixou a cabeça. Estevão quis olhar nos olhos dela os procurando e disse, incapaz de ser gentil nas palavras.
—Estevão: Então agora ela é inocente, tia? O que mudou para você? Sempre foi a primeira em acusa-la aqui nesta casa!
Ele tacou na cara dela aquela verdade já todo vermelho e Alba levando a mão no coração, disse.
—Alba: Eu tinha medo. Medo da verdade ser mais terrível do que a mentira...
Ela começou a chorar e Estevão não acreditando naquelas lágrimas, ele disse.
—Estevão: Tia não adianta chorar. Eu já não consigo acreditar em ninguém que está em minha volta. A não ser meus filhos e Maria.
Alba ergueu a cabeça, limpou um lado de seu rosto e disse então, certa como tinha que agir.
—Alba :Chame ela está noite que contarei tudo que sei. Eu juro, Estevão. Eu juro.
Estevão ficou por um momento em silêncio com que ouviu, até que disse firme.
—Estevão: Espero realmente que tenha algo a dizer porque não estou para brincadeiras tia. Não estou!
Longe dali.
Maria deixava Estrela na frente da escola. Ela estava sorrindo de um jeito que Estrela não podia negar que nunca tinha visto ela sorrir daquele jeito. É era porquê ela tinha a mãe dela ali, apaixonada. Pela primeira vez, podia ver os olhos dela brilhando e aquele sorriso bobo.
Que então assim antes de descer do carro ela disse, sabendo que o pai dela dormiu com elas no apartamento.
—Estrela: Eu só espero que Estevão não te machuque mais mamãe. Esse seu sorriso me deixa feliz...
Maria ficou séria, se dava conta que passou o caminho todo animada demais e falando entre sorrisos.
Que assim ela pegou no braço de sua menina e disse.
—Maria: De verdade te deixa feliz me ver assim?
Estrela assentiu podendo ser sincera e a respondeu.
—Estrela: Sim, ainda que se eu pudesse escolher, escolheria que estivesse apaixonada por outro. Por Luciano por exemplo.
Maria suspirou em resposta para ela.
—Maria: Filha...
Ela não teve forças para tirar mais uma justificativa do porquê não podia amar outro homem, que por isso se conteve e Estrela acrescentou.
—Estrela: Acho que será mais fácil aceitar Estevão como pai do que como seu marido.
Ela olhou a mão da mãe com um anel depois de falar. Enquanto Maria, depois de olhar para onde Estrela olhava, ela respondeu voltando a olhar nos olhos da filha.
—Maria: Ambos são os mesmo homem, filha.
—Estrela: Eu sei . Por isso é ruim.
Sem mais nada a dizer, Estrela beijou o rosto da mãe e saltou do carro. E de repente Maria não sorria mais.
Ela olhou para sua mão no volante do carro e suspirou olhando o anel.
Estevão apertava irritado a campainha de Patrícia. Era às 09:30 da manhã que por ter ligado antes na clínica dela e ela não estar trabalhando, ele sabia que ela só podia estar em casa . Que agora batendo na porta com o punho fechado, ele disse grosso por estar nervoso.
—Estevão: Abra a porta Patrícia! Eu sei que você está aí! Abra essa maldita porta!
Ele todo vermelho se afastou da porta para resistir a tentação e arromba-la, até que ele olhou do lado dela um jarro grande com plantas de folhas verdes e lembrou que ela guardava ali uma chave reserva e que ele já tinha usado ela algumas vezes.
Que então assim, ele nervoso vasculhou a planta, e quando achou a chave ele abriu rápido a porta e então entrou no apartamento.
A primeira coisa que ele viu foi a sala bonita de Patrícia e com móveis todos caros, que no sofá de couro branco, sentada com a cabeça caída para trás e olhos abertos, estava ela morta.
Estevão mirou seu pescoço torto observando marcas nele e só pensou que sua vontade de fazer aquilo nela, havia sido cumprida por seja quem fosse.
Quando Maria recebeu a notícia que Patrícia estava morta, ela estava a caminho das empresas San Roman o que fez ela mudar de caminho e ir direto para uma delegacia.
Que quando ela chegou, quase correndo nela, ela deu de cara com Heitor que esperava fora de uma sala.
Ele a olhou e por sua expressão, Maria soube que vinha notícias ruins, que então ela disse.
—Maria: Cadê ele?
Heitor olhou para porta e disse, passando a mão na cabeça.
—Heitor: Depondo. E acredito que estão o vendo como um forte suspeito, mãe.
Maria ergueu a cabeça séria. Claro que o veriam como um suspeito. A maioria das mulheres que eram encontradas mortas, os primeiros dados como suspeitos, eram seus parceiros ou parentes próximos e Estevão se encaixava na primeira opção . Que então assim, ela disse tensa.
—Maria: Ele está com um advogado lá dentro? Demétrio está com ele?
Heitor negou. Estava tentando fazer contato com Demétrio todo aquele tempo mas não conseguia. Maria então bufou. Conhecia Estevão e como podia ser seu temperamento, que por isso não pensou duas vezes em ir até a porta e bater nela. Não o deixaria sem um advogado aquele momento. Pois ela seria a dele.
Estevão de frente a um homem de meia idade, era questionado onde esteve noite passada, com quem esteve, que horas exatamente havia ido até o apartamento de Patrícia e o porquê havia a procurado se ele se declarava não ter mais nenhum envolvimento amoroso com ela.
Perguntas nas quais se vendo como inocente ele não recusava em responder, apenas temia evidenciar que teve a mesma vontade de fazer o que fizeram com ela todo o resto da noite que dormiu com Maria junto aquela manhã, até encontrá-lo morta.
Que assim ele ouviu o delegado dizer, em um tom que duvidava das declarações dele.
—Delegado: Você sabia em qual lugar ficavam as chaves dela, teve um envolvimento longo com ela. E por que terminaram mesmo?
Estevão foi abrir a boca mas ele ouviu por trás dele Maria dizer de tom firme na voz.
—Maria: Não responda mais nada, Estevão.
Estevão a olhou virando a cabeça para ver ela entrando depois que o escrivão tinha aberto porta para ela.
O delegado também a olhou, até que ela sentou e disse direcionando as suas palavras agora para ele.
—Maria: Agora peço que suas perguntas sejam direcionadas a mim, senhor delegado e não a meu cliente.
Ela olhou firme para o homem robusto e barbudo em sua frente e Estevão só soube a olhar calado enquanto sentia um terrível tesão por vê-la pela primeira vez em sua postura de advogada e o melhor de tudo, para fazer sua defesa.
3 horas depois.
Estevão e Maria, aguardavam a autorização para irem embora da delegacia e que viria do delegado.
Maria presente ao lado dele, conseguiu dar a Estevão uma defesa rápida e aparentemente salva-lo por ter se tornado o álibi dele, por ele ter passado toda a noite com ela. O que também se ele precisasse ser detido para mais investigação, seu papel como advogada dele estaria encerrado ali, já que diante de um juiz sua defesa ficaria em descrédito por eles terem um conflito em comum, sendo um casal.
Mas que tranquila que não chegariam aquele ponto, Maria disse, vendo Estevão nervoso enquanto tinha o celular no ouvido falando com alguém.
—Maria: Logo seremos liberados Estevão. Você não fez nada . Se acalme.
Ela tocou no braços dele. Tinha certeza que o pai dos filhos dela não era um assassino e nem poderia ter sido naquele caso, já que na perícia havia constado que Patrícia havia sido morta no meio da noite e a qual ele esteve com ela.
Enquanto Estevão ali, a mirou sério. Não tinha escutado nada que ela disse e sim o que diziam a ele no telefone.
Era Demétrio na linha que justificava a ausência dele quando ele precisou dele. Que então assim branco como um papel, sem saber como daria aquela notícia que tinha a Maria, ele passou a mão na cabeça depois de desligar a ligação e começou dizer.
— Estevão: Demétrio está vindo, mas antes justificou sua ausência.
Maria cruzou os braços com sua bolsa entre eles e disse séria.
—Maria: E qual seria o motivo dele não estar aqui, quando você mais precisou?
Estevão puxou o ar do peito. Sabia que não podia esconder o que ouviu que então, ele seguiu.
—Estevão: Ele estava no fórum. Hoje tínhamos a decisão definitiva do meu pedido de guarda de nossa filha.
Depois que o ouviu, Maria levou devagar a mão na boca. Lembrava naquele momento que tinha aquele compromisso. Havia esquecido completamente que por ter pedido a troca do juiz e ter sido atendida diminuindo assim o temor de perder sua menina, a seriedade daquele audiência havia ficado no escanteio.
Que então assim, ela disse baixo.
—Maria: Eu me esqueci totalmente da data Estevão.
E Estevão vendo que como ele, ela tinha esquecido também, ele disse.
—Estevão: E eu também, mas Demétrio não e foi quem me representou, enquanto na sua ausência com nenhum advogado a representando, o juiz entendeu que não estava dando importância e ...
Ele parou não podendo seguir mais e Maria abriu a boca o fulminando com os olhos e disse, sentindo seu sangue ferver.
—Maria: E você ganhou a guarda dela, não é Estevão? Não é assim?
Ela se exaltou em suas últimas palavras e ele então disse de uma vez já ficando vermelho.
— Estevão: Sim, Maria. Eu sinto muito, eu...
Maria não falou mais nada, que furiosa apenas começou andar para longe dele . Estevão então correu e fez ela parar pegando no braço dela, que quando fez, ele sentiu os dedos dela na cara dele. E ela então disse nervosa depois de esbofeteá-lo no meio da delegacia.
—Maria: Isso é por você ter sido esse imbecil que fez esse pedido para tirar minha menina, Estevão!
Estevão levou a mão no rosto que ardia e olhou ao redor sabendo que eram assistidos. O que fez ele bufar mas se conter em seguida, dizendo baixo.
—Estevão: Eu mereço esse tapa e muitos outros, então não vou me defender, querida.
Maria torceu os lábios de lado, odiando aquele querida que claramente havia sido usado para acalma-la, que ainda assim furiosa, ela abriu a bolsa dela dizendo.
—Maria: Eu preciso ficar longe de você Estevão. Que por sua estupidez eu estou preste a me arrepender de tudo que estamos vivendo. Mas quero que pegue isso antes.
Ela entregou na mão dele um gravador. O mesmo que ela tinha gravado Patrícia quando a visitou na clínica dela.
Estevão olhou a coisa na mão dele sem entender nada e ela disse.
—Maria: Se seguirem suspeitando de você apresente isso. Nele tem a própria Patrícia insinuando que o que ela estava envolvida poderia sim custar sua vida.
Ele então respirou fundo e quis toca-la, dizendo.
—Estevão: Maria.
Maria se esquivou dele e disse séria.
—Maria: Só use de último caso, porque te livrará, mas trará outra investigação que será em torno de sua empresa.
Estevão desejava ali mais que tudo refazer o que tinha feito, afinal se estavam naquela situação e ele com o rosto ardendo, ele sabia que só tinha um culpado. Que por isso, ele disse.
—Estevão: Me perdoe. Eu fui tão estupido.
Ele passou a mão que não segurava o gravador na cabeça, e Maria o mirando ainda com um olha que o recriminava, ela disse concordando com a fala dele.
—Maria: Sim, você é um entupido Estevão mas é inda o homem que amo e o pai dos meus filhos e essa guerra ainda não acabou!
Ela então depois de falar, ela voltou a andar e ele deixou ela ir enquanto olhava o gravador na mão.
Maria atravessou a porta de vidro da delegacia e começou a caminhar em direção ao seu carro que estava no estacionamento. Respirava agitadamente e sentia que de fato tinha que ficar longe de Estevão por aquele momento. Esteve tão inerte em estar dividida entre seu amor que ainda sentia por ele e seus receios e dúvidas, que havia esquecido completamente daquela nova audiência que teriam e que ele tinha confessado ter comprado o juiz.
Ela assim enfiou a mão em sua bolsa já procurando a chave do carro e quando ela achou, a deixou cair.
Ela então bufou impaciente. Ainda estavam no meio do dia e ela não sabia mais o que esperar ainda do dia em qual estava. Patrícia estava morta e Estevão estava sendo visto como o principal suspeito e como se não bastasse, tinha perdido todo o poder sobre a guarda de sua filha.
Depois de pegar a chave, ela suspirou querendo manter as lágrimas onde ela começava a sentir que queriam descer.
Até que já muito próxima do seu carro, ela avistou um rosto conhecido e parou.
O senador Manolo Canedo vinha em direção dela com dois homens trajando preto, que ela supôs imediatamente que tratava de seguranças dele.
O senador quando a viu sorriu. O que não era um sorriso de felicidade, que se estava voltando aquela delegacia mais vezes que gostaria, era simplesmente por culpa da mulher que ele via. Sua vida estava uma desgraça por ela.
Ter feito com que Cecilia tirasse sua própria vida não tinha havido o resultado que ele tinha buscado. Um viúvo de uma doente mental que fez dele vítima de suas calúnias e pai solteiro, daria a ele a compaixão de seus eleitores e consequentemente sua futura reeleição. Mas não, Maria aquela mulher em sua frente não tinha largado o osso mesmo depois do termino de seus serviços prestado e posto assim duvidas no suicídio de sua pobre esposa.
Ele arrumou a roupa. Do jeito que sua vida política estava jogada no lixo com anos e anos construídos e derrubados por duas infelizes mulheres, ele tinha correr para outro negócio que já tinha na manga e graças a uma delas.
—Manolo: Maria...
Maria ergueu a cabeça. Apesar de sentir que tinha seus nervos à flor da pele, não queria transparecer sua fraqueza para aquele assassino que ela tinha em sua frente. Que então assim, ela disse de voz firme.
—Maria: Senador...
O homem mexeu na gravata agora e disse, ainda com seus dois postes como segurança, ao lado dele.
—Manolo: Por enquanto ainda senador, mas não graças a você... Como está? Sei que linda como da primeira vez que a vi e que foi tola suficiente para não fechar um acordo comigo.
Maria lembrou de que acordo ele falava. Dar Cecília como mentirosa e ainda ganhar um bom dinheiro em cima, o que nunca ela faria. O que não a fazia também se arrepender mas se lamentar que deveria ter feito algo a mais para que sua cliente ficasse protegida e não só apenas financeiramente como todos os direitos dela como ex-esposa dele, foram garantidos graças ao trabalho dela como advogada.
Que assim mantendo ainda postura ela o respondeu.
—Maria: Estou ótima.
O senador enfiou as mãos nos bolsos de sua calça e voltou a dizer.
—Manolo: E Estevão como está?
Maria fixou o olhar desconfiando do interesse do homem. Estevão já tinha citado a ela que o conhecia, mas não que havia uma amizade entre eles. Que então assim, ela o respondeu.
—Maria: Eu poderia saber o porquê da pergunta?
Ela o encarou nos olhos até que ouviu alguém chamá-la de mãe. Ela então girou para ver Heitor chegando e indo até os dois. E então ela ouviu o senador dizer.
—Manolo: Seu filho já é um homem e sua filha tão jovenzinha ainda... Seria uma pena se algo chegasse a passar a eles.
Maria ficou sem fôlego quando ouviu Manolo falar. Sua cor deixou seu rosto e não houve tempo para ela responder, pois Heitor chegou já colocando a mão em seu ombro e o infeliz senador seguiu adiante com seus seguranças.
Que assim, ela ouviu Heitor dizer enquanto ela encarava o homem de costa andando.
—Heitor: Mãe, quem era aqueles homens?
Ela fechou a boca que deixou cair em um “O” todo aquele tempo e virou para Heitor que viu os olhos dela tomados por lágrimas que queriam descer.
—Maria: Por favor filho, aconteça o que acontecer fique lingo de estranhos e se cuide, por Deus se cuide muito.
Com seu coração de mãe inundado de temores entendendo as palavras de Manolo como uma ameaça, ela depois de falar levou as mãos no rosto do filho dela mais velho, que não teria como o homem saber de sua existência muito menos de Estrela, a não ser se ele soubesse mais dela do que ela imaginava.
Heitor pegou nas mãos dela que pareciam geladas e disse.
—Heitor: Parece nervosa, se acalme mãe.
Ele então a abraçou e mirou a entrada da delegacia onde os homens haviam entrado e ele sabia que seu pai seguia lá dentro.
Que assim depois que a afastou devagar, ele disse por ter se ausentado da delegacia para ir até Demétrio e ele mesmo saber o que estava acontecendo para o homem não estar com seu pai, como era pago para estar.
—Heitor: Cheguei e já sei o que aconteceu. Sinto muito por mais essa besteira do meu pai. Só não queria que voltassem a estar como antes...
Agora Maria voltando para aquela questão que também tinha sua cabeça a mil disse, tocando seu cabelo.
—Maria: Eu só preciso estar longe do seu pai nesse momento, filho. E então saberei o que fazer.
Heitor assentiu e logo depois se despediram com um beijo entre mãe e filho.
Quando Maria entrou no carro dela, levou algum tempo para ela se sentir pronta para dirigir, mas quando esteve partiu logo dali enquanto pensava mais naquela besteira que Estevão havia feito.
O dia então seguiu que para ela seguir evitando Estevão, resolveu passar o dia trabalhando no escritório de advogados, que fez com excelência seu trabalho, ainda que hora e outra seus pensamentos eram tomados por dramas familiares e pessoais.
Pensou nas palavras de Manolo mil vezes e quis acreditar que ele blefava para dar medo a ela, um sentimento que ele havia conseguido fazer brotar nela. Depois sua mente só teve espaço para a questão que agora Estrela estava sobre o poder do pai. Lembrou então de quando ele tinha confessado seu jogo sujo e que jurou que não tomaria a filha deles e ela quis acreditar naquilo mais ainda. Afinal, não tinha razão dele fazer aquela ordem juiz valer, iam se casar e assim ele também teria Estrela com ele. Ela que digitava parou e olhou seu anel.
Iam se casar, ela disse sim então de qualquer maneira Estrela estaria abaixo do mesmo teto com o pai.
Enquanto pensava, alguém bateu na porta da sala que agora ela usava sozinha. Ela então suspirou podendo ver uma parte de quem era pelo vidro da porta, até que ela permitiu a pessoa passar.
E era Geraldo ali.
Ele entrou de mãos para dentro dos bolsos da calça e disse.
—Geraldo: Então você vai se casar. Quando ouvi as novidades quando cheguei, quis ver com meus próprios olhos.
Ele olhou para mão que ela levava o anel e ela quis tirá-lo constrangida sem ao menos ter razão para aquilo. Tinha sido sincera com ele quando esteve na casa dele e não esperava que ele quisesse voltar ao assunto como parecia. Que então assim, ela disse.
—Maria: Sente-se Geraldo. Não fique de pé.
Geraldo puxou a cadeira de frente da mesa. Não estava ali para trabalhar, estava ainda recém operado levando ainda um curativo no meio do nariz que por isso por sua mania de trabalho e perfeccionismo não podia ficar em casa apenas recebendo notícias de como estava seu escritório sem ele. Gostava de ver como chefe.
Que assim ele disse, puxando assunto depois de um silêncio.
—Geraldo: Já que resolveu casar novamente com seu ex-marido. Irá ficar no México?
Ela assentiu entendendo aquele seu interesse daquela vez como profissional, afinal ela partindo deixaria sua vaga para outro. Que então ela o respondeu.
—Maria: Sim. E se me caso ficarei no país e consequentemente se não houver nenhuma objeção de sua parte, Geraldo, gostaria de manter meu emprego.
Geraldo alisou o queixo. Não gostaria de perde-la como mais uma advogada de sua equipe também, ainda mais depois tê-la subido naquele patamar, dela só ter uma sala como seus outros advogados mais antigos e experientes como ela. Que então assim, ele a respondeu.
—Geraldo: Não há nenhuma objeção de minha parte Maria. O cargo é seu desde quando queira.
Maria sorriu agradecida. E suspirou querendo manter aquela conversa só no profissional, que por isso disse.
—Maria: Hoje encontrei Manolo, o senador...
Com Geraldo se ajeitando no lugar para ficar mais atento, deixou ela falar o que tinha acontecido no seu encontro por acaso com o homem que sabiam que havia sido o causador de alguma forma da morte da cliente deles.
Mais tarde. Já pela noite. Estevão estava em casa e em seu escritório. Estava chateado e ainda nervoso com tudo que tinha ocorrido aquele dia, ainda mais quando ouviu a gravação que Maria havia entregado nas mãos dele. As palavras de Patrícia era sua confissão explicita que ela sabia de tudo que houve por trás da clara armação que o tinha separado de Maria. Mas também ficou muito mais explicito o medo que ela tinha de quem fosse que tivesse por trás de toda sujeira armada contra eles e contra sua empresa.
E ele queria tanto falar com Maria. Desde que saiu ao lado de Heitor e Demétrio da delegacia, tentou entrar em contato com ela mas não teve em nenhum momento sucesso e até quis ir visita-la mas sabendo que estava em maus lençóis com ela novamente, temia não ser atendido e ele não aceitar aquela condição causando uma briga até ele ser recebido. Algo que só pioraria a situação dele com ela.
Ele esfregou a mão no seu rosto todo vermelho e de aparência também de cansaço. Patrícia estava morta porque sabia demais e estava preste a contar. Era tão claro como água aquilo para ele.
Ele deu play no gravador novamente ouvindo ela e Maria discutindo. As provas da inocência da mulher que amava estavam brotando nos olhos dele como antes ele jamais poderia enxergar. Mas que além de sua inocência naquela gravação também era clara, o perigo que ela corria também e ele era tão explicito e claro como água.
E ele tinha que agir. Tinha que protegê-la e então ele pensou no pedido de Luciano.
Não gostou de pensar no homem, mas ele tinha razão. Ele tinha que protege-la até eles saberem com quem realmente lidavam. Ele então levantou pegando seu copo vazio sobre a mesa para servir de mais bebida. Tinha certeza que sua empresa jamais seria a mesma, muito menos o legado de sua família depois do escândalo que lavavam dinheiro nela.
Mas o que era a falência perto do que já tinha perdido e ainda lutava para ter outra vez?
Ele virou o copo bebendo do liquido ainda mais pensativo. Pensava que tinha a mulher que amava já em suas mãos depois daquele sim, mas agora via que não, que só a teria quando todo o inferno que os cercava passasse.
Ele então girou para o lado da porta e pensou em Alba e sua proposta. Teve vontade de ouvir as verdades que ela tinha para dizer, mas infelizmente desde que havia chegado em casa ela não estava. Olhando calado a porta, de repente ela se abriu e Heitor passou por ela.
E assim ele logo foi dizendo.
—Heitor: Estava pensando pai e temos que fazer algo para que minha mãe não seja a próxima que encontraremos morta e falo muito sério.
Estevão sentiu o corpo tenso, viu que não era só ele que tinha aquele pensamento. Não era só ele e isso só dava mais razão de querer Maria perto dele e não só ela, mas Estrela que também era seu dever protege-la como pai e onde eles estavam, ali naquela casa. Que então ele disse desejando ajuda.
—Estevão: É o que eu estava pensando e isso deve ser feito logo filho e para isso, preciso que a convença. Ela te ouvirá mais que a mim. Sua mãe e sua irmã devem tomar o posto delas nessa casa e assim elas ficarão seguras.
Sem nenhuma dúvida por ter as mesmas inseguranças que o pai, Heitor decidia apoiá-lo naquela decisão.
E horas mais tarde, no meio da noite. Estevão rolava na cama de um lado a outro. Tinha insônia por ter tantos pensamentos na mente e ainda se ver dormindo sozinho, ou melhor sem Maria. O que em pensar nela e em seu silêncio que nem tinha ligado para brigar com ele, era o maior motivo que lhe tirava o sono.
Até que o celular dele tocou no breu do quarto, ele procurou no criado mudo e quando olhou a tela ele viu que era Maria, mas em troca ele ouviu a voz de Estrela dizer.
—Estrela: Minha mãe está sangrando.
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