Falso amor

40 Capítulo 40


Oi meninas, tá tão difícil pra mim escrever qualquer fic minha e gostar do que eu consigo escrever, como esse capítulo que já estava escrito há uns 3 dias mas eu não tinha gostado dele kkk tanto que segurei pra tentar fazer o próximo e encaixar o que vem em seguida na história, mas cadê o ânimo e a inspiração? Tá faltando pra mim. Por isso tô postando pra vê se fico animada pra escrever mais e espero não me arrepender kk

Maria saiu do elevador quando abriu no térreo, toda ofegante e então os olhos dela cruzou com os de Estevão.

Ele estava em pé, acabava de puxar bravo o braço dele que o porteiro tocou para conte-lo. Ele usava a camisa sem gravata com ela amassada e com alguns botões desabotoados no peito e dessa maneira, ele olhou Maria. Ela logo percebeu que os olhos dele estavam vermelhos e brilhosos também pelo álcool, o que mostrou a ela que o porteiro tinha razão quando disse que ele estava embriagado. Ele a mirou de cima a baixo, a vendo linda vestindo um conjunto de terninho e saia azul escuro com os cabelos que ele amava soltos e cheios caídos sobre os ombros. Ela ali para ele era o que ele precisava, era o ar que lhe faltava e que o deixou como estava a olhando, quase que hipnotizado até que ela disse brava.

— Maria: O que faz aqui, Estevão?!

Ela caminhou até ele de passos firmes e o porteiro saiu de perto de ambos para voltar para a recepção do condomínio, quando a viu.

Estevão então piscou, olhou para ela e disse de voz grossa.

—Estevão: Sabe o que faço aqui, Maria! Vim acertar minhas contas com aquele infeliz! Onde ele está, hum? Sei que ele já está com você e minha filha!

Ele respirou fundo todo ofegante depois de falar e olhou com raiva para o elevador por trás de Maria que saia uma moça, que por saber por seu motorista que Luciano ainda estava ali com Maria e Estrela, ele pensou em subir, que levado pela fúria que tinha, ele moveu as pernas em direção ao elevador, mas que Maria mais rápida vendo a intensão dele passou a frente dele e disse, nervosa.

— Maria: Aonde pensa que vai Estevão! Não passará daqui!

Ela o tocou no peito agora também furiosa por vê-lo ali e agindo como agia e o olhou ofegante. Estevão bufou e a olhou mais perto dele, ele então mirou a boca dela e reparou que não tinha batom neles. Ele os observou atento, pareciam que eles tinham sido tomados em beijos ou simplesmente ela estaria pronta para retirar a roupa que vestia e colocar a que dormiria que por isso não tinha mais maquiagem no rosto nem nos lábios. Mas que Estevão apostando na primeira opção, sentiu seu corpo pegar fogo de ciúmes, que por isso ele a pegou pelos braços e disse, possesso.

—Estevão: O que fazia com Luciano lá em cima, Maria? O que fazia? Ele, ele te tocou?! Estavam aos beijos?!

Depois de falar, ele desesperado, subiu as mãos e uma delas tocou com o dedão o lábio dela, Maria se mexeu com força e saiu dos braços dele. Estevão alterado daquela forma só atrairia plateia para eles, como a que eles já tinham do porteiro que estava preparado para agir a favor dela como moradora do condomínio, que querendo evitar um espetáculo, ela nervosa com o que ele acabava de falar e fazer, o gritou.

—Maria: Não interessa, Estevão! Me solte e vá embora! Deixe de fazer escândalos onde moro!

Ela depois de falar, se virou de lado, levou uma mão nos lábios e a outra nos cabelos e os arrumou mais nervosa, por entender que ele tinha percebido que a pouco ela estava aos beijos com Luciano. Mas Estevão a puxou por um braço e fez que ela se virasse rápido para ele e disse louco ainda de ciúmes, mirando ela nos olhos.

—Estevão: Eu vou matá-lo! Eu vou matá-lo, Maria!

Ele fechou os olhos totalmente fora de si, mas respirou fundo baixando a cabeça sem largá-la para tentar se controlar. Estava ali levado pela dor e o ciúme que sentia, mas sabia que estava agindo errado. Que depois de ter saído do bar, deveria ter voltado para casa e deixado nela o que ele trazia na cintura e tinha pego do seu escritório ao sair de casa. Era loucura o que fazia e até o que pensou em fazer.

Que foi então que Maria ao baixar a cabeça também, arregalou os olhos por ver ali escondido na cintura dele coberto pelo terno que ele usava, o cabo de uma arma. Ela então abriu a boca e ouviu ele falar de novo, mas dessa vez apenas para que ela ouvisse.

—Estevão: Eu desejei tanto ter aquele outro infeliz que te vi naquelas malditas fotos em minha frente Maria, mas como ainda não tive, terei Luciano e não vou deixar que meu acerto de contas com ele passe!

Maria então rápido e assustada, subiu o rosto e encontrou o dele e foi surpreendida quando viu os olhos dele lagrimejados. Estevão além de ter bebido demais, ele não estava bem, estava fora de si que por isso ela suspirou nervosa diante da ameaça dele e ainda com ele armado. Ela sabia que tinha que fazer mais ainda que ele fosse embora para evitar danos maiores do que mais uma discussão entre eles. Que assim, levada por sua razão que Estevão parecia não ter, Maria disse, de voz mansa ainda que seguisse por dentro uma pilha de nervos.

—Maria: Não faça nenhuma loucura, Estevão. Por Deus, vá embora. Amanhã será outro dia e se arrependerá do que está fazendo agora.

Estevão a mirou por alguns segundos em silêncio e então de voz embargada a respondeu, agora levando as mãos dele no rosto dela.

—Estevão: Eles me tiraram você. Você os preferiu. Eu te amei mais que a mim mesmo, Maria.

Ele a acariciou então no rosto dela chorando, deixando Maria sem ação ao ver aquelas lágrimas. Era claro que aquele choro dele era visto por ela por conta do álcool que ele havia ingerido e que ela podia sentir o cheiro de uísque caro que vinha da boca dele e também na roupa. Em outro momento ele não seria tão evidente. Não deixaria tão evidenciado o que uma mentira havia sido também capaz de transforma-lo em quem agora era. Ele da maneira que estava diante dela, Maria sabia que tinha que tirá-lo logo dali, até para impedir que com a demora dela, Luciano aparecesse como ele havia prometido e de fato acontecesse uma desgraça.

Que então temendo mais que nunca aquele encontro dele com Luciano, ela pediu mais uma vez.

—Maria: Não está bem, Estevão. Tem que ir. Por favor me escute. Olhe como está em minha frente!

Ela pediu olhando nos olhos dele e tocando devagar aonde estava arma na intenção de pegá-la. Estevão sentiu e tocou com uma mão a mão dela também, e ela disse baixo ainda o mirando nos olhos.

—Maria: Me dê isso, Estevão. Pense no seu filho, em Heitor, na Estrela também se a quer bem e não faça o que veio fazer aqui e ainda com isso.

O porteiro de onde estava os vendo próximo, não poderia imaginar que Maria tentava pegar uma arma de sua visita inoportuna, que ele do seu lugar sentado diante de uma mesa e um computador que tinha câmeras do condomínio todo, ficava atento nelas, mas também neles.

Estevão diante do pedido de Maria, respirou cansado, exausto do que vivia já há 15 anos mas disse depois que fez que não com a cabeça.

—Estevão: Se volto, voltará para os braços daquele infeliz e não posso permitir isso, Maria. Não, posso.

Ele buscou os olhos dela no final. Tinha falado baixo, em um tom sofrido pois sabia que a mulher que amava estaria com outro e não com ele, não por ele agora ser aquele homem, não pelo passado que sua consciência dizia que entre Luciano e ele, era claro que Maria teria sua escolha.

Maria depois de ouvi-lo, fez um gesto negativo com a cabeça e sentiu Estevão procurar os lábios dela. Ele a puxou para ele, a apertando e enfiou uma mão entre os cabelos dela enquanto a outra a abraçou firme pela cintura.

Ele deu um beijo rápido, mas que tirou o fôlego de Maria que ficou nos braços dele e ele levou o rosto na curva do pescoço dela descansando sua respiração, sua mente ali. Que assim ela disse de mãos nos ombros dele.

—Maria: Por favor Estevão, vá embora.

Estevão então se afastou um pouco dela e a olhou nos olhos, pegou no braço dela e a respondeu de novo.

—Estevão: Não posso.

Ele então passou por ela decidido e apertou mais de uma vez o botão da porta do elevador para chamá-lo.

O porteiro então pronto para chamar a segurança segurou no seu telefone quando viu Maria passar por Estevão de novo e dizer quase desesperada.

—Maria: Eu, eu vou com você. Vamos, Estevão.

Estevão então parou e a olhou sério, quase que incrédulo. Enquanto Maria torcia para ele aceitar o que ela acabava de propor. Estevão não queria sair dali porque ela estaria com Luciano mas se ela fosse com ele, então talvez ele iria embora. O que ela já contava em seu plano que começava ter, encontrar Heitor quando chegassem na mansão San Roman, para que ele a ajudasse controlar o pai dele e ela pudesse ir embora.

Estevão ponderou nas suas ações ao ouvi-la. Maria iria de fato com ele ou só mentia pra ele ir embora? Ele mirou então pelas costas dela o elevador abrir e ela então por ver também, voltou a dizer com pressa.

—Maria: Vamos Estevão, vamos querido.

O querido vindo da boca dela, fez ele desviar os olhos do elevador e mira-la. Nem Maria conseguia acreditar que da sua boca havia saído tais palavras, mas que ao ver que Estevão pareceu se entregar, ela levou a mão em um lado do rosto dele e voltou a dizer mansa.

—Maria: Vamos. Eu te levo já que está claro que não poderá dirigir assim.

Estevão deu um sorriso de lábios fechados e pegou na mão dela fechou os olhos e beijou a palma dela. Ele então depois assentiu com a cabeça e ela suspirou aliviada.

Estevão então andou na frente e Maria foi o seguindo, quando cruzaram o portão ela olhou para o prédio de apartamento que morava, Luciano estava nele e Estrela, mas também estava a bolsa dela e o celular para avisá-los principalmente a Luciano onde ia.

Ela tinha uma escolha, ir com Estevão ou dali voltar para dentro e chamar assim a polícia para eles conter ele que estava armado.

Ela então se virou para ele, o viu há alguns passos dela tentando abrir a porta do carro sem poder conseguir e ela então respirou fundo, como ela havia deduzido ele não poderia dirigir daquele modo e nem sabia como ele tinha conseguido chegar inteiro até ali.

Que assim ao invés de voltar, ela andou e pegou as chaves da mão dele, e ele olhou para ela e a ouviu dizer.

—Maria: Eu vou dirigir. Mas antes me passe a arma que sei que tem na cintura, Estevão. Se não me dar ela, chamarei a polícia daqui mesmo e terá que responder pelo que veio fazer aqui com ela a eles e não a mim!

Estevão depois de ouvi-la levou a mão na cintura e tirou a arma prata que tinha nela.

Maria então estendeu a palma da mão e ele então disse, a olhando nos olhos.

—Estevão: Eu não faria mal a você com ela Maria, a peguei fora de mim. Só queria que soubesse. Eu não sou esse vilão, eu não sou...

Ele então a entregou e ela mirou a arma em silêncio. Maria ainda que seguisse nutrindo ressentimentos contra Estevão ela conseguia acreditar que ele dizia a verdade, que aquele mal a ela ele não faria, mas ainda assim, ele seguia sendo também o vilão da história dela, já que ele tinha feito mais a ela no passado do que lhe dado um tiro. Que então de voz baixa, ela disse.

—Maria: Vamos logo, Estevão.

Ela se virou e abriu a porta e entrou no lugar do motorista e o viu dando a volta. A arma ela deixou na porta e ligou o carro quando viu que Estevão já estava sentado no lugar dele.

Ela então começou dirigir, percebendo que ele ao lado dela fechava os olhos e outra hora os abria. Ele estava bêbado assim ela cria.

Que então com pressa e torcendo para que Heitor estivesse realmente em casa, eles chegaram e ela disse, depois de desligar o carro.

— Maria: Estevão, chegamos.

Maria então por não ser respondida, virou o rosto para o lado de Estevão e o viu dormindo.

Ela então suspirou e tocou no ombro o chamando novamente.

—Maria: Seu estado está lamentável, Estevão. Acorde já chegamos.

Maria então tirou o cinto e tocou Estevão de novo que resmungou abrindo os olhos. Ele então olhou do lado da janela, vendo a casa que morava e depois voltou olhar Maria, que abria a porta do lado dela e segurou no pulso dela dizendo.

—Estevão: Passe essa noite aqui comigo Maria. Comigo, meu amor...

Ele pegou a mão dela e beijou ternamente, Maria nervosa pelo jeito que foi chamada por ele, puxou a mão rápido e revelou qual era sua intenção ao trazê-lo.

—Maria: Só vou entrar para encontrar Heitor, Estevão para que cuide de você e irei. Esteve armado na porta de minha casa isso não pode ser repetir! Vamos.

Ela então saiu com pressa do carro e Estevão saiu depois. No portão estreito seguido por um corredor, Maria deixou Estevão ir primeiro e foi atrás observando como ele andava com as pernas bambas e ela suspirou com pesar. Nem era para ela estar ali, mas estava e não sabia exatamente o porquê. Ela poderia ter mandando Estevão embora de outras formas como até chamar a polícia, afinal, ainda existia a queixa que ela mesma havia dado contra ele em uma delegacia. Mas estava ali e porquê? Por pena? Pelos filhos que tinham juntos e o tinha como pai? Ou... Ela então sacudiu a cabeça se negando fazer aquela última pergunta e voltou andar.

Quando Estevão passou pela porta da mansão, ela estava iluminada, mas toda em silêncio, Maria entrando depois dele, observou também se via alguém, até Alba serviria no momento para estar com Estevão para ela poder ir embora.

Que então ela disse.

—Maria: Será que Heitor está no quarto dele? Vou deixa-lo aqui Estevão. Ah e vou voltar com seu carro.

Ela mostrou a ele as chaves nas mãos dela e Estevão depois de olhá-la sentou desajeitado na escada e disse.

—Estevão: Vai, pode ir. Deve estar ansiosa para voltar estar nos braços de seu amante.

Ele se ajeitou abrindo as pernas no modo que sentou com elas dobrada e Maria respirou com raiva ao ouvi-lo. Com raiva de estar ali, por sentir a mais tola das mulheres. Que então ela disse.

—Maria: Eu não irei mais perder tempo contigo Estevão, muito menos discutindo já foi demais por hoje. Já está em casa, está seguro então já posso ir.

Estevão riu e procurou a gravata abaixo do pescoço para tocá-la até que notou que não a tinha, e disse a olhando.

—Estevão: Então quer colocar que me trouxe até aqui porque se importa comigo? E não porque eu tinha uma arma em posse para acertar minhas contas com aquele infeliz traidor que escondeu na sua casa?

Maria então se irritou mais. Com Estevão nada era fácil lidar, nem quando ela queria ser gentil mesmo que ele não merecesse. Que andando mais para perto da escada, ela o respondeu.

—Maria: Não estou escondendo ninguém, Estevão! Luciano é a minha visita! Além do mais devia me agradecer de joelhos que apesar de tudo ainda sinto compaixão por você. Porque eu poderia chamar a polícia que o levaria para delegacia assim que o encontrasse armado ou deixasse que você da forma que está dirigisse de volta para casa!

Ela ofegante depois de falar, olhou de lado para ele o mirando com raiva. E Estevão tentou se levantar dizendo.

—Estevão: Sou digno da sua pena, apenas da sua compaixão, não é?

Maria ergueu a cabeça empinando o nariz, em silêncio. Que depois ela chamou por quem a interessava.

—Maria: Heitor, filho! Heitor.

Ela ficou olhando para ver se ele aparecia e Estevão disse.

—Estevão: Está claro que não há ninguém aqui, Maria. Pode ir. Pode ir com Luciano...Com o homem que ama.

Ele tentou falar com desdém o final de suas palavras, mas vacilou quando já em pé os olhos dele brilhosos buscou os dela lamentando em silêncio não ser ele quem ela dizia amar.

Maria por sua vez, torceu os lábios de lado e disse, pronta para ir.

—Maria: Eu vou mesmo! Vou estar com homem que me ama Estevão, com o homem que acreditou e segue acreditando em minha inocência!

Ela então depois de falar, decidida ir, andou para deixa-lo, mas Estevão mudando de ideia de deixa-la ir, rápido foi até ela e a segurou por um braço e disse.

—Estevão: E vai fazer amor com ele como fez comigo? Vai fazer com ele o que fizemos naquele quarto de hotel e no seu apartamento? Hum? Como é esse amor que sentem? Que te permite estar comigo?

Depois de falar Estevão a mirou sério, sem larga-la querendo suas repostas, enquanto Maria respirou nervosa e fechou os olhos abalada. Que virando o rosto depois de abrir os olhos para olha-lo, ela disse a verdade que acreditava.

—Maria: Em nenhum momento que diz, fizemos amor, Estevão.

Estevão respirou fundo a olhando com ela de lado e voltando mirar outro canto e não os olhos dele, assim ele disse.

—Estevão: E por acaso em algum momento fez amor comigo quando ainda éramos casados? Realmente fez?

Maria respirou nervosa, abalada, querendo chorar, que ela agora fora de si se virou para ele e o gritou de lágrimas nos olhos.

—Maria: Fiz seu cretino imbecil, fiz em nossa noite de núpcias e depois em todas outras que fomos casados! O amor que senti por você me amaldiçoou Estevão, você me amaldiçoou a não conseguir amar outra vez!

Estevão depois de ouvi-la, frouxou a mão que tinha nela e disse também entregando o que sentia e também guardava.

—Estevão: Se é assim, também considero o amor que senti, que, que ainda sinto por você uma maldição, Maria! Porque ele ainda está aqui. Impregnado na minha alma, no meu coração, no meu ser como uma maldita tatuagem!

Ele andou agoniado, se afastando dela e Maria o mirou e gritou com ele aos choros pela confissão que ela não conseguia acreditar em nada que havia escutado.

—Maria: Está mentindo! Não me amou jamais e não segue amando! Teve outras mulheres, você seguiu em frente, mas eu não! Então não me faça acreditar nesse seu falso amor, Estevão! Não depois de tudo que me fez!

Estevão a mirou dando um riso amargo de lado, por não acreditar no que ela parecia querer evidenciar a ela, que então ele perguntou voltando até ela.

—Estevão: O que quer dizer? Que não teve ninguém, é isso? Quer que eu acredite Maria que não esteve também com outros homens? Que não seguiu em frente todos esses anos? E Luciano, hum? E ele!

Ele falou alto o final de suas palavras e Maria tocou nos cabelos querendo sumir dali. Não queria seguir passando por aquele momento, não poderia seguir evidenciando uma verdade que nela trazia dor e raiva, mas que para Estevão poderia ser um triunfo que ela não queria dar, não para se ver abaixo dele. Que então, ela disse nervosa.

—Maria: Esqueça o que eu disse, esqueça essa conversa, Estevão! Eu vou embora!

Ela se virou agora andando rápido como se quisesse fugir dele, mas antes de ir Estevão identificou nos olhos dela que havia lágrimas que aquele tema que falavam a trazia desconforto... mais que isso, que então ele se apressou outra para impedi-la de ir e gritou.

—Estevão: Não! Você não vai Maria!

Ele a segurou pelos braços deixando ela de frente para ele e quase colados e voltou a dizer ao ver ela chorando.

—Estevão: Me diga, me fale o que começou falar, mas me mire nos olhos, Maria, nos meus olhos!

Maria se revoltou, chorou se movendo para se livrar dele até que viu que não ia conseguir novamente, e disse o mirando nos olhos, cheia de dor e rancores.

—Maria: Para que, Estevão? Para que quer saber algo que só será capaz de aumentar seu maldito ego! Me solte seu desgraçado, me solte!!

Maria se sacudiu abalada e Estevão começou raciocinar com o que ela dizia. Pensou na noite que voltou a tê-la e nas demais, nas discussões, nos choros, nas palavras de Heitor que evidenciou a ele como ela vivia com a filha deles. Que então ele fechou os olhos rapidamente, e era como que se ele voltasse a senti-la e percebesse que estava sendo quem ela estava tendo relações depois de algum tempo sem. E seria 15 anos? Por que todos eles? Porque ela sendo uma mulher tão atraente e bela, não havia tido relações, nem relacionamentos com o final do casamento deles? E o amante dela? E Luciano? Ela o havia traído!

Com tantas perguntas que se fazia, Estevão largou Maria abalado. Lembrava de tudo que Demétrio havia conseguido com a volta dela e naquelas folhas, não havia nenhum homem, nenhum casamento novo. Ele a mirou, enquanto Maria o olhava achando que ele passava mal, mas ela ponderou suas ações. Estava com tanta raiva dele e revoltada com ela mesma que queria ali dar um basta nas suas recaídas quando o assunto era ele. Pena? Compaixão? Quando Estevão havia sentindo tais sentimentos por ela?

Estevão levou a mão no peito e caminhou para se segurar no corrimão da escada. Ele sentia seu coração rápido demais, sua audição se resumindo em um zumbido, o corpo quente o suor começando descer como água de seu rosto.

Enquanto Maria o vendo como estava e agora parecendo puxar o ar com a boca, totalmente em silêncio, ela disse rancorosa.

—Maria: Se o que sente é culpa Estevão, estou feliz. Estou feliz porque é a penas o começo.

Ela então ouviu a porta da mansão se abrir e Heitor e Alba passarem por ela, os surpreendendo assim. Que então, Heitor se apressou para estar próximo a eles, dizendo.

—Heitor: Estávamos te procurando pai!

Estevão o mirou sem conseguir falar, com dificuldade de respirar. Que então só Alba sendo capaz de entender que algo passava a Estevão, ela disse nervosa e se aproximando dele.

— Alba: O que fez com ele, Maria? Estevão! Estevão!

Estevão então apagou caindo no chão.

Era 5:30 da manhã quando Maria chegou no apartamento. Havia tido uma noite longa e que terminou com ela no hospital.

Estevão havia tido outro ataque do coração passado assim por uma cirurgia cardíaca de urgência, que fez ela ficar no hospital ao lado de Heitor até terem a notícia que a cirurgia havia acabado.

Quando ela bateu a porta do apartamento ao chegar, abalada, ela sentou escorregando nela e se agachando até sentir o chão e com as mãos nos olhos ela chorou. Ela se permitiu chorar e deixar descer todas as lágrimas que no hospital ela as segurou.

Chorou por ter descoberto sozinha, que não fazia sexo com Estevão por fazer e não só tinha feito com ele por haver um problema com ela como mulher, e sim porque o amou e ainda o amava. Ela era daquelas mulheres que só faziam amor. Amor com quem amava. Quando havia entendido que Estevão poderia ter morrido diante dos olhos dela, ela havia enxergado aquela verdade nua e crua e que agora ela recusava aceitar.

Luciano que não tinha pregado os olhos sem saber dela a ouviu chegar que então ele caminhou vendo ela aonde estava. Ele não sabia o que tinha acontecido, apenas que ela ao descer para conter Estevão não havia subido mais e só aparecia aquele momento. O que ele acreditou no que já deduzia, que ela tinha passado a noite com ele, na cama dele.

Maria ergueu a cabeça notando que não estava mais sozinha e então ela disse, confessando entre suas lágrimas o que tinha feito, o que tinha descoberto.

—Maria: Eu fiz amor com Estevão. Fiz amor com ele mais de uma vez, mesmo me odiando depois, sabendo o quanto eu errava eu fiz. E, e hoje eu percebi o porquê, Luciano. Foi tudo porque eu o amava, tudo porque eu desgraçadamente ainda o amo. E eu me odeio e o odeio ainda mais por isso!

Luciano se abaixou com ela, esteve na altura dela e Maria buscou os braços dele abraçando forte e voltou a dizer.

—Maria: Ele passou mal, quase morreu e temi, temi a morte dele! Eu sou uma imbecil, a mais tolas das mulheres!

Ela se afastou dele, levando a mão na boca e Luciano tocou nos cabelos dela dizendo.

—Luciano: Eu sabia disso Maria. Sabia que tinha caído nas garras de Estevão novamente e sabia que se foi capaz era porque o amava.

Depois de ouvi-lo, Maria levou as mãos no rosto limpou eles com força, se levantou e disse.

—Maria: Mas eu não quero amá-lo! Não quero esse amor, não quero senti-lo mais, não quero, não aceito! Eu não o aceito, Luciano!

Ela sentou sobre o sofá e se encolheu agora nele. A dor da realidade nela não batia tão forte como tinha batido no peito de Estevão depois de tantos erros e quase irreversíveis.